Artista: Vivides Augue Música: Consequat 4780 FIO DO DESTINO MEU PERFIL EM UM POEMA Eu sou o sorriso alegre, e a singeliza da fé. Não há palavra apropriada, para eu descrever a minha simplicidade! Da timidez de minh'alma brotou a inspiração para esse suave poema. A humildade é uma canção alegre e pura, embalsamada de doçura que desabrocha de meu interior. A espada cravou meu o coração, mas em minh'alma ainda vibra um coro alegre, que não se desmancha... Vivo no mundo baixo, mas me sinto nas alturas com o aroma das flores que esvoaça... Minh'alma anseia docemente pela luz do alto mundo, quando adormeço, seu olhar descansa enfim na abertura... Clara visão da esplêndida eternidade, onde os anjos estendem no ar finos véus; tudo é amor, tudo é paz e tudo é alegria! O passado e o presente se fundem em harmonia, sinto a alegria esquecida na saudade, e vejo meu passado qual poema enevoado pelo tempo. Quando desço do alto clarão, vejo-me na escuridão da estrada. Acima da tormenta miseria, desconheço o que me dói no fundo... Autora Rozalia Pereira Nakahara ********** Médium de nascimento, tímida e serena, o sopro do destino me conduz por caminho reto, mas sem retirar os obstáculos que serve para o meu aprimoramento. Para conhecer e experimentar meus próprios anseios, minhas forças e fraquezas, alegria e a dor de estar viva, preciso aceitar sem lamúrias as provas que me compeliram a experiência terrestre. Quando vemos a frente dos tempos, vivemos o eterno presente, sem passado nem futuro. Desde menina, aprendi que a vida nos sorri de forma misteriosa. O fim nos é sempre um novo e alegre começo. A vida nos conduz, e o fio do destino nos puxa para o caminho que devemos percorrer. É quase impossível pensar-se na morte sem que o coração sinta-se angustiado, mas ela nos abre a porta sublime para o mundo celestial, e nos permite levar as nossas experiências mundanas para o plano Maior. Por isso é preciso despedir-se do orgulho e abraçar a humildade, para compreendermos a linguagem celeste. Os desígnios do Alto são condutores do nosso destino, ninguém nasce ou morre sem a permissão de Deus. Em 2000, Espíritos benévolos, incumbidos de me orientar, falaram das minhas existências anteriores e das minhas missões, interrompidas pela morte. Depois falaram de minha linhagem espiritual, me explicaram que a mediunidade é um dom que me foi concedido por Deus no momento em que Ele me criou, e que me acompanha desde a minha primeira existência corpórea. Em seguida, disseram que tinham sido designados pelo plano celestial para me prepararem para a perda dolorosa, que era necessária. Ao mesmo tempo preparavam William para a partida. Motivo de alegria para ele, William tinha na memória à lembrança viva da sua existência como Anacleto P.G. desencarnado no início do Século XX, como também da sua vida espiritual. Com apenas dois anos, William já dizia que ao dezoito teria que voltar para a vida espiritual, onde os amigos o aguardavam. Ao longo de três anos, os ensinamentos diários dos professores do Além sobre a vida espiritual, foram para mim lições indispensáveis. A disciplina me ajudou a compreender a profundidade dos seus ensinamentos. Terminada a missão, em setembro de 2002, os abnegados amigos espirituais foram-se, mas deixaram acesa em meu coração a luz da certeza de que a morte do corpo não extermina a vida do Espírito. O grupo substituto, incumbido de uma nova etapa dos ensinamentos, se referiu ao Espiritismo como a luz da verdade. Ao partir, disse que a chegada de outros orientadores confirmaria tudo que já tinha me sido dito. Passou-se tanto tempo que me fez desacreditar de tudo. Mais ou menos sessenta dias depois, a confirmação. João C., um espírito que se comunica comigo desde minha infância, que também se comunicava com meu pai e com William, confirmou minhas existências anteriores, como também minha linhagem espiritual. Confirmou ainda a existência de William com o nome de Anacleto, e a sua trajetória espiritual antes do reencarne. Depois me falou do próprio desencarne, segundo palavras do próprio João, deu-se onze anos antes do meu nascimento. Disse-me que era emissário de Jesus, teve como missão, me preparar com ensinamentos bíblicos para que o Espírito Maior pudesse se comunicar comigo. Quando a porta da minha audição mediúnica se fechava, através de William, que também era médium auditivo, o espírito João me transmitia os ensinamentos bíblicos. Em meadas de junho, o Espírito Maior se comunicou: ? Rozalia! Sou seu irmão mais velho, venho lhe preparar para a perda do que tem de mais valioso. ? Não acredito que seja quem diz ser. Sou uma pecadora cheia de defeitos, se fosse quem afirma ser, não ia vir falar com uma pecadora. ? O que te faz pensar que não é merecedora da minha presença? ? Sou uma pessoa simples, sem maldade, tenho medo de ser enganada. ? Foi a sua humildade que me trouxe até você. ? Se estiver falando a verdade volte amanhã. Passei a noite pensando na pureza e doçura de suas palavras, a luz que o envolvia é de uma sublimidade espantosa. No dia seguinte, a lembrança da luz do Espírito Maior e o tom celestial em sua voz, desviaram minha atenção de tudo que estava ao meu redor. Depois de ter visto a luz celestial do Espírito Maior, a vida material me pareceu enevoada. Por volta das onze da noite a luz celestial da noite anterior apareceu, a voz disse ? Rozalia você pediu aqui estou. Deus é amor e vida, mas também é morte, alegria, tristeza e dor. O salmo lhe fortalecerá no momento da dor. Este ano você terá uma grande perda. Não é perda material, falo de perda maior. Precisa estar preparada para suportar a dor e o sofrimento. O filho mais novo será a grande perda. Precisa entender que é necessário. Em nem um instante, disse que a perda seria a morte de William. A voz cessou, a luz foi se distanciando lentamente, até que desapareceu. A partir daquele dia, as visões mostravam o meu próprio sofrimento, o futuro me era presente. William me consolava ? você precisa estar preparada para se acostumar com a minha ausência. O dia da minha partida já esta se aproximando. Depois que eu me for, venho lhe ensinar a escrever livros, a escrita vai amenizar a dor e lhe fazer compreender o que não compreende. Em setembro de 2003, uma tragédia interrompeu a vida corpórea de William. No ápice do meu desespero, uma hora após seu desencarne com palavras consoladoras, William confortou meu coração, e me deu forças para suportar a dor. Uma semana depois, psicografei a primeira mensagem de William ditada de além-túmulo. Em janeiro de 2004, o espírito João passou a me dar orientação disciplinar e regras indispensáveis para a psicografia, e de como se escrever um livro. Eu lhe contava histórias de familiares, João me orientava passo a passo, na escrita. Assim nasceu Loucuras do Inconsciente, em seguida, Fronteiras da Encarnação. O primeiro escrito em apenas duas semanas, o segundo em um pouco mais de um mês. Segui as regras disciplinares que João me ensinou, aprendi manter aberto por tempo mais longo, o canal da audição mediúnica. Preparada para a psicografia, no mesmo ano, William Eduardo ditou de além-túmulo, o livro Regresso. Depois Proletários do Bem. Desde então, não parei mais de escrever. Quando terminei de escrever Regresso, atendendo o pedido de William e dos Espíritos superiores, passei a frequentar as sessões mediúnicas no centro Espírita Lar Universal da Família. Da tristeza deixada pela morte, nasceu a escrita e a vontade de me sentir viva novamente. Hoje o fio do destino ilumina a minha caminhada. Rozalia Pereira Nakahara Em 7 de junho/2012 Livros "Onde impera a Mão da providência não age a do Acaso" Allan Kardec CAMINHO DO BEM Texto do livro Aflições da Alma Os que seguem o caminho do mal, a morte do corpo os conduz as zonas sombrias do padecimento, cercadas pelos fios da avareza que eles mesmos teceram. Pertubados, não encontram forças para se libertarem. E no momento em que o íntimo é tomado pelo súbito frio, o pavor do abandono e da solidão os leva aos crivos sombrios, em companhia dos que no mundo praticaram atividades criminosas. Os erros voluntários e criminosos do passado, no túmulo tornar-se-ão tormento consumidor, e como mendigos da inquietação cavam poços abismais do padecimento torturante. Quando sentem as labaredas do remorso queimar-lhes as entranhas, estampam nos rostos penosa expressão de amargura e dor. Arrependidos suplicam pelo amor de Deus, absolvição... Os desastres morais de vidas anteriores de reparação difícil, depois do túmulo, envolvem lhes em forças de padrão vibratório das mais inferiores. Vítimas de lembranças dolorosas de outros tempos, afundam no lamaçal das falhas, e o sentimento acentua-se de maneira terrível, obrigando-os a suplicar Clemência ao Pai Misericordioso. Os amargos padecimentos são consequência dos caprichos que alimentaram durante a vida. Em virtude da ignorância não deu a merecida atenção às advertências salutares tendentes a modificar lhes a conduta. Somente rogam pela assistência salvadora, quando reconhecem que a prece irriga-lhes o coração. A paz e a serenidade oferecem lhes a certeza de que a elevada vibração é a "capa acolhedora" para os que esperam no vale das sombras, pela compaixão dos mais Evoluídos. Desorientados, com o novo recomeço, deparam-se com os próprios anseios. "Veem os que amam vindo ao seu encontro, e ao correr para abraçá-los se conscientizam de que já não pertencem ao mundo dos vivos. Com os vigorosos laços de estreitas amizades, vivos na memória, não percebem os braços acolhedores dos irmãos espirituais estendidos em suas direções peregrinam pelas regiões sombrias, e se ajuntam a grupos atolados em martírio, com pensamentos impuros aferrolhando lhes os cérebros de forma torturante". Tomados pela profunda sensação de deserto e intraduzível tristeza. Com medo da solidão, a inquietação da consciência, penitencia-os a se acotovelarem em cubículos. O amparo dos Divinos Mensageiros é o "agasalho" que lhes aquecem. De coração embrandecido, acalentam a esperança de conhecer o caminho evolutivo. Contemplam o sublime lampejo dos lampadários Celestes, iluminando o lado risonho da Vida Maior. Autora Rozalia Pereira Nakahara Espirito William Eduardo Mensagens GALERIA DE LIVROS APRESENTAÇÃO, SINOPSE E PREFÁCIO: CLICK NA IMAGEM. LIVROS AINDA NÃO PUBLICADOS. CAPAS ILUSTRATIVAS. SEJA BEM VINDO! MENSAGENS ONLINE CONTATO e-mails: romancesespiritas@romancesespiritas.com.br rozaliapnakahara@romancesespiritas.com.br www.romancesespiritas.com.br Redes sociais Telefone: (Opcional) Nome: Mensagem: E-mail: Enviar mensagem AUTORA HOME LIVROS CONTATO AUTORA HOME LIVROS CONTATO PENSAMENTO SOBRE DEUS Deus! Nome sublime e grande que faz tremer a terra e estremecer os céus, que vê envelhecerem os anos e não envelhece nunca! Santo e eterno mistério, seu berço faz a noite e o véu dos tempos! Deus! Deus que criou tudo, que se criou a si mesmo, que cria o Universo e lhe dá as suas leis, que faz chegar a todos sua vontade suprema, ao escravo, ao tirano, as servos e seus reis. Deus! Fantasma assustador que açoita a dúvida, essa pigmeia orgulhosa que mede um gigante quando procura por toda parte e não vê em seu caminho senão a obra do acaso, o trabalho do nada. Deus! Rei do mundo inteiro, que conduz pelo espaço todos esses globos de fogo, gravitando pelos céus, que lhes traça o círculo e lhes fixa seu lugar onde cada um deve cumprir seu curso misterioso. Deus! Mestre onipotente que comando o trovão quando ele despeja seus raios no cimo dos montes, que comanda a torrente, quando atira à terra suas vagas negras como negros demônios! Deus! Grande guerra, invisível gênio, que preside aos combates de um povo guerreiro, protege a águia da bandeira que ele abençoou e dá aos vencedores as palmas dos louros. Deus! Fonte de bondade! Deus que sempre esquece o orgulho do culpado e seu louco abandono; que não amaldiçoa jamais e responde ai ímpio mostrando-lhe no céu o amor e o perdão! Cristão, eis aí teu Deus! Sua sabedoria infinita põe no caminho, que conduz a seu porto, três barreiras a franquear: a prova da vida, as tristezas do exílio, as dúvidas da morte. Casimir Delavigne A PRECE DOS ESPÍRITOS Estou verdadeiramente tocado por ver-te triunfante nas presunções do dia, evocar-me, caro filho, rezando, mas bramando a lógica impotente e os vãos argumentos de uma seita nascente a qual pretende que o Espírito cumpre um dever, quando atende teu chamado, muito feliz de poder, suportando teus desejos, fugir e deixar depressa a morada tediosa do mundo que ele habita, para voar, enfim, nesses campos sem limites que não entristece tanto como a sombra e o gemido dos mortos. Então ai grandes palavras e frases conhecidas. Contudo, se ele vem desvelar as belezas desconhecidas desse mundo sem nome, abrir os horizontes do tempo, e ensinar em longas lições, o princípio e o fim de tua alma imortal, a grandeza de teu Deus, seu poder eternal, sua justiça infinita e sublime amor, nobre ralador responde: dir-me-ás que, em troca, se ele te pede, um dia, uma curta prece, ele é exigente, quando frequentemente na terra, para obter os favores que se compra sempre, a gente te vê suplicando, esmolar todos os dias à porta dos grandes, como um pobre mendigo, suspirando, o pão que deve nutrir sua vida. Oh! Acredita-me, caro filho, pior, três vezes pior para aquele que sempre se esquecendo da dor e as lágrimas de sangue deste mundo invisível, escutando minha voz fique, insensível, se ele não vem de joelhos pedir a seu Deus pro nós! Casimir Delavigne A ESPERANÇA A esperança é uma fraca e tremulante luz. Que esmorece, às vezes que corre a brilhar, Quando a noite e o frio vêm ao nosso coração; Com ela, tudo vive; sem ela, tudo morre. É o pálido raio, cujo doce claridade Visita o reduto e a cela escura, Onde geme o prisioneiro, chorando a liberdade, O sol e o ar puro, a brisa e a verdade. É a estrela dos mares que lança ao longe seus raios Sobre vagas irritadas; que sustém a coragem Do piloto esgotado, quando ele procura ver Um ponto no horizonte, a terra e seu contorno. É a ridente aurora de face cintilante, De pele fresca e vermelha, com a boca rósea, Que vem todas as manhãs com seu pequeno dedo branco Levantar as cortinas discretas sobre o Cruzeiro. Aqui, é uma criancinha que acorda balbuciante; Ao passar, ela deposita um beijo em sua cabeça. Ali, é um libertino, em sono febril; Ao passar, ela canta refrão alegre de festa. Mais longe, é um sábio que refaz, pela manhã O seu trabalho da vigília; ao passar, ela o admira. Lá, é uma jovenzinha de olhar negro e buliçoso, Ao passar, ela ri com ela seu riso feliz. Mais adiante, é um jovem de rosto pálido e turbado; Sua voz é fraca, ele chora enlanguesce no leito. Ao passar ela cicia e o adormece consolando, Feliz de haver sentido seu hálito em sua boca. Enfim, é um velhinho gemendo sob o fardo Dos anos; sua mão está fria e seus lábios, murchos. Ela passa e ergue um canto da negra cortina Que lhe esconde o céu, sua futura pátria. Casimir Delavigne PRECE Amado Mestre que as Vossas bênçãos se estendam pelo caminho que temos que passar. Iluminai os nossos coraçõescom a sublime luz do Vosso amor. Fazei-nos vencedores, para que saiamos vitoriososna missão que Vós nos designastes, aclarai nossos corações para que o ensejo de auxiliar os irmãos permaneça aceso dentro de nós. Amado Mestre, sustentai em nossos corações as chamas da bondade que emana o nosso interior de forma que possamos auxiliar os irmãos que necessitam de luz e amparo. Oh! Eterno Pai, ouvi a nossa singela e humilde prece, fazei-nos sentir a Vossa presença ao nosso lado pelos caminhos da vida eterna. Mestre, iluminai com vosso amor os corações que vivem nas trevas da amargura por não conhecer a sublime luz do perdão. Iluminai o sentimento dos que vivem acorrentados às angústias da vida. Tirai-lhes do poço das aflições e lhes fazei ver a vossa luz. Dar-lhes entendimento para que possam com sabedoria compreender os vossos desígnios, para que o barcocarregado de revolta não ancore em seus corações. Do livro Proletáros do Bem - Rozalia P. Nakahara PRECE ?A Ti rogamos, Pai Divino, através de Jesus Cristo, o nosso Divino Modelo, a Graça de consentir assistência espiritual da parte de André Luís e seus companheiros de trabalho. A Ti rogamos, Cristo-Verbo, Senhor Planetário e Celeste Derramador do Espírito sobre toda a carne, a bênção do Amor que a Teus irmãos menores dedicas. E apelamos, Senhor, que esta bênção venha segundo os Moldes que revelaste ao mundo, quando pela carne transitaste, indo em busca dos pequeninos, daqueles que a Ti apelavam através de suas chagas, aleijumes, compressões espirituais e toda sorte de sofrimentos. Desce uma vez mais, Senhor, através dos abnegados serviços de André Luís e seus companheiros, até às brumas deste mundo inferior, distribuindo dádivas espirituais a todos aqueles filhos de Deus, Teus irmãos e tutelados que, por seus desejos de melhora intelecto-moral, venham a se tornar merecedores. A vós, André Luís e devotados servidores da Soberana Vontade de Deus, que se filtra através de Jesus Cristo, rogamos assistência espiritual, para efeito de Saúde, Paz e Ventura, tudo porém consoante a lei de Causa e Efeito; que se cumpra a Justiça Divina, a fim de que todos aprendam, que por cima da Lei ninguém jamais passará. Augurando a vós, abnegados servidores da Verdade, do Bem e do Bom, as Graças do Pai Divino e do Cristo Planetário, aguardamos a vossa preciosa assistência, para que assim assistidos, possamos estar sempre vigilantes, para não cairmos em tentação e podermos auxiliar nossos irmãos na caminhada evolutiva. Sabedores de que há uma Sagrada Finalidade a ser atingida, nos afirmamos desejosos de progredir; e reconhecendo que para Receber é necessário Dar, rogamos a ventura de podermos ser úteis aos nossos irmãos necessitados, servindo de instrumentos de vossa maravilhosa obra de caráter assistencial.? ANDRÉ LUIS - CHICO XAVIER SOU O MÉDICO DAS ALMAS Em verdade vos digo: os que carregam seus fardos e assistem os seus irmãos são bem-amados meus. Instruí-vos na preciosa doutrina que dissipa o erro das revoltas e vos mostra o sublime objetivo da provação humana. Assim como o vento varre a poeira, que também o sopro dos Espíritos dissipe os vossos despeitos contra os ricos do mundo, que são, não raro, muito miseráveis, porquanto se acham sujeitos a provas mais perigosas do que as vossas. Estou convosco e meu apóstolo vos instrui. Bebei na fonte viva do amor e preparai-vos, cativos da vida, a lançar-vos um dia, livres e alegres, no seio dAquele que vos criou fracos para vos tornar perfectíveis e que quer modeleis vós mesmos a vossa maleável argila, a fim de serdes os artífices da vossa imortalidade. Sou o grande médico das almas e venho trazer-vos o remédio que vos há de curar. Os fracos, os sofredores e os enfermos são os meus filhos prediletos. Venho salvá-los. Vinde, pois, a mim, vós que sofreis e vos achais oprimidos, e sereis aliviados e consolados. Não busqueis alhures a força e a consolação, pois que o mundo é impotente para dá-las. Deus dirige um supremo apelo aos vossos corações, por meio do Espiritismo. Escutai-o. Extirpados sejam de vossas almas doloridas a impiedade, a mentira, o erro, a incredulidade. São monstros que sugam o vosso mais puro sangue e que vos abrem chagas quase sempre mortais. Que, no futuro, humildes e submissos ao Criador, pratiqueis a sua lei divina. Amai e orai; sede dóceis aos Espíritos do Senhor; invocai-o do fundo de vossos corações. Ele, então, vos enviará o seu Filho bem-amado, para vos instruir e dizer estas boas palavras: Eis-me aqui; venho até vós, porque me chamastes. Deus consola os humildes e dá força aos aflitos que lha pedem. Seu poder cobre a Terra e, por toda a parte, junto de cada lágrima colocou ele um bálsamo que consola. A abnegação e o devotamento são uma prece continua e encerram um ensinamento profundo. A sabedoria humana reside nessas duas palavras. Possam todos os Espíritos sofredores compreender essa verdade, em vez de clamarem contra suas dores, contra os sofrimentos morais que neste mundo vos cabem em partilha. Tomai, pois, por divisa estas duas palavras: devotamento e abnegação, e sereis fortes, porque elas resumem todos os deveres que a caridade e a humildade vos impõe. O sentimento do dever cumprido vos dará repouso ao espírito e resignação. O coração bate então melhor, a alma se asserena e o corpo se forra aos desfalecimentos, por isso que o corpo tanto menos forte se sente, quanto mais profundamente golpeado é o espírito "O Espírito de Verdade" SONO DA ALEGRI Nas ondas piedosas do tempo, a luta é qual carinho Eterno a nos embalar o sono da alegria. A qualidade que se espera de um aprendizado sempre supera a expectativa do mestre quando o aluno leva o coração iluminado pela benigna luz da verdade, pois o Eterno reconhece o empenho do aluno aplicado. A fonte misteriosa do coração transporta o valioso tesouro da Sabedoria Divina quando o aluno abraça confiante a tarefa do aprendizado, e surpreende o mestre pelo bom desempenho da tarefa que lhe foi confiada. No ato da perdição, a longa estrada da vida, para todos vós, a morte ainda é o começo no palco da lamentação. Na costa do oeste, no caminho do tempo a esperança permanece para todo e sempre. Louvado seja o Cordão da Paz! O sopro do vento na direção sul, ainda que os montes se movam, a fé permanecerá intacta no coração dos que crer em Deus. Nos braços do tempo a vida lhes parece eterna. Não sou daqui deste mundo, mas sou alma bondosa, pessoa que esteve em missão na matéria, contudo, o destino assim quis, trazer-me de volta pela caneta no papel. Sou alma carente, mas feliz, muito feliz! Deus em mim espera compreensão e entendimento. Sou alma doutro mundo em contato com mundo seu. Sou pássaro solidário em companhia dos sábios pássaros que não voam. Sou a luz do tempo iluminando a escuridão do templo carnal. Sou a luz da vida em direção da vida. Sou a porta sagrada da vida eterna. Sou a estrela que brilha no interior do homem. Sou a vida, e a vida do coração do tempo. Eu sou um servidor do teu Deus! Nos laços eternos, ainda que os montes se abalem, no tempo dos tempos vindouros, o desabrochar da mais bela flor, aqui no mundo de cá, é como todo servo comprometido com o caminho do Bem. Louvado seja Deus! Um Servidor do Bem Psicografado por Rozalia P. Nakahara ? em 20 de Agosto/13- durante a reunião mediúnica. PRECE Senhor, dai-nos sabedoria para distinguir o bem do mal, a verdade da inverdade. Dai-nos discernimento para ouvir com resignação o lamento dos que trazem o coração asfixiado pela dúvida. Dai-nos a compreensão das nossas falhas, guia-nos pelo caminho límpido, para que o espinheiro de aflição não interrompa nossa caminhada na direção da benigna luz do amor, da compaixão e da caridade, para que o bem possa se expandir até onde houver necessitados de luz. O coração em trevas precisa de amor, luz e discernimento para se libertar do ?lamaçal? do ódio que o envolve. Senhor, purificai com aroma da Vossa compaixão os teus filhos amados que se acham afundados no atoleiro da desilusão. Dai-lhes discernimento para perceber que a vida é uma primorosa estádia na escalada sublime do aprimoramento superior. Conduz-lhes Senhor, pela estrada do aprendizado do servo fiel, para que se tornem trabalhadores disciplinados no prodigioso curso do bem. Senhor, dai-lhes a paz, e a Vossa luz dissipará o denso nevoeiro da incompreensão; de coração leve, reconhecerão que a semeadura tem raiz nos ensinamento de Jesus. Bendito seja aquele que direcionar suas caminhadas na direção da causa de Jesus nosso Eterno Mestre. William Eduardo ? em 21de janeiro/14 ? Psicografado por Rozalia P. Nakahara, durante a Reunião Mediunica. DEUS DE ETERNA BONDADE "Deus de eterna bondade, em prece de louvor entrego-te minha alma,sê bendito meu pai em todos os recursos, ferramentas, processos e medidas dos quais te utilizasses à fim de que eu perceba que tudo devo à ti.Agradeço-te pois o tesouro da vida, a presença do amor, a constância do tempo,o sustento da fé,o calor da esperança que me acena o porvir, o santo privilégio de servir,o pensamento reto que me faz discernir o que é mau e o que é bem, na clara obrigação de nunca desprezar ou de ferir alguém ...Agradeço-te ainda, a visão das estrelas à esmaltarem de glória o lar celeste,as flores do caminho, os braços que me amparam e os gestos de carinho dos corações queridos que me deste. Por tudo te agradeço e QUANDO te aprouver despojar-me dos bens com que me exaltas ... ensina-me senhor à devolver tudo o que me emprestas-te ...Mas por piedade ó pai , deixa-me em tudo por apoio e dever , a benção de ACEITAR e o dom de COMPREENDER. " O APÓSTOLO Sou um apostolo, venho trazer-te uma mensagem do mestre para alegrar o teu coração. Somos irmão de fé. Pelo cristianismo, tornamo-nos servos fiéis do Mestre, porque os ensinamentos de Jesus nos dão o discernimento preciso para compreendemos os mandamentos de Deus nosso eterno Senhor. Preguemos o evangelho para aqueles que foram abandonados pela sorte, e percorrem o caminho árduo da miséria humana, sem a palavra de conforto para amenizar as aflições do coração. Peço-te, auxilia aqueles que atravessam dificuldade, levando até eles os ensinamentos de Jesus. A Caridade que alimenta o corpo não alimenta a alma. Conhecemos o coração de cada servo que habita o corpo. Sabemos, tu foi escolhida para auxiliar os órfãos de fé que peregrinam na busca da palavra do Senhor nosso eterno Mestre. Como eu, podeis percorrer o caminho da Caridade, levando os ensinamentos de Jesus para o irmão carente de fé, pois a fé é o fermento que dilata a esperança. Jesus é a videira, seus discípulos as ramas dos frutos que darão sementes para o novo plantio. É preciso semear os grãos do amor para a semeadura do Senhor continuar a expandir com raízes no Cristianismo. Os Apóstolos de Jesus praticaram a Caridade, acalorando com a palavra de conforto, os órfãos de fé. Filha, quando o destino traça a corrente da fé, se uma das argolas se abrir a corrente se partirá, e a missão fica inacabada. É preciso compreender que o servo é haste dos apóstolos do Senhor; sem haste a flor não germinará para a colheita das sementes para o futuro plantio. O Mestre designou-me com a missão de te transmitir essas palavras de esclarecimento, confiante no teu entendimento de servo fiel a causa de Cristo Jesus nosso Mestre e Senhor. Tu és vida, teu caminho és luz e brilha na direção do bem, com raiz na verdadeira causa do Senhor. Benção e Louvor. A paz do Senhor esteja contigo. O Apóstolo amigo. Em 24 de Dezembro/13 ? Psicografia de Rozalia P. Nakahara LIBERTA_TE DA DOR Se a dor te coroe o íntimo, arma-te com lembranças felizes, de modo que teu coração encontre a paz quando as aflições te pertubar a alma. Converte a tristeza em alegria e as bênçãos do Senhor te serão luz constante, e melhor compreenderá os desígnios do Senhor. Abrange com amor a missão que te fora destinada na terra, e a tua luz brilhará mais forte, iluminará com sublimidade a tua caminhada. Ajusta-te aos deveres de trabalhador humilde, e cumpre com amor tua jornada cristã, auxiliando e amparando os que necessitam de conforto. Lembra-te, na estrada da vida, a palavra de conforto muitas vezes serve de cajado na hora da dor. Prática a caridade auxiliando ao teu próximo, para no futuro os que te rodeiam, se renascerem no seio de tua família viva na mais perfeita harmonia, e a paz de Jesus Cristo nosso Senhor, porque a colheita do amanhã é resultante das boas ou más ações do ontem. Eleva-te pela oração para que a tua caminhada terrena não te faça perder a direção do caminho que nos leva as santas moradas dos que se devota a causa de Jesus. Semeia amor entre os teus irmãos de fé, assim o veneno da maldade não desestabilizará a paz e a harmonia conquistada com esforço. É preciso ter a humildade de um discípulo e serenidade de um sábio para compreender aquele que feriu com palavra o irmão que clama desenteressadamente, carinho e atenção para se libertar das veredas sombrias da ilusão. O amor ao próximo é a luz do entendimento, a compaixão o consolo para os que tropecaram nos fios impiedosos do poleiro do infortúnio. Acreditaram que com práticas errôneas teriam algum tipo de recompensa. Abraça o teu ideal sem se preocupar com opinão de outros, porque o incredulo jamais compreenderá o que se passa no coração dos que cultivam a fé em Jesus. Deus abencoe a todos. William Eduardo Psicografado por Rozalia P. Nakahara- em 05 de novembro/13 - durante a Reunião Espirita. MENSAGEM Em nome da fé em Jesus, consagrai com amor e humildade vossas tarefas aos que necessitam da palavra de consolo para aliviar a amargura do coração, porém, sem desperdiçar o verbo, pois, a palavra que consola precisa ser dosada na medida certa... É preciso amor, paciência e sabedoria para erguer do lamaçal da dor do coração amargurado, para que as bênçãos celestiais irriguem-lhe o novo amanhecer. O martírio só perdura para os que se mantêm ausentes na fé. O servidor, encarnado ou desencarnado, deve executar suas tarefas confiantes no auxilio do Plano Maior. Para um resultado feliz, lembremos; o coração magoado precisa de tempo para discerni que é preciso irrigar com gotas benévolas da humildade a sementeira do amor que levamos em nossos corações. Todos nós somos dotados de virtudes benévolas, e devemos pô-las em prática para melhor compreender o coração obscurecido pela sombra da Dor. A fé em Jesus nos irmana, por isso, devemos manter a destra estendida... A solidariedade fraterna é a luz acolhedora para o necessitado. Na vida eterna nossas boas ações são taças gloriosas da felicidade: O Amor e o perdão, a luz redentora na Vida Maior. Que o Mestre derrame sobre vós a chuva de bênçãos protetoras para que vossas jornadas sejam aromatizadas pelo resultado das boas ações. William Eduardo P. de Rozalia P. Nakahara ? Em 14/05/13 durante a reunião Espírita. ********** PRECE "Amados Mestre, abrasai-nos o coração com Vosso amor. Fazei-nos portadores da Vossa Benignidade. Mestre, que as Vossas bênção balsameim nossos caminhos com o aroma da paz. Senhor, os Vossos ensinamentos e a Vossa Verdade são a luz que nos guia na vida eterna. Sabemos Senhor, que o Vosso amor é Grande e a Vossa Verdade ultrapassa a mais alta nuvem do Céu. Senhor, conduzi-nos pelo Vosso caminho, ele é eterno e verdadeiro. Fazei-nos compreender as Vossas Leis. Sabemos, Senhor, que pelas Vossas veredas não há como tropeçar. Mestre, santificai o Universo com Amor e Verdade. Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo". Do livro: Morte e Vida Espírito William Eduardo Autora Rozalia P. Nakahara ********* PRECE " Senhor da bondade, Derrama suas bênçãos sobre nós, Embala docemente a lama dos encarnados, Acaricia-lhes com teu amor, Acende a tocha da esperança Em seus corações. Senhor, semeia no coração do homem A semente da verdade, do amor E da caridade, Permita que os Mensageiros da Luz Inspirem-lhes sentimentos de caridade, E assentem no santuário dos seus corações Perseverança e bondade. Senho, facilita-lhes a caminhada No curso da vida para que se sintam amparados Pelas tuas bençãos Para que todos que deles se aproximarem ********** BEM AVENTURANÇAS " Bem aventurado aquele que conhece o significado do perdão. Bem aventurado o puro de coração porque nele não existe maldade. Bem aventurado o que pratica a caridade, com amor e humildade no coração. Bem aventurado o que ampara o irmão na hora da aflição. Bem aventurado o que crer na ressureição e não blasfema contra as Leis Divinas. Bem aventurado o que caminha pela senda do bem, pois ele habitará nas moradas iluminadas pelas bênçãos do Altíssimo. Bem aventurado o que crer na oração, pois ela e a luz e o conforto. Bem aventurado o que obedece aos mandamentos de Deus, por que ele será salvo. Bem aventurado o que santifica a verdade, pois ela é o caminho que nos conduz ao Eterno Pai. Bem aventurado o íntegro de coração, porque ele pratica a Verdade". Que as bençãos do Céu tranquilizem o coração do homem e lhe facilite a caminhada terrestre para que o regresso ao Plano Superior seja iluminado pala luz da Vida Maior. Do livro: Morte e Vida Espírito William Eduardo Autora: Rozalia P. Nakahara ********** TEXTO EXTRAÍDO DO LIVRO LAÇO DO DESTINO Psicografado por Rozalia P. Nakahara ? Espírito Conde Odilon Na escuridão do pensamento, a luz é a verdade. Por isso, devemos ouvir com atenção as sensações que nascem na profundidade dos nossos corações ? elas são ecos silenciosos que nos desvencilhará do limo da imperfeição. Os reflexos da existência corpórea, no sepulcro, serão luz ou treva. Os sentimentos e os desejos que cultivamos durante a trajetória, ser-nos-á o guia na nova vida. A confiança sincera no amparo Divino é a mão misericordiosa que nos conduzirá pelo abençoado caminho das Aventuranças Eternas. É precisos nos resguardarmos dos sentimentos acintosos para que a luz dissipe as trevas dos nossos caminhos, assim, evitaremos que os nossos pensamentos se emaranhem nos fios da perturbação mental, quando o pesar pelos erros pecaminosos nos compelirem a caminhadas extenuantes pelas trilhas lôbregas, onde seremos assombrados pelo retrato do passado. No passado, todos nos já abraçamos experiências que nos emparedaram a dor, quando aguardávamos que as lembranças amargas da existência se distanciassem com tempo. Por isso, não devemos nos deixar corromper por sentimentos que no futuro fecharão para nós, a porta da felicidade. Para conhecermos a alegria é precisos vencer a tristeza, para que o coração possa perceber a sublimidade dos raios luminosos do amor, e do entendimento Maior. Os que almejarem atravessar as fronteiras obscuras do sofrimento levando no coração a tocha da esperança na infinita misericórdia de Deus, devem se desprender do sentimento de culpa, para que suas caminhadas não sejam vergastadas pelas lembranças desditosas do passado. Separados das nossas vidas físicas, as imperfeições nos compelem a andar pelo caminho negro do tormento. Na vida material, as ?ardências? da carne são prazerosas, mas, ao longo da vida, as satisfações ilusórias que o vício propicia são causadoras das enfermidades do corpo. Quando nos apercebemos embalados pelos braços árduos da amargura, conscientizamo-nos que os prazeres mundanos são espinheiros de angústia, na vida fora da matéria. É importante lembrarmos que o corpo físico é o veículo temporário que o Espírito precisa para percorrer os caminhos do mapa terreno que a lei o compeliu. É preciso muito esforço para não continuarmos aprisionados aos reflexos das paixões que cultivamos em nossas existências terrestres. Passarinho engaiolado não aprende a voar. Na fenda da verdade, o pensamento verdadeiramente elevado prescreverá o bem, desestimulando-nos o orgulho e o egoísmo. ********* CORAÇÃO EM CRISTO O Coração que se une ao Cristo, converte-se em lâmpada viva e brilhante, descortinando a estrada maravilhosa da salvação libertadora. Acende no vosso coração a luz da benignidade e da humildade, e procura instruir e consolar de boa vontade a fileira de sofredores, no extenso domínio de sombras, e te faz merecedor dos aplausos do Céu. Ajusta a consciência dos próprios erros, antes que as paixões e caprichos inconfessáveis do plano terrestre te arrastem para o grande vale do sofrimento humano. A restauração própria exige esforço e entendimento, para que as aflições e as feridas reinantes em vosso interior não te fechar a porta libertadora. Auxilia espontaneamente, porque o serviço ao semelhante liberta de todas as sombras, e descortina o tesouro oculto do amor, da sabedoria e da humildade, acendendo a luz no templo da alegria fraterna. Liberta vosso pensamento da espessa neblina da dúvida, propaga a fé, suportando pacientemente os revezes do vosso próprio caminho, auxiliando sem desânimo e amparando sem reclamar. Planta no coração do próximo a bondade, cultiva-a com amor e humildade, use o bem em favor de si mesmo, as boas obras são manifestação de vosso amor, porque o amor é a bússola que conduz às alegrias nas estradas da vida eterna. William Eduardo Psicografada por Rozalia P. Nakahara - em 16 de fevereiro de 2013. ********** DEPOIMENTO DE UM ESPÍRITO O caminho lôbrego da existência de além-vida é quase sempre obscurecido pelas sombras da tormenta, porque os vícios terrenos são ininarráveis espinheiro de aflição. No momento do adeus final, a lembrança das paixões infrutíferas, converte-se em veneno, e os prazeres que na vida foram ensejo de satisfação, arrasta-nos pelo lamaçal de erros pecaminosos cometidos durante a escala primorosa do aprendizado. E quando nos percebemos afundados no limo da avareza não encontramos forças para nos libertar das amarras que nos aprisionaram ao tronco de impiedade. Quando o soluço nos compele a suplicar clemência, já não temos forças para nos libertar da perturbação. Vergastados pela dor da indelével lembrança, como peregrino errante caminhamos a ermo sem esperança de sombra para o descanso indispensável, para recompor as energias e reorganizar o pensamento. A milha de distância de nós mesmos, falta-nos entendimento para abrangermos a compaixão dos que nos aguardam com os braços estendidos em nossas direções. A escuridão pesada oculta o resquício de luz, o pensamento se alinha a incompreensão, é quando conhecemos o nível mais alto do sofrimento. Só bem depois, alcançamos o caminho da luz. Com os passos direcionados para a larga estrada do bem, o pensamento se norteia e a felicidade vem de encontro aos anseios de nossos corações, apagando as lembranças do roteiro da vida corpórea, e abrindo janelas para o entendimento Maior. Um Servidor do Bem Psicografado por Rozalia P. Nakahara, em 16 de fevereiro de 2013. ********* INSTRUÇÃO - MENSAGEM ESPÍRITA Direcionai vossos olhares além do presente, e iluminai vossos corações, despertando da vida enfadonha e preenchendo de esperança e vigor, para que ao longo de vossas caminhadas não tomarem outra direção. O futuro só será sombrio, se vossos corações forem bombardeados pela incompreensão. O sentimento de incapacidade alimenta um circulo vicioso que piora a cada dia, e aumenta o vosso senso de futilidade. Não devem se comportar como se ainda estivessem acorrentados ao materialismo frívolo, e aos prazeres que se propagam. Cegados pela ignorância, não discernirás que a vida é como uma particula de poeira. É Preciso ter consciência de que nos livros não estão escritos a formula da felicidade, mas silenciosamente, conduz-vos a uma profunda reflexão... Então compeenderam que a luz da verdade habita em vós. No profundo recesso de vossos corações, brilha intensamente a luz da esperança, porque em cada nova existência, sois destinados a viver com base no resultado das causas criadas pelas faltas de vidas anteriores. Não é saudável pensar que as vossas emoções são cristas termináveis do oceano da vida terrema, porque as emoções são como as ondas, jamais se separam do oceano. Na morte, continuam pulsantes em nossos interiores. A vida não é uma intrincada rede de sofrimento, para os que compreenderem a própria existência, e levam no coração a fé inabalável nos ensinamentos de Jesus. Busquem a luz do Senhor, para que vossas caminadas terrestres sejam iluminadas pela fé. Aqueles que experimentaram amargos sofrimentos, conquistaram a suprema felicidade pela janela luminosa da fé. É dever cristão apoiar os que tem o coração endurecido pelas experiências na larga escala do sofrimento, e olvidaram de refletir... Cada um de vós é uma mensagem de amor que Deus enviou a terra. É preciso cultivar a pureza das sementes que Deus semeou nos vossos corações, para não retornarem ao mundo espiritual maculados pelas nódoas da maldade. A fé é o caminho que vos apriximarás do Mestre Jesus. Felizes caminhemos sempre a sondar na alta felicidade por amarmos a Deus. Conde Odilon Psicografada por Rozalia P. Nakahara, em 28 de janeiro de 2013. ********** MENSAGEM ESPÍRITA Irmãos bem-amados, a vida terrena é apenas uma passagem, que lhes conduzirá a uma vida melhor. De além-túmulo, os que vos tens afeição pura e santa, vem atender-lhes, amparando nas provas da vida, e suavizando-lhes as amarguras da saudade, dando-lhes a consoladora certeza de que um dia estarão reunidos num mundo feliz, onde a luz se faz para todos. Apaguem do vossos corações o ódio, animem-se auxiliando os que se acham perturbados por mágoas e remorsos, para que vossos pensamentos se elevem ao Infinito. Consegrem o arrependimento das vossas falhas ao derradeiro lampejo de seus inteligências, para que o pensamento possa agir de maneira a ajudar, a fim de se libertarem das perturbações que os acompanham. O processo e a felicidade futura serão proporcionais ao emprego que deram ao tempo de suas novas passagem pela Terra. É preciso cuidar para que as provas não lhes torturem a alma. Afastem de vossos corações, a inveja e o ciúme que rebaixam, e se inspirem na generosidade que eleva. Cedo ou tarde, justiça será feita segundo vossas obras. Inspiren-se no esquecimento do mal e na lembrança constante do bem, para que o desejo de ritubuir o mal com o mal, não lhes penetrem o coração, estendam a mão fraterna a apagar com o mal com o bem. Depositem suas confianças em Deus e no futuro, compreendei que é necessario aos vossos entendimentos. Acalorei pela fé vossos corações, para que possam merecer novamente a proteção do Alto, a fim de que possam lançar as sementes que devem germinar no coração do vosso próximo. Meimei Psicografada por Rozalia P. Nakahara - em 19 de fevereiro de 2013 durante a reunião espírita. MENSAGEM Aperfeiçoa a tua caminhada, aperfeiçoando-te. Marcha com serenidade, guarda a bondade e o entendimento na direção do Amor, e semeia o bem a distância nos corações desesperançados. Auxilia em silêncio, os que reclamam contra as dores, e os sofrimentos morais, que são vossos quinhões na Terra. Cansagra a tua resignação a caridade e a humildade, e eleva teu coração ao santuário eterno do Conhecimento Divino. Eleva-te, para que o Amor frutifique em vosso caminho, através do entendimento das lições do Evangelho da sã doutrina, mostrando perfeita lealdade, para com os ensinamentos cristãos. Desperta o teu coração para a própria sublimação, para que a luz resplandeça em elevada harmonia, e o entendimento o conduzirá ao Reino Celestial. Eleva a luz do vosso amor pela fé, para que a tormenta não dissipe a luz da vossa esperança na felicidade eterna, quando o tempo da vossa partida estiver próximo. Consagra-te a renovação de ti mesmo, erguendo as mãos aos céus, e agradeçendo ao Senhor as dádivas que vos é concedidas. Conhece a si mesmo, antes de julgar o vosso irmão: a luz do entendimento salvador resplandece para todos que mostram integridade e reverência nos ensinamento do Evangelho Redentor. Lembra-te, na marcha morosa pelo roteiro carnal, somos peregrinos na busca do aprendizado que nos dará o acesso da luz, a fim de que sejamos iluminados pela esperança da Vida Eterna. William Eduardo Psicografada por Rozalia P. Nakahara em 13 de fevereiro de 2013, durante uma reunião de estudos Evengelicos. ********** MENSAGEM Amados irmãos, instruí-vos nos preciosos ensinamentos que dissipam as trevas dos vossos corações, abrem vossos olhos para a luz, e sentireis surgir e germinar em vós a preciosa semente, para que vossos corações sejam consolados, e munidos em amor; e enrequecidos da plenitude da inteligência, para o entendimento dos ensinamentos de Jesus Cristo nosso Senhor; Ele em espírito está convosco, vendo a firmeza da vossa fé. O devotamento é a oração contínua; o cântico ao Senhor. Se fizerdes com amor, extiparar de vossos corações a impiedade, sede dóceis, para que a paz do Senhor revista-vos de Amor que é o veículo da perfeição Maior. Bem-amados, recomeçai vossas rudes jornadas com o pensamento firme na fé, para vossos corações não sedes corrompidos pela impureza, paixão e a avareza; estas são sombras das coisas futuras; a realidade, porém, encontra-se nos ensinamentos de Jesus Cristo nosso Senhor. Laureais vós mesmos, pela luz da benevolência a vossas caminhadas, para que possais andar dignamente, cheios de pleno conhecimento, sabedoria e entendimento, diante do Senhor. Amados irmãos segundo a fé que vos é comum na esperança da vida eterna, andeis pelo caminho reto para no futuro vossos corações não sedes depósito de mágoas e sofrimento. Purificai a vós mesmos, pois, és filho de Deus. Reanima vosso coração, elevando-o pelo vosso amor e esperança no amparo de Jesus Cristo nosso Salvador. Que a lamparina do Amor ilumine vosso coração! Conde Odilon - Psicografada por Rozalia P. Nakahara em 13 de fevereiro de 2013 ANSEIO D'ALMA Uma vasta e indizível tristeza, carcome-me lentamente, as feridas íntimas. A dor se amplia, o coração palpita, e a dolorosa saudade chega de mansinho... A lembrança de um passado alegre, assinala-me com angústia o presente. Vergastada pela saudade, o cântico secreto de minh'alma, é o soluço que me asfixia o peito. Quando o corpo adormece, salitária, volito pelo nada, a procura do tudo; a vontade forte, quase incontida de abraçar e não saber quem. Envolta de luz, os sentidos voltados para além-vida, sinto-me apenas alma; nenhuma lembrança de que ainda habito a matéria, volito... levando na memória a lembrança, e no íntimo a saudade de passado laureado de júbilo, e revivo o presente enevoado pela eterna ausência. Autora Rozalia Pereira Nakahara *********** LUGAR DE AMOR Em todo indivíduo existe um recanto imaculado, virgem, inexplorado, silencioso, profundo... Em toda criatura permanece um mundo, santo e ignorado, nunca dantes penetrado, aguardando, enriquecido de ternura... Há, no abismo de toda alma, um rochedo, um lugar, uma ilha, um paraíso, um recanto de maravilha a ser descoberto... Em todo coração se demora um espaço aberto para a aurora, um campo imenso a ser trabalhado, terra de Deus, lugar de sonho, reduto para o futuro... Em toda vida há lugar para vidas, como em toda alegria paira uma suave melancolia prenunciadora de aflição. Há, porém, um lugar em mim, na ilha dos meus sentimentos não desvelados, um abismo de espera, um oceano de alegria, um cosmo de fantasia, para brindar-Te, meu Senhor! Vem, meu amado Rei e Senhor, dominar a minha ansiedade, conduzir-me pela estrada da redenção. E toma desse estranho e solitário país, reinando nele e o iluminando com as tuas claridades celestes, para que, feliz, eu avance, até o desfalecer das forças, no Teu serviço libertador. Vem, meu Rei, ao meu recanto e faze de minha vida um hino de serviço. E por Ti uma perene canção de amor. Invocação Senhor, Inunda-me no esplendor de tua luz e, contudo, cego, não Te vejo. Falas-me na eloqência do teu verbo e, no entanto, surdo,não Te ouço. Abrasas-me na ardência de teu amor e, todavia, insensível, não Te sinto. Oh! Estranha contradição! Tu, bem perto de mim, e eu, tão longe de Ti! Desvela-me, Senhor, os olhos, cegos de orgulho; abre-me os ouvidos, surdos de vaidade, e sensibiliza-me o coração, duro de maldade, para que eu descubra tua divina presença na intimidade do meu ser! Divaldo Franco pelo Espírito Rabindranath Tagore ********** UM MOMENTO - NARRADA POR CHICO XAVIER Antes de negar-se aos apelos da caridade, medite um momento nas aflições dos outros... Imagine você no lugar de quem sofre. Observe os irmãos relegados aos padecimentos da rua e suponha-se constrangido à semelhante situação. Repare o doente desamparado e considere que amanhã, provavelmente seremos nós, candidatos ao socorro na via pública. Examine o ancião fatigado e reflita que se a desencarnação não chegar em breve, não escapará você da velhice. Contemple as crianças necessitadas, lembrando os próprios filhinhos. Quando a ambulância deslize rente ao seu passo, conduzindo o enfermo anônimo, pondere que talvez um parente nosso extremamente querido se encontre a gemer dentro dela. Escute pacientemente os companheiros entregues à sombra do grande infortúnio e recorde que em futuro próximo, é possível estejamos na travessia das mesmas dificuldades. Fite a multidão dos ignorantes e dos fracos cansados e infelizes, julgando-se entre eles, e mentalize a gratidão que você sentiria perante a migalha de Amor que alguém lhe ofertasse. Pense um momento em tudo isso!!! E você reconhecerá que a caridade para nós todos é simples obrigação!!! ********** A FÉ A modesta flor que cresce no prado, que floresce nos bosques, que fana e languesce à beira do riacho cujo fonte secou, que é colhida de dia e renasce à noite. É a espiga loura do trigo que balança a cabeça sob o sopro amoroso da brisa da tarde, que se curva charando, quando passa a tempestade, e a levanta rindo, quando o céu fica limpo. É o rochedo dos mares cuja massa impotente escuta distraído a voz da onde tremente e vê com desdém a vaga ameaçante que vem desfazer-se e não pode abalá-lo. A fé vem sobre a terra iluminando a estrada e dirigir nossos passos. Sua flama eterna alumia sempre à frente e empalidece a dúvida que ataca nossos flacos, vindo do seio da tumba. Outrora, corria-se a admirar os preceitos que o Cristo ensinava em doçes palavras, Sua voz encantava a multidão, rejuvenescia os eleitos e a fé os salvava, fazendo-os cristãos. Mas, veja esse peregrino que, feliz, se encaminha a um longíquo país. Ele marcha sem tremer; sua fronte é nobre e pura, sua palavra divina; é o apóstolo do céu que a fé faz pregar. Mais longe, está o carrasco. Já levantou a fogueira, a prisão está aberta. Um cristão vai sair. Ele avança para o suplício, elevando sua alma a Deus. É um herói que a Fé transforma em Mártir. CASIMIR DELAVIGNE Ecos Poético D' Além tumba ********** ECOS DO CÉU As ondas se irisam, Os céus empalidecem, estou aqui; vejo ouço, creio. Um voz pura, como um murmúrio, diz-me baixinho: Fique quieto. Sem mede, sem dúvida, filho, escuta! Onde vais, brisa tola, quando passas à tarde, e minha alma se curva e foge do seu negro calabouço para começar um sonho que sempre é perturbado, que jamais acaba senão onde o axilado arrasta após se sua corrente? Nesse outro mundo onde teu sopro o leva, o sonho é mais belo, parecendo-lhe que sobre tuas asas, ele, talvez, não possa acabar; que essas novas esferas não saberiam como bani-lo, quando ele, com esforço, franqueasse o seio de suas moradas. Mas, eia!, teu hálito sempre o abandona, deixando-o no caminho o conduz ao céu. Ai, tímido, ele escuta esse murmúrio eternal da santa pátria que o ambala sua margem florida. Logo, ferindo-se nesses mundos do espaço, lá, ele recai onde morre tudo o que vive, ou passa tudo o que nasce ou aflora; botão, caule e corola, não vivem mais que uma aurora, onde a alma se estiola, onde sua chance se apaga. Ah! me reponde a brisa, tu não és senão uma indiscreta criança, como se diz. Minha vida é um segredo, teu sonho é um mistério; tua não deves saber porque sobre a terra eu te embalo cada noite. Acaba em paz o teu sonho, começando neste lugar, sem procurar nos cascalhos da praia o segredo de teu Deus. ANDRÉ CHÉNIER Ecos Poético D' Alm Tumba ********** MELHORAR Melhore sempre as suas condições pessoais, pelo trabalho e pelo estudo, a fim de que você possa melhorar a vida, em derredor de você. ?o ? Obrigação cumprida será sempre o nosso mais valioso seguro de proteção. ?o ? Amplie quanto puder, a sua exportação de gentileza. ?o ? Fazer "algo mais que o próprio dever", em benefício dos outros, é criar um gerador de simpatia, em nosso auxílio. ?o ? Esqueçamos o que não serve para o bem, a fim de que se realize o melhor. ?o ? Reclamar é ferir-se. ?o ? Se você deseja vencer, aprenda a sorrir, além do cansaço. ?o ? O grupo familiar recorda a terra que produz para nós, segundo a nossa própria plantação. ?o ? Esperança vitoriosa é aquela que não deixa de trabalhar. ?o ? Guarde as suas impressões infelizes para não prejudicar o caminho dos outros. ********** INICIANDO UM ANO NOVO Toda vez que o ano vai chegando ao fim, parece que todos vamos manifestando cansaço maior. Seja porque as festas se multipliquem (são formaturas, casamentos, jantares de empresas), seja porque já nos vamos preparando para as viagens de férias de logo mais. De uma forma ou de outra, é comum se escutar as pessoas desabafarem dizendo que desejam mesmo que se acabe logo o ano. Quem muito sofreu, deseja que ele se acabe e aguarda dias novos, de menos dores. Quem perdeu amores, deseja que ele se acabe de vez, na ânsia de que os dias que virão consigam trazer esperanças ao coração esfacelado pelas ausências. Quem está concluindo algum curso e deu o máximo de si, deseja que os meses que se anunciam cheguem logo, para descansar de tanto esforço. E assim vai. Cada um vai pensando no ano que se finda no sentido de deixar algo para trás. Algo que não foi muito bom. Naturalmente, muitos são os que veem findar os dias do ano com contentamento, pois eles lhe foram propícios. Esses, almejam que os dias futuros reprisem esses valores de alegria, de afeto, de coisas positivas. Ano velho, ano novo. São convenções marcadas pelo calendário humano, em função dos movimentos do planeta em torno do astro rei. Contudo, psicologicamente, também nos remetem, sim, a um estado diferente. Como Deus nada faz, em Sua sabedoria, sem um fim útil, também assim é com a questão do tempo como o convencionamos. Cada dia é um novo dia. A noite nos fala de repouso. A madrugada nos anuncia oportunidade renovada. Cada ano que finda nos convida a deixarmos para trás tudo de ruim, desagradável que já vivenciamos, permitindo-nos projetar planos para o futuro próximo. Por tudo isso, por esta ensancha que a Divindade nos permite a cada trezentos e sessenta e cinco dias, nesta Terra, pense que você pode melhorar a sua vida no ano que se anuncia. Comece por retirar de sua casa tudo que a atravanca. Libere-se daquelas coisas que você guarda nos armários, na garagem, no fundo do quintal. Coisas que estão ali há muito tempo, que você guarda para usar um dia. Um dia que talvez nunca chegue. Pense há quanto tempo elas estão ali: meses, anos... Esperando. São roupas, calçados, livros, discos antigos, utensílios que você não usa há anos. Libere armários, espaços. Coisas antigas, superadas são muito úteis em museus, para preservação da memória, da evolução da nossa História. Doe o que possa e a quem seja mais útil. Sinta o espaço vazio, sinta-se mais leve. Depois, pense em quanta coisa inútil você guarda em seu coração, em sua mente. Mágoas vividas, calúnias recebidas, mentiras que lhe roubaram a paz, traições que o deixaram doente, punhais amigos que lhe rasgaram as carnes da alma... Alije tudo de si. Mentalmente, coloque tudo em um grande invólucro e imagine-se jogando nas águas correntes de um rio caudaloso que as levará para além, para o mar do esquecimento. Deseje para si mesmo um ano novo diferente. E comece leve, sem essa carga pesada, que lhe destrói as possibilidades de felicidade. Comece o novo ano olhando para frente, para o alto. Estabeleça metas de felicidade e conquistas. Você é filho de Deus e herdeiro do Seu amor, credor de felicidade. Conquiste-a. Abandone as dores desnecessárias, pense no bem. Mentalize as pessoas que são amigas, que o amam, lhe querem bem. Programe-se para estar mais com elas, a fim de, fortalecido, alcançar objetivos nobres. Comece o ano pensando em como você pode influenciar pessoas, ambientes, com sua ação positiva. Programe-se para vencer. Programe-se para fazer ouvidos moucos aos que o desejam infelicitar e avance. Programe-se para ser feliz. O dia surge. É ano novo. Siga para a luz, certo que com vontade firme, desejo de acertar, Jesus abençoará as suas disposições. É ano novo. Pense novo. Pense grande. Seja feliz. ********** PRECE " Senhor, dai-nos discernimento e resignação. Dai-nos força e encoraja-nos na luta do bem, Extingui o mal que assoia o coração do homem. Senhor, que as faltas da vida corpórea não sejam impedimento para suas evoluções. Senhor, com humildade nós vos pedimos, transformai os roserais espinhosos do seus caminhos em aveludado tapete de pétalas brancas, sempre perfumado com aroma do Vosso amor. Senhor, dai-nos a verdadeira sabedoria, para corrigirmos, em nós, as nossas faltas. Senhor, que a verdade seja o nosso guia, e a nossa fé, a taça da felicidade eterna. Do livro: Morte e Vida Espírito William Eduardo Autora Rozalia P. Nakahara ********** PRECE "Amados Mestre, abrasai-nos o coração com Vosso amor. Fazei-nos portadores da Vossa Benignidade. Mestre, que as Vossas bênção balsameim nossos caminhos com o aroma da paz. Senhor, os Vossos ensinamentos e a Vossa Verdade são a luz que nos guia na vida eterna. Sabemos Senhor, que o Vosso amor é Grande e a Vossa Verdade ultrapassa a mais alta nuvem do Céu. Senhor, conduzi-nos pelo Vosso caminho, ele é eterno e verdadeiro. Fazei-nos compreender as Vossas Leis. Sabemos, Senhor, que pelas Vossas veredas não há como tropeçar. Mestre, santificai o Universo com Amor e Verdade. Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo". Do livro: Morte e Vida Espírito William Eduardo Autora Rozalia P. Nakahara ********* PRECE " Senhor da bondade, Derrama suas bênçãos sobre nós, Embala docemente a lama dos encarnados, Acaricia-lhes com teu amor, Acende a tocha da esperança Em seus corações. Senhor, semeia no coração do homem A semente da verdade, do amor E da caridade, Permita que os Mensageiros da Luz Inspirem-lhes sentimentos de caridade, E assentem no santuário dos seus corações Perseverança e bondade. Senho, facilita-lhes a caminhada No curso da vida para que se sintam amparados Pelas tuas bençãos Para que todos que deles se aproximarem Sintam-se envolvidos pela Tua Paz. Que o Senhor da bondade, Ilumine os nossos caminhos". Do livro: Morte e Vida Espírito William Eduardo Autora Rozalia P. Nakahara *********** BEM AVENTURANÇAS " Bem aventurado aquele que conhece o significado do perdão. Bem aventurado o puro de coração porque nele não existe maldade. Bem aventurado o que pratica a caridade, com amor e humildade no coração. Bem aventurado o que ampara o irmão na hora da aflição. Bem aventurado o que crer na ressureição e não blasfema contra as Leis Divinas. Bem aventurado o que caminha pela senda do bem, pois ele habitará nas moradas iluminadas pelas bênçãos do Altíssimo. Bem aventurado o que crer na oração, pois ela e a luz e o conforto. Bem aventurado o que obedece aos mandamentos de Deus, por que ele será salvo. Bem aventurado o que santifica a verdade, pois ela é o caminho que nos conduz ao Eterno Pai. Bem aventurado o íntegro de coração, porque ele pratica a Verdade". Que as bençãos do Céu tranquilizem o coração do homem e lhe facilite a caminhada terrestre para que o regresso ao Plano Superior seja iluminado pala luz da Vida Maior. Do livro: Morte e Vida Espírito William Eduardo Autora: Rozalia P. Nakahara ********** ORAÇÃO Senhor, No silêncio desta hora, Venho pedir-te a paz, a sabedoria, a força. Quero hoje olhar o mundo Com os olhos cheios de amor; Quero ser paciente, compreensivo, Manso, prudente. Quero ver teus filhos, além das aparências humanas, Como tu mesmo os vês E assim, Senhor, Não ver senão o bem em cada um. Cerra meus ouvidos a toda calúnia. Guarda minha língua de toda maldade. Que só de bênçãos se encha meu espírito. Que eu seja tão com e tão alegre, Que todos quantos se aproximem de mim Sintam Tua presença. Reveste-me de Tua graça, Senhor, E que, no decurso de minha vida, Eu não te ofenda, Mas Te revele a todos. ********** UM RECADO DE DEUS Aqueles que dispõem da visão perfeita, com certeza não podem avaliar a preciosidade que é ter noção de espaço, distâncias, cores - tudo o que os olhos oferecem todos os dias. Por isso, ouvir o depoimento de uma senhora novaiorquina, cega, que mora sozinha, é oportuno. Durante todo o inverno ela ficou dentro de casa a maior parte do tempo. Naquele dia de final de abril, a friagem amenizou e ela sentiu o perfume forte e estimulante da primavera. Seus ouvidos escutaram o canto insistente de um passarinho do lado de fora da janela. É como se a pequena ave a estivesse convidando a sair de casa. Preparou-se, tomou a bengala e saiu. Voltou o rosto para o sol, deu-lhe um sorriso de boas-vindas, agradecida pelo seu calor e a promessa do verão. Caminhando tranqila pela rua sem saída, escutou a voz da vizinha a lhe perguntar se não desejava uma carona. ?Não?, respondeu ela. As minhas pernas descansaram o inverno inteiro. As juntas estão precisando ser lubrificadas e um passeio a pé me fará bem. Ao chegar na esquina ela esperou, como era seu costume, que alguém se aproximasse e permitisse que ela o acompanhasse, quando o sinal ficasse verde. Os segundos pareceram uma eternidade. E ninguém aparecia. Nenhuma oferta de ajuda. Ela podia ouvir muito bem o ruído nervoso dos carros passando com rapidez, como se tivessem que conduzir os seus ocupantes a algum lugar, muito, muito depressa. Por um momento se sentiu só, desprotegida. Resolveu cantarolar uma melodia. Do fundo da memória, recordou-se de uma canção de boas-vindas à primavera, que havia aprendido na escola quando era criança. De repente, ela ouviu uma voz masculina forte e bem modulada. ?Você me parece um ser humano muito alegre. Posso ter o prazer de sua companhia para atravessar a rua?? Ela fez que sim com a cabeça, sorriu e murmurou ao mesmo tempo um ?sim?. Delicadamente, ele segurou o braço dela. Enquanto atravessavam devagar, conversaram sobre o tempo e como era bom, afinal, estar vivo num dia daqueles. Como andavam no mesmo passo, era difícil se saber quem era o guia e quem era o guiado. Mal haviam chegado ao outro lado da rua, ouviram as buzinas impacientes dos automóveis. Devia ser a mudança de sinal. Ela se voltou para o cavalheiro, abriu a boca para agradecer pela ajuda e pela companhia. Antes que pudesse dizer uma palavra, ele já estava falando: ?Não sei se você percebe como é gratificante encontrar uma pessoa tão bem disposta para acompanhar um cego como eu, na travessia de uma rua.? *** Às vezes, quando nos sentimos sós no universo, Deus nos manda uma imagem semelhante para diminuir nossa sensação de isolamento e disparidade. É sempre reconfortante conseguir perceber que, sejam quais forem as dificuldades e limitações que estejamos atravessando, sobre a terra existem outras tantas dezenas ou centenas de criaturas que, como nós, passam por situações semelhantes. E, o mais importante, lutam e vencem. É a mensagem viva de bom ânimo da divindade para as nossas próprias vidas. Equipe de Redação do Momento Espírita ********** GESTO ESPECIAL Eles eram oito executivos trabalhando em uma grande empresa. Um deles destoava dos demais. Ele era um homem quieto, calado. Quando todos iam ao lanche, ele se retirava para um local isolado e ficava a sós. Era tido pelos demais como uma pessoa estranha. Os colegas se encontravam depois do trabalho, saíam juntos e Ernani nunca participava de nada. Mauro, o mais desinibido do grupo fazia graça, inventava piadas para os amigos onde, sempre, o motivo de riso era Ernani. Certo final de semana, Mauro anunciou que iria pescar e prometeu aos companheiros que, se fosse feliz na pescaria, traria um salmão para cada um deles. Secretamente, confidenciou aos companheiros que, para Ernani, ele destinaria as vísceras e os rabos dos peixes. Desejava pregar-lhe uma peça e todos iriam rir muito. E assim foi. Na segunda-feira, cada um deles recebeu um embrulho muito bem feito, inclusive Ernani. Cada um foi abrindo o seu e verificando o salmão limpo. Ernani ficou sentado, olhando para o pacote. Instado a abri-lo, entre risos de todos, de voz embargada ele falou: Fico muito emocionado com a lembrança. Quero dizer a vocês que tenho vivido, há cinco anos, um grande drama. Minha esposa teve um acidente e ficou tetraplégica. Todos os recursos do meu salário são para atender suas necessidades médicas. A voz era reticente e o ar começou a pesar, no escritório. Mauro tentou retirar o embrulho das mãos de Ernani. Era tarde. Ele tinha começado a desembrulhar. Agora, as lágrimas lhe assomavam aos olhos e ele não as conseguia conter. A emoção o dominava. Tenho cinco filhos, continuou. Eles não vão para a escola, porque meu dinheiro não consegue pagar o que seja necessário. Eu não tenho dinheiro nem para o material escolar, nem para os uniformes. Vocês falam a meu respeito, eu sei, porque nunca faço lanche com vocês. É que trago um lanche de casa e tenho vergonha de mostrá-lo. Por isso, sempre me retiro para comer a sós. Mas, hoje, - e retirou mais um pedaço de papel do embrulho - hoje, meus filhos comerão bem, graças a você, Mauro. Ernani abriu o pacote por inteiro e se deparou com as vísceras e rabos dos peixes. Um silêncio geral se fez na sala. Um mal estar tomou conta de todos. Não havia o que dizer, o que fazer. Então, um dos executivos se dirigiu até Ernani e depositou no seu colo o próprio embrulho. Todos os demais o imitaram. No próximo final de semana, eles visitaram Ernani e, se cotizando, providenciaram melhor atendimento para a esposa. Cada um deles assumiu os gastos com a escola de um de seus filhos. Eles haviam despertado para uma realidade jamais imaginada. A esposa de Ernani veio a falecer, alguns meses depois. Os filhos se formaram, um a um. Os amigos se olharam e perguntaram: E, agora? Então, juntos optaram por fundar uma O N G, cujo objetivo fosse atender a pais com necessidades especiais e seus filhos. Um gesto de amizade redundou em benefício para uma larga comunidade. * * * Fique atento ao que ocorre ao seu redor. O companheiro arredio, por vezes é alguém que traz o coração em chaga viva. Observe, pergunte, disponha-se a auxiliar e faça luz em outras vidas. Redação do Momento Espírita, *********** O QUE É O NATAL? Eu, menino, sentado na calçada, sob um sol escaldante, observava a movimentação das pessoas em volta, e tentava compreender o que estava acontecendo. Que é o Natal? - perguntava-me, em silêncio. Eu, menino, ouvira falar que aquele era o dia em que Papai Noel, em seu trenó puxado por renas, cruzava os céus distribuindo brinquedos a todas as crianças. E por que então, eu, que passo a madrugada ao relento nunca vi o trenó voador? Onde estão os meus presentes? Perguntava-me. E eu, menino, imaginava que o Natal não deveria ser isso. Talvez fosse um dia especial, em que as pessoas abraçassem seus familiares e fossem mais amigas umas das outras. Ou talvez fosse o dia da fraternidade e do perdão. Mas então por que eu, sentado no meio-fio, não recebo sequer um sorriso? - perguntava-me, com tristeza - E por que a polícia trabalha no Natal? E eu, menino, entendia que não devia ser assim... Imaginava que talvez o Natal fosse um dia mágico porque as pessoas enchem as igrejas em busca de Deus. Mas por que, então, não saem de lá melhores do que entraram? Debatia-me, na ânsia de compreender essa ocasião diferente. Via risos, mas eram gargalhadas que escondiam tanta tristeza e ódio, tanta amargura e sofrimento... E eu, menino, mergulhado em tão profundas reflexões, vi aproximar-se um homem... Era um belo homem... Não era gordo nem magro, nem alto nem baixo, nem branco, nem preto, nem pardo, nem amarelo ou vermelho. Era apenas um homem com olhos cor de ternura e um sorriso em forma de carinho que, numa voz em tom de afago, saudou-me: Olá, menino! Oi!... Respondi, meio tímido. E, com grande admiração, vi-o acomodar-se ao meu lado, na calçada, sob o sol escaldante. Eu, menino, aceitei-o como amigo, num olhar. E atirei-lhe a pergunta que me inquietava e entristecia: Que é o Natal? Ele, sorrindo ainda mais, respondeu-me, sereno: Meu aniversário. Como assim? - perguntei, percebendo que ele estava sozinho. Por que você não está em casa? Onde estão os seus familiares? E ele me disse: Essa é a minha família, apontando para aquelas pessoas que andavam apressadas. E eu, menino, não compreendi. Você também faz parte da minha família... Acrescentou, aumentando a confusão na minha cabeça de menino. Não te conheço! - eu disse. É porque nunca lhe falaram de mim. Mas eu o conheço. E o amo... Tremi de emoção com aquelas palavras, na minha fragilidade de menino. Você deve estar triste, comentei. Porque está sozinho, justo no dia do próprio aniversário... Neste momento, estou com você. - respondeu-me, com um sorriso. E conversamos...uma conversa de poucas palavras, muito silêncio, muitos olhares e um grande sentimento, naquela prece que fazia arder o coração e a própria alma. A noite chegou... E as primeiras estrelas surgiram no céu. E conversamos... Eu, menino, e ele. E ele me falava, e eu o entendia. E eu o sentia. E eu o amava... Eu, menino: sou as cordas. Ele: o artista. E entre nós dois se fez a melodia!... E eu, menino, sorri... Quando a madrugada chegou e, enquanto piscavam as luzes que iluminavam as casas, ele se ergueu e eu adivinhei que era a despedida. E eu suspirava, de alma renovada. Abracei-o pela cintura, e lhe disse: Feliz aniversário! Ele ergueu-me no ar, com seus braços fortes, tão fortes quanto a paz, e disse-me: Presenteie-me compartilhando este abraço com a minha família, que também é sua... Ame-os com respeito. Respeite-os com ternura, com carinho e amizade. E tenha um Feliz Natal! E porque eu não queria vê-lo ir-se embora, saí correndo em disparada pela rua. Abandonei-o, levando-o para sempre no mais íntimo do coração... E saí em busca de braços que aceitassem os meus... E eu, menino, nunca mais o vi. Mas fiquei com a certeza de que ele sempre está comigo, e não apenas nas noites de Natal... E eu, menino, sorri... Pois agora eu sei que Ele é Jesus... E é por causa Dele que existe o Natal. Redação do Momento Espírita ********** O HOMEM DE JESUS Dezembro é um mês muito especial. Como são todos os meses de dezembro. As casas, as ruas, as avenidas se enchem de luzes. Cantos, cantigas, dramatizações do nascimento de uma criança singular se reprisam em escolas, templos e associações. Em nome de um Menino, os corações se sensibilizam e cada qual procura tornar muito bom o dia do Natal. Eclodem emoções. E ante tanta sensibilidade que desfila ao longo desses dias, é de nos indagarmos: Quem é Essa criança cujo nascimento é evocado, mesmo após decorridos mais de vinte séculos da Sua morte? Porque afinal, costumamos comemorar o aniversário na Terra dos que estão conosco. Depois que realizam a grande viagem, rumo ao invisível, nós lembramos outras datas. Mas ninguém pensa em realizar festa de aniversário para aquele que já se foi. E outro detalhe muito significativo. No dia em que se comemora o aniversário Dessa criança, quem recebe os presentes são os que promovem a festa, numa alegre troca de embrulhos, lembranças e mimos. Só mesmo um Espírito tão grande quanto o do Cristo poderia atravessar os séculos e prosseguir lembrado. Foi tal a revolução que promoveu no Espírito humano que a Terra O recorda, ano após ano. Sua revolução não utilizou armas de fogo, ferro ou aço. Foram, no entanto, as mais invencíveis armas do amor e da bondade. Desde o nascimento, exemplificou. Rei das Estrelas, Senhor dos Espíritos, tornou-Se criança, adolescente, homem e viveu com os homens. Demonstrando, através de pouco mais de três décadas que não importam as circunstâncias, quem deseja ser bom pode sê-lo. Viveu em período em que a política romana comandava o mundo, em que a hipocrisia farisaica imperava e, no entanto, manteve-Se puro. Lecionando humildade ao nascer em um berço de palha, traduziu a lição do trabalho na carpintaria de Seu pai José. Ele, que moldara, junto com o Pai Supremo as formas da Terra que habitamos, não Se envergonhou de domar a madeira e transformá-la em bancos, mesas, utensílios domésticos outros. Senhor e Mestre, em cada momento de Sua vida, ensinou pelo exemplo, testificando que o bem vence o mal, a luz vence a treva. Mais de dois mil anos são passados, desde Sua vinda à Terra. Quando nos decidiremos por Lhe seguir a excelsa doutrina, que conjuga o verbo amar e que utiliza os substantivos doação, renúncia, abnegação? * * * Jesus é nosso Modelo e Guia. Por isso mesmo, nenhum de nós deve se dizer desiludido com essa ou aquela postura equivocada de seguidores de qualquer credo. Porque afinal o que importa mesmo, é a conduta do nosso Mestre Jesus que, em nenhum momento, abandonou as linhas do dever e do amor sem limites. Redação do Momento Espírita. ************** QUE POSSO DESEJAR PARA VOCÊ HOJE? Que posso desejar para você hoje? Que as verdadeiras amizades continuem. Que as lágrimas sejam poucas, e compartilhadas. Que as alegrias estejam sempre presentes e sejam festejadas por todos. Que o carinho esteja presente em um simples olá, ou em qualquer outra frase mesmo que digitada rapidamente. Que os corações estejam sempre abertos para novas amizades, novos amores, novas conquistas. Que Deus esteja sempre com sua mão estendida apontando o caminho correto. Que as coisas pequenas como a inveja ou desamor, sejam retiradas de nossa vida. Que aquele que necessite de ajuda encontre sempre em nós uma animadora palavra amiga. Que a verdade sempre esteja acima de tudo. Que o perdão e a compreensão superem as amarguras e as desavenças. Que este nosso pequeno mundo virtual seja cada vez mais humano. Que tudo que sonhamos se transforme em realidade. Que o amor pelo próximo seja nossa meta absoluta. Que nossa jornada de hoje esteja repleta de flores. Que a Felicidade momentânea da Vingança, ceda espaço para a Felicidade eterna do Perdão. Neste dia mais que nunca, desejo para você tudo o que há de melhor no Universo, e que seus sonhos sejam todos realizados. Seja muito Feliz!!! ********** TUDO NO SEU TEMPO Não apresses a chuva... ...ela tem seu tempo de cair e saciar a sede da terra. Não apresses o pôr do sol... ...ele tem seu tempo de anunciar o anoitecer até seu último raio de luz. Não apresses a tua alegria... ...ela tem seu tempo para aprender com a tua tristeza. Não apresses o teu amor... ...ele tem seu tempo de semear mesmo nos solos mais áridos do teu coração. Não apresses a tua raiva... ...ela tem seu tempo para diluir-se nas águas mansas da tua consciência. Não apresses o outro... ...pois ele tem seu tempo para florescer aos olhos do Criador. Não apresses a ti mesmo... ...pois precisas de tempo para sentir tua própria evolução. ********** PLANTADOR DE SORRISOS Num processo de seleção de uma grande empresa, os candidatos deveriam responder à seguinte pergunta: ?Você tem experiência?? A redação abaixo foi desenvolvida por um dos candidatos. Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso, e ele com certeza será sempre lembrado por sua criatividade, sua poesia, e acima de tudo, por sua alma. REDAÇÃO VENCEDORA: Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar, Já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo. Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista. Já me escondi atrás da cortina e esqueci pés pra fora. Já passei trote por telefone. Já tomei banho de chuva e acabei me viciando. Já roubei beijo. Já confundi sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro, Já me cortei fazendo a barba apressado, Já chorei ouvindo música no ônibus. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de esquecer. Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas, Já subi em árvore pra roubar fruta, Já caí da escada de bunda. Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola, Já chorei sentado no chão do banheiro, Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante. Já corri pra não deixar alguém chorando, Já fiquei sozinho no meio de mil pessoa sentindo falta de uma só. Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, Já me joguei na piscina sem vontade de voltar, Já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios, Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar. Já senti medo do escuro, Já tremi de nervoso, Já quase morri de amor, nas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial. Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade, Já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um para sempre pela metade. Já deitei na grama de madrugada e via a Lua virar sol, Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão. Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração. E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: ?Qual sua experiência??. Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência...experiência...Será que ser ?plantador de sorrisos? é uma boa experiência? Não! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos! Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta: ?Experiência? Quem a tem, se a todo momento tudo se renova?? ********* ANSIEDADE As mãos suam, o corpo treme, a respiração fica ofegante, uma sensação de náusea e aquela palpitação inegável no coração. Todos estes são sinais de um dos males modernos: a ansiedade. A vida, nos dias de hoje, é repleta de cobranças: no trabalho, na família, nas relações sociais. A cada dia estamos mais cheios de tarefas, compromissos, pendências. Uma lista enorme de coisas a fazer. E nem sempre o tempo é suficiente. Vem então a sensação desagradável de ter de fazer mais coisas do que damos conta. É comum ouvirmos as pessoas se queixando: Tenho tanto a fazer e gostaria apenas de dormir.De ficar com minha família, de assistir a um bom filme, de brincar com meus animais de estimação... Por outro lado, as exigências da vida moderna nos obrigam a fazer cursos, aperfeiçoar os conhecimentos. É a era da informação. Como conciliar tudo isso com o natural desejo de se instruir, melhorar de vida, aproveitar oportunidades, evoluir? O caminho do equilíbrio é a solução. É natural desejar o progresso e o aperfeiçoamento, tanto nos campos ético-moral, como intelectual. É da natureza humana estar em permanente aprendizado, adquirindo conhecimento e agregando valor à sua bagagem cultural. Mas o grande problema de nossos dias é a ausência de limites. Estamos cada vez mais comandados pelas pressões externas, subjugados pelas imposições dos diversos grupos sociais. Raras vezes pensamos por nós. Não costumamos refletir sobre o que realmente nos interessa. Em geral, tomamos decisões sob extrema pressão. Resultado: desejamos fazer de tudo um pouco. Queremos ler tudo, não desejamos a pecha de desinformado. E a consequência imediata é o stress. O corpo não suporta tanta pressão: adoece. Nossa reação a esse mundo globalizado deveria ser serena: Vou aprender o que puder, quando puder e no meu ritmo, sem forçar minha natureza. Vou trabalhar no limite de minhas forças, fazendo o melhor que puder, mas sem a obrigação de provar coisas a chefes e colegas de trabalho. A tradução disso tudo? Estar no comando da própria vida. Uma frase de Jesus é bastante significativa para os nossos dias: Não vos preocupeis com o que haveis de comer ou de beber. Não é o corpo mais que a veste? * * * Se você acredita em Deus, tenha em mente que você jamais estará desamparado. Todas as coisas estarão bem se você estiver em paz. Pois a paz vai gerar saúde do corpo. Com isso, você poderá trabalhar, sustentar a família, adquirir os bens que deseja. Apenas seja cauteloso: não se deixe envolver a tal ponto no turbilhão do mundo, de maneira que o mundo o arraste para o olho desse furacão de stress. Vigie suas reações. Monitore seus planos de vida. Pergunte-se: Para que, realmente, quero isso? Faça a diferença entre o supérfluo e o necessário e verifique se a sua opção não está contaminada pelos excessos. No final, você verá que, em um processo inteiramente natural, a ansiedade irá, aos poucos, desaparecer. Redação do Momento Espírita. ********** VOCÊ E DEUS Criador nem leva em conta nossas infantilidades e continua regendo o universo com justiça, amor e misericórdia. No entanto, se você não acredita em Deus, isso não importa. O importante mesmo é que Deus possa acreditar em você. Em verdade, você sempre está bem próximo de Deus, fazendo a sua parte para a manutenção da harmonia do universo, mesmo sem se dar conta disso. E ainda que não queira admitir, existe um vínculo muito estreito entre você e Deus. Deus é o Criador. Você, porém, pode colaborar na obra divina, na condição de co-criador. Deus é o Pai. Você, todavia, pode tornar-se genitor triunfante, contribuindo para o progresso do espírito em prol de todos. Deus é o infinito. Você, sem embargo, pode, na sua finita posição, colaborar em prol da glória da vida nos corações que transitam na dor. Deus é amor. Você, entretanto, pode desdobrar os sentimentos e repartir as fortunas da bondade que carrega, entre os necessitados que o cercam. Deus é a perfeição. Você, querendo, pode crescer, mediante o serviço nobre, lapidando suas arestas, a fim de refletir-Lhe a grandeza no espelho da sua purificação. Deus é a verdade. Você, também, pode disseminar as lições da divina sabedoria, que refulgem no Evangelho de Jesus. Deus é o poder. Você, desejando, conseguirá edificar a felicidade em toda parte, quando queira. Deus é a harmonia. Você possui, igualmente, as melodias da excelsa beleza na pauta do coração, podendo, também, cantar baladas de esperança e paz em seu nome. Deus é vida. Você não pode conceder a vida a ninguém, é certo, no entanto, poderá salvar muitas vidas que perecem por falta de amparo e socorro. Deus é a causa primeira. Você o traz dentro do coração. Desate-o e permita que em você a sua presença gere felicidade em derredor. Pense nisso! Jesus disse: "vós sois deuses". Conduzindo o Pai Criador ao cerne da sua vida, você pode fazer tudo em prol de você mesmo, modificando as paisagens ermas do mundo, a fim de que mais rapidamente se estabeleça o reino dos céus entre os homens. Pense nisso e faça a sua parte. Porque o Criador, sem dúvida, está fazendo a dele. Equipe de Redação do Momento Espírita com base no cap. 1 do livro Momentos de Decisão de Divaldo Franco. Postado por Carlos Ernesto Prokisch Grupo Esperança ********** AS ALEGRIAS DAS ALMAS Se fostes contemplado com a ?alegria e com a tristeza?, ?desgraça e triunfo?: trates da ?mesma forma a esses dois impostores...? aprendi nos arraiais espíritas que certa vez Chico teria pedido a Emmanuel que trouxesse para ele uma mensagem do Espírito Maria: No que fora atendido com o ensinamento seguinte: Isso também passa. Com a explicação do Espírito Guia, Emmanuel, de que assim quando estivesse triste, sofrendo lembrasse de que era passageiro e de que quando estivesse alegre, também; assim manteria sempre o estado de equilíbrio... Presenteado com as informações e os princípios Espíritas; Espírita deve ser o teu proceder não importando a queda, os abusos, as desgraças, os percalços; Espírita deve ser a tua reação ante esses acontecimentos e fatos momentosos. Com o pensamento e conduta Otimistas, colhendo ensinamentos dessas experiências, tenhas sempre em Mente que se ?a cada dia cabe o seu mal?, a cada dia cabe o seu Bem, faze o bem e siga, intimorato, feliz! 13 Dez 02. (Um Amigo). A Psicologia Espírita vem clarificar as ações que convenientemente foram taxadas de ?pecados?, pela religião oficial, considerando-as como desajustes, neuroses ou desequilíbrios íntimos. Precisam mais de auto-análise, reparação e tratamento do que de condenação, repressão ou castigo. É um ato de auto-agressão viver a vida nos termos estabelecidos pela aprovação alheia. ?Para vivermos bem com nós mesmos, é preciso estabelecer padrões de auto-respeito, aprendendo a dizer ?não sei?, ?não compreendo?, ?não concordo? e ?não me importo??. As atitudes costumeiras de santarrão ou santarrona, buscando uma atmosfera virtuosa e de ser admirada e sempre aceitos deve-se ao papel que representam incessantemente de satisfazer e de contentar a todos, em quaisquer circunstâncias. Por trás de todo o ato de crueldade sempre existe um pedido de socorro. Nunca nos esqueçamos de que a vida sempre agirá em nosso benefício, quer nos setores da solidão, quer nos de muitas companhias, ou seja, entre encontros, desencontros e reencontros. Todo sofrimento é um ato importantíssimo de conhecimento e aprendizagem. Poderemos agir no processo de formação e progresso das criaturas, nunca forçar o processo ou criticar o seu andamento. Nada é inútil no Universo. Todos estamos progredindo e crescendo, ainda que, algumas vezes, não nos apercebamos disso. Dizem os Benfeitores Espirituais que a missão primordial das almas é a de melhorarem-se pessoalmente e, além disso, concorrerem para a harmonia do Universo, executando as vontades de Deus. Não forçar, não censurar, não impor nada a ninguém, não apresentar soluções, somente a ?Virtude Oposta?. Fazer aos outros seguros e felizes é missão impossível de realizar. Não seria mais fácil se cada um de nós conquistasse sua felicidade para que depois pudesse desfrutá-la, convivendo com alguém que também a conquistou por si mesmo? Valdomiro Halvei Barcellos Inspirado no Livro as Dores da Alma, de Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed Postado por Carlos Ernesto Prokisch Grupo Esperança ********** AMIZADE Senhor, quão poucos são os verdadeiros amigos, porque somos imperfeitos ilimitados! Muitas vezes nos decepcionamos, esquecidos de que somos nós quem erramos quando esperamos deles uma perfeição, uma santidade e um perfeito amor o qual somente o Senhor possui e mesmo aqueles que O amam verdadeiramente, são falhos, porque são humanos. Fazei-nos, obstante as dificuldades, bondoso e verdadeiro amigo para com todos, sem nada esperar, nem mesmo um só agradecimento. Senhor, é o melhor e mais perfeito amigo entre todos os nossos amigos, O Senhor que nos ama com um amor perfeito, ensina-nos a amar com o Seu coração, a olhar com Seus olhos e a viver sempre como testemunhas dignas da profunda amizade e amor que sempre tem para conosco. ********** APELO DE UM ALCOÓLATRA Meu Deus, a minha fé se firme no poder superior de Vossa Divindade. O Vosso poder contrasta com a minha fraqueza. Basta um copo de bebida para me derrotar e humilhar! O pior é que a minha doença envergonha e faz sofrer toda a minha família. Meu Deus, ajudai-me e socorrei-me! Que a Vossa bondade infinita perdoe os meus fracassos; a Vossa graça levante a minha vontade e me torne capaz de vencer a tentação do álcool. Nossa Senhora, refúgio dos pecadores, e consoladora dos aflitos, rogai por mim e por todos os alcoólatras. ********** ORAÇÃO Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, que deu a seu discípulo Marcos a graça do apostolado cristão e a narração do seu Santo Evangelho. São Marcos, orai por nós, para que sejamos iluminados pela força do evangelho. Nós vos pedimos as bênçãos necessárias, para nossa absolvição... ********** ORAÇÃO PARA O ANJO GUARDIÃO Com fé imensa em Deus Pai Todo Poderoso. Criador de tudo e de todos e em meu Anjo da Guarda, que no decorrer de todos os dias encontra-se ao meu lado, protegendo-me e livrando-me de todos os males, peço humildemente que me conceda a graça de suportar as minhas fraquezas e fragilidades e que, com vossa proteção, eu venha a ter sempre uma vida reta, decidida, honesta e piedosa, repleta de muita paz, saúde, amor e realização. ********** AMOR Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não estiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o pranto que retine. Ainda que eu tenha o dom da profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha a fé capaz de mover montanhas, se não tiver amor, nada serei. Ainda que eu dê aos pobres tudo que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me valerá. O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca perece: mas as profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará. Pois em parte conhecemos e em parte profetizamos; quando, porém, vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá. Quando eu era menino, falava como menino, quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino. Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho: mas então veremos face a face. Agora conheço em parte; então conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido. Coríntios 13 ********** A TI Tu procuras, inutilmente, fala à tua mãe; todas as noites, tristemente, eu venho sobre tua pálpebra em segredo depositar; para consolar tua tristeza, o maternal beijo cujo hábito tão frágil não pode mais hoje, dizer-te da tristeza daquela que te deixou chorando-te sem cessar. Deus faz bem o que faz, filha, crê em tua mãe; uma felicidade mais perfeita atrapalharia tua prece que refresca meu corpo no negro compo dos mortos onde teu Deus a ligou. Tua Mãe Ecos Poéticos D' Além Tumba. ********** MORRER É fácil morrer, quando se espera em Deus, porque se pode dizer aos seus, acabando a viajem: Caros amigos, este não é um eternal adeus que lhes envio. Até logo, tenham coragem! Um Espírito Eco Poético D' Além Tumba ********** A MORTE A Morte é como um sono que acaba na tumba, um sonho terminado em paz e sem fragor; a alma ali desperta e, qual ligeira pomba, voa p?ra o mundo, onde tudo é fruto e flor. Um Espírito Ecos Poéticos D? Além Tumba. ********** AO MÉDIUM (QUE ACREDITAVA SER PROFETA) O médium, ainda que poeta, não será jamais um profeta não poderá jamais ler nos céus o segredo dos tempos e dos espaços, que seu Deus põe sobre a terra, envolto no mistério, o homem não pode e não deve distinguir a marca dos passos que, o caminho da vida, até sua prova final, diante dele marchariam sempre, fazendo-o ver os desvios que devem despertar sua dúvida, quando ele procura e escolhe seu rumo. Porque, então, onde estariam? Diga-me, o dever da alma e sua lei? Onde estaria, então seu livre arbítrio? Onde estariam seus direitos e seu título que devem, um dia, cedo ou tarde, a todos justificar sua parte nas eternas recompensas que promete a suas existências o seu Deus? Não, aquele que diria ser profeta, mentira. Tomada um pouco de imprevista. Não tendo ninguém que me assista, não pude acabar nesta noite o que comecei. Boa Noite Elisa Mercoeur Ecos Poéticos D? Além Tumba. ********** O PENSAMENTO Os nossos pensamentos formam o molde ou matriz pelo qual fluem a infinita inteligência, a sabedoria, as forças vitais e as energias. Com a aplicação prática das leis da mentes, sairemos da ignorância para a sabedoria, da dor para a tranquilidade, da tristeza para a alegria, da escuridão para a luz, da discórdia para a harmonia, do medo para a fé e confiança. Cada Pensamente é uma causa e cada condicionamento é um efeito. A lei da vida é a fé. A fé é um pensamento em nossas mentes que faz com que as energias positivas se distribuam por todos os capítulos de nossas vidas de acordo com nossos hábitos de pensar... Todas as nossas experiências, todas as nossas ações, todos os acontecimentos e circunstâncias de nossas vidas são mero reflexo e reação do nosso próprio pensamento. A felicidade é a colheita de uma mente tranquila. Cultivemos nossos pensamentos em paz, equilíbrio, segurança e orientação divina e nossas mentes produzirão a felicidade. Por isso, devemos cultivar pensamentos harmoniosos, construtivos e de paz. André Menezes Rozalia P. Nakahara Em 25/10 ********** O NÓ DO AFETO - REFLEXÃO. Em uma reunião de Pais, numa Escola da Periferia, a Diretora ressaltava o apoio que os pais devem dar aos filhos. Pedia-Ihes, também, que se fizessem presentes o máximo de tempo possível. Ela entendia que, embora a maioria dos pais e mães daquela comunidade trabalhasse fora, deveriam achar um tempinho para se dedicar a entender as crianças. Mas a diretora ficou muito surpresa quando um pai se levantou a explicou, com seu jeito humilde, que ele não tinha tempo de falar com o filho, nem de vê-lo durante a semana. Quando ele saía para trabalhar, era muito cedo e o filho ainda estava dormindo. Quando ele voltava do serviço era muito tarde e o garoto não estava mais acordado. Explicou, ainda, que tinha de trabalhar assim para prover o sustento da família. Mas ele contou, também, que isso o deixava angustiado por não ter tempo para o filho a que tentava se redimir indo beijá?lo todas as noites quando chegava em casa. E, para que o filho soubesse da sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol que o cobria. Isso acontecia, religiosamente, todas as noites quando ia beijá-lo. Quando o filho acordava e via o nó, sabia, através dele, que o pai tinha estado ali e o havia beijado. O nó era o meio de comunicação entre eles. A diretora ficou emocionada com aquela história singela e emocionante. E ficou surpresa quando constatou que o filho desse pai era um dos melhores alunos da escola. O fato nos faz refletir sobre as muitas maneiras de um pai ou uma mãe se fazerem presentes, de se comunicarem com o filho. Aquele pai encontrou a sua, simples, mas eficiente. E o mais Importante é que o filho percebia, através do nó afetivo, o que o pai estava lhe dizendo. Por vezes, nos importamos tanto com a forma de dizer as coisas e esquecemos o principal, que é a comunicação através do sentimento. Simples gestos como um beijo a um nó na ponta do lençol, valiam, para aquele filho, muito mais que presentes ou desculpas vazias. É válido que nos preocupemos com nossos filhos, mas é importante que eles saibam, que eles sintam isso. Para que haja a comunicação, é preciso que os filhos "ouçam" a linguagem do nosso coração, pois em matéria de afeto, os sentimentos sempre falam mais alto que as palavras. É por essa razão que um beijo, revestido do mais puro afeto, cura a dor de cabeça, o arranhão no joelho, o ciúme do bebê que roubou o colo, o medo do escuro. A criança pode não entender o significado de muitas palavras, mas sabe registrar um gesto de amor. Mesmo que esse gesto seja apenas um nó. Um nó cheio de afeto e carinho. E você... já deu algum nó no lençol de seu filho, hoje? ********** DEFICIÊNCIAS - MARIO QUINTANA "Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino. "Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui. "Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores. "Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês. "Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia. "Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda. "Diabético" é quem não consegue ser doce. "Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer. E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois: "Miseráveis" são todos que não conseguem falar com Deus. "A amizade é um amor que nunca morre. " Mario Quintana ********** QUANDO ME DIZES NÃO Agradeço, senhor Quando me dizes "não" Às súplicas indébitas que faço, Através de oração . Muitas daquelas dádivas que peço Estima, concessão, posse, prazer, Em meu caso talvez fossem espinhos Na senda que me deste a percorrer. De outras vezes, imploro-te favores, Entre lamentação, choro, barulho. Mero capricho, simples algazarra Que me escapam do orgulho... Existem privilégios que desejo. Reclamando-te o "sim" Que, se me florescessem na existência, Seriam desvantagens contra mim. Em muitas circunstâncias, rogo afeto, Sem achar companhia em qualquer parte, Quando me dás a solidão por guia Que me inspire a buscar-te. Ensina-me que estou no lugar certo, Que a ninguém me ligaste de improviso, E que desfruto agora o melhor tempo De melhorar-me em tudo o que preciso. Não me escutes as exigências loucas,Faze-me perceber Que alcançarei além do necessário, Se cumprir com meu dever. Agradeço, meu Deus, Quando me dizes "não"com teu amor E sempre que te rogue o que não deva, Não me atendas, senhor!... ******** PRECE DOS AFLITOS Senhor Deus, Pai dos que choram, Dos tristes, dos oprimidos. Fortaleza dos vencidos, Consolo de toda a dor, Embora a miséria amarga, Dos prantos de nosso erro, Deste mundo de desterro, Clamamos por vosso amor! Nas aflições do caminho, Na noite mais tormentosa, Vossa fonte generosa É o bem que não secará... Sois, em tudo, a luz eterna Da alegria e da bonança Nossa porta de esperança Que nunca se fechará. Quando tudo nos despreza No mundo da iniqüidade, Quando vem a tempestade Sobre as flores da ilusão! O! Pai, sois a luz divina, O cântico da certeza, Vencendo toda aspereza, Vencendo toda aflição. No dia de nossa morte, No abandono ou no tormento, Trazei-nos o esquecimento Da sombra, da dor, do mal!... Que nos últimos instantes, Sintamos a luz da vida Renovada e redimida Na paz ditosa e imortal. Emmanuel - Francisco C.Xavier Livro: Paulo E Estevão Paginas 162 e 163 ********** ALÉM DAS PALAVRAS Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho, Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm as rosas! Dê quem voçe ama asas para voar raízes para voltar e motivos para ficar... Não viva no passado não sonhe com o futuro concentre a mente no momento presente... E se choras por ter perdido o sol,as lágrimas não te deixarão ver as estrelas... Os olhos são as janelas do sentimento. O sorriso mente, mas os olhos entregam... O que as palavras não dizem. Os olhos falam. O bem que você faz será esquecido... Faça o bem mesmo assim. A melhor saída é seguir em frente. Ame alguém,quando esse alguém menos merecer, pois é nesse momento que esse alguém... mais precisa do seu amor... Não ame pela beleza, um dia acaba... Não ame por adimiração,um dia você se decepciona... Apenas ame pois o tempo não apaga. A vida é como um espelho abtemos os melhores resultados,quando sorrimos. Não viva esperando a tempestade passar,aprenda a dançar na chuva. A vida é um livro e viver é como escrever sem borracha. Você não pode voltar e fazer um novo começo... Você pode sim mudar,e fazer um novo FIM. ********** MENSAGEM Passaram-se nove anos na contagem terrena, e a saudade continua intensa, mas o pensamento ocupa agora outros campos mais elevados que a vida transitória, felizmente, a memória ainda guarda a doce lembrança das experiências afetuosos que aprendemos na escola sorridente dos conhecimentos enriquecedores da vida corpórea. Os passos da vida, sabiamente nos conduzem ao encontro com a morte, ela é o guia que nos segura pela mão, e nos entrega aos braços afáveis da vida eterna. Senhor, dai-nos entendimento para compreender que a morte é a porta que nos dá passagem para à vida superior a vida de provas terrenas. Dai-nos sabedoria para perceber que os caminhos eternos são luzidios pelas bênçãos celestias, e que, a vida física é apenas uma experiência passageira necessária para o nosso aperfeiçoamento. Senhor, dai-nos como herança o tesouro benévolo do conhecimento da sabedoria da luz, para que nossas marchas sejam iluminadas pela luz da fé e do amor redimido, assim, alcançaremos a absolvição... Obrigado Senhor por nos conceder a Graça do santo Perdão. Louvado sejam Deus! William Eduardo P. Rozalia P. Nakahara Em 01/11/12 ********** MENSAGEM Vergastado pela dor da imensa saudade, o pensamento vagueia pelo ninho acolhedor da existência terrena. Na memória a lembrança serena das lágrimas dos enlutados com a minha partida. Depois de longos dias, preso ao leito do sofrimento físico, felizmente, a morte me conduziu ao sono repousante sob a sombra acolhedora das asas da misericórdia salvadora. No peito guardo a saudade indizível dos familiares e amigos, na memória a suave e agradável lembrança das experiencias felizes e as benditas oportunidades que a vida me concedeu. Enquanto a enfermidade me exauria as forças físicas, eu me fortaleci para a partida; a passagem é serena e jubilosa, abrilhantada pelo carinho dos que com braços abertos aguardavam com um sorriso nos rostos pela minha chegada. O júbilo dos que atravessam o véu da separação física, levando no coração a extraordinaria sensação de ter cumprido honrosamente seu dever de homem cristão e pai de família dedicado, é intensa qual a tristeza dos que ficaram. O fim, é o começo de uma nova e prodigiosa jornada em beneficio de nós e dos que necessitam do nosso auxílio para se fortalecerem. Abraços do amigo e companheiro. mensagem de N.M. para o amigo P.M. P. Rozalia P. Nakahara Em 01/11/12 ********** PRECE Senhor, quero enxergar o mundo com os olhos do coração, e envolver no manto do amor os que nos rodeiam. Quero irradiar luz aos que praticam as virtudes do Amor, da Benevolência e da Caridade, para que sejam eternos Mensageiros da Paz. Senhor, que eu possa levar esperança aos corações afundados em aflição e plantar a sementeira da fé, para que a esperança nova seja a janela para a luz do amor entrar em seus corações. Senhor, quero enxugar as lágrimas dos desvalidos que suplicam socorro... para que possam compreender que o Vosso amor se estende a todos aos seus filhos amados que transitam sobre a terra. Senhor, conserva a humildade em nossos corações para que não nos desvencilhemos do Bem.. Um Espirito amigo P. Rozalia P. Nakahara Em 01/11/12 ************ PRECE Senhor, sabemos que o Vosso amor é imensamente grande! Semeia no corações dos homens bondade para que possam auxiliar os necessitados. Dê-lhes discernimento para que possam compreender que o amor pelo próximo é a luz que necessitamos para nossas caminhadas. Senhor, fá-los abranger com amor suas missões, e cumprir-las sem clamar, para que a luz do entendimento possa iluminar as trevas dos seus corações. Senhor, clarifica-lhes o pensamento, e a fé os leverá ao Perdão... Um Espírito amigo P. Rozalia P. Nakahara Em 01/11/12 ********** A ROSA Certa noite, uma rosa orgulhosa, às que cumpunham, sua corte, gabava-se da beleza maravilhosa que a tinha feito brilhar naquele dia. "Amanhã, dizia ela à Aurora, mais bela ainda do que fui hoje, você verá o amante que me adora morrer sufocado no meu seio". " Cuidado, disse o Amor Perfeito, você será tão bela amanhã quanto sua coroa quebrada, que não verá o amanhecer". Ecos Poéticos D' Além tumba Poesia Medianímica L.VAVASSEUR Tradução: Dr. Nereu Mello ********** PRECE Senhor Desus, aumentai a nossa fé, para que a nossa vida de hoje seja semente de uma nova vida que irá nascer na eternidade. Ajudai-nos a valorizar o dom da vida, para que sejamos sementes de eternidade. Ajudai-nos a permanecer fiéis a nossa fé, nos momentos de dor e separação. Senhor, ajudai-nos a compreender a morte como um chamado para a vida maior. Senhor, dai aos nossos entes queridos que já deixaram este mundo, o repouso eterno e brilhe para eles a vossa luz, para que vivam na pátria onde não há morte, mas eterna alegria. Rozalia P. Nakahara Em 30/10 ********* ORAÇÃO DE SÃO RAFAEL Deus misericordioso e justo, que destes o Bem-aventurado Arcanjo São Rafael como guia ao Vosso servo Tobias, concedei a mim, Vosso humilde servo, a graça de ser protegido por ele e assistido pelo seu socorro. Glorioso príncipe, Arcanjo Rafael, lembrai-vos de mim. Aqui e em toda parte, rogai por mim, filho de Deus. peço-vos em nome de Nosso Senhor jesus Cristo. São Rafael, dotado da graça especial de proteger-me em face de Deus, rogai por mim. São Rafael, lembrai-vos de mim. São Rafael, orai por mim. 26/10/12 Rozalia P. Nakahara ********* ORAÇÃO PARA O GUARDIÃO Meu bom Anjo da guarda, obrigado por me atender. Mostre-me o caminho da Verdade! Destrua os meus opositores e conserve a minha fé em Deus. Que os Espíritos malígnos se afastem de mim. Divino amigo celeste, ajude-me hoje e sempre. Protega-me para que nada de mal ocorra a mim. Salve, meu bom Anjo da guarda! Amigo Celeste, abre o meu caminho. 26/10/12 Rozalia P. Nakahara ********** PROMESSAS DE AMOR Pessoas gostam de fazer promessas... Mas os apaixonados são mestres em prometer, embora nem sempre consigam cumprir as coisas prometidas. E eu até gostaria de lhe prometer a felicidade eterna mas, porque sei que não poderei cumprir, desejo conquistar, dia a dia, ao seu lado, uma felicidade possível... Eu poderia lhe prometer o mundo, mas isso não é algo que se pode alcançar, por isso desejo oferecer-me para construir com você um mundo diferente, um mundo melhor, um mundo onde a paz não seja uma ilusão. Eu poderia lhe prometer a lua, mas esse magnífico satélite não está à venda. Assim, desejo exercer suave magnetismo, atraindo você aos meus braços sempre que deles necessitar... Eu poderia lhe prometer as estrelas, mas isso seria utopia. Entretanto, quero e posso ser um tênue raio de luz, sempre que a escuridão aparecer em seu caminho. Eu poderia prometer atapetar estradas com pétalas de flores para suavizar sua caminhada. Mas na impossibilidade de cumprir, desejo lhe ofertar flores de ternura, sempre que seus pés estiverem cansados... Eu poderia fazer a promessa de lhe dar o mais luxuoso castelo do mundo, mas certamente não cumpriria... Assim, almejo tecer, com os fios invisíveis do amor, um ninho de fraternidade e paz, consolidado no lar. Eu poderia lhe prometer amor exclusivo, mas isso eu não posso, pois outras pessoas já conquistaram meu coração. Quando nasci, os braços de meus pais foram meu primeiro berço; quando precisei de amigos, os encontrei; quando descobri os laços de ternura de meus avós e outros familiares, a eles dediquei amor. Eu poderia prometer declamar as poesias mais belas do mundo para você, mas não tenho esse dom. Assim, desejo apenas procurar as palavras certas para lhe dizer, nos momentos precisos, e edificar com elas a ponte do diálogo, que nos fará próximos em todas as situações. Eu poderia lhe prometer belos presentes a cada aniversário seu, a cada data importante para nós dois, mas temo um dia não lograr êxito. Por essa razão, desejo lhe ofertar as flores de amizade e afeição todos os dias, porque todos os dias serão importantes para nós. E, se por acaso um dia eu não fizer isso, socorra-me depressa, pois estarei precisando muito de sua ajuda. Eu poderia lhe prometer uma família feliz, com filhos saudáveis e inteligentes, mas isso não depende de mim. No entanto, se Deus nos confiar Seus filhos, para alegrar nossa união, desejo dar o melhor de mim em favor desses viajantes do infinito, sejam eles inteligentes ou não, saudáveis ou não, carinhosos ou não... Eu poderia prometer a você jamais cometer equívocos, mas não posso assegurar isto, sob pena de me trair nos minutos seguintes. Todavia, desejo envidar esforços constantes pela autossuperação. E, se vier a falir, rogarei que perdoe minha fraqueza. Enfim, eu poderia lhe fazer mil promessas, como tantos apaixonados... Poderia lhe dizer muitas palavras sem sentido ou vazias... Mas, se não prometo lhe dar tudo o que desejaria, eu posso lhe ofertar o meu amor sincero. Espero que você também não me prometa nada, apenas desejo que aceite meu coração, como prova das minhas mais elevadas intenções. E, quando um dia, o crepúsculo da existência se aproximar e nos encontrar lado a lado, aí, então, poderei assegurar que superamos juntos uma árdua batalha, e que as promessas que não fiz se realizaram... Redação do Momento Espírita. ******** BUSQUE O HORIZONTE Conta-se que, certa vez, um homem se aproximou de Deus e pediu para que Ele lhe esclarecesse sobre algo na Criação que, segundo seu ponto de vista, não tinha nenhuma utilidade, nenhum sentido... Deus o atendeu e perguntou qual era a falha que ele havia notado na Criação. Senhor Deus, disse o interessado, Sua Criação é muito bonita, muito funcional, cada coisa tem sua razão de ser... Mas, embora me esforce para compreender sua finalidade, tem algo que me parece não servir para nada. E o que é isso que não serve para nada? Perguntou Deus. É o horizonte, respondeu o homem. Afinal, para que serve o horizonte? Se eu caminho um passo na direção do horizonte, ele se afasta um passo de mim. Se caminho dez passos, ele se afasta outros dez passos... Se caminho quilômetros na direção do horizonte, ele se afasta os mesmos quilômetros de mim... Isso não faz sentido! O horizonte não serve para nada. Deus olhou para Seu ingênuo filho, sorriu e disse: Mas é justamente para isso que serve o horizonte... Para fazê-lo caminhar. * * * Tantas vezes nos acomodamos em nossos estreitos limites, e nos esquecemos de andar alguns passos na direção do horizonte, que nos convida incessantemente a caminhar. Quando nos esforçamos para ultrapassar nossos próprios limites, novas oportunidades surgem para que avancemos na direção do infinito que Deus nos reserva como meta de perfeição. Assim, se você está paralisado pela falta de perspectivas que o incentivem a ir adiante, em busca do autoaperfeiçoamento, olhe para frente e ouça o chamamento do horizonte. Contemple as estrelas e deseje alcançá-las: isso não é um sonho impossível. Você é filho de Deus, portanto, herdeiro do Universo. Herdeiro das estrelas, dos mundos que gravitam nos espaços infinitos, convidando-nos a seguir em frente, vencendo os obstáculos naturais que se apresentam na caminhada evolutiva. Mas para conseguir esse intento, é preciso esforço e perseverança. É preciso vontade de romper com as amarras que, ao longo dos séculos, nos mantêm presos aos baixos planos da experiência carnal. E lembre-se, sempre, de que cada passo que você der na direção do horizonte, esse mais se afastará para que você continue caminhando. E, quando você conseguir alcançar o horizonte, é porque terá alcançado a linha máxima da perfeição que a escola chamada Terra pode lhe oferecer. Nesse instante, novos horizontes se abrirão, desafiando sempre e sempre aqueles que têm coragem de avançar, de seguir na direção da luz, da perfeição a que o Mestre de Nazaré nos convidou, dizendo: Sede perfeitos como perfeito é vosso Pai celestial. * * * Lance seu olhar para o infinito e, mesmo que as nuvens ou as lágrimas não lhe permitam ver as estrelas, diga como quem tem certeza: Sou herdeiro das estrelas, Eu sou filho do Senhor, Cultivo sonhos de beleza, Na grandeza do amor. Com as estrelas eu sempre sonho E nelas vejo brilhar A viva esperança de um dia, Junto a elas poder estar. Ver coisas tão sublimes Da pátria espiritual, Morada verdadeira Do Espírito imortal. Não importa o quanto espere Eu sei que não vou perdê-las, Pois sou filho do Senhor, E herdeiro das estrelas. Redação do Momento Espírita ********** PRECE DE ACEITAÇÃO Se eu pudesse, Jesus, Queria estar contigo Para ser a esperança realizada De quem vai pelo mundo, estrada a estrada, Entre a necessidade e o desabrigo... Desejava seguir-te, humildemente, Sem méritos embora, Para erguer-me em consolo de quem chora Mostrando o coração enfermo e descontente. Queria acompanhar-te nos recintos, Onde a dor leciona e aperfeiçoa A fim de ser conforto junto dela E, manejando a frase terna e boa Afirmar como a vida é grande e bela!... Se pudesse, Senhor, conversaria com todas as crianças Para dizer que não te cansas de criar alegria... E seria feliz ao converter-me em modesto recado, Informando, Jesus, a todos os velhinhos Que nunca estão sozinhos, porque segues conosco, lado a lado... Se dispusesse de recursos, queria ser a vela pequenina, acesa no clarão do sol que levas, de modo a socorrer aos que jazem nas trevas, Fugindo sem razão, da bondade Divina... Entretanto, Senhor, sei das deficiências que carrego... Venho a ti como estou, por isto mesmo rogo: Não me deixes a sós por onde vou... Se não posso, Jesus, ser bondade, socorro, paz e luz,Toma-me o coração e, perdoando a minha imperfeição, Esquece tudo o que meu sonho almeja e ensina-me Senhor, Com o teu imenso amor, o que queres que eu seja. Chico Xavier - Maria Dolores ********** PARA O MELHOR AMIGO, O MELHOR PEDAÇO Serapião era um velho mendigo que perambulava pelas ruas da cidade. Ao seu lado, o fiel escudeiro, um vira-lata branco e preto que atendia pelo nome de Malhado. Serapião não pedia dinheiro. Aceitava sempre um pão, uma banana, um pedaço de bolo ou outro alimento qualquer. Quando suas roupas estavam imprestáveis, logo era socorrido por alguma alma caridosa. Mudava a apresentação e era alvo de brincadeiras. O mendigo era conhecido como um homem bom que perdera a razão, a família, os amigos e até a identidade. Não tomava bebida alcoólica e estava sempre tranquilo, mesmo quando não recebia comida alguma. Dizia sempre que Deus lhe daria um pouco na hora certa e, sempre na hora que precisava, alguém lhe estendia uma porção de alimento. Serapião agradecia com reverência e rogava a Deus pela pessoa que o ajudava. Tudo que ganhava, dava primeiro para o Malhado que, paciente, comia e ficava esperando por mais um pouco. Não tinham onde passar as noites. Onde anoiteciam, lá dormiam. Quando chovia, procuravam abrigo embaixo da ponte do ribeirão. Ali o mendigo ficava a meditar, com um olhar perdido no horizonte. Aquela figura era intrigante, pois levava uma vida vegetativa, sem progresso, sem esperança e sem um futuro promissor. Certo dia, um homem, com a desculpa de lhe oferecer umas bananas, foi bater um papo com o velho mendigo. Iniciou a conversa falando do Malhado, perguntou pela idade dele, mas Serapião não sabia. Dizia não ter ideia pois se encontraram certo dia, quando ambos perambulavam pelas ruas. Nossa amizade começou com um pedaço de pão. - Disse o mendigo. Ele parecia estar faminto e eu lhe ofereci um pouco do meu almoço. Ele agradeceu, abanando o rabo e daí, não me largou mais. Ele me ajuda muito e eu retribuo essa ajuda sempre que posso. Como vocês se ajudam? Perguntou. Ele me vigia quando estou dormindo. Ninguém pode chegar perto que ele late e ataca. Quando ele dorme, eu fico vigiando para que outro cachorro não o incomode. Continuando a conversa, o homem lhe fez uma nova pergunta: Serapião, você tem algum desejo de vida? Sim, respondeu ele. Tenho vontade de comer um cachorro-quente, daqueles que têm na lanchonete da esquina. Só isso? Indagou. É, no momento, é só isso que eu desejo. Pois bem, disse-lhe o homem, vou satisfazer agora esse grande desejo. Saiu, comprou um cachorro-quente e o entregou ao velho. Ele arregalou os olhos, deu um sorriso, agradeceu a dádiva e, em seguida, tirou a salsicha, deu para o Malhado e comeu o pão com os temperos. O homem não entendeu aquele gesto, pois imaginava que a salsicha era o melhor pedaço. Por que você deu para o Malhado, logo a salsicha? Interrogou, intrigado. Ele, com a boca cheia, respondeu: Para o melhor amigo, o melhor pedaço. E continuou comendo, alegre e satisfeito. O homem se despediu de Serapião, passou a mão na cabeça do cão e saiu pensando com seus botões: Aprendi alguma coisa hoje. Como é bom ter amigos. Pessoas em quem possamos confiar. Por outro lado, é bom ser amigo de alguém e ter a satisfação de ser reconhecido como tal. Jamais esquecerei a sabedoria deste mendigo. E você, que parte tem reservado para os seus amigos? Redação do Momento Espírita ********** SE NÃO HOUVER AMANHÃ Sabe, eu que costumava deixar muitas coisas para amanhã, resolvi lhe dizer, hoje, o quanto você é importante para mim, porque quando acordei pela manhã, uma pergunta ressoava na acústica de minha alma: ?e se não houver amanhã?? Então hoje eu quero me deter um pouco mais ao seu lado, ouvir suas idéias com mais atenção, observar seus gestos mais singelos, decorar o tom da sua voz, seu jeito de andar, de correr, de abraçar. Porque... se não houver amanhã... eu quero saber qual é sua comida preferida, a música que você mais gosta, a sua cor predileta... Hoje eu vou observar seu olhar, descobrir seus desejos, seus anseios, seus sonhos mais secretos e tentar realizá-los. Porque, se não houver amanhã... Eu quero ter gravado em minha retina o seu sorriso, seu jeito de ser, suas manias... Hoje eu quero fazer uma prece ao seu lado, descobrir com você essa magia que lhe traz tanta serenidade, quero subir aos céus com você, pelos fios invisíveis da oração. Hoje eu vou me sentar com você na relva macia, ouvir a melodia dos pássaros e sentir a brisa acariciando meu rosto, colado ao seu, em silêncio... E sem pressa. Hoje eu vou lhe pedir por favor, agradecer, me desculpar, pedir perdão, se for necessário. Sabe, eu sempre deixei todas essas coisas para amanhã, mas o amanhã é apenas uma promessa... o hoje é presente. Assim, se não houver amanhã eu quero descobrir hoje qual é a flor que você mais gosta e lhe ofertar um belo ramalhete. Quero conhecer seus receios, lhe aconchegar em meus braços e lhe transmitir confiança... Hoje, quando você for se afastar de mim, vou segurar suas mãos e pedir para que fique um pouco mais ao meu lado. Sabe, eu sempre costumo deixar as palavras gentis para dizer amanhã, carinhos para fazer amanhã, muita atenção para prestar amanhã, mas o amanhã talvez não nos encontre juntos. Eu sei que muitas pessoas sofrem quando um ser amado embarca no trem da vida e parte sem que tenham chance de dizer o que sentem, e sei também que isso é motivo de muito remorso e sofrimento. Por isso eu não quero deixar nada para amanhã, pois se o amanhã chegar e não nos encontrar juntos, você saberá tudo o que sinto por você e saberei também o que você sente por mim. Nada ficará pendente... Quero registrar na minha alma cada gesto seu. Quero gravar em meu ser, para sempre, o seu sorriso, pois se a vida nos levar por caminhos diferentes eu terei você comigo, mesmo estando temporariamente separados. Sabe, eu não sei se o amanhã chegará para nós, mas sei que hoje, hoje eu posso dizer a você o quanto você é importante para mim. Seja você meu filho, minha filha, meu esposo ou esposa, um amigo talvez, você vai saber hoje, o quanto é importante para mim... Porque, se não houver amanhã... .................................. Amanhã o sol será o mesmo mensageiro da luz, mas as circunstâncias, pessoas e coisas, poderão estar diferentes. Hoje significa o seu momento de agir, semear, investir suas possibilidades afetivas em favor daqueles que convivem com você. Hoje é o melhor período de tempo na direção do tempo sem fim... ********** APENAS UM LEMBRETE Lembre-se que você é um Espírito imortal vivendo breve experiência num corpo físico. Lembre-se que seu corpo é feito de matéria e, como tal, sofre o desgaste natural como tudo o que é matéria. Mas esse desgaste não atinge o Espírito. Assim, quando você perceber que a sua pele está enrugando, lembre-se de que esse é um fenômeno que não alcança o Espírito. Enquanto a sua pele enruga, seu Espírito pode ficar ainda mais radiante e mais iluminado. Você não pode deter os segundos, nem evitar que se transformem em anos. Não pode impedir que o seu cabelo caia ou se torne branco, mas isso não deve ser motivo para levar embora a vitalidade da sua alma imortal. Sua esperança jamais poderá estar atrelada à sua forma física, pois o ser pensante que você é, é o mais importante e sobreviverá por toda a eternidade. Sua força e sua vitalidade independem da sua idade. Seu Espírito é o agente capaz de espanar a poeira do tempo. Lembre-se de que você não é um corpo que tem um Espírito, é um Espírito temporariamente vivendo num corpo físico. Chegará o dia que você encontrará uma linha de chegada e perceberá que logo à frente há outra linha de partida... A vida é feita de idas e vindas... Partidas e chegadas. Um dia você terá que abandonar esse corpo, mas jamais abandonará a vida... Lembre-se que cada dia é uma oportunidade de viver e viver bem. Se acontecer de cometer um engano, não detenha o passo, siga em frente pois logo adiante encontrará outro desafio... A vida é feita de desafios... Vencemos uns, somos vencidos por outros, mas não podemos deter o passo. E o maior de todos os desafios é vencer a si mesmo, usando a razão para não se deixar dominar por vícios e prazeres excessivos e prejudiciais. Importante é não perder tempo vivendo de lembranças amargas e fotografias pela metade, amarelas e empoeiradas... O dia mais importante é o dia de hoje... E hoje você tem a oportunidade de reescrever a sua história... Conhecer novas paisagens... Colecionar imagens de cores vivas. Lembre-se que você é um Espírito feito de luz e a luz sempre pode suplantar as trevas... por mais densas que sejam. O importante é que jamais detenha o passo... Se as forças físicas não lhe permitem mais correr como antes, ande depressa. Se algo o impedir de andar depressa, caminhe lentamente, mas siga em frente. E, se por algum motivo, não puder mais caminhar sem apoio, use bengalas, muletas, cadeira de rodas. Mas vá em frente... E se, um dia, você não puder mais movimentar seu corpo para continuar andando, voe com o pensamento. Seu pensamento nada e ninguém poderá deter. Você é livre para pensar, para aprender, para alcançar os céus em busca de esperança e paz. O essencial é que você não pare nunca... Deus não criou você para a derrota. Deus criou você para a vitória, para a felicidade plena. E essa conquista é a parte que lhe cabe. Este é apenas um lembrete pois, um dia, um Sublime Alguém já nos disse tudo isso e nós esquecemos. Esquecemos que Ele saiu do corpo mas jamais saiu da vida... O Seu suave convite ainda paira no ar: Quem quiser vir após Mim, tome a sua cruz, negue-se a si mesmo, e siga-Me. Esquecemos que Ele afirmou com convicção e firmeza: Nenhuma das ovelhas que o Pai Me confiou se perderá.Eu sou uma de Suas ovelhas e você também é. Não importa a que religião você pertença. Não importa a que religião eu pertença. Somos as ovelhas que o Criador confiou ao Sublime Pastor da Galileia, para que Ele nos ensine o caminho que nos conduzirá à felicidade plena. * * * Este é apenas um lembrete... que você pode até desconsiderar... Mas uma coisa é certa: você não deixará de existir, como Espírito imortal que é e não evitará os percalços e as lições da caminhada, porque você, você é filho da Inteligência Suprema do Universo... Pense nisso! Redação do Momento Espírita. ********* PAZ ÍNTIMA - CHICO XAVIER A confiança em Deus e em ti mesmo; A consciência tranqila; O tempo ocupado no melhor a fazer; A palavra construtiva; A oração com trabalho; A esperança em serviço; A paciência operosa; A opinião desapaixonada; A benção da compreensão. A participação no progresso de todos; A atitude compassiva; A verdade iluminada de amor; O esquecimento do mal; A fidelidade aos compromissos assumidos; O perdão incondicional das ofensas; O devotamento ao estudo; O gesto da simpatia; O sorriso de encorajamento; O auxílio espontâneo ao próximo; A simplicidade nos hábitos; O espírito de renovação; O culto da tolerância; A coragem de olvidar-se para servir; A perseverança no bem. Conservemos semelhantes traços pessoais, na experiência do dia a dia? ? e adquiriremos a ciência da paz íntima com o privilégio de encontrar a felicidade pelo trabalho, no clima do amor. Herculano Pires - Chico Xavier ********** Mensagem Eu sou a Verdade e em verdade te digo segue os teus sentimentos e neles encontrarás resposta para os anseios da tua Alma. Se tropeçar não tenha medo de cair, o tombo fará se levantar mais forte; seguir em frente é obedecer ao teu instinto e fortaleçer a tua vontade. Em 2004, orientação do Espírito Maior para Rozalia P. da Rozalia P. Nakahara ********** "Crepúsculo" Nos turbilhões das noites sombrias, conheço somente angústia. Em trevas medonhas sinto falta da luz. Volto ao copro adormecido, tomada por súbito pavor, vejo-me num pântano terrível, almejo a luz sublime para iluminar o Abismo... Desperto, as sombras desaparecem, com a morte das trevas a luz volta a brilhar... Silenciosa aguardo o abençoado dia do regresso a Eternidade. Autora Rozalia Pereira Nakahara Em 05/08/09. ********** Dor da Saudade Um vazio insuportável tomou conta do meu coração, como um fogo devastador a corroer as entranhas. Minha alma solitária se emudece diante de um mundo que não é seu. A espera por o dia de estar contigo deprimi, fazendo-me impotente diante da invisivibilidade da tua presença. Sei que se foi para não mais voltar, no entanto espero por ti todos os dias. Quando está presente me desespero por não poder te abraçar, quando se faz ausente emudeço com a dor da saudade, e me consolo em saber que um dia estaremos juntos na imortalidade. Saudade vasta saudade do teu amor, das tuas doces palavras, saudades do teu sorriso. Saudades de você William Eduardo! Vontade de gritar a saudade da tua presença. Saudade Palavra que faz doer o coração, saudade que incendeia as entranhas, faz sangrar o coração da mãe, cujo filho habita na eternidade. Escrito em 2003, duas semanas depois da morte de Wiliam Eduardo Autora Rozalia P. Nakahara ********** Eu Sou Eu sou o doce sopro que sai da tua boca Eu sou a vida e o amor que rejuvenesce o Espírito Eu sou aquele que ouve o sopro da tua voz Eu sou a vida e a luz que resplandece nas trevas Eu sou o sopro constante da vida das criaturas Eu sou o movimento das águas Eu sou o templo do corpo e a vida da Alma Eu sou o Espírito que tornou a vida eterna Eu sou o filho do Espírito que em Espírito permanece Eu sou aquele que passou da morte para a vida Eu sou a vida do mundo e o pão da eternidade Eu sou a água que bebes e a carne que a alimenta Eu o ensino e a Lei do Criador Eu sou a luz do mundo que ilumina o amanhecer Eu sou a palavra e o verbo Eu sou o equilibrio entre a Alma e a matéria Eu sou a Fé que estimula a Verdade Eu sou a beleza do Espírito escondido na matéria Eu sou Amor, Carinho e Bondade que permanece na Terra Eu sou o caminho Sagrado para as moradas Divinas Eu sou as asas do vento que leva a Alma a eternidade Eu sou a Verdade em Verdade Eu sou o filho de Deus. Escrito em 2004 Autora Rozalia P. Nakahara ********** AUSÊNCIA Oh dor profunda e ilimitada que fez o infinito minúsculo diante do Sofrimento da minha alma que chora em silêncio, a saudade da ausência aquele que Partiu. As lágrimas que escorrem no meu rosto, não anestesiam a minha Dor. Procuro no horizonte espacial a alegria de tua alma que me alimentava na tristeza da minha. No crepúsculo das noites vago pelo nada à procuro de ti, me perco no imenso vazio, sem saber o caminho que devo seguir, as Galáxias se distanciam, afastando-te de mim, recorro os céus, encontro o nada uma busca sem fim. Oh vasto mundo misterioso porque ocultaste meu filho de mim, escondendo a alma do meu menino, se eu nada escondi de ti, por que me abandonaste neste mundo em meio de tantas almas ruins? Uma delas separou Eduardo de mim. Oh vasto mundo de almas alegrias, recolhe o teu véu, faz da ausência à presença, acalenta o choro de minha alma, faz o Universo Invisível Visível para mim, por um momento apenas. Traz William Eduardo até mim. Escrita em 2003 Autora Rozalia P. Nakahara 01/10/12 ********** PRECE Senhor Deus Onipotente, envolva o nosso corpo em equilíbrio, para que nós em Espírito possamos entrar na junção da Tua luz que conduz o espírito a vida eterna. Senhor Deus de infinita bondade, ilumina-nos nesta encarnação, para que possamos cumprir a nossa missão terrena. Senhor, reluzia-nos para que nosso Espírito não seja corrompido, restaura nosso emocional para nossas almas não se arraste no desequilíbrio dos percalços da vida transitória. Senhor, faça-nos renascer para ver a imensidão deste Teu Universo envolvido em paz e harmonia. Que os Seres Celestiais façam com que nós possamos exalar a fragrância do Teu Amor, e leva onde haja incompreensão. William Eduardo Do livro Fronteiras da Encarnação P. Rozalia P. Nakahara Em 2004. ********** POEMA Quando o brilho do sol desaparece, o Universo adormece, as almas se obscurecem pela ação dos movimentos das Leis Divinas que acompanham o amanhecer, as almas mortas renascem sob forma de ?almas vivas?, que surgem do vácuo celestial, e se dirigem para o local onde se celebra as orações em nome do Cristo, as almas evocadas em seu nome tornam-se privilegiadas. A alma dos puros é constantemente vivificada pela energia de Deus, e tem prazer em retornar ao local para orar, e respirar o perfume do vento e degustar o frescor da água que lá esta. Do livro F. da Encarnação P. Rozalia P. Nakahara ********** MENSAGEM Queridos Irmãos. ? A criação geme em dores do parto? o homem precisa se conscientizar sobre a gravidade do perigo das mudanças climáticas, frutos de tantos anos de egoísmo e descuido com o maravilhoso presente recebido de Deus. É preciso preservar as condições de vida do Planeta, Jesus nos ensinou a sermos caridosos e cuidadosos com toda espécie de vida na Terra. Que a paz de Jesus esteja conosco. Francisco de Assis P. Rozalia Pereira Em 26/04/11 ********** A SAUDADE Vencido pela profunda angústia da minha mágoa, despertei quando o jovem rosto da manhã adornado de luz e o mar de nuvens viajeiras, me convidaram para o banquete do dia. Levantei e percebi que não fora um pesadelo... A presença da sua ausência era a mais pura e triste realidade... Não sei dizer ao certo se é a presença da ausência ou a ausência da presença ou, talvez seja, simplesmente, saudade... Lá fora tudo respirava perfume e os braços do vento, carregando o pólen da vida, cantavam nos ramos do arvoredo delicada canção... Saí a correr, tentando fugir da furna escura dos meus padecimentos. A presença invisível do bem-amado fazia-me arder em febre de ansiedade, enquanto os pés ligeiros das horas corriam à frente impondo-me fadiga e desconforto... Embriagado pela saudade, meu ser ansiava pela paz... Em vão tentei exaurir as forças para livrar-me da dor, mas não lograva libertar-me do punhal da melancolia cravado no coração, e da lembrança da sua ausência... Quando, enfim, a tarde se escondeu no longe das montanhas altaneiras, outra vez tombei em mim mesmo, extenuado e só... Naquele momento desejei que o Todo Poderoso me dominasse com os fortes recursos da Soberana Misericórdia, livrando-me de mim mesmo... Parecia que não mais suportaria o espinho da saudade cravado em meu peito, já dorido e exausto... A ausência da sua presença queimava as fibras mais sutis da minha alma. E a presença da sua ausência feria-me o coração dilacerado e só... A noite devorou o dia e, ao escancarar a sua boca negra, mostrou a primeira estrela engastada no manto escuro, vencendo as sombras... Minutos depois, miríades de astros brilhantes compuseram o diadema da vitória total da luz... Só então, solitário e meditativo, compreendi como a minha canção de dor chegara ao ouvidos do Criador, que me respondeu em vibrações fulgurantes de esperanças à distância... Só então compreendi que não há escuridão que resista a um simples raio de luz, e decidi acender a chama da esperança em minha alma. E, só então, pude ouvir o Sublime Cancioneiro do silêncio e Suas melodias repletas de sons e paz, convidando-me a confiar em Seu infinito poder e entregar-me aos braços suaves da esperança... * * * Se o manto escuro da saudade pesa sobre os seus ombros, ilumine-se com as pérolas da oração sincera em favor do bem-amado que partiu. Preencha a ausência da presença com a lembrança dos momentos compartilhados nas horas alegres, e confie no reencontro feliz. Redação do Momento Espírita *********** NÃO ESTRAGUE O SEU DIA - CHICO XAVIER - ANDRÉ LUIZ. Não estrague o seu dia. A sua irritação não solucionará problema algum. As suas contrariedades não alteram a natureza das coisas. Os seus desapontamentos não fazem o trabalho que só o tempo conseguirá realizar. O seu mau humor não modifica a vida. A sua dor não impedirá que o sol brilhe amanhã sobre os bons e os maus... A sua tristeza não iluminará os caminhos. O seu desânimo não edificará a ninguém. As suas lágrimas não substituem o suor que você deve verter em benefício da sua própria felicidade. As suas reclamações, ainda mesmo afetivas, jamais acrescentarão nos outros um só grama de simpatia por você. Não estrague o seu dia... Aprenda, com a Sabedoria Divina, a desculpar infinitamente, construindo e reconstruindo sempre para o Infinito Bem. Chico Xavier/Espírito André Luiz ********** MINUTOS PARA REFLETIR Coloque Deus, conscientemente, em tudo o que faz, em todos os seus problemas. E verificará que seus sofrimentos se transformarão em experiência e aprendizado. Coloque Deus em todos os seus pensamentos, e sua Vida se transformará num hino de alegria e louvor, porque as dores se esvairão como as trevas, que desaparecem aos primeiros clarões das luzes da aurora... Seja alegre e otimista! Quando se dirigir ao trabalho , faça-o de coração alegre. O trabalho que você executa é digno de sua pessoa. Por menor que pareça, é de suma responsabilidade para você e para o mundo. Não se esqueça jamais de agradecer a Deus o trabalho que lhe proporcionar o pão de cada dia. Chegue ao local do trabalho com coração feliz, e o trabalho se tornará um passatempo, um estimulo, que lhe trará, cada novo dia, imensas alegrias e felicidade incalculável. Deus nos guia sempre, dando-nos a orientação de nossa vida. Mas precisamos ser receptivos, para ouvir sua voz, sabendo-a interpretar através das circunstâncias que cercam nossa vida, levando-nos ao maior progresso espiritual de nosso ser. Procure meditar silenciosamente, para ouvir a voz de Deus, que o guia, sem jamais abandoná-lo. Pois sem esforço de nossa parte, jamais atingiremos o alto da montanha. Não desanime no meio da estrada, siga em frente, porque os horizontes se tornarão amplos e maravilhosos à medida que for subindo. Mas não se iluda, pois só atingirá o cimo da montanha se estiver decido a enfrentar o esforço da caminhada. Sem esforço de nossa parte, jamais atingiremos o alto da montanha. Não desanime no meio da estrada: siga à frente, porque os horizontes se tornarão amplos e maravilhosos à medida que for subindo. Mas não se iluda, pois só atingirá o cume da montanha se estiver decidido a enfrentar o esforço da caminhada. Não se esqueça de que, qualquer que seja sua posição na vida, há sempre dois niveis a observar: os que estão acima e os que estão abaixo de você. Procure colocar-se algumas vezes na posição de seus chefes; e outras vezes na posição de seus subordinados. Assim, você poderá compreender ao vivo os problemas que surgem dos dois lados. E, desta forma, poderá ajudar melhor a uns e a outros.. NÃO limite o poder de sua vida! Não pense que conseguirá tudo o que deseja, numa só existência. Mas confie, porque a vida é eterna, infindável. Não pense também que, depois desta, irá iniciar uma vida diferente: nada disso! Esta mesma vida é que continuará sempre. Portanto, procure aumentar seus conhecimentos e aperfeiçoar-se, verificando como é rápido o momento atual, comparado com a eternidade. O mundo está cheio da Luz Divina! Procure percebê-la e sentir em si as irradiações benéficas, que se derramam sobre todas as criaturas, aproveitando ao máximo o conforto que isto lhe trará ao espírito. Olhe tudo com olhos de bondade e alegria! Busque descobrir a Luz que brilha dentro de você e dentro de todas as criaturas, embora, muitas vezes, esteja ela recoberta por grossa camada de defeitos! Livro: Minutos de Sabedoria Autor: CARLOS TORRES PASTORINO ********** O TEMPO Um autor desconhecido escreveu certa vez que a alegria, a tristeza, a vaidade, a sabedoria, o amor e outros sentimentos habitavam uma pequena ilha. Certo dia, foram avisados que essa ilha seria inundada. Preocupado, o amor cuidou para que todos os outros se salvassem, falando: Fujam todos, a ilha vai ser inundada. Todos se apressaram a pegar seu barquinho para se abrigar em um morro bem alto, no continente. Só o amor não teve pressa. Quando percebeu que ia se afogar, correu a pedir ajuda. Para a riqueza apavorada, ele pediu: Riqueza, leve-me com você. Ao que ela respondeu: Não posso, meu barco está cheio de ouro e prata e não tem lugar para você. Passou então a vaidade e ele disse: Dona Vaidade, leve-me com você... Sinto muito, mas você vai sujar meu barco. Em seguida, veio a tristeza e o amor suplicou: Senhora Tristeza, posso ir com você? Amor, estou tão triste que prefiro ir sozinha. Passou a alegria, mas se encontrava tão alegre que nem ouviu o amor chamar por ela. Então passou um barquinho, onde remava um senhor idoso, e ele disse: Sobe, amor, que eu te levo. O amor ficou tão feliz, que até se esqueceu de perguntar o nome do velhinho. Chegando ao morro alto, onde já estavam os outros sentimentos, ele perguntou à sabedoria: Dona Sabedoria, quem era o senhor que me amparou? Ela respondeu: O tempo. O tempo? Mas por que ele me trouxe aqui? Porque só o tempo é capaz de ajudar e entender um grande amor. * * * Dentre todos os dons que a Divindade concede ao homem, o tempo tem lugar especial. É ele que acalma as paixões indevidas, ensinando que tudo tem sua hora e local certos. É ele que cicatriza as feridas das profundas dores, colocando o algodão anestesiante nas chagas abertas. É o tempo que nos permite amadurecer, através do exercício sadio da reflexão, adquirindo ponderação e bom senso. É o tempo que desenha marcas nas faces, espalha neve nos cabelos, leciona calma e paciência, quando o passo já se faz mais lento. É o tempo que confirma as grandes verdades e destrói as falsidades, os valores ilusórios. O tempo é, enfim, um grande mestre, que ensina sem pressa, aguarda um tanto mais e espera que cada um a sua vez, se disponha a crescer, servir e ser feliz. E é o tempo, em verdade, que nos demonstra, no correr dos anos, que o verdadeiro amor supera a idade, a doença, a dificuldade, e permanece conosco para sempre. * * * Neste mundo, tudo tem a sua hora. Cada coisa tem o seu tempo. Há o tempo de nascer e o tempo de morrer. Tempo de plantar e de colher. Tempo de derrubar e de construir. Há o tempo de se tornar triste e de se alegrar. Tempo de chorar e de sorrir. Tempo de espalhar pedras e de juntá-las. Tempo de abraçar e de se afastar. Há tempo de calar e de falar. Há o tempo de guerra e o tempo de paz. Mas sempre é tempo de amar. Redação do Momento Espírita ********** O MILAGRE DO AMOR Percebendo as árduas lutas por que passam seus irmãos na face da Terra, um Espírito Benfeitor ditou uma mensagem que intitulou O milagre do amor, e diz mais ou menos assim: Quando a dúvida lhe chegue, maliciosa, indague ao amor qual a conduta a seguir. Quando a saudade avizinhar-se, tentando macerar-lhe o coração, refugie-se no amor e deixe que as recordações felizes iluminem a noite em que você se encontra. Quando a aflição aturdir-lhe o íntimo, chame o amor, para que a calma e a confiança predominem nas suas decisões. Quando a suspeita buscar aninhar-se em seu coração, dirija o pensamento ao amor e a paz dominará as paisagens dos seus sentimentos. Quando a cólera acercar-se da sua emotividade, recorde-se do amor e suave balada de entendimento se lhe fará ouvida na acústica da alma. Quando o abandono ameaçar estraçalhar-lhe os sonhos, ferindo-lhe a alma, busque o amor, que lhe dará fortaleza para prosseguir, embora a sós. Em qualquer situação, dirija-se ao amor. Só o amor possui o correto entendimento de todas as coisas e fala, em silêncio, a linguagem de todos os idiomas. O brilho de um olhar... Um sorriso de esperança... Um gesto quase imperceptível... Um movimento rítmico, um aceno... A presença do ausente... Um toque... A música de uma palavra só o amor logra transformar em bênção. Feito de pequenos nadas, o amor é a força eterna que embala o príncipe no leito dourado e o órfão na palha úmida. O amor é o único mecanismo que conduz o fraco às tarefas gigantescas... Que impulsiona o progresso real; que dá dignidade à vida; que impele ao trabalho de reverdecer o pantanal e o deserto... Que concede alento, quando a morte parece dominar soberana... O amor é vida, sem o qual esta perderia o sentido e a significação. Quando se ama, a noite coroa-se de astros e o dia se veste de sorrisos. O amor colore a palidez do sofrimento e o erradica. Sem este milagre, que é o amor, não valeria a pena viver. Em tudo está a presença do amor que provém de Deus e é Deus. Descubra o amor, e ame. Ame e felicite-se, colocando na estrada do amor sinais de luz, a fim de que nunca mais haja sombra por onde o amor tenha transitado a derramar claridade.04/10/12 ..:: Momento Espírita ::.. 2/2 Por tais razões, Jesus Cristo reuniu toda a Lei e todos os Profetas num só mandamento, cuja estrutura comportamental e finalidade última é o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. * * * O amor é de essência divina, e todos nós, do primeiro ao último, temos, no fundo do coração, a centelha desse fogo sagrado. Portanto, não tenhamos medo de amar. Redação do Momento Espírita ********** PRECE NO ALVORECER Meu Deus e meu Senhor: Eu gostaria de ser como a Via-Láctea de estrelas para que as noites da Terra Fossem mais belas e a dor debandasse fugidia na busca de um novo dia. Mas, que na minha pequenez, sem conseguir, Te quero pedir para ser um pirilampo na noite escura, iluminando a amargura de quem anda na solidão. Eu gostaria de ser como uma chuva generosa, que caísse na terra porosa e reverdecesse o chão. Mas, como não conseguirei, então, Te pedirei para ser um copo de água fria, que mate a sede, a agonia de quem anda na desesperação. Eu gostaria de ser um jardim de flores, de todas as cores, para embelezar a Terra. Mas, na pobreza que minh'alma encerra, se não puder ser um jardim, deixe-me ser um rosa solitária na frincha da rocha,Meu Deus e meu Senhor: Eu gostaria de ser como a Via-Láctea de estrelas para que as noites da Terra Fossem mais belas e a dor debandasse fugidia na busca de um novo dia. Mas, que na minha pequenez, sem conseguir, Te quero pedir para ser um pirilampo na noite escura, iluminando a amargura de quem anda na solidão. Eu gostaria de ser como uma chuva generosa, que caísse na terra porosa e reverdecesse o chão. Mas, como não conseguirei, então, Te pedirei para ser um copo de água fria, que mate a sede, a agonia de quem anda na desesperação. Eu gostaria de ser um jardim de flores, de todas as cores, para embelezar a Terra. Mas, na pobreza que minh'alma encerra, se não puder ser um jardim, deixe-me ser um rosa solitária na frincha da rocha, colocando beleza no painel nobre da natureza. Eu gostaria de ser um trigal maduro, para repletar de pão a mesa da humanidade. Mas, e demasiado para mim. Como não poderei ser uma seara ajuda-me a ser o grão, que caindo no chão se multiplique num milhão e me transforme em pão para meus irmãos. Eu gostaria de ser como uma escada, que levasse o herói ao pináculo da gloria. Mas, não tenho valor para tanto. Então, Te peco para ser o primeiro degrau, a fim de que ele alcance a gloria de seu ideal. Eu gostaria de ser a montanha altaneira, de onde se tivesse a visão da Terra inteira, e pudesse o Homem ser feliz. Mas, se não conseguir, eu Te quero pedir para ser uma pedra, pavimentando o chão por onde marche a criatura, construindo o amor e a união. Eu gostaria de ser um pomar de frutos maduros para acabar com a fome. Mas, na pobreza que me consome Te venho pedir para ser uma arvore desgalhada, projetando sombra na estrada para que alguém, quando passar de mansinho, pelo meu caminho, lhe possa dizer: -Ola! meu amigo. E se ele se voltar e me perguntar: -Quem es tu? lhe possa contestar: -Sou teu irmão! da-me tua mão, sou teu amigo. Eu gostaria de ser poeta, artista, esteta, trovador, cantor, musicista, orador, para falar da magia e beleza da Tua gloria. Mas, como quase nada sou, me falta o verbo, a mestria, então Te peco, Senhor, para ser companheiro da criatura deserdada caminhando na estrada da alucinacão e, dando-lhe a mão de sustento lhe dizer: sou teu irmão, estou contigo. Gracas, Senhor, porque nasci, porque creio em Ti, pelo Teu amor, obrigado, Senhor! colocando beleza no painel nobre da natureza. Eu gostaria de ser um trigal maduro, para repletar de pão a mesa da humanidade. Mas, e demasiado para mim. Como não poderei ser uma seara ajuda-me a ser o grão, que caindo no chão se multiplique num milhão e me transforme em pão para meus irmãos. Eu gostaria de ser como uma escada, que levasse o herói ao pináculo da gloria. Mas, não tenho valor para tanto. Então, Te peco para ser o primeiro degrau, a fim de que ele alcance a gloria de seu ideal. Eu gostaria de ser a montanha altaneira, de onde se tivesse a visão da Terra inteira, e pudesse o Homem ser feliz. Mas, se não conseguir, eu Te quero pedir para ser uma pedra, pavimentando o chão por onde marche a criatura, construindo o amor e a união. Eu gostaria de ser um pomar de frutos maduros para acabar com a fome. Mas, na pobreza que me consome Te venho pedir para ser uma arvore desgalhada, projetando sombra na estrada para que alguém, quando passar de mansinho, pelo meu caminho, lhe possa dizer: -Ola! meu amigo. E se ele se voltar e me perguntar: -Quem es tu? lhe possa contestar: -Sou teu irmão! da-me tua mão, sou teu amigo. Eu gostaria de ser poeta, artista, esteta, trovador, cantor, musicista, orador, para falar da magia e beleza da Tua gloria. Mas, como quase nada sou, me falta o verbo, a mestria, então Te peco, Senhor, para ser companheiro da criatura deserdada caminhando na estrada da alucinação e, dando-lhe a mão de sustento lhe dizer: sou teu irmão, estou contigo. Gracas, Senhor, porque nasci, porque creio em Ti, pelo Teu amor, obrigado, Senhor! Divaldo Franco - Joanna de Ângelis ********** "AVESSO DA FELICIDADE" Na existência física, se nos é belo o destino, transformamos-o porque o ensejo vulgar nos compeliu às linhas densas dos desejos carnais. Enredados aos erros e as vicissitudes mundanas, permanecemos estacionados às sensações sombrias de estarmos nos repetindo, como se dentro de nós estivesse o conhecimento dos danos morais que transportamos. O pensamento se emaranha. Infelizmente, a propensão para os erros vulgares nos conduz pela larga passagem da infelicidade. Com a falta de entendimento, maravilhados com as facilidades que a vida nos concede, mapeamos erroneamente o caminho do destino. A velhice chega, o corpo tomado por toda sorte de enfermidade, o pensamento refaz o caminho percorrido anteriormente pelo corpo físico. As curvas magnificas do destino, se na vida nos pareceu felicidade, na morte nos serão despenhadeiros nebulosos da infelicidade. Do novo romance de Rozalia p. Nakahara ********** GANGORRA DA VIDA Mergulhados no casulo carnal, os anseios impuros do coração, se nos pareceu alargar o acesso a felicidade, nos serão reboque de sofrimento nas sendas amargas do mundo incorpóreo, e nos emparedarão as vibrações densas das falhas pecaminosas da existência. Aqueles que se mantiveram afastados das trilhas sombrias do pecado, não serão afetados pelo "lodo" da maldade. A pureza dos sentimentos nos será instrumento santo na Elevação. É preciso lembrar que a flecha que ferimos nosso semelhante, ser-nos-á o cálice transbordante na futura experiência terrestre. A matéria é um veículo provisório, mas a consciência nos será eterna. Todo fim, inicia um novo começo, e para que o recomeço não seja enevoado pela sombra da infelicidade, o coração deve estar livre de sentimento inferior e o pensamento elevado acima das linhas densas da vida vulgar. A vida de após morte não nos reserva o leito perpétuo como imaginamos quando nos achamos na veste carnais. Na morte, a consciencia de nós mesmos nos compele a àrdua tarefa do melhoramento próprio, se não foram interrompidas pela lembrança das experiências insatisfatórias. Resguardados pelas vestes carnais abafamos os nossos defeitos morais, infelizmente, não os ocultamos de Deus. A vida, se lhes parece difícil, irrigar com lamentações não desviará os empecilhos constituidos pela consciência inconsciente do passado, pois as falhas remotas são páginas da existência, cada existência é uma parcela dos débitos perpetrados naqueles que não iluminaram com a tocha sagrada do Amor o próprio caminho. É preciso não olvidarmos que vassoura da ignorância não barre pó da imperfeição, pois o sepulcro não nos reserva o descanso perpétuo. Texto do novo romance de Rozalia Pereira Nakahara 17/09/12 ********** QUANDO CHEGA A HORA LUCIUS - ZIBIA GASPARETTO Embora a felicidade seja nosso objetivo maior ainda não sabemos distinguir o falso do verdadeiro criamos ilusões, perseguimos objetivos falsos colhemos sofrimentos Mas é por meio deles que aprendemos a conhecer a vida, a melhorar atitudes é possivel que venha a nos enganar outra vez Esse é o preço do progresso Apesar disso, meu coração está em paz por saber que, acima de todas as nossas falhas e até de nosso livre-arbítrio, está a vida nos protegendo conduzindo nossos passos para o maior a ansiedade atrapalha as pessoas estão tão voltadas ao mundo material, não têm paciência de esperar querem fazer tudo sozinhas. não se ligam com a fonte de vida nem sequer percebem que um objetivo não alcançado ao invés de ser um fracassopode ser uma ajudaem tudo só os valores verdadeiros permanecem assim, é preciso não esmorecer fazer sempre o melhor que souber confiar na sabedoria divina e esperar quem decide é a sabedoria divina, e ela, só faz acontecer quando chega a hora. Lucius por Zíbia Gasparetto ********** PRECE Senhor Deus nosso Pai, sede misericordioso para com os que na vida se desviaram da Fé. Acolhei ó Pai o irmão caridoso que não se cansa de estender a mão ao irmão fatigado. protegei o irmão que caminha reerguendo os coração caídos em profunda tristeza e desânimo. Perdoa-lhes as falhas cometida ao longo da existência. Senhor, enxugai as lágrimas dos olhos dos que deixaram a vida para viver uma nova vida. Senhor Deus de Toda Consolação, concedei-lhes a bênção do Perdão para que possam conhecer a paz e a luz Eterna. Senhor, ensinai-lhes a colher a palavra de Deus e abríeis-lhes os olhos a Verdade do Evangelho. Abençoai o Peregrino que caminha corajosamente com esperança e alegria e conserva a paz no vendaval do medo. Senhor, conduz-nos ao encontro com o Mestre Jesus. O Franciscano P. de Rozalia Pereira Nakahara Em Maio de/11 - Reunião Espírita Lar da Família Universal. ********** PRECE Senhor Deus misericordioso, abre-nos a porta da felicidade eterna para que possamos conhecer a Tua luz. Inspirai-nos a caridade e o amparo aos que suplicam misericórdia. Senhor, que o Vosso amor seja para nós a luz que necessitamos para o socorro aos que cambaleiam com a nuvem do passado sombreando-lhes o presente. Senhor, derramai sobre esses irmãos as bênçãos do amor, da caridade e da compreensão para que possam enxergarem a Tua luz. William Eduardo P. de Rozalia Pereira Nakahara Em 13/05/11 ? Reunião Espírita LFU. ********** MENSAGEM É dia, e a luz não chega! A treva continua e o ermo permanece. Um grito cortante, avassalador, nasce nas profundezas do meu Ser. Quero fugir da tristeza, não encontro forças. Suplico Clemência, Deus parece não me ouvir, e o deserto íntimo volta a perturbar. O cérebro lateja, o pensamento se emaranha. Carente de companhia, amor e alegria, tornei-me prisioneiro da solidão. O caminho é nebuloso, a única luz que vislumbro são as Candelárias Celestes que brilham longe... Quando o Céu não é encoberto pelas nuvens escuras. Um Sofredor P. de Rozalia Pereira Nakahara Em 05/07/11 ********** MENSAGEM No caminho transitório, conheci o vício, e a amargura. A infelicidade me parecia eterna, algo inferior me empurrava para o abismo terrível da incompreensão. Aprisionado a ignorância, a ardência da carne, levou-me aos braços de mulheres frívolas e interesseiras que me satisfaziam os desejos da carne, porém o coração continuou solitário intocável, jamais pulsara por uma mulher.Quando a vida findara, o vazio cresceu, e o caminho não foi diferente do que conheceu na Terra. Mulheres de conduta terrivelmente miserável, cercavam-me com tormento inimaginável. Mulheres infelizes que na carne, por inúmeras vezes, satisfizeram meus desejos, suplicavam pela minha piedade. em condições atemorizantes, não perceberam que o destino não me tinha sido menos cambaleante. Foram anos de angústia profunda, antes de eu conhecer o caminho Redentor. Liberto, hoje compartilho da alegria dos irmãos bondosos que se dedicam o amparo fraterno ao Sofredor. Que Jesus abençoe-nos. O Poeta P. de Rozalia Pereira Nakahara Em 07/07/11 ********** CORAÇÃO ENDURECIDO Num dia de 1652, junto a um refrescante riacho, Maria mão de Jesus apareceu ao cacique de uma tribo. Suave e bondosamente, Maria se dirigiu ao índio em seu idioma nativo, dizendo-lhe que fosse "a casa dos brancos e recebesse a água sobre a cabeça, para ir ao Céu". Maria demonstrava, assim, seu maternal desvelo pelo povo indigena, desejando que se convertessem, para alcançarem a salvação eterna. Aparecendo ao cacique, Maria demonstrou também, uma vez mais, sua solicitude particular para com os povos da Amarecia Latina, como já o fizera um século antes em Guadalupe. expressava Ela, desse modo, o quanto era do seu agrado que as nações deste continente crescessem iluminadas pelo sol da Fé. A aparição de Maria nos fala, ainda da bondade incansável da Maria de Deus para com seus filhos, especialmente aqueles que, por suas ingratidões e durezas, relutam em se colocar sob o manto protetor d'Ela. Entre os índios, porem, nem todos se sentiam felizes com a nova situação - material e espiritual que lhes era proporcionada. Lamentavelmente, como não é raro acontecer, o maior beneficiado se revolta contra seu benfeitor. No caso, o próprio cacique, a princípio tão decidido em atender o maternal apelo que Maria lhe fizera, desgostou-se daquele modo de vida. Vencido por suas inclinações selvagens que o impeliam à existência solta nas matas, sem ter de obedecer a nenhuma doutrina nem a mandamentos de uma religião estranha, afastou-se de tudo. Apesar dos esforços para trazê-lo de volta à evangelização, o cacique não quis mais paticipar das lições doutrinárias. No dia 8 de setembro daquele ano, Juan Sánchez convidou os índios para assisterem a alguns atos religioso que haviam sido preparados. Obstinado na sua revolta, o cacique desprezou este convite, e viu com maus olhos o contentamento dos seus companheiros que, cheios de alegria e piedoso respeito, rendiam louvores e erguiam preces a Maria. Com a raiva dominando seu coração, o chefe indigena retirou-se para sua cabana, na qual se encontravam sua mulher, a irmã desta, Isabela, e seu sobrinho, ainda pequeno. Mal-humorado sem dizer nada, o cacique deitou na esteira que lhe servia de cama, remoendo no seu íntimo as dúvidas e más intenções que o atormentavem. Um longo e pesado silêncio se estabeleceu no interior da cabana. O índio não conseguia serenar sua consciência, pois a lembrança da esplendorosa Mulher que lhe apareceu, bem como de suas doces palavras, não lhe dava sossego. O cacique ainda repisava seus tumultuados pensamento quando uma luz intensa invade a cabana. Assustado, levantou-se rapidamente, vendo que sua mulher e cunhada olhavam admiradas para o centro daquela claridade. Envolta num halo celestial, Maria apareceu à porta da cabana, vindo oferecer, uma vez mais, a sua misericórdia de Mãe ao índio empedernido. Ao recusar a mão materna e bondosa que Maria lhe estendeu, o chefe indigena nos faz pensar no incredulo cujo coração, duro e insensivel, o afasta cada vez mais do caminho que nos leva á eterna bem-aventurança. ********** DESISTIR NUNCA Quantas vezes nós pensamos em desistir, deixar de lado, o ideal e os sonhos; Quantas vezes batemos em retirada, com o coração amargurado pela injustiça; Quantas vezes sentimos o peso da responsabilidade, sem ter com quem dividir; Quantas vezes sentimos solidão, mesmo cercados de pessoas; Quantas vezes falamos, sem sermos notados; Quantas vezes lutamos por uma causa perdida; Quantas vezes voltamos para casa com a sensação de derrota; Quantas vezes aquela lágrima, teima em cair, justamente na hora que precisamos parecer fortes; Quantas vezes pedimos a Deus um pouco de força, um pouco de luz; E a resposta vem, seja lá como for, um sorriso, um olhar cúmplice, um cartãozinho, um bilhete, um gesto de amor; E a gente insiste, Insiste em prosseguir, em acreditar, em transformar, em dividir, em estar, em ser; E Deus insiste em nos abençoar, Em nos mostrar o caminho: Aquele mais difícil, mais complicado, mais bonito. E a gente insiste em seguir, por que tem uma missão... SER FELIZ! ********** TENHA SEMPRE BONS PENSAMENTOS Tenha sempre bons pensamentos porque os seus pensamentos se transformam em suas palavras Tenha boas palavras porque as suas palavras se transformam em suas ações Tenha boas ações porque as suas ações se transformam em seus hábitos. Tenha bons hábitos porque os seus hábitos se transformam em seus valores Tenha bons valores porque os seu valores se transformam no seu próprio destino. Mahatma Gandhi ********** DEUS TE QUER SORRINDO Deus está aqui neste momento. Sua presença é real em meu viver. Entregue sua vida e seus problemas. Fale com Deus, Ele vai ajudar você. Deus te trouxe aqui Para aliviar o teu sofrimento. É Ele o autor da Fé Do princípio ao fim, Em todos os seus tormentos. E ainda se vier noites traiçoeiras, Se a cruz pesada for, Cristo estará contigo. O mundo pode até fazer você chorar, Mas Deus te quer sorrindo. Seja qual for o seu problema Fale com Deus. Ele vai ajudar você. Após a dor vem a alegria, Pois Deus é amor e não te deixará sofrer. Deus te trouxe aqui Para aliviar o seu sofrimento. É Ele o autor da Fé Do princípio ao fim, Em todos os seus tormentos. E ainda se vier noites traiçoeiras, Se a cruz pesada for, Cristo estará contigo. O mundo pode até fazer você chorar, Mas Deus te quer sorrindo. Letra Noites Traiçoeiras - Padre Marcelo Rossi ********** CONSELHOS UTÉIS - DIVALDO FRANCO Utilize as horas com moderação,realizando cada tarefa por sua vez,sem interrupção Trabalho continuado-rendimento virtuoso Modifique sem mais tardança o conceito negativo a respeito de quem você conheceu num momento infeliz A opinião má que se renova não contribui para a sementeira da fraternidade Antes que os labores diurnos o surpreendam,realize no leito a comunhão com o Senhor,através da meditação O homem mantém a comunicação com o Pai celeste pelos invisíveis fios do pensamento Resguarda-te da enfermidade cultivando a higiene mental Mente asseada,corpo equilibrado Recolha em cada dificuldade a mensagem oculta de advertência para a vida Obstáculo vencido,aprendizagem inesquecível Acomode-se ao temperamento alheio,vencendo as imposições de instinto,quando a serviço do auxílio. Quem relaciona dificuldades,não dispõe de tempo para ajudar Receba o intrujão com delicadeza,expondo-lhe a verdade sem arrogância deliberada Todo usurpador se transforma em algoz de si mesmo Precavenha-se da agressão do ódio pelo exercício do amor A constância no bem imuniza o homem contra o contágio das misérias morais Aceite o sofrimento como fenômeno natural da experiência evolutiva A infibratura moral,consolida-se no fragor das batalhas diária Repare a terra submissa e boa,sulcada pelo arado para a dádiva do pão Aprenda com ela a lição de humildade e deixe que o agricultor compassivo transforme sua vida num seminário de amor para o bem de todos Harmoniza-te com a vida,adquirindo o tesouro valioso da paciência e use-a como instrumento de luta. Nas competições destrutivas,aguarda a tua vez. Nas lutas de predomínios,espera o teu lugar. Nos choques da ambição,permanece em paz. Não te desequilibre quando os múltiplos convites ao desespero estiverem assolando as tuas resistências. Cada experiência te brindara maior capacidades para outros cometimentos,preparando os seus sentimentos para vitórias mais amplas. Assim fica alerta e paciente,conhecendo a lei de justiça,compreendendo que tudo acontece para a necessidade da sua evolução,não fique aflito,nem te apresses,sem tardança,porém com paciência tenha atitudes dignas,sempre aguardando o correto resultado das tuas realizações. Com paciência conquistaras tudo,conquistaras a si mesmo para o bem e para a paz. ********** DEUS DISSE NÃO Nas horas difíceis, quando lembramos de rogar a Deus por Seu socorro, nem sempre sabemos interpretar a Sua resposta. No entanto, a resposta sempre chega de conformidade com as nossas necessidades e merecimentos. Um homem que costumava fazer pedidos específicos a Deus, um dia conseguiu entender a Sua resposta e escreveu o seguinte: Eu pedi a Deus para tirar a minha dor. Deus disse não. "Não cabe a Mim tirá-la, mas cabe a você desistir dela." Eu pedi a Deus para fazer com que meu filho deficiente físico fosse perfeito. Deus disse não. "Seu Espírito é perfeito e seu corpo é apenas provisório." Eu pedi a Deus para me dar paciência. Deus disse não. "A paciência nasce nas tribulações. Não é doada, é conquistada." Eu pedi a Deus para me dar felicidade. Deus disse não. "Eu lhe dou bênçãos. A felicidade depende de você." Eu pedi a Deus para me proteger da dor. Deus disse não. "O sofrimento o separa dos apelos do Mundo e o traz para mais perto de Mim." Eu pedi a Deus para me fazer crescer em Espírito. Deus disse não. "Você tem que crescer sozinho, mas Eu o podarei para que você possa dar frutos." Eu pedi a Deus todas as coisas para que eu pudesse gostar da vida. Deus disse não. "Eu lhe dou vida para que você possa gostar de todas as coisas." E, por fim, quando pedi a Deus para me ajudar a amar os outros, tanto quanto Ele me ama, Deus disse: "Finalmente você captou a idéia!" * * * Se, porventura, você está se sentindo triste por não ter recebido do Pai Criador a resposta que desejava, volte a sorrir. O sol beija o botão da flor e ela sorri. A chuva beija a terra e ela, reverdecida, sorri. O fogo funde os metais e esses, depurando-se, expressam formas para sorrir. Vai a dor, volta a esperança. Foge a tristeza, volta a alegria. * * * Certa vez um discípulo rogou, emocionado, ao seu mestre: Senhor, quando identificarei a plenitude da paz e da felicidade, vivendo neste Mundo atribulado de enfermidades e violências? O mestre, compassivo, respondeu: Quando puder ver com a suavidade do meu olhar as mais graves ocorrências, sem julgamento precipitado; Quando lograr ouvir com a paciência da minha compreensão generosa; Quando puder falar auxiliando, sem acusação nem desculpismo; Quando agir com misericórdia, mesmo sob as mais árduas penas e prosseguir sem cansaço no caminho do bem entre espinhos pontiagudos, confiando nos objetivos superiores, você se identificará comigo e gozará de felicidade e paz. O aprendiz ouviu, meditou, e, levantando-se, partiu pela estrada do serviço ao próximo, disposto a conjugar o verbo amar, sem cansaço, sem ansiedade e sem receio. * * * Se, porventura, você está triste por não ter recebido a resposta que desejava do Pai Criador, volte a amar e a sorrir. Só assim vai a dor e volta a esperança. Foge a tristeza e volta a alegria. Redação do Momento Espírita ********** QUE.... Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalente ódio. Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior. Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro. Que as perdas do teu caminho sejam sempre Encaradas como lições de vida. Que a música seja tua companheira De momentos secretos contigo mesmo. Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna Que os teus olhos sejam dois sóis Olhando a luz da vida em cada amanhecer. Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz. Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas De tua passagem em cada coração. Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da Amizade profunda que liga as almas afins. Que em teus momentos de solidão e cansaço, Esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa E se transforma, Quando a alma é Grande e generosa. Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, Para que tu percebas a ternura invisível, Tocando o centro do teu ser eterno. Que um suave acalento te acompanhe, Na terra ou no espaço, e por onde Quer que o imanente invisível leve o teu viver. Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável! Que os teus pensamentos e os teus amores, O teu viver e a tua passagem pela vida, Sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome. Aquele amor que não se explica, só se sente. Que esse amor seja o teu acalento secreto, viajando eternamente No Centro do teu ser. Que este amor transforme os teus dramas em luz, A tua tristeza em celebração, e Os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora. Que jamais, em tempo algum, tu esqueças Da presença que está em ti e em Todos os seres. Que o teu viver seja pleno de Paz e Luz! ********** DESIDERATA Siga tranqilamente entre a inquietude e a pressa, lembrando-se de que há sempre paz no silêncio. Tanto quanto possível sem humilhar-se, mantenha-se em harmonia com todos que o cercam. Fale a sua verdade, clara e mansamente. Escute a verdade dos outros, pois eles também têm a sua própria história. Evite as pessoas agitadas e agressivas: elas afligem o nosso espírito. Não se compare aos demais, olhando as pessoas como superiores ou inferiores a você: isso o tornaria superficial e amargo. Viva intensamente os seus ideais e o que você já conseguiu realizar. Mantenha o interesse no seu trabalho, por mais humilde que seja, ele é um verdadeiro tesouro na continua mudança dos tempos. Seja prudente em tudo o que fizer, porque o mundo está cheio de armadilhas. Mas não fique cego para o bem que sempre existe. Em toda parte, a vida está cheia de heroísmo. Seja você mesmo. Sobretudo, não simule afeição e não transforme o amor numa brincadeira, pois, no meio de tanta aridez, ele é perene como a relva. Aceite, com carinho, o conselho dos mais velhos e seja compreensivo com os impulsos inovadores da juventude. Cultive a força do espírito e você estará preparado para enfrentar as surpresas da sorte adversa. Não se desespere com perigos imaginários: muitos temores têm sua origem no cansaço e na solidão. Ao lado de uma sadia disciplina conserve, para consigo mesmo, uma imensa bondade. Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores, você merece estar aqui e, mesmo se você não pode perceber, a terra e o universo vão cumprindo o seu destino. Procure, pois, estar em paz com Deus, seja qual for o nome que você lhe der. No meio do seu trabalho e nas aspirações, na fatigante jornada pela vida, conserve, no mais profundo do seu ser, a harmonia e a paz. Acima de toda mesquinhez, falsidade e desengano, o mundo ainda é bonito. Caminhe com cuidado, faça tudo para ser feliz e partilhe com os outros a sua felicidade". ********** ORAÇÃO DA CURA Pai celestial, que habitais o meu interior, impregna com a Tua Luz vital cada célula de meu corpo, expulsando todos os males, pois estes não fazem parte de meu ser. Na minha verdadeira realidade, como filho de Deus perfeito que sou, não existe doença; por isso que se afaste de mim todo o mal, todos os bacilos, micróbios, vírus, bactérias e vermes nocivos, para que a perfeição se expresse no meu corpo, que é templo de Divindade. Pai teu Divino filho Jesus disse: pedi e recebereis, porque todo aquele que pede recebe, portanto, tenho absoluta certeza de que a minha oração da cura já é a própria cura. Para mim agora, só existe esta verdade: a cura total. Mesmo que a imagem do mal permaneça por algum tempo no meu corpo, só existe em mim agora a imagem mental da cura e a verdade da minha saúde perfeita. Todas as energias curadoras existentes em mim estão atuando intensamente, como um exército poderoso e irresistível, visando os inimigos, fortalecendo as posições enfraquecidas, reconstruindo as partes demolidas, regenerando todo o meu corpo. Sei que é o poder de Deus agindo em mim e realizando o milagre maravilhoso da cura perfeita. Esta é a minha verdade mental. Esta portanto é a verdade do meu corpo. Agradeço-te, óh! pai, porque Tu ouvistes a minha oração. Dou-te graças, com toda alegria e com todas as forças interiores porque tua vontade de perfeição e saúde aconteceram em mim, em resposta ao meu pedido. Assim é e assim será. Dr. Manoel Dantas ********** DICAS PARA AFASTAR ENERGIAS NEGATIVAS Todos nós sabemos, as energias negativas são uma das preocupações do ser humano. Procurar fugir delas é complicado. Elas nos alcançam em qualquer lugar do planeta. Mas, podemos nos defender, começando a tomar uma série de atitudes e providências. Abaixo, seguem seis dicas pessoais para começar a combatê-las. 1. NÃO TEMER NINGUÉM Uma das armas mais eficazes na subjugação de um ser é impingir-lhe o medo. Sentimento capaz de uma profunda perturbação interior, vindo até a provocar verdadeiros rombos na aura, deixando o indivíduo vulnerável a todos os ataques. Temer alguém significa colocar-se em posição inferior, temer significa não acreditar em si mesmo e em seus potenciais, temer significa falta de fé. O medo faz com que baixemos o nosso campo vibracional, tornando-nos assim vulneráveis às forças externas. Sentir medo de alguém é dar um atestado de que ele é mais forte e poderoso. Quanto mais você der força ao opressor, mais ele se fortalecerá. 2. NÃO SINTA CULPA Assim como o medo, a culpa é um dos piores estados de espírito que existem. Ela altera nosso campo vibracional, deixando nossa aura (campo de força) vulnerável ao agressor.. A culpa enfraquece nosso sistema imunológico e fecha os caminhos para a prosperidade. Um dos maiores recursos utilizados pelos invejosos é fazer com que nos sintamos culpados pelas nossas conquistas. Não faça o jogo deles e saiba que o seu sucesso é merecido. Sustente as suas vitórias sempre! 3. ADOTE UMA POSTURA ATIVA Nem sempre adotar uma postura defensiva é o melhor negócio. Enfrente a situação. Lembre-se sempre do exemplo do cachorro: quem tem medo do animal e sai correndo, fatalmente será perseguido e mordido. Já quem mantém a calma e contorna a situação pode sair ileso. Ao invés de pensar que alguém pode influenciá-lo negativamente, por que não se adiantar e influenciá-lo beneficamente? Ou será que o mal dele é mais forte que o seu bem? Por que será que nós sempre nos colocamos numa atitude passiva de vítimas? Antes que o outro o alcance com sua maldade, atinja-o antecipadamente com muita luz e pensamentos de paz, compaixão e amor. 4. FIQUE SEMPRE DO SEU LADO A maior causa dos problemas de relacionamentos humanos é a "Auto-Obsessão". A influência negativa de uma pessoa sobre outra sempre existirá enquanto houver uma idéia de dominação, de desigualdade humana, enquanto um se achar mais e outro menos, enquanto nossas relações não forem pautadas pelo respeito mútuo. Mas grande parte dos problemas existe porque não nos relacionamos bem com nós mesmos. 'Auto-Obsessão' significa não se gostar, não se apoiar, se auto boicotar, se desvalorizar, não satisfazer suas necessidades pessoais e dar força ao outro, permitindo que ele influencie sua vida, achar que os outros merecem mais do que nós. Auto - obsequiar-se é não ouvir a voz da nossa alma, é dar mais valor à opinião dos outros. Os que enveredam por esse caminho acabam perdendo a sua força pessoal e abrem as portas para toda as pessoas dominadoras e energias de baixo nível. A força interior é nossa maior defesa. 5. SUBA PARA POSIÇÕES ELEVADAS As flechas não alcançam o céu. Coloque-se sempre em posições elevadas com bons pensamentos, palavras, ações e sentimentos nobres e maduros.Uma atmosfera de pensamentos e sentimentos de alto nível faz com que as energias do mal, que têm pequeno alcance, não o atinjam.Essa é a melhor forma de criar 'incompatibilidade' com as forças do mal e energias incompatíveis não se misturam. 6. FECHE-SE ÀS INFLUÊNCIAS NEGATIVAS As vias de acesso pelas quais as influências negativas podem entrar em nosso campo são as portas que levam à nossa alma, ou seja, a 'mente' e o 'coração'. Além de manter o coração e mente sempre resguardados das energias dos maus pensamentos e sentimentos negativos, fuja das conversas negativas, maldosas e depressivas. Evite lugares densos e de baixo nível. Quando não puder ajudar, afaste-se de pessoas que não lhe acrescentam nada e só o puxam para o lado negativo da vida. O mesmo vale para as leituras, programas de televisão, filmes, músicas e passatempos de baixo nível. ********** REGRAS DE SAÚDE 1- Guarde o coração em paz, á frente de todas as coisas. Todos os patrimônios da vida pertencem a Deus. 2 - Apoie-se no dever rigorosamente cumprido. Não há equilibrio físico sem harmonia espiritual. 3 - Cultive o hábito da oração. A prece é luz na defesa do corpo e da alma. 4 - Ocupe o seu tempo disponível com o trabalho proveitoso, sem esquecer o descanso imprescindível ao justo refazimento. A sugestão das trevas chega até nós pela hora vazia. 5 - Estude sempre. A renovação das idéias favorece a sábia renovação das células orgânicas. 6 - Evite a cólera. Enraivar-se é animalizar-se, caindo nas sombras de baixo nível. 7 - Fuja à maledicência. O lodoagitado atinge a quem o revolve. 8 - Sempre que possível, respire a longos haustos e não olvide o banho diário, ainda que ligeiro. O ar puro é precioso alimento e a limpeza é simples obrigação. 9 - Coma pouco. A criatura sensata come para viver, enquanto a criatura imprudente vive para comer. 10 - Use a paciência e o perdão infatigavelmente. Todos nós temos sido carinhosamente tolerados pela Bondade Divina milhões de vezes e conservar o coração no vinagre da intolerância é provocar a própria queda na morte inútil. André Luiz (Psicografada por Chico Xavier) MENSAGENS *********** ERRE AUXILIANDO Ainda mesmo por despeito, auxilie sem descansar, na certeza de que, assim, muitas vezes, poderá você conquistar a cooperação dos próprios adversários. Ainda mesmo por desfastio, auxilie espontaneamente aos que lhe cruzam a estrada, porque dessa forma, livrar-se-á você dos pesadelos da hora inútil, surpreendendo, por fim, a bênção do trabalho e o templo da alegria. Ainda mesmo por ostentação, auxilie a quem passa sob o jugo da necessidade e da dor. André Luiz (Chico Xavier). ********** PRECE Do livro Morte e Vida " Senhor Deus, que construístes o coração dos vossos filhos amados. Estendei a Vossa misericórdia aos menos felizes. Livra-os do sofrimento, socorrei-os. Transforma suas angústias em alegria, de modo que possam encontrar serenidade. Senhor, socorrei os aflitos que suplicam pela clemência divina, conduzi-os pelo caminho da Verdade. Livrai-os das trevas. Senhor, daí ao coração arrependimento e humildade, fazei luzir novamente aos seus olhos a alegria, e pelo esplendor da Vossa misericórdia, possam conhecer a felicidade Eterna. Senhor, coroai-lhes de bênção para que a luz da compreensão ensine-lhes servir a Jesus. E não asilem em seus corações sentimento de ódio, mágoa, nem cultivem espinheiro de angústia. Senhor, fortificai-os para que possam se aperfeiçoar.... Auxiliando em benefício dos irmãos sofredores, assim poderão encontrar a felicidade permanente na vida imortal. Afastai os sentimentos que retardam a caminhada, e enchei-os de pureza..." ********** PRECE Do livro Proletários do Bem Senhor de infinita bondade, vasta é a Tua misericórdia para com os homens. Senhor, ilumina as trevas do coração dos jovens, aponta-lhes o caminho do bem. Senhor, faz brotar de seus corações sentimentos puros para que possam se fortificar em amor e na prática do bem. Senhor, livra-lhes dos maus pensamentos... lhes faz regozijar no pensamento de amor divino. Cumula seus corações de uma nova plenitude de amor... Senhor, tira-lhes da estrada do sofrimento, para que possam cumprir seus deveres de homem no mundo. ********** PRECE Senhor, ilumina os nossos corações. Clarifica os nossos pensamentos e nos conduz no caminho do bem. Divino Mestre, envia-nos amparo para os momentos de aflição. Senhor, envolve-nos a vibração de amor que emana do Teu coração misericordioso para que possamos amparar os nossos irmãos e envolvê-los nesse mesmo amor para que eles possam caminhar em direção da Tua eterna luz. Jesus, que o teu perdão sirva-nos de lamparina no caminho da abençoada evolução. Que o amor e a paz do Senhor alegre nossos corações. Que Deus abençoe a todos aqui presente. Psicografada por Rozalia P. Nakahara em 05/05/2009 Espírito William Eduardo Reunião Espírita ? Lar Universal da Família. ********** MENSAGEM Ó Pai Misericordioso, tem piedade daqueles que ainda veem o bem como se fosse o mal. Irmãos padecentes na carne, sem percepção da realidade que os cerca no cotidiano da vida. São esses irmãos Pai, clamam a Ti, mas desconhecem os teus desígnios. Irmãos que no mundo transitam confiantes em Tua misericórdia, mesmo incapacitados de perceber, creem em Tua infinita misericórdia, pois em seus corações carregam a doçura da Fé, e creem naqueles que se encontram sem envoltórios carnais; o estado simples em que nos encontramos depois da morte física, e que, abraçamos com a mesma simplicidade que fomos criados por Ti. Pai da existência eterna, ama os Vossos filhos independentemente do estágio em que se encontram no envoltório carnal. Que Deus os conduza na Fé, na Benevolência e na Caridade. Espírito William Eduardo Psicografada por Rozalia P. Nakahara. *********** MENSAGEM Amados irmãos, o amor lhes propicia um caminho para a compreensão dos processos vitais, das forças que vive em cada um de nós. Não devem temer suas próprias tendências mais naturais, de suas emoções, corpo, instinto e de seus processos. Os que temem a morte, temem também a vida, pois é impossível uma existir sem a outra. Todos nós já sentimos o desejo de ampliar os nossos horizontes, de encontrar o significado de nossa existência. Para compreendermos as nossas frustrações instintivas, experimentamos a intensidade da dor, para depois compreendermos que à morte também é vida. A dor, nos leva a encontrar a sintonia de nossos sentimentos com nosso pensamento, assim conhecemos nossas forças e fraquezas, nossas limitações. Deste modo, atingimos uma visão mais equilibrada de nós mesmos, uma visão mais digna, humilde, que nos permiti aceitar nossas provas e a compreender a do semelhante. Para evitar o confronto com o medo da morte, é preciso manter a luz da serenidade ativa, e mergulhar em atividades caridosa de amor ao proximo. Deus conduz nossa caminhada, de forma planejada. Ele nos dá também a oportunidade de dedicarmos parte de nosso tempo ao serviço de Sua causa. Sempre é tempo de aprender, sobretudo quando aprendemos através da luz caridosa do Evangelho Cristão. A fé desperta o coração do homem para a necessidade do irmão infortúnio. Que a Luz do discernimento sirva-lhes de tocha para iluminar as trevas do caminho. Espírito João C. P. Rozalia P. Nakahara ********** MENSAGEM Senhor Deus de infinita misericórdia, velai por aqueles que necessitam de compreensão. Que a Verdade seja a luz que necessitamos para nos aproximarmos de Ti. Pai de infinita bondade, guia-nos pelo caminho do Bem. Senhor, que o mal seja abolido do mundo, para que a humanidade possa experimentar a paz e sinta o amor que os envolve. Senhor, fazei com que o amor que Vós semeaste no coração do homem, abrolhe como flores campestres no campo para que a grandeza do Vosso amor se expanda em todos os corações. Senhor, fazei da humildade a chave sagrada para abrir os corações endurecidos. Que o Amor de Maria acalente os corações feridos pela estaca da maldade. Que a Verdade desfaça os densos nevoeiros da inverdade que paira sobre a cabeça dos nossos irmãos. William Eduardo P. Rozalia P. Nakahara *********** MENSAGEM Na estrada de bem, andamos de mãos dadas com a compreensão. Enxergar o próximo com os olhos do coração, ajuda-nos a abraçar a paz e a equilibrar a harmonia. Jesus foi exemplo, os Evangelhos nos ensinam o Amor de Jesus pelo próximo. Deus abençoe a todos! P. Rozalia P. Nakahara ********** MENSAGEM O mergulho do sol no interior da terra obscurece a sua luz. Devemos agir sempre em concordância entre a sabedoria e a inteligência. A sensibilidade intuitiva lhes ajudará. Cada etapa da vida é um novo começo. Acumulamos conhecimento somente pelo aprendizado. André Menezes P. Rozalia P. Nakahara ********** MENSAGEM O desequilíbrio emocional é a principal causa das tempestades da vida. O diálogo abrirá a porta da compreensão, mas é preciso ter paciência, o efeito do remédio nunca é de imediato, nem por isso o médico deixa de receitar. A serenidade abranda os ventos tempestuosos. Compreender o semelhante sem esperar dele compreensão é como iluminar a escuridão. Orvalhar com amor o coração atormentado é iluminar as trevas do desequilíbrio. André Menezes P. de Rozalia P. Nakahara *********** MENSAGEM Senhor, dai-nos forças para vencermos as dificuldades do nosso caminho. Pai, nós vos pedimos fazei-nos portador de Vossa sabedoria, ensina-nos a viver a cada instante com a humildade de perfilhar nossas limitações. Que a luz que ilumina os espaços ilumine nossos caminhos. William Eduardo ********** MENSAGEM Quem, realmente, se disponha a servir na seara do bem não deve impor condições nem esperar pelo reconhecimento alheio. Espiritualmente, ninguém trabalha a não ser para si mesmo! Quem não devota amor à tarefa tem tempo marcado para abandoná-la... Quando não parte do imo da criatura, a abnegação não é sincera ? trata-se de entusiasmo momentâneo, que não costuma durar mais que poucos dias. Precisamos servir o próximo como quem serve o próprio Senhor!... ?Tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; careci de teto e me hospedastes; estive nu e me vestistes; achei-me doente e me visitastes; estive preso e me fostes ver.? É muito difícil contar com o esforço sujeito a conveniências, aos interesses e, até mesmo, às variações de humor. Há pessoas que, por qualquer mal-entendido, estão desertando. Por certo consideram-se imprescindíveis. Não são! O trabalho nos é imprescindível, porque o trabalho, por vezes, não pode ser substituído, mas o trabalhador, sim. Outro vem nos ocupar o lugar e ficamos sem a oportunidade. Do livro Doutrina Viva Carlos A. Baccelli ? pelo espírito Francisco Cândido Xavier ********** A ESPERANÇA Há dias que temos a impressão de que chegamos no fim do caminho. Olhamos para frente e não vislumbramos mais saída. Não há uma luz no fim do túnel, e não há também nenhuma possibilidade de volta. Parece que todos os nossos projetos, nossos objetivos, foram levados para bem distante, e estamos sem possibilidade de alcançá-los. Parece mesmo que o outono da existência fez com que secassem as nossas esperanças e o vento forte do inverno varresse das nossas mãos todos os sonhos acalentados. A morte vem e arrebata os afetos da nossa alma deixando-nos o coração dilacerado. Sentimo-nos perdidos. Não sabemos que rumo tomar. Ficamos atônitos. Sentimo-nos como uma árvore ressecada, sem folhas, sem brilho, sem motivo para viver. É a desesperança. De repente, como acontece com a natureza, a primavera muda toda a paisagem. As árvores secas enchem-se de brotos verdes, e logo estão cobertas de folhas e flores. O tom acinzentado cede lugar às cores verdes de tonalidades mil. É a esperança. Os entes caros, que nos antecederam na viagem de retorno à Pátria Espiritual, um dia estarão novamente junto aos nossos corações saudosos, num abraço de carinho e afeição. Tudo em a natureza volta a sorrir. A relva verde fica bordada de flores de variados matizes, as borboletas bailam no ar, os pássaros brindam-nos com suas sinfonias harmoniosas. Tudo é vida. Assim, quando a chama da esperança reacende em nosso íntimo, nossos sonhos desfeitos são substituídos por outros anseios. Nossos objetivos se modificam e o entusiasmo nos invade a alma. Jesus, o Sublime Galileu, falou-nos da esperança no Sermão da Montanha, com o suave canto das bem-aventuranças. Exemplificou-a nos Seus ditos e feitos. Enfim, toda Sua mensagem é de esperança. Se formos visitados por qualquer dissabor e o desespero nos tomar de assalto, busquemos o nosso Amigo Maior, Jesus, através da oração. Predispondo-nos pela prece, a ajuda chegará certamente, como suave bálsamo a penetrar nas fibras mais íntimas do nosso ser, dando-nos alento e tranquilidade. Se a desesperança acercar-se de nós, lembremos o Amigo Celeste a nos dizer: Meu fardo é leve, meu jugo é suave. Se Seu jugo é suave, por que não O aceitamos? Se Seu fardo é leve por que não O conduzimos? Consideremos que o rigor do inverno pode ser o resultado da nossa falta de cuidado, submetendo-nos ao jugo da mentira, da ambição desmedida, do pessimismo,das queixas sem fim... Ou talvez a desesperança resulte da nossa própria insensatez, carregando o pesado fardo dos prazeres inferiores, do orgulho, do egoísmo, da ganância, dos vícios de toda ordem, e de outros tantos fardos inúteis que nos sobrecarregam os ombros destroçando-nos as forças. Dessa forma, em qualquer circunstância, deixemos que a esperança nos invada a alma, confiantes em Deus, que sempre nos dá oportunidades novas para refazermos caminhos, buscando a nossa redenção. A esperança deve ser uma constante em nossas vidas. Esperança de melhores dias; esperança de realizações superiores; esperança de paz. * * * Narra-se que um monge que vivia da mendicância, sem abrigo, recolheu-se numa gruta para o repouso noturno em bela paisagem banhada de luar. Adormeceu, veio um bandido e lhe furtou a capa de que se utilizava como agasalho. O frio da madrugada despertou-o e, dando-se conta do infortúnio, porém fascinado pela claridade da lua, aproximou-se da entrada da gruta e, emocionando-se com o que viu, exclamou: Que bom que o ladrão não me furtou a lua! E sorrindo, pôs-se a meditar. Desesperar, nunca! Redação do Momento Espírita ********** DEFINIÇÃO DE AMIGO Amigo é alguém que está envolvido com os nossos ideais e serve de alavanca para que, juntos, os realizemos. Amigo não compete: soma forças e acrescenta. Amigo é alguém que tem mais ou menos o nosso ritmo e não nos deixa esperando quando o assunto é importante. Aliás, Amigo sempre sabe o que é muito importante para nós. Amigo, quando não concorda ou não aprova alguma atitude que venhamos a tomar, coloca-se de forma direta, sem rodeios. Ele não some, não fica emburrado, não faz jogo nem nos dá a retaliação do silêncio indecifrável. Amigo é alguém que, estando acima de nós, nos ensina com bondade e estando abaixo de nós, aprende com simplicidade. Amigo é instrutor e aprendiz simultaneamente. Amigo entende de diferenças individuais e as respeita, sem contudo traçar linhas divisórias intransponíveis que causam desapontamentos e bloqueiam a livre expressão da nossa maneira de ser. Amigo é alguém a quem confiamos desde uma confidência até um testamento. É alguém para quem podemos ligar ou procurar a qualquer hora porque há horas na vida que não podem esperar mais um minuto. Amigo rejubila-se com a nossa vitória e sabe tornar a nossa derrota suportável. Para um Amigo podemos contar os nossos feitos sem que pareça arrogância ou ostentação e podemos narrar as nossas fraquezas e fracassos sem que pareça humilhação. Quem tem um amigo assim pode dizer que encontrou um tesouro. Os demais não são amigos. São colegas eventuais sem comprometimento e estes sempre temos às dúzias. Se você tem ao menos um Amigo, erga as mãos para o céu pela dádiva. Seja para ele tudo que ele é para você e um pouco mais. Aos colegas eventuais ... a eventualidade. Ao Amigo verdadeiro, a incondicional Amizade! Fátima Irene Pinto ********** ORAÇÃO DO ARCO ? ÍRIS Faze um arco-íris comigo, Jesus! Um arco-íris imenso como nunca eu vi antes, com cores vívidas e brilhantes, que seja perene e eterno a unir o meu coração ao Teu. Faze um arco-íris comigo, Jesus! E perdoa se a poça d'água que eu Te ofereço está cheia de água suja, impura e estagnada. Mas Tu, Jesus, tens o poder de transformar minha água impura em água cristalina, tão logo as Tuas cores de salvação me alcancem através do belo arco de inefável luz. Faze um arco-íris comigo, Jesus! Dizem que sempre há um pote de ouro ao fim de todos eles. Em Ti eu sei que há o ouro mais puro de quem conheceu o batismo da água e o batismo do fogo, mas quanto a mim, Jesus, sou pote de metal sem valor que a ferrugem vai corroendo pouco a pouco. Mas se fizeres um arco-íris comigo, Jesus, na Tua santa alquimia de Salvador, Tu podes transformar a minha taça num graal a refulgir de beleza e de amor para com o meu próximo porque se estou em Ti, eu aprendo a ver e amar com os Teus olhos. Faze um arco-íris comigo, Jesus! Faze um arco-íris com todos os que Te procuram, com os que deixaram de Te procurar, com os que jamais Te procuraram. E que haja milhões de corações conectando-se ao Teu, formando no céu milhões de arco-íris, invisíveis talvez aos olhos da carne, mas brilhantes e vivazes quando vistos com os olhos do Espírito! Faze um arco-íris conosco, Jesus! Fátima Irene Pinto ********** JÓIAS DEVOLVIDAS Narra antiga lenda árabe, que um rabi, religioso dedicado, vivia muito feliz com sua família. Esposa admirável e dois filhos queridos. Certa vez, por imperativos da religião, o rabi empreendeu longa viagem ausentando-se do lar por vários dias. No período em que estava ausente, um grave acidente provocou a morte dos dois filhos amados. A mãezinha sentiu o coração dilacerado de dor. No entanto, por ser uma mulher forte, sustentada pela fé e pela confiança em Deus, suportou o choque com bravura. Todavia, uma preocupação lhe vinha à mente: como dar ao esposo a triste notícia? Sabendo-o portador de insuficiência cardíaca, temia que não suportasse tamanha comoção. Lembrou-se de fazer uma prece. Rogou a Deus auxílio para resolver a difícil questão. Alguns dias depois, num final de tarde, o rabi retornou ao lar. Abraçou longamente a esposa e perguntou pelos filhos... Ela pediu para que não se preocupasse. Que tomasse o seu banho, e logo depois ela lhe falaria dos moços. Alguns minutos depois estavam ambos sentados à mesa. A esposa lhe perguntou sobre a viagem, e logo ele perguntou novamente pelos filhos. Ela, numa atitude um tanto embaraçada, respondeu ao marido: Deixe os filhos. Primeiro quero que me ajude a resolver um problema que considero grave. O marido, já um pouco preocupado perguntou: O que aconteceu? Notei você abatida! Fale! Resolveremos juntos, com a ajuda de Deus. Enquanto você esteve ausente, um amigo nosso visitou-me e deixou duas joias de valor incalculável, para que as guardasse. São joias muito preciosas! Jamais vi algo tão belo! O problema é esse! Ele vem buscá-las e eu não estou disposta a devolvê-las, pois já me afeiçoei a elas. O que você me diz? Ora, mulher! Não estou entendendo o seu comportamento! Você nunca cultivou vaidades!... Por que isso agora? É que nunca havia visto joias assim! São maravilhosas! Podem até ser, mas não lhe pertencem! Terá que devolvê-las. Mas eu não consigo aceitar a ideia de perdê-las! E o rabi respondeu com firmeza: Ninguém perde o que não possui. Retê-las equivaleria a roubo! Vamos devolvê-las, eu a ajudarei. Iremos juntos devolvê-las, hoje mesmo. Pois bem, meu querido, seja feita a sua vontade. O tesouro será devolvido. Na verdade isso já foi feito. As joias preciosas eram nossos filhos. Deus os confiou à nossa guarda, e durante a sua viagem veio buscá-los. Eles se foram. O rabi compreendeu a mensagem. Abraçou a esposa, e juntos derramaram grossas lágrimas. Sem revolta nem desespero. * * * Os filhos são quais joias preciosas que o Criador nos confia a fim de que os ajudemos a burilar-se. Não percamos a oportunidade de auxiliá-los no cultivo das mais nobres virtudes. Assim, quando tivermos que devolvê-los a Deus, que possam estar ainda mais belos e mais valiosos. Redação do Momento Espírita. ********** ORAÇÃO ATENDIDA Será que Deus atende mesmo a todas as orações? Jesus nos afirmou que tudo o que pedíssemos ao Pai em Seu nome, Ele nos concederia. Mesmo assim, a debilidade da nossa fé, vez ou outra, faz com que nos perguntemos: Será que atende? Afinal, quantos de nós já fizemos rogativas ao Criador, que jamais foram atendidas? Será preciso algum detalhe que nos possibilite ser atendidos por Deus? Os mais revoltados, ante seus problemas não solucionados pela Divindade, chegam a admitir a parcialidade Divina que atende a uns e não atende a outros. Contudo, não é assim. Ocorre que, inúmeras vezes, não nos apercebemos que Deus nos responde, embora nem sempre da forma que desejamos. Mas, com certeza, sempre é o melhor que o Pai dispõe. Recordamo-nos de um soldado americano, ferido durante a Guerra Civil. Após o ferimento, seguiram-se meses e meses de sofrimentos. A sua dor atingiu o auge quando ele se deu conta de que havia se tornado um deficiente físico. No entanto, a transformação radical em sua vida lhe abriu novos horizontes que ele sintetizou em uma oração. Oração que talvez se constitua em uma das mais belas páginas escritas por um deficiente físico. Conforme a tradução livre, do original inglês, diz ele: Pedi a Deus que me desse forças, para tudo conseguir... Fui feito fraco para aprender a obedecer. Pedi a Deus a saúde para realizar coisas grandiosas... Fui feito doente para realizar coisas difíceis. Pedi a Deus por riquezas, para comprar felicidade... Fui feito pobre, para vender sabedoria. Pedi a Deus que me concedesse poder, para que os homens necessitassem de mim... Fui feito insignificante, para sentir a necessidade de Deus ... Pedi a Deus por tudo isso, para poder gozar a vida... E Deus me deu a vida para poder avaliar seu gozo. Não recebi nada do que pedi, mas obtive tudo aquilo que esperava ganhar. A despeito dos meus erros, as preces que não fiz foram atendidas. E, dentre todos os homens, eu me considero o mais ricamente abençoado. * * * O entendimento do soldado ferido que se tornou um paralítico anônimo nos dá a tônica de como Deus ouve nossas preces e as atende, sempre de acordo com o que seja melhor para nós. Afinal, muitas vezes passamos a valorizar as pequeninas e preciosas coisas da vida, quando elas nos são retiradas. * * * O ano de 1981 foi o primeiro Ano Internacional da Pessoa Deficiente. Ser deficiente não significa ser doente. É simplesmente ser diferente. Diferente dos padrões considerados como normais. Redação do Momento Espírita. ********** BILHETE EM RESPOSTA O seu trabalho é a revelação de você mesmo. Servir é a nossa melhor oportunidade. Quando você age em favor de alguém, você está induzindo outros a agir em seu benefício. Nunca se canse de auxiliar para o bem. Desculpe sempre porque todos temos algum dia em que necessitamos de perdão. Não alegue defeitos para deixar de servir, porque o trabalho é a bênção de Deus que nos suprime as deficiências. Dificuldade é um teste de paciência. Desprezo da parte de alguém é aula da vida para aquisição de humildade. Você nem sempre terá o que deseja, mas enquanto estiver ajudando aos outros encontrará os recursos de que precise. Depois de grande esforço para solucionar esse ou aquele problema, não se agaste se outro problema aparece, requisitando-lhe novo esforço porque Deus renovará suas forças para recomeçar. ********** VIDA ? CHARLES CHAPLIN Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis. Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas que eu nunca pensei que iriam me decepcionar, mas também já decepcionei alguém. Já abracei pra proteger, já dei risada quando não podia, fiz amigos eternos, e amigos que eu nunca mais vi. Amei e fui amado, mas também já fui rejeitado, fui amado e não amei. Já gritei e pulei de tanta felicidade, já vivi de amor e fiz juras eternas, e quebrei a cara muitas vezes! Já chorei ouvindo música e vendo fotos, já liguei só para escutar uma voz, me apaixonei por um sorriso, já pensei que fosse morrer de tanta saudade e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo). Mas vivi! E ainda vivo! Não passo pela vida. E você também não deveria passar! Viva!! Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é "muito" para ser insignificante. Charles Chaplin ********** ORAÇÃO PELOS ENTES QUERIDOS Senhor Jesus, concedeste-nos os entes queridos por tesouros que nos emprestas. Ensina-nos a considerá-los e aceitá-los em sua verdadeira condição de filhos de Deus, tanto quanto nós, com necessidades e esperanças semelhantes às nossas. Faze-nos, porém, observar que aspiram a gêneros de felicidade diferente da nossa e auxilia-nos a não lhes violentar o sentimento em nome do amor, no propósito inconsciente de escravizá-los aos nossos pontos de vista. Quando tristes transforma-nos em bênçãos capazes de apoiá-los na restauração da própria segurança; e quando alegres ou triunfantes nos ideais que abraçam não nos deixes na sombra do egoísmo ou da inveja, mas sim, ilumina-nos o entendimento para que lhe saibamos acrescentar a paz e a esperança. Conserva-nos no respeito que lhes devemos, sem exigir-lhes testemunhos de afeto ou de apreço em desacordo com os recursos de que dispunham. Auxilia-nos a ser gratos pelo bem que nos façam, sem reclamar-lhes benefícios, ou vantagens, homenagens, ou gratificações que não nos possam proporcionar. Esclarece-nos para que lhes vejamos unicamente as qualidades, ajudando-nos a nos determos nisso entendendo que os prováveis defeitos de que se mostrem ainda portadores desaparecerão no amparo de Tua benção. E, se algum dia, viermos a surpreender alguns deles em experiências menos felizes, dá-nos a força de compreender que não será reprovando ou condenando que lhes conquistaremos os corações, e sim, entregando-os a Ti através da oração porque apenas tu, Senhor, podes sondar o íntimo de nossas almas e guiar-nos o passo para o reequilíbrio nas leis abençoadas de Deus. Emmanuel / Francisco Cândido Xavier ********** NÃO ESTRAGUE SEU DIA Você já experimentou, alguma vez, aquele amanhecer sombrio, em que tudo lhe parece amargo? Esses dias aparentemente têm os mesmos aspectos para todos nós, mas são vividos de maneira diferente por cada indivíduo. Alguns ficam tristes e quase calados. Buscam isolar-se para evitar qualquer contato com alguém que lhes faça perguntas sobre o que está acontecendo, porque está assim, etc. Outros deixam o mau humor dirigir seus passos e, em poucos minutos, azedam todo o ambiente em que se encontram. Distribuem gestos bruscos, falam com irritação, respondem com azedume, culpam os outros por tudo de errado que acontece. E a resposta para comportamentos desse tipo logo se faz sentir no organismo, em forma de azia, enxaqueca, dores musculares, entre outros males. E o pior de tudo é que nem sabemos o porquê de tanta irritação. Não paramos um pouco para meditar sobre a situação em que nos encontramos, nem para mudar o curso dos acontecimentos. De maneira irrefletida, estragamos o nosso dia movidos por um estado dalma que nos toma de assalto e no qual nos deixamos mergulhar, sem refletir. Passados esses momentos amargos, fica uma desagradável sensação de mal-estar, de indisposição, de sentimentos feridos, de relacionamento comprometido. Assim, se você sentir que está diante de uma manhã sombria, de um momento amargo, vale a pena tomar medidas urgentes para não se deixar cair nas armadilhas. Se ainda está em casa, faça uma prece antes de sair. Se estiver no trabalho, busque um local que lhe permita ficar só por um instante, respire fundo e eleve o pensamento a Deus, rogando forças e discernimento para não se deixar levar por circunstâncias desagradáveis. Lembre-se, sempre, que todos temos momentos difíceis, e que só depende de nós complicá-los ainda mais, ou sair deles com sabedoria e bom senso. Lembre-se, ainda que, por mais difícil que esteja a situação, ela será tragada pelas horas e substituída por momentos mais leves e mais felizes. Por essa razão, nunca valerá a pena estragar o seu dia. * * * Não estrague o seu dia. A sua irritação não solucionará problema algum. As suas contrariedades não alteram a natureza das coisas. Os seus desapontamentos não fazem o trabalho que só o tempo conseguirá realizar. O seu mau humor não modifica a vida. A sua dor não impedirá que o sol brilhe amanhã sobre os bons e os maus. A sua tristeza não iluminará os caminhos. O seu desânimo não edificará a ninguém. As suas lágrimas não substituem o suor que você deve verter em benefício da sua própria felicidade. As suas reclamações, ainda mesmo afetivas, jamais acrescentarão nos outros um só grama de simpatia por você. Não estrague o seu dia. Aprenda, com a Sabedoria Divina, a desculpar infinitamente, construindo e reconstruindo sempre para o infinito Bem. Redação do Momento Espírita Todo "evento" vem dum "antecedente" que por sua vez precede doutro na cadeia ininterrupta que vai à "Causa Providencial". Allan Kardec X CARREGANDO IMAGEM... X CARREGANDO IMAGEM... X CARREGANDO IMAGEM... X Romance Espiral ? 182 páginas Espírito William Eduardo Autora Rozalia Pereira Nakahara Respeite os direitos autorais. Não use o trabalho da autora para adptação de textos. SINOPSE Em aflições da alma, o autor espiritual conta a história uma bondosa encarnada em ação que por amor a Deus e o próximo, durante o sono, desliga-se do corpo físico para auxiliar recém-desencarnados em dificuldade para se desprender do corpo em óbito. Uma história emocionante, mostra do primeiro ao último capítulo, a ação benévola e caridosa da serva de Jesus, em missão Cristã. ABERTURA PASSAGEM Ao atravessar a porta do túmulo, consternados, observamos com atenção os caminhos sagrados que nos levam as esferas distantes. O pensamento oscila entre a memória do passado e o anseio de alcançar as bem-aventuranças da vida eterna, mas as lágrimas dos que ficaram no mundo, enclausuram-nos as vibrações das tempestades amargas da existência física, asfixiando-nos de forma terrivelmente dolorosa. O choque da morte imprime-lhes na mente, tremenda inquietação, enfileirando-os em comunidades extensas de baixo padrão vibratório, onde se refugiam falanges que se aglomeram os que em vida transformou em lágrimas a alegria do semelhante. Por isso, devemos abraçar com louvor as oportunidades do amparo fraterno. Antes de ajustar a consciência para a revelação divina, se precipitam nas linhas inferiores. Assistem a dor dos que choram, contudo não lhes compreendem as lágrimas. Atormentados e desditosos, atravessam a porta do túmulo, sem perceberem que ali se inicia uma nova jornada. O fim da vida física, trás à volta da lembrança das falhas cometidas durante a existência. ?A coroa de flores no túmulo, não apaga da nossa memória as experiências vividas ao longo da vida?. Surpreendidos pelos turbilhões de pensamentos que se aninham as lembranças do paraíso de sonhos e fantasias, não percebem a grandeza límpida do Plano Divina tremeluzir ante nós. A dor dos que ficaram na Terra arranca-nos dos olhos lágrimas e o vazio íntimo sufoca-nos de forma incompreendida. Experimentamos sensações desconhecidas, mas a fé no Misericordioso auxilia-nos a compreensão na hora do adeus final. O amor dos que amamos é à lamparina jubilosa que nos conduz ao encontro dos que nos aguardam nas esferas longínqua. O medo do desconhecido nos deixa angustiado, e a dolorosa e inarrável saudade avoluma-se-nos o peito. A medida em que nos distanciamos da Terra, o deserto íntimo é preenchido pelo contentamento do retorno ao mundo espiritual. Nesse momento, as emoções mais profundas são acalmadas pelo enternecimento fraterno dos irmãos que nos esperam na vida eterna. Na marcha do cortejo fúnebre, o Espírito é tomado por uma profunda sensação de deserto íntimo e tristeza, as lágrimas são inevitáveis. Ante o vasto panorama Celeste, branco como neve, compreende que os laços familiares e de amizades que criara no mundo, não são ensejos de impedimento quando o chamado do Altíssimo convoca nossa presença na esfera distante. Com o fim da existência corpórea, o Espírito renasce para a vida interminável. Consciente, assiste não só o sofrimento dos que a morte feriu-lhes o sentimento, como também a alegria dos familiares e amigos espirituais que aguardam pela sua chegada. Jubilosos, celebram o retorno do Espírito à vida espiritual. Infelizmente a recepção calorosa não apaga da memória a saudosa lembrança do afeto dos familiares, nem o sorriso animador do amigo, a quem confidenciara os anseios do coração. O Sepulcro reserva-nos surpresas inimagináveis. A fé em Deus e o sentimento divino de amor ao próximo, no plano espiritual, convertem-se em ?luz acolhedora? que nos guia pelos caminhos purificados que nos levam as Esferas Superiores. A benevolência é uma virtude que enobrece, o Espírito enobrecido, as bênçãos dadivosas do Plano Divino, auxilia lhe a compreensão. E ao cruzar a porta do sepulcro, amigos bondosos, conduzir-lhe-ão pelas sendas das bem-aventuranças eternas. O egoísmo que irriga o coração do ser humano, em além vida, converter-se-á em lágrimas de tristeza. Os desígnios de Deus não assinalam com sofrimento nem angústia o caminho que o homem terá que percorrer. As riquezas matérias, não nos reservam nenhum privilégio para a vida imortal, somente a nobreza do sentimento leva a felicidade e enche-nos de júbilo. Por isso, devemos seguir os ensinamentos de Jesus, para que, coroados de enternecimento possam auxiliar os sofredores embrenhados nas trevas do padecimento e da aflição. Os que levam impresso na memória a lama da ostentação, quando se veem atolados no lamaçal da hipocrisia, suplicam por misericórdia uma palavra afetuosa para suavizar-lhe a angústia asfixiante... Por isso não devemos julgar o nosso semelhante. O espigão que fere não acende o fulgor do entendimento que nos leva ao Redentor. Respeite os direitos autorais. Livros registrados e com certificado de autenticidade da Biblioteca Nacional AFLIÇÕES DA ALMA Click na Seta CARREGANDO X CARREGANDO IMAGEM... X Romance Espiral ? 119 páginas Espírito Conde Odilon Autora: Rozalia Pereira Nakahara Respeite os direitos autorais. Não use o trabalho da autora para adaptação de textos. SINOPSE Em Laço do Destino, o autor espiritual narra o sofrimento dos que atravessaram a passagem do Sepulcro, levando na memória, a sombra dos tropeços da vida corpórea. A leitura será grandemente proveitosa, para aqueles que tiverem como objetivo alcançar um nível evolutivo superior ao que se acha atualmente. DEDICATÓRIA Ao Leitor. Amados irmãos, companheiros de fé em Jesus, consagrem vossos auxílios aos nossos irmãos esquecidos nas adversidades, e vistos como varreduras da sociedade. Oremos por nossos irmãos que nem mesmo a falta do pão, limpou de seus corações a fé fervorosa na Providência Divinal. Oremos pelos governantes, para que se conscientizem que o homem necessita do trabalho honrado para prover com dignidade o sustento do lar. As migalhas dos grandes, queridos irmãos, e abundância na mesa do pobre que pelo trabalho exaustivo, enriquecem o caixa dos poderosos. Devemos servir a Deus, cansagrando-nos ao crescimento próprio e o auxílio aos que, as aflições, arrancam-lhes dos olhos lágrimas, pelo jejum diária pela falta do pão. Oremos amados irmãos, pelas crianças que sofrem toda sorte de exploração, para que se tornem dignos de bênçãos da compaixão, para que no futuro sejam servos humildes do Senhor, e ao longo de suas prodigiosas caminhadas possam assinalar com a prática de ações benévolas o caminho do Bem. Agradeçam a Deus pela dádiva sublime da vida, no berço sagrado das experiências mundanas, e pela abundância de dias que lhes foram concedidos no corpo físico sob a proteção dos Mensageiros da Luz, para que não se desvencilhem do caminho reto que Deus traçou para nós. Desejo a todos uma caminhada suave sob a luz protetora do Eterno Mestre Jesus. Rozalia P. Nakahara - Conde Odilon São Paulo, 12 de Janeiro de 2013. "PASSOS EVOLUTIVA" Na existência terrestre, somos Espíritos ignorantes estimulados a galgar a prodigiosa escala do conhecimento em benefício da própria evolução. Os de coração puro, são inspirados pelo Altíssimo, a caminhada em direção da fé purificadora, que os conduzirá ao Redentor quando a porta do sepulcro se abrir. Graças à infinita misericórdia do Senhor, os erros são julgados de acordo com a consciência de cada um. Felizmente, os erros pecaminosos cometidos ao longo da vida, em além-túmulo, não perpetuam o pesar do coração. Nas vestes carnais, temos propensão ao erro porque não temos na memória, registro de nossas experiências independentes da matéria; ensejo que nos levou a acreditar em uma única existência terrestre. Quando nos apercebemos nas vestes espirituais, o remorso nos compele a penosas caminhadas na busca incansável da remissão dos pecados. Quando acalentamos em nossos corações, o amor e a esperança na clêmencia do Altíssimo, como servos fiéis, iniciamos a nova jornada. A serviço do Mestre Jesus, consagramos as nossas prodigiosas tarefas, a proteção aos que cumprem nas vestes carnais, a missão que lhes foi confiada por Deus, não se deixaram corromper pelos filhos da maledicência que percorrem os caminhos da vida corpórea. Deus sonda o coração dos puros, para que não seja maculado pela malícia do pensamento que é introduzida nos campos sagrados de suas mentes por aqueles que têm como objetivo, desvirtuar-lhes do caminho que assinalará com bálsamos da felicidade, suas trajetórias, para que seus retornos à vida eterna sejam ensejo de contentamento, para os que aguardam com os braços abertos pelas suas chegadas. O hino do Sofredor é a súplica do perdão que imprime em nossos corações a piedade, infelizmente, não nos é permitido advogar em causa daqueles que não depositaram suas confianças na misericórdia salvadora do Eterno Mestre Jesus. Respeite os direitos autorais. Livros registrados e com certificado de autenticidade da Biblioteca Nacional Respeite os direitos autorais. Livros registrados e com certificado de autenticidade da Biblioteca Nacional Click na Seta CARREGANDO IMAGEM... X CARREGANDO IMAGEM... X CARREGANDO IMAGEM... X CARREGANDO IMAGEM... X Romance Espiral ? 140 páginas Espírito William Eduardo Autora Rozalia Pereira Nakahara Respeite os direitos autorais. Não use o trabalho da autora para adaptação de textos. SINOPSE Este livro, fala do filho de um rico fazendeiro que se envolveu com Drogas. Entre outros personagens, ambição, ódio, vingança e ação benévola. Depois de trilhar os caminhos sombrios do vício, expelido do corpo carnal pela morte física, o rapaz transmitiu ao pai seu sofrimento. ABERTURA SOMBRA DA VIDA A terra guarda a poeira de nossas muitas existências que precederam. Quando a vida findar, na vizinhança do túmulo, não nos deparamos com nossos pais nem com nossos irmãos, nem com amigos de infância, mas sim, com a Consciência de nós mesmos. Sentimos com amargura que o vaso físico já repousa em cova profunda. Olhamos ao redor de nós e nada vemos, apenas ouve-se um ruído súbito, quando o vento ruge tempestuoso rompendo o véu do silêncio. O temor visita-nos tantas vezes, que nos raros e quase apagados vestígios de clareza, a lembrança de quando abdicamos da boa conduta, arraiga-se-nos as vísceras. Nas veredas sombrias, o temor é o principio do entendimento, todavia a falta de compreensão dispensa a sabedoria e as instruções dos bem-aventurados incumbidos de desvencilhar das veredas da expiação crucial àquele que não abriu os ouvidos às palavras do conhecimento. A sabedoria adoça-nos a alma, todavia sem o estímulo dos mais evoluídos, os que cultivam a ignorância, o lume de a esperança se apagará e o enfado e a tristeza do coração, só tende a aumentar. No templo carnal, negando-se a alegria, regaram seus dias com amargura porque seus corações não tiveram outra ocupação senão alimentar sentimentos impuros. Acreditaram no total esquecimento da vida terrena. Em além-túmulo, ao deparar-se com a memória do passado, enlutados com a lembrança não percebem que o dia da morte por mais doloroso que lhes pareça, foi melhor do que o dia do renascimento na carne. Pelo olho pálido da consciência, assistem suas chegadas a vida corpórea. Sem nenhuma lembrança dos caminhos percorridos anteriormente, iniciam suas largas caminhadas em direção à morte, sem o conhecimento das existências findadas anteriormente. O passado é uma valiosa herança que deixamos para nós mesmos, seja ele irrigado de alegria ou tristeza, na morte, somos herdeiros das nossas próprias experiências. Coloridas pelo bem ou obscurecidas pela falta de entendimento, é um tesouro que adquirimos ao longo da extensa estrada do aprendizado. Cada existência é uma dádiva; o incentivo necessário para a abençoada trajetória evolutiva do Espírito no santuário da carne. Cumprir sobre a terra o destino do corpo, não deixa de ser uma prova terrível para o Espírito reencarnante. Com o pavio da memória da existência anterior apagado deixa se corromper pelo exclusivismo. Sucumbido pelos falsos prazeres que a vida terrena nos oferece, esqueceu a prudência, e mantiveram os olhos bem abertos para a cobiça, e o coração fechado para o entendimento. Ao invés de escolher a estrada margeada pelas flores, iniciou a marcha pela vereda de urtigas. Quando o corpo descer a cova, pelas brechas da aflição, flechas amargas da impureza arrancar-lhe-ão dos olhos lágrimas. Consternado, conscientiza-se de que o esquecimento não lhe foi eterno. Cheio de culpa, apiedando-se de si próprio, se entrelaça aos braços impiedosos do passado. Quem semear espinheiro de ódio não espera colher flores abluídas com amor. A sementeira do bem, não dará frutos venenosos. O virtuoso acolherá o bem, mas o que fere com espada da maldade, será asilado em trevas até que o arrependimento faça escorrer-lhe no rosto torrentes de lágrimas. Cada passagem pela terra é uma etapa evolutiva. O Espírito motivado pelo Processo evolutivo desceu a Terra para cumprir na carne as provas que lhe foram designadas. Retornar à Pátria Espiritual com a ?bagagem? escassa de conhecimento, imediatamente começará a trabalhar a possibilidade de um novo recomeço na matéria para reparação das suas falhas. Da árvore do conhecimento, colhe-se sabedoria, todavia da árvore da ignorância colhe-se imperfeição regada de inquietação que lhe consumirá as forças. Sem se aperceber da situação dolorosa em que se acha, permanece entrelaçado aos braços da ignorância, sujeito a influência das trevas. Confinado ao berço dos defeitos morais, se mantêm distanciado dos Espíritos benévolos dispostos a lhe ensinar o bem, semeando lhe o coração com sementes gloriosas do amor irrigadas pelo orvalho da compaixão. Além dos cubículos trevosos da imperfeição, resplandece a luz do conhecimento, intensa e bela, todavia exige de nós alinhado aprimoramento para atravessar a porta de acesso a claridade da sublimação. No seio acolhedor dos abnegados irmãos de vida eterna, as oportunidades benéficas surgem como luz de entendimento. Impetrado o conhecimento superior, prazerosamente rememorará os passos inicias no Processo do renovado aprimoramento. Da bondade do homem emergirá felicidade de peregrino ditoso. O verdadeiro aroma da perfeição acenderá a luz sublime do amor que lhe iluminará os sentimentos mais intensos. Quando erguer os olhos ao céu, crerá que através da abobada azul, divisa a pátria do repouso que conquistará um dia com vigília e sofrimento sob o peso das falhas. Inquietações, angústias ou gozos da vida lhe serão o mesmo que para o peregrino. As sombras matutinas no solo servem de abrigo para o viajor fatigado. Uma pessoa de virtude bondosa será acolhida na Pátria Espiritual pelos familiares, amigos e companheiros de vida eterna com os braços abertos. Jesus ensinou-nos a fé, resignação e esperança na Infinita Bondade do Misericordioso. A vida mundana não é senão uma breve passagem. Aceitar os obstáculos sem lamentação é uma forma de evoluir-se. Cultivar as chamas da bondade é como orvalhar com amor o coração desesperado. A larga estrada da vida constitui porta estreita que dificultará o acesso ao magnífico caminho redentor. O tempo divino não é cronômetrado pelo homem, o pêndulo da vida corre mais rápido do que os ponteiros do relógio. Por isso, amados irmãos habitantes no templo carnal, não deixem o remorso arrancar-lhes lágrimas quentes qual o lume, porque lhes vêem do íntimo. O amor é o equilíbrio das emoções nos vendavais e tempestades da vida. Criar obstáculos aprazará a caminhada. O mal-querer gera desequilíbrio e infelicidade, mas do bem-querer nasce à harmonia, a alegria e a felicidade inabalável. A vida é uma dádiva sublime para os que avaliam a importância da evolução moral. O renascer na carne é uma chance que Deus concede-nos para o nosso melhoramento. As águas do rio mudam seus percursos, nem por isso deixam de se misturar às águas do mar. O mesmo acontece com o Espírito, desce à terra para percorrer a nova trajetória, terminada, a morte o devolverá ao seu habitat natural. Os passos da vida ampliam o nosso conhecimento, infelizmente o homem escolhe o caminho que lhe parecer menos difícil. A Infinita Misericórdia de Deus irrigou o sentimento humano com o orvalho do amor para que a benevolência e a quietude do homem se ampliam. Todo homem deve de permitir à chance do melhoramento. O conhecimento e a sabedoria o libertarão do sofrimento e o protegerá dos que vagueiam mergulhados em perturbação. A superioridade é o instrumento de proteção, em além-túmulo. Respeite os direitos autorais. Livros registrados e com certificado de autenticidade da Biblioteca Nacional DEGRAUS DA VIDA Click na Seta CARREGANDO X MORTE E VIDA Romance Espiral ? 161 páginas Espírito William Eduardo Autora Rozalia Pereira Nakahara Respeite os direitos autorais. Não use o trabalho da autora para adaptação de textos. SINOPSE Neste livro, William Eduardo fala de Ataliba, marujo de um navio cargueiro. Depois de vários dias em um leito improvisado nos compartimentos inferiores do navio, a vida de Ataliba entre outros Marujos, chegou ao final. Transportado, chegou ao plano espiritual inconsciente. Despertando duas horas depois, deparou-se com o marujo, vítima de Bactérias que Ataliba ajudou o Comandante a atirar o seu corpo nas águas do mar. Sem se aperceberem na vida espiritual, acreditando estarem em um hospital psiquiátrico, planejaram fugir. Quando perceberam que se achavam em um plano distante da Terra. ABERTURA ABRAÇAR A PAZ O último capítulo do livro marca, para você leitor, o término de um processo que está apenas começando. Que as palavras de William Eduardo renasçam em sua mente, como novo aprendizado. Neste livro, o autor espiritual fala da vida, depois da morte do corpo, a dificuldade do Espírito para se adaptar à nova vida. Que a leitura sobre a vida no mundo espiritual sirva de aprendizado para sua caminhada Evolutiva. Empenhar-se, no aprimoramento, é caminhar em paz, abraçando as experiências e procurando tirar lição de cada uma. Para compreender a força, precisamos primeiro experimentar a fraqueza. Para compreender a alegria, precisamos experimentar a dor. Os ensinamentos Evangélicos são luz sublime no processo de um aprendizado maior. Sejam os estudos espíritas uma novidade para você ou tenha amplo conhecimento da Doutrina. ?As experiências mundanas são verdadeiras lições de aprimoramento para o Espírito em evolução. Por mais terrível que tenha sido o passado não devemos olhar para ele com pesar, mas de olhos abertos, para abranger as lições que a vida nos ensinou. Compreender o passado é abraçar um novo entendimento, sem arrastar a bagagem emocional da experiência corpórea para a vida nova?. Nos momentos de desânimo é quando fracassam todo o esforço de vontade e nos sentimos impotentes. ? Presos às teias da ignorância não conhecemos regiões mais elevadas que a esfera carnal. Falta-nos entendimento elevado para abraçar a vida fora do corpo físico?. Receosos, almejamos continuar na matéria, mas somos compelidos a abandoná-lo, e quando as reminiscências dominam nossa memória conhecemos e experimentamos forças e fraquezas, a alegria e a dor da separação. Antes de sorrir para a vida eterna os nossos sentidos despertam para o entendimento novo, então nos sentimos perturbados, incapazes. Experimentamos a terrível sensação do pesar da consciência recriminando o passado. Diante da amargura e da agonia, conhecemos outros pensamento e nova esperança que não poderíamos conhecer fora da tristeza e da agonia. Viver no mundo de vida material é como caminhar em meio à névoa e o vento segurando uma pequena lanterna para que ela não se apague. O esforço nobre, na elevada aspiração, é preciso e indispensável. Aprender a tecer os fios do reajustamento próprio é conhecer o caminho da paz. A jornada evolutiva do homem, depois do sepulcro, não é tarefa fácil, todavia lhe compete o esforço. Só se alcança a misericórdia pela misericórdia. Para nos adaptarmos ás condições da realidade no mundo banhado de luz espiritual é preciso retalhar o mal, para a luz vencer as trevas. Quando somos ameaçados pelo pensamento mal precisamos nos proteger; abrir mão do exclusivismo e da altivez para que a bondade de Deus nos leve ao arrependimento. A linha que divide o bem e o mal passa pelo coração de todos os seres humanos. Melhor é combater o mal, ao invés de portá-lo interiormente, de forma que os sentimentos bom e afetuoso não sejam sufocados pelos sentimentos negativos. As amarguras da existência corpórea, por mais larga que nos pareça, são infinitamente pequenas comparadas à de além-túmulo. O Espírito vive por causa da Justiça. Separado do corpo físico, é preciso muita humildade, bem como uma boa dose de coragem para se defrontar com as suas imperfeições. Muitos se deparam com um cenário no qual o sol não brilha, se defrontam com as próprias mágoas, amarguras e rancores. Conhecem lugares estranhos, onde tudo está ligado aos costumes viciosos e aos pensamentos que na vida foram excitação de vaidade. Quando abraçamos a fé, a luz do nosso interior torna-se como árvore do bosque que da sombra para o descanso do trabalhador, protegendo-o do sol. As lembranças e as emoções ruins do passado são verdadeiros obstáculos que precisamos enfrentar. Ao deixar o corpo na morte devemos esquecer a rotina e o atingimento de nosso posição social no mundo, de maneira que possamos viver como homens de bem nas esferas distantes, num mundo banhado de luz e de bênção, onde a vida proporcione-nos novas expectativas. Respeite os direitos autorais. Livros registados e com certificado de autenticidade da Biblioteca Nacional Respeite os direitos autorais. Livros registrados e com certificado de autenticidade da Biblioteca Nacional Click na Seta CARREGANDO X PROLETÁRIOS DO BEM Romance Espiral ? 154 páginas Espírito William Eduardo Autora Rozalia Pereira Nakahara Respeite os direitos autorais. Não use o trabalho da autora para adptação de textos. SINOPSE O autor espiritual conta à história do sem terra que liderou um grupo. Como viajou sem rumo, após vários dias de caminhada, o grupo voltou-se contra ele. Fustigado, perdeu o espírito de liderança. Médium vidente, o caminho que lhe foi apresentado pela visão psíquica os levou a uma fazenda, ali terminou para alguns de seus companheiros, a jornada terrestre... ABERTURA ANTE A VIDA ETERNA Amigo leitor. William Eduardo vem ao teu encontro para dizer-te que somente a fé em Deus nos leva ao caminho eterno cheio de glória, esclarecendo ainda que o homem é um Espírito Eterno, habitando temporariamente o templo sagrado da carne. Na vida corpórea sente-se limitado, como se aquilo que quisesse estivesse sempre além do seu alcance, cheio de dor dos desejos frustrantes, a insatisfação coloca em seu lugar a queda que fere os calcanhares do orgulho. É preciso aprender a esperar a se esforçar, a desenvolver a paciência e a autodisciplina para que possa alcançar a realidade pura. Pode ser doloroso, pois pouco há de mais devastador do que a perda de sua ilusão mais preciosa. A imperfeição é como uma doença que precisa ser tratada, para que na passagem da vida possa levar algo precioso, a fim de se evitar o retorno ao mundo espiritual, levando o fardo das imperfeições mais pesado do que quando de lá partiu. A fé leva o homem a desenvolver a força e a integridade necessária para viver a vida em um sentido mais amplo e profundo. Na separação o Espírito se sente como uma criança se sente no processo de desmame. Quando temos Deus em nossos corações a passagem é suave e torna a dor mais tolerável. Quando deixamos o corpo no mundo de matéria, partimos, levando conosco a sensação de alegria e de liberdade, mas na memória preponderam as alegrias e as dúvidas que fazem parte da consciência humana, e carregamos o fardo das existências. A maior surpresa que a morte nos reserva é a de nos depararmos com a própria consciência. E quando nos deparamos com ela nos tornamos juízes arrogantes, condenadores de nós mesmos. O Espírito vive acima das civilizações, no esforço grandioso da renovação, melhorando-se e elevando-se cada um, a caminho do mundo melhor. A maioria pensa alcançar um céu fácil, depois da morte do corpo. Todavia há turbilhões de pensamentos maus que tiveram em vida contra o seu semelhante. Na morte os fazem esforçar-se, buscando acender a luz nas trevas dos crivos sombrios e lamosos, antes de encontrarem a paz almejada para seus corações angustiados. Esforçam-se nas difíceis travessias pelos caminhos lamosos, oceanos fronteiriços que separam as esferas inferiores das esferas sublimadas pela luz das benções do Altíssimo, onde os Espíritos elevados se comprazem nas benção da elevação, em companhia dos abnegados mentores que lhes acompanharam, durante toda trajetória mundana. Torturados pelo vagaroso despertar da consciência imortal como marinheiro no imenso oceano, navegam sobre as ondas do padecimento indefinível. Na separação, a sensação de vazio é indisfarçável e dolorosa quando não levamos no santuário do coração os ensinamentos de Jesus. A fé que alimenta a alma no mundo terreno é a mesma que alimenta o Espírito no plano espiritual. Distante do plano físico o Espírito recebe com amor os pensamentos bons que lhe são enviados com pureza no coração. Merecedoras das bênçãos do repouso preciso, mães devotadas e caridosas atravessam grandes distâncias para acarinhar seus filhos amados no leito carnal. Portanto, é forçoso compreender o sentido profundo e as consequências de suas aplicações, e a procurar por si mesmos. E quando se sentirem fracos usem a humildade e a fé como artilharias de encorajamento para o estímulo de suas virtudes para que, ao deixarem o mundo material, façam-se merecedores da Glória a que foram destinados e possam caminhar em direção a Deus. BENJAMIM Ao entrarmos no vasto salão, notamos que estava lotado. Afastando-nos para um canto, acompanhei Herculano que se dirigiu a um Senhor de fisionamia simpática. - Então, meu caro Benjamim, como tem passado? - perguntou, atencioso. O homem sorriu ligeiramente e informou: - Graças à bondade Divina, sinto-me bastante melhorado, com as aplicações magnéticas da Câmara de Socorro, estou mais fortalecido. - E os tormentos? Indagou Herculano com interesse. - De quando em quando me afligem o cérebro, mas com menor intensidade. Herculano fixou os olhos lúcidos nos meus, e, sorrindo, disse: - Benjamim, pode nos cantar experiências interessantes vividas no círculo carnal. Curioso perguntou: - E então, quer nos cantar de suas experiências mundanas? Fitou-nos os seus olhos nevoados e, em seguida, deu início a sua longa narrativa. Sem roteiro definido, punha em risco a vida dos moradores de uma aldeia; após vários dias de caminhadas pela estrada deserta, mulheres, com trouxas nas cabeças, carregavam nos braços filhos pequenos. Homens transportavam ferramentas pesadas, servir-nos iam para o cultivo da terra. Confiante num futuro melhor não se deixava enfraquecer pela fadiga. Crianças empoeiradas, embaixo do sol ardente, não mais suportavam a fome e a sede. Melheres clamavam: Oh! Deus meu, dai-nos força e coragem para prosseguir. O peso da culpa fustigava na profundeza do meu ser, de quando em quando, veladamente, olhava o cansaço no semblante das pobres melheres que levavam nos braços os filhos e no altar de seus corações assentavam a esperança de seus maridos semearem suas próprias terras. Vencido pela fadiga, perdia o espírito de liderança, todavia, não podia fraquejar, era responsável pela precariedade em que nos encontravamos. O s companheiros confiaram a mim seus futuros e de suas famílias, esforcava-me para encontrar nas vísceras forças para encorajar os companheiros desanimados. Dado certo momento, embaixo da luz do sol candente da estrela solar, uma mão sentou-se à beira da estrada para amamentar o incente que carregava, amorosamente, nos braços, ao filhinho sugar-lhe do seio, o leite materno, a coitadinha desfaleceu. Ante a cena comovedora, senti pesar o coração. Prostei-me na terra escaldante da estrada e, erguendo os olhos para o céu, entreguei a Deus nossos destinos, e seguimos na esperança de realizar nossos sonhos, de as mãos calejadas do homem trabalhador semear a terra e do plantio colher em abundância, abencoados grãos, plantados com o suor do rosto, mas, com amor no coração, a esperança de um futuro honroso. Confiante, orei: Oh! Deus de infinita bondade, abençoa-nos nesta caminhada. Não sabemos aonde esta estrada nos levará. Ondas de pensamentos angustiantes invadiam-me o cérebro de forma desanimadora. O Grupo valtava-se todo contra mim. Não tinha esposa, nem filhos. Como viajor sem rumo, nos braços da solidão, aventurava-me pelos caminhos solitários do mundo terreno. O cônjuge da senhora que desfalecera se voltou contra mim, e, cercando-me com animosidade no olhar, intentava contra minha vida, quando fui salvo pelos Companheiros. Fustigando ódio, direcionou o olhar aos outros companheiros e, com aspereza na voz, Disse: - Vamo-nos. Mas Benjamim não. Feriu intencionalmente a minha confiança. Só me restava fazer o caminho de volta. todavia algo dentro de mim persistia para que eu continuasse na liderança. Mas como... acabava de ser excluído do Grupo. Um milagre fazer-me-ia aceito de volta. A certeza na misericórdia divina me permitiu continuar. De repente tive a nítida impressão de ter visto ao meu lado, alguém desconhecido, virei-me rapidamente. Um homem, demonstrando-se bem intencionado, apontava pára uma cordilheira. Seguindo com os olhos, o dedo apontador do desconhecido, de longe avistei no alto da montanha o casarão de uma fazenda. Abaixando lentamente, o dedo apontava para duas estradinhas das quais uma delas sobe para o casarão, e a outra para as cordilheiras da região. Esboçando um largo sorriso, chamei companheiros... Nessa hora Isaías voltou-se para o grupo, dizendo: - Nenhum de nós subirá em companhia de Benjamim. De sorte que todos aqueles que tinham se ajuntado contra mim, e se aliado a Isaías, com os corações sensibilizados obtemperaram: - Subiremos com Benjamim. De maneira corajosa todos me acompanharam. Com as graças do Senhor, antes do entardecer chegamos ao casarão e ali passamos a noite. Sr. Jerônimo, o anfitrião da casa, cordialmente autorizou-nos a armar camping em terras de sua fazenda. Sua esposa, demasiadamente jovem, alegrava-se em abrigar-nos em sua belíssima casa. Mulheres e criança, longe da poeira da estrada, depois de se alimentarem descansavam da longa caminhada. Eu e os companheiro, ao primeiro instante, conquistamos a simpátia do anfitrião. Passando-se alguns minutos de conversação, o sr. Jerônimo, gentil, nos informou que um rico fazendeiro há alguns quilômetros dali pretendia doar parte de suas terras para lavradores da região. Dispunha-se a financiar ferramentas agrícolas. Em permuta, queria uma pequena alíquota sobre a colheita. A oportunidade parecia vinda dos céus. Naquela ocasião, a informação nos era mais valiosa do que o repouso para o viajor cansado que almeja chegar ao seu destino. Delineando um sorriso o sr. Jerônimo perguntou: - Conhecem o sr Israel? Respondeu: - Não temos esse prazer. - É um bom homem. Sua esposa falecera há alguns anos, hoje em dia ele vive em sua solidão. Em seguida, com um tom de voz paternal: Agora vão descansar. Ao amanhecer, leve sua gente até ele, diga-lhe que Jerônimo os mandou, certamente ele saberá o que lhe dizer. Levantando-se a esposa do sr. Jerônimo pela manhã, convidou-nos para o desjejum. Providenciara mantimento e lanche para a meninada. Bem como nos preparávamos para desarmar o camping, um insolente Capataz da fazenda aproximou-se, magoando-nos intencionalmente com palavras insultuosas, começou um bate-boca interminável com Isaías. Dava a impressão de que os dois há muito se conheciam, um parecia não suportar a presença do outro. Isaías não se acovardara. Começava uma violenta luta corporal, envolvendo outros companheiros. No final, de vinte e dois homens, apenas dezoite sobreviveram, os outros estavam todos mortos. Com o coração ancorado na densa sombra, o pavor se abateu sobre todos. Confiante na compaixão do Altíssimo me esforçava para encontrar dentro de mim força para consolar viúvas, filhoss, e cumprir a exigência do sr. Jerônimo. Retirar os corpos de suas terras. Apavorado, Oh!... Senhor Deus. O que se faz num momento difícil como esse. A misericórdia divina aclarava-me a mente, o pensamento me veio à cabeça. Senhor Israel. O bom homem de quem Jerônimo tinha falado no dia anterior. Sem que eu pudesse compreender, algo obscuro sobrevinha-me à mente como uma advertência. Um vazio profundo de instante em instante, ampliava-se dentro de mim. Na mente fixava a imagem o alarmante cenário, conspurcado com sangue. O pesar na consciência, tinha a impressão de carregar, no íntimo, os corpos dos companheiros mortos. Naquela manhã, com os corações angustiados, seguimos para a fazenda do sr. Israel, chegando lá por volta do meio-dia. Nossos corações se alegravam. Algumas viúvas quiseram ali passar a noite. Levantando-se na madrugada tomaram o rumo de volta. Com os corações amargurados, deixavam para trás seus sonhos e partiram em busca de outro lugar para habitarem. ESPERANÇA Logo pela manhã nos sentamos juntos com Israel, com palavras amáveis, vindas do fundo do coração, disse-nos: - Se em cinco dias se mostrarem capazes de trabalhar com a terra, dar-lhes-ei um pedaço de chão. Abencoadas palavras. Nessa hora lágrimas de felicidade banhavam os semblantes cansados, a luz da esperança voltava a cintilar em nossos corações. Cada amanhecer a confiança no amanhã. Trabalhávamos com a certeza de que, ao completar cinco dias, teriamos a compensação pelos nossos esforços. Deus está conosco. Uma semana depois, senhor Israel honrou a sua palavra. A partir daquele dia tíamos documentado nossos alqueires de terra. Isaías era um homem rude, mãos calejadas e coração endurecido. Mas, ante o gesto nobre de Israel, ajoelhou-se aos seus pés, com as mãos postas para o céu, e sem pronunciar uma só palavra chorou copiosamente, como uma criança desprotegida. Com os corações cravejados de felicidade, despertávamos do sonho para abraçarmos a realidade. Com brilho nos olhos e um singelo sorriso nos lábios, em fundo silêncio, o senhor Israel contemplava a alegria de nossos semblantes. A partir daquele dia foi cada um por si, e Deus com todos nós. O júbilo da conquista não aliviou o fardo do meu coração. Os dias iam-se e vinham às noites, e minha alma permanecia ancorada nas lembranças. Os companheiros continuavam vivos dentro de mim. Falavam o tempo todo em minha cabeça, angustiavam-me com lamentações, acusavam-me de seus sofrimentos. Querendo me enloquecer, acordavam-me no meio da noite com cobranças infindáveis. Sorrindo, Herculano perguntou: - Não procurou ajuda? _ Israel me apresentou uma senhora que trabalhou em sua fazenda. Frequentava uma Casa Espírita. Convidou-me, naquela noite, para assistir com ela a reúnião, mas me recusei. Era como se a culpa me condenasse a viver com atormentado. Meses mais tarde, comemorava-se a farta colheita, excelentes e produtivos grãos eram ensacados para a saída. Caminhões carregados de sacas deixavam o armazém, destinando-as ao amplo Comércio. O esforço e o suor derramados, sol a sol, de nossos rostos, fora gratificante. A Infinita Bondade que emana do coração do Eterno Pai, recheara com bênçãos o júbilo de nossos corações. no último dia daquela semana, festejavamos a venda das sacas de grãos. Homens sentados em volta de uma fogueira tocavam e cantavam. No terreiro da fazenda, mulheres dençavam em rodas. Dado certo momento, Israel tirou da roda em que dançava a viúva de Daniel, pedindo-a em casamento. Firmou compromisso. O marido de Sara, depois de morto, para meu desassossego, apareceu, aos meus olhos, que enxergavam além do mundo material. No instante da visão, senti desfigurar-se a feição do meu rosto, e, não encontrando força alguma em meu interior, caí desfalecido. Ao ouvir a voz de Israel: - Benjamim! Benjamim! - pus-me em pé, e trêmulo contei o que vi. Demonstrando-se compreensivo acalmou-me, dizendo: - Não temas, ter fé em Deus nos faz recuperar o bom ânimo. Os bons Espíritos insperar-lhe-âo bons pensamentos. Ouvindo estas palavras me senti fortalecido, corajosamente me entregava ao trabalho. Segui para o campo com o coração afogado em profunda tristeza. Contemplei as terras recebidas do bondoso Israel. No entanto faltava-me ânimo para cultivá-las. Devolvi-as para o antigo dono e parti em busca de luz para iluminar a treva que fazia meu sentimento trilhar as veredas sombrias do meu pensamento. Em meu interior, uma voz solitária clamava por luz, acompanhava em silêncio o tormento que me arrastava pelo despenhadeiro da vida. Chegando à cidade, conheci uma admirável senhora chamada Eutéria. Carregava no intimo o valioso tesouro da fé. Dano de uma pequena pousada, bondosa me ofereceu trabalho. Todas as noites, despois do expediente, estudávamos juntos o Evangelho de Cristo. Logo me interessei pela doutrina e passei a frequentar periodicamente um humilde Centro Espírita. Certo dia, em uma reunião, o céu se abriu e os Espíritos da luz desceram àquela casa. No dia seguinte, como um milagre, a visão se repetiu e despontava-se aos meus olhos. Sentia-me como se tivesse descido da montanha do sofrimento para o santuário da paz. Meus olhos, meus ouvidos e meus sentidos se clarificavam para a beleza do mundo espiritual. Sublime grandiosidade envaideceu-me o espírito. Esquecera a culpa que me atormentava e passei a usar o Dom que Deus me deu como profissão. A poderosa lente psíquica tornou-se muito clara; usei-a para a minha satisfação egoísta. Abandonei o trabalho honrado na pousada. Alugando um belo consutório, comecei a dar atendimento a preço de ouro. No começo, atendia aos pobres, e logo fiquei conhecido como grande vidênte. Os próprios consulentes incumbiam-se de me apresentar novos clientes. Políticos, médicos, professores e madames que tinha curiosidade em saber sobre a fidelidade de seus cônjuges. Um ano mais tarde, o futuro dos consulentes infelizmente me era encoberto pela treva do mau pensamento. Sorrindo, afirmei: Perdeu-se a vidência. Acanhado, continuou: - Perdi pelo mau uso. Não utilizei a lente poderosa, no forçoso dever. Ao invés de ajudar ao próximo e a mim mesmo, procedi ao inverso, deixei-me envaidecer pela vidência apurada e mergulhei num nevoeiro de densa escirudão. Não demorou muito para que o consultório se esvaziasse. Foi um erro atrás do outro, sem nenhum acerto. As pessoas logo se afastaram. O que ganhei no transcurso daquele ano, investi em um pequeno comércio. Quando pensei que tinha abraçado a paz, as sombras dos pensamentos maus enevoavam a estrela que brilha em meu interior. Dias difíceis. Os companheiros mortos pelo capataz da fazendo do sr. Jerônimo voltavam a me angustiar. A luz poderosa da lente psíquica tinha se apagado. Densos nevoeiros acinzentados ocultavam-me as visãos. Mas ainda podia ouvi, no meu cérebro, o clamor dos que jaziam. No silência da aurora, o sopro brando envolvia-me o espírito numa inexplicável sensação de paz. No interior acalentava a esperança de que a compaixão divina resplandecesse sobre mim. A luz interior obscurecida. Como os passarinhos que se prendem com o laço, da mesma forma meu pensamento se enlaçava nos laços dos meus erros. Uma noite, voltei à pousada para orar com dona Eutéria. Lá me informaram que ela tinha deixado o mundo terreno. Angustiado, caminhava pela rua deserta, quando, sem querer, olhei para o outro lado da rua. Lá estava um jovem de semblante sereno, feição angelical, seus olhos verdes brilhavam como as estrelas do céu. à distância, observava meu sentimento. Meu coração se acalmara, e meu espírito se encheu de nova esperança. Amparado nas bênçãos do Divino Mensageiro, meu pensamento era iiluminado e enriquecido da plenitude da inteligência, para o conhecimento dos ensinamentos do Evangelho de Jesus. Nele encontri o tesouro que preencheu o vazio do meu interior, a fé e a compreensão. Regozijando-me, na firmeza de minha fé em Cristo, com o auxílio dos Espíritos da luz, a estrela de minha alma valtava a brilhar. Com amor e a fé abrasando-me o coração, auxiliava com a prece os que jazem no mundo, como se ainda pertencessem a ele. E como o ruído do vento nas folhas secas das árvores ecoa o ritmo do coração de Deus, as lições do Evangelho luziam meu coração. ARMADILHA DO DESTINO Dois anos depois, voltando à fazenda do sr. Israel, encontrei a viúva de João Manuel. A vida no campo tinha lhe rejuvenescido. Encorporada, semblante rosado, feição serena. A vivacidade do seu olhar conquistara-me no primeiro instante. A sensação de vazio no interior era preenchida pelo ansejo de esposar Sidália, as bênçãos das segundas núpcias fazer-me-iam bem ao coração. De casamento marcado, uma semana antes, deixava a fazenda para fazer uma viagem rápida, com a finalidade de vender o pequeno comércio, mas o desígnio de Deus não me permitiu retornar. Sidália dedicava-se aos preparativos, " nossas núpicias dar-se-iam dentro de alguns dias". A luz do amanhecer ampliava-me o anseio do coração. Todavia a noite lhe fazia afundar na imensa onda de tristeza. faltavam apenas dois dias para o matrimônio. Apreensiva, no coração a sensação de não mais ver Benjamim. De lábios cerrados e os olhos atentos, conservava no íntimo a esperança de vê-lo apontar na estrada, com um sorriso nos lábios, a desculpar-se pelo atraso. Alimentando esse pensamento passaram-se os dias. A ausência do noivo na ceremônia levou Sidália a deixar a fazenda. Sentimento nebuloso, e a névoa da tristeza encobria-lhe o brilho dos olhos. Alagados de lágrimas, carregava no íntimo a decepção. Passando por ali um senhor, e percebendo sua angústia, ofereceu-lhe um lugar no assento de seu automóvel. No fim da viagem, sem deixar escapar-lhe dos lábios uma só palavra, com um balancar de cabeça agradeceu ao homem a gentileza, e seguiu à procura do noivo. Vendo Sidália na porta da casa de Benjamim, veio uma Senhora lhe dar a triste notícia. A tocha da esperança que acalorava seu interir apagou-se, inesperadamente, a sombra da treva da irreparável separação sombreava-lhe o sentimento. No coração a inenarrável saudade deixada pela dolorosa separação, na memória as amáveis palavras de Benjamim na hora da despedida. Desencarnado, alimentara sentimentos de tristeza e fracasso, fez o mesmo caminho que fizera em vida, embaixo do sol ardente, como errante solitário, pela estrada deserta, deparava-me com as armadilhas de que foi autor, o pensamento emaranhava-se nos fios da minha armadilha. Com se caminhasse na trilha da expiação, dava de encontro com o homem que me fora apresentado pela vista psíquica, deixando-me enganar pela aparência. Apareceu, de repente, as gargalhadas, fitou-me um olhar acusador. Entidades, com roupas esfarrapadas e cabelos ouriçados, conservando na memória a ilusão de continuar vestidas com os envoltórios carnais surgiam no meio da estrada. Confusas, alimentavam-se de secos espinhos, venenosos e amargos. Deixavam a impressão de que continuavam abraçados aos males do leito da enfermidade. Não fora diferente; o homem em que confiei, imaginando ser um mensageiro do bem, disse-me; sábias palavras, enquanto no coração amontoava a maldade. A vaidade mundana fez-me escravo da própria imperfeição. Conduzido pelas sombras inquietantes no tenebroso caminho ermo. Os erros que cometi na vida eram como as traças, destruíam no interior o que tinha de mais precioso; a fé ardente a embalar continuamente o amor e a verdade do meu coração. Rumo ao desconhecido, tenebrosos obstáculos atrasavan a viagem. A inquietação mental enlaçava-me no emaranhado de fios das teias da vaidade mundana. Via-me no círculo das presvisões enganosas da vida carnal, sem forças para resgatar de dentro de mim a fé na Clemência Divina. Com o coração amargurado, o pensamento ancorava-se nos desacertos da vida. Quando pensava que a caminhada estava chegando ao fim, voltamos para o começo da trilha. Em cada começo, inimagináveis obstáculos surgiam. Sofredores, na esperança de encontrar a paz ao longo do caminho, juntavam-se a outros, o pavor transformava os obstáculos em alucinação. Com as mentes desequilibradas, as perturbações psíquicas nos fizeram atravessar as zonas purgatórias de sombras e tormentos íntimos. Os dias pareciam intermináveis. Depois de uma fatigante caminhada chegamos a uma estranha hospedaria, onde passamos a noite. No intrigante e lamoso recinto, entidades estranhas vagavam pelo ambiente, formando verdadeiras nuvens escuras. Pareciam baixados repentinamente ao solo. Depois de um breve descanso, seguindo a trilha, atravessamos uma imensa floresta, gigantescas árvores secas obscureciam a paisagem, densos nevoeiros com dolorosos lamentos, embrenhavam-se na imensa floresta, deixando no ar asfixiante pavor. De quando em quando, gigantescas labaredas impediam a passagem, a forte quentura dava a sensação de sntirem as vísceras incendiarem-se, quando as labaredas desapareciam, intensa nuvem gelada, "congelava-nos, em nosso próprio inferno cerebral". A luz solae expandia-se no Horizonte, contudo não iluminava a treva do caminho que fazíamos. No meio da escuridão nos deparamos com um muro limosos de altitude incomparável. Nesse momento, lágrimas de angústia embargaram-lhe a voz. Após alguns minutos em profundo silêncio, Benjamim respirou fundo e demonstrando-se absolutamente tranquilo, continuou: - O altíssimo muro cercava o vasto atoleiro ondulado onde entidades de aspectos apavorantes eram sugadas pelas imensas ondas de lama, outras surfavam, enfrentando as ondas tentavam escapar do lodaçal. Para nos livrarmos das Entidades maldosas, era preciso escalar o muro e atravessar o largo atoleiro, mas a baixa energia vibratória nos impedia de volitar. Olhava para o muro e me imaginava vencido pelo fracasso, apavorado cedi minha vez para outro. Quando percebi que eu era o único que ainda não tinha atravessado, trêmulo de pavor, no meio da escuridão vi um foco de luz, brilhava intensamente do outro lado na costa do lago limoso, contudo o medo me deteve no lugar. Meditou por um instante, como se alinhasse as recordações, e em seguida prosseguiu: - O pequeno foco luminosos envolveu-me com o bálsamo tranquilizante, de modo que, ao me recordar do Evangelho de Jesus, valiosa lição aclarou-me o cérebro. Naquele minuto nasceu da minha entranha o sincero desejo de volitar. Atracado à fé e confiante na Infinita Misericórdia de Deus, sem medo, volitava ao encontro da luz. Senti-me como um marinheiro no imenso oceano, navegando sobre as ondas brandas do contentamento indefinível. Portanto, olvidei o sofrimento que me parecia insuperável. Hoje em dia transporto no coração o bálsamo e a ternura da sublime união na espiritualidade... E Com interesse perguntei: - como veio parar aqui? Atendendo-me o interesse, sorrindo, Herculano obtemperou: - William. Como todos nós, Benjamim fora socorrido. Eutéria lhe auxiliou na travessia do lago limoso, depois o conduziu a um posto de socorro na Crosta terrestre. Em deploráveis condições psícas, as perturbações enredaram na própria vibração que era de baixíssimo grau, impedia-o de reconhecer a devotada amiga. No transcorrer dos anos, galgara lentamente os degraus da evolução, esfarçava-se no sublime aprimoramento e dedicando-se ao trabalho edificante nas câmaras restauradoras, conquistou o estágio no Ministério do Conselho. Postanto, o conselheiro Edgarde enviou uma equipr para auxíliá-lo na travessia, pelas águas do oceano fronteiriço. Terminando o estágio, a viagem dar-se-á pela estrada da luz. Esbocei um largo sorriso, interrompendo a elucidação de Herculano, afirmei: Não fiz essa travessia! Na última vez não. Mas na desencarnação anterior, viu-se obrigado a atravessar a nado o oceano. A evolução não lhe permitiu o transporte pela estrada da luz. Todos nós, no passado, para alcançarmos o próximo degrau da escada evolutiva tivemos que nos encorajar e encontrar fôlego para fazer a nado a travessia pelas águas abundantes do imenso lago no mundo espiritual. Mas para isso é preciso elevar-se em pensamento, compreender os ensinamentos de Jesus, somente eles nos aproximam de Deus. A difícil travessia fortalece-nos na fé. Só então nos sentimos cheios de bênçãos nos seio eterno das moradias do Altíssimo. O que se planta na vida corpórea colher-se-á na vida eterna. Semeando amor, colherá o júbilo da felicidade eterna nas abençoadas esferas de luz. A morte do corpo físico nos liberta para a vida eterna. As bênçãos da desencarnação nos dão nova oportunidade de reencarnação. Desse modo cumpre-se o desígnio de Deus. Evoluímos moralmente e espiritualmente. Pelo nosso esforço alcançamos os caminhos santificados da eternidade e nos prepararmos para uma nova volta à matéria. Abismado, conclui: Não somente a vida carnal nos auxilia na marcha evolutiva. Como exemplo, a triste história dos que aqui chegam serve-nos de primoroso aprendizado. A experiência nos faz perceber que as bênçãos do esquecimento são sacrificantes para o espírito encarnado, e também nos faz perceber que os caminhos errantes da esfera carnal acendem em nossos corações a tocha do arrependimento, dando-nos oportunidade de nos redimir. A misericórdia divina nunca nos deixa desamparados. Pelos braços calorosos da Justiça Divina voltamos à matéria para harmonizar o que deixamos em desarmonia. Na vida espiritual temos maior sensibilidade para percebermos que o sentimento que o homem transporta no coração equilibra ou desequilibra sua própria energia. Benjamim se enredara no desequilíbrio que ele mesmo causou, o arrependimento e a fé libertaram-lhe da rede que teceu com ásperos fios do envaidecer. Múltiplas dificuldades, criadas pela sua própria consciência, representavam as falsas palavras por ele usadas em vida para ludibriar o semelhante. É certo, William que as bênçãos do esquecimento na reencarnação converte-se em reminiscência na desencarnação. Benjamim não soube preservar a poderosa lente que lhe fazia enxergar à frente do tempo. O mau uso fez o brilho sagrado tornar-se totalmente obscuro. Desse modo, perdeu a vidência e mesmo com a vista psíquica vendada pela obscuridade do egoístico envaidecer prosseguiu como se o brilho da lente psíquica ainda se estendesse à frente do tempo... Nesse momento, lágrimas jorraram-lhe abundantemente dos olhos, disse Benjamim. Fui desleal comigo e com aqueles que confiavam em minhas palavras, via apenas nuvens acinzentadas em minha frente, mas dizia ter visto o que não era verdade. A ganância me levava a ludibriar os que procuravam pelos meus ?serviços?. Fixando-lhe, notei, pela névoa do seu olhar, que seu pensamento vagueava pelos caminhos mundanos, em torno da fazenda de Israel. Vendo enxugar as lágrimas, perguntei: - Sente-se bem, Companheiro? - Sim. Estava a somar os anos que me distanciaram de Sidália, mas a minha memória não está apta a esse somatório. Meu coração está ansioso. Espero em breve poder visitá-la, a morte física não extinguiu, do meu coração, o amor que sinto por ela. Revê-la é preservar na alma o júbilo do dia em que a pedia em casamento. De tempo em tempo, sinto-me sufocado com a sensação de que ela continua a esperar por mim. Em outros momentos sinto que a solidão se apossou do seu coração, sua alegria parece ter acabado no momento em que recebeu a notícia de minha morte. Nesse momento um chamado nos interrompeu. Eutéria aguardava por Benjamim. Assim que o avistou, falou com ternura: Meu querido, que fez de sua mediunidade... Emocionando-se, o coração encheu de alegria. Lia-se-lhe no gesto o carinho com que recebeu a amiga. Experimentando a paz do ambiente, Eutéria fez Benjamim recordar as lições evangélicas, as palavras da amiga penetravam-lhe o coração como sublimes pétalas constituídas apenas de bálsamo divino. Jorrava do céu a luz da amizade, a exalar o bálsamo do amor divino de maneira incessante, corruscando os prodigiosos caminhos. Na memória, como tesouro eterno, os sublimes ensinamentos de Jesus. A extensa claridade dos raios balsamizantes da amizade facilitou-lhe a compreensão. Eutéria, serenamente: - Outras obrigações me chamam de longe. E, dirigindo-se de modo especial a Benjamim, de olhos brilhantes e serenos, enxugando as lágrimas, disse: ? Alegre-se no campo da fé, que, em breve, visitaremos sua amada Sidália. A oração é o melhor refúgio quando a angústia se abate sobre nós... No dia seguinte, sob orientação, Benjamim iniciava o estágio nas câmaras, mas a avançada tecnologia exigia certa habilidade para o ofício. Transferido de departamento, dedicava-se ao trabalho de jardinagem. Cultivadas pelas mãos cuidadosas do dedicado Jardineiro, as flores tornaram-se magnificamente belas, a luminosidade das pétalas estendeu-se como por encanto. Toda manhã aprecia-se com alegria essa magnífica sublimidade a expandir-se, de instante a instante, como se agradecesse a habilidade das mãos dedicadas, a aperfeiçoar-se no trabalho humilde. Sentindo-se afagado pela serenidade do bom pensamento, o contentamento brotou de forma repentina. Depois de enfrentar inúmeros obstáculos, pela trilha estreita do padecimento, ?sem pão e sem água, como o boi lambe a erva do campo, Benjamim lambia a terra da estrada?. Desse modo seguiu. No íntimo acalentava a esperança de ver a luz iluminar seu caminho. Passaram-se os dias. Quando já não mais alimentava no coração nenhuma esperança, ouviu uma sublime oração que lhe fez despertar. Suaves ondas vibratórias envolveram-lhe na paz. Amparado pela luz eterna, regozija-se, sem a tempestade que lhe serviu de pedra de tropeço, o bálsamo resplandecente, como os raios solares envolve a Terra, envolveu-lhe nos braços paternais. Amparado pela limpidez da vida eterna, hoje em dia paternais ondas de benignidade envolveram-lhe o coração ao galgar do caminho santificado. Semanas depois, as lembranças voltavam a perturbar. Benjamim se viu cercado de recordações. Necessitava de auxílio, aplicando recurso restaurador. Instantes depois, Benjamim recuperava a serenidade. Colaborando de modo direto, ? no edificante trabalho de jardinagem. No circulo amoroso da vida espiritual o júbilo da eternidade abençoava-lhe com o olvidar das dolorosas reminiscências. Muito bem! Muito bem!... William! Exclamou Herculano, mas agora o dever nos chama. Acompanhando-nos, entrara no modesto salão repleto de entidades que ouviam atenciosamente a conversação edificante. Confortadores bálsamos luzentes envolviam o ambiente. Sublime claridade incessante irradiava-se em forma de bênçãos. Desencarnados esclarecidos e generosos aqui se reuniram. Alexandre cumprimentou os grupos que lhe eram mais íntimos. De forma especial, apresentou-nos com a amabilidade de sempre. Bem-humorado, com um admirável sorriso nos lábios, o companheiro prosseguiu: ? Os nossos departamentos de aprendizados são verdadeiras universidades de reforma espiritual. Entretanto, para avaliarem a extensão de nossos cursos educativos, seria necessária uma temporada de anos... nessa esfera. Onde companheiros especializados descem aos campos de vibrações inferiores em auxílio ao grande número de Espíritos sofredores que, angustiados, ainda choram sem assistência, revelam-se profundamente amargurados. Agradável palestra embalava-nos o ânimo, quando um novato interrompeu as elucidações, dizendo: ? Antes de chegarmos aqui ouvimos não somente excelentes referências ao trabalho assistencial dessa esfera, mas também à valiosa cooperação dos habitantes nas câmaras do ministério do auxílio. Com o brilho da serenidade transparecendo-lhe no semblante, Alexandre esclareceu: ? Os irmãos desequilibrados, torturados pelo vagaroso despertar da consciência imortal, arrastam o pesar, todavia o arrependimento servir-lhe-á de indicativo no caminho da evolução. Aqui temos equipes capacitadas para todo tipo de ocorrência, até mesmo para atender doentes que não acreditam em suas enfermidades no além-túmulo. Deu um breve intervalo e, em seguida, continuou: ? A cooperação de amigos de esferas avizinhadas será de valiosa importância em nosso núcleo de serviço nos salões educativos. Mentores de nobre posição hierárquica instruir-lhes-ão na Pogramação, para que não se tarde o iniciar dos cursos. Francisco mais William, orientados pelos nobres Mentores, coordenarão o ensino no salão dois do departamento de pesquisa. O nobre salão no período de curso servirá de singela sala educativa. Naquelas poucas palavras, Alexandre resumia o nosso compromisso paterno e a solidariedade para com nossos irmãos. Herculano acrescentou: ? Nossas prestam explicações que nos libertam de qualquer angústia. Adiar certas realizações sublimes nos faz permanecer estacionados no degrau que paramos quando aqui chegamos. Os nossos serviços de assistência são constantes. Muitos missionários vitoriosos, ao chegarem aqui, necessitam refazer as energias. São merecedores das bênçãos do repouso preciso. No final da incontestável conversação, agradeceu a presença de todos com um amável sorriso. Os Mentores das elevadas posições hierárquicas retribuíram-lhe o agradecimento com inconcebíveis aplausos... Contemplando os aqui presentes, com o sopro elucidativo, espalhamos em seus corações a semente da compreensão, mas precisamos reconhecer que a semente não gemina sem a permissão de Deus. A palestra tinha terminado. No entanto, todos permaneceram sentados em seus lugares como se no silêncio se sentissem acariciados pelos braços amorosos da Eternidade. ? Observem os nossos companheiros, com a felicidade transparecendo-lhes dos semblantes, acompanham em silêncio os abnegados Mentores ? disse Herculano. Findo o silêncio, com a palavra, proferi: - A vida corpórea é como um dilúvio que passa e quando o corpo da morte nos liberta para o mundo espiritual trazemos na profundidade de nossos corações um relatório completo de nossa fé verdadeira. De modo que conservará a paz aquele cujo pensamento está firme em Deus, e segue confiante que a misericórdia divina enxugará as lágrimas do rosto de todos os que sofrem, até mesmo dos que oscilam nas trevas, como um cacho ao vento, quão é o peso do remorso. A fidelidade do amor Divino não deixa nossos corações se escurecerem no cárcere da desolação. A misericórdia de Deus derrama sobre nós dilúvio de bênçãos, antes que sejamos arrastados pela larga tempestade. O brilho da luz eterna aclara os nossos sentimentos, e, assim como os ramos secos se quebram, nos libertamos dos laços que nos enlaçaram nos caminhos errôneos, e olvidamos a dolorosa marcha pelo cominho sombroso. Conduzidos pelos Divinos Mensageiros, com alegria no coração, subimos a rampa iluminada e, ao atravessamos o túnel da purificação, seguimos para nossas eternas moradias, pela estrada comum ou da luz, mas não devemos esquecer que somente Deus determina a estrada. No pequeno círculo da vida carnal, muitos nada vêem. Isso lhes fazem crer que fora da matéria nada existe, nada sobrevive à morte. Esse pensamento faz com que não empreguem nenhum esforço para elevar-se, e quando se vê fora da esfera da matéria deparam-se com a ausência da fé e não encontram em que se apoiar. Em suas posições inferiores ?arrastam-se? pelas trilhas largas do egoístico envaidecer. Temos que semear amor para colher os júbilos da felicidade eterna. Saber amar além... E sentir as profundas vibrações espirituais do amor eterno. Assim, como a sombra da espessa nuvem abranda o calor, o amor abranda-nos o coração. Desse modo transportamos sublimes sentimentos de amor e fé. Em cada desencarnação galgamos novos degraus. Então deixamos a eternidade e partimos. Destinados a nova matéria. Encerrada a palestra, Alexandre, Francisco e eu, acompanhamos o grupo que formava com os nobres Mentores um agrupamento de esperança e alegria. No ao esplêndido jardim, apreciamos sua magnífica beleza, enquanto esperávamos o resplandecer do sol, magníficos raios coloridos anunciavam de longe o seu despontar no hemisfério. Unidos, oramos, em Louvor à Bondade de Deus, que encheu com bênçãos o nosso caminho evolutivo. Em seguida, recebemos os cumprimentos de despedida com alegria e emoção. ENCONTRO De volta ao salão, um grupo de aprendizes aguardava as instruções para o desenvolvimento de suas tarefas. Notei, no meio do grupo, uma jovem. Enquanto sorria para mim, embalava nos braços carinhosos seu filhinho. Com simpatia, fitei-lhe um olhar. Tentava me recordar de onde a conhecia. Ao me recordar: ? Alexandre! Alexandre! Veja. A grávida que socorremos há algum tempo no acidente aéreo. Lembra-se? ? Tem razão, William. A providência divina devolveu-lhe conforto ao coração, colocando-lhe nos braços um de nossos pequenos órfãos, certamente o mesmo que Deus designou ao corpo físico que ela carregou no ventre. Deus não permitiu que os dois vivessem juntos na esfera carnal. Entretanto, assinalou o encontro entre mãe e filho no mundo espiritual. Nosso Pai Celestial nunca deixa desamparados os pequenos órfãos. Muitas mães deixam seus filhos na Terra, aqui dedicam devotadamente seu amor maternal aos órfãos, uma maneira de preencher o vazio em seus íntimos, causado pela separação do corpo da morte física, mães devotadas e carinhosas atravessam grande distância para acariciar seus filhinhos amados no leito carnal, fortalecem-nos para a luta no templo carnal. ? Como pode ver, meu caro. A morte física não impediu Carolina de ter nos braços seu filhinho amado... E, sensibilizado, comprovar-lhe o carinho maternal, em sublime demonstração de devotamento e ternura. De forma surpreendente, aprendemos sublimes lições de vida no mundo espiritual. Vendo-me com lágrimas de emoção nos olhos, Alexandre esclareceu: ? Muitas mães de filhos adotados na espiritualidade recebem-nos como filhos biológicos na vida carnal. Aconteceu, a mãe adotiva de André na espiritualidade, na vida material é mãe biológica de William. Eu sempre a vi como uma pessoa muito especial, mas somente agora tomo conhecimento de que se trata da mesma pessoa. Nunca me passou pela cabeça, o pensamento de que na espiritualidade ela fora minha mãe adotiva. Depois de longa pausa, disse-me Alexandre: ? As bênçãos da reencarnação não nos permitem as reminiscências da vida espiritual. Se possível fosse tais recordações, a vida nas vestimentas carnais dificultariam a evolução moral e intelectual. Imagine o homem encarnado rememorar suas infelicidades nas zonas purgatórias, quinhões refletir-se-iam na vida presente e os jugos dos homens os condenariam pelas atrocidades cometidas em existências anteriores. A Lei de Deus não permite que o homem volte à matéria com a mente perturbada, com a lembrança das trevas das existências passadas. Apenas alguns de nós, ao reencarnarmos, transportamos na memória a vaga lembrança de fatos ocorridos na existência anterior. Todavia, nunca nos recordamos da eternidade. Os Espíritos evoluídos, bem como os que são designados à matéria, em missão especifica, os Divinos Mensageiros, são incumbidos de lhes fazer rememorar sua passagem pelo mundo espiritual, de forma que as reminiscências os fazem recordarem-se de suas anteriores existências nos envoltórios carnais. No templo carnal, recordava-me com clareza dos longos anos de eternidade, a tristeza e a alegria, essas recordações permaneceram presentes em minha memória, não se apagaram com a reencarnação. Depois de um longo tempo em silêncio, rememorava o que levou Anacleto a reencarnar-se. Com a alegria da doce lembrança sorriu e, em seguida, disse-me: ? André fora enviado a matéria pelos Nobres Mentores de Hierarquia Superior, em missão especial. Os Divinos Mensageiros Celestes, incumbidos de acompanhar a trajetória terrena de William, tinham como missão lhe fazer rememorar a anterior existência na matéria, como também as largas estações na eternidade. Para conscientizar-se da reencarnação, era necessário que rememorasse sua trajetória anterior, até o momento em que deixou o corpo da morte, na existência de Pinheiro Anacleto. O novato curioso perguntou: ? Para que serve o sofrimento para os que ainda se encontram nas vestes carnais, se nem sequer passa pelas suas cabeças terem vivido, anteriormente, em outras matérias? Esclareci: ? Os Espíritos evoluídos administram, pacientemente, o sofrimento, de forma que a mágoa não lhes assinala os corações. Não porque transportam na memória recordações de vidas anteriores, mas por carregarem no íntimo abençoadas sensações de terem vivido anteriormente em outras matérias, recordam-se no mundo em que vivem atualmente e lugares onde estiveram em anteriores existências. Todavia, não têm consciência de que as sensações são recordações de vidas em outras matérias. Os menos evoluídos transformam o sofrimento em verdadeiros obstáculos. Na morte arrastam consigo os quinhões, criam para si mesmos, paredes espinhosas que, com certeza, irão retardar suas evoluções. No sofrimento não há nenhum impedimento para a evolução moral. Ir-se além com fé no coração é alcançar o próximo degrau. Cada barreira que atravessamos representa uma lição de aperfeiçoamento moral. Depois de curto intervalo, a conversação tomava outro rumo, deixando Francisco a sós com Alexandre. Afastei-me, com discrição ?caminhei? em direção de Caroline. Pensava numa maneira agradável de me achegar. Embaraçando-me com as palavras, deixei escapar: ? Sua presença é uma bênção divina. Com um admirável sorriso nos lábios disse: ? Graças à compaixão divina, hoje em dia meu coração salta de alegria. Seus braços calorosos foram amplo cobertor que fez cessarem as lágrimas dos meus olhos e acalmou meu coração. A escuridão, na ocasião do desencarne, arrastava-me para o abismo. Amparada nos seus braços, chorei, angustiadamente, o pavor que me assolava o coração. A misericórdia Divina enviou-lhe em meu socorro. Se, presentemente, acalento nos braços meu filhinho amado, que chegou neste mundo antes de mim, agradeço à Providência Paternal, que lhe enviou em meu socorro. Fitando-lhe, perguntei: ? Como ele se chama? Delineou um singular sorriso e com doçura na voz disse: ? David. Em homenagem ao meu pai, que se chama David. ? É sem dúvida um belo nome. Encompridando a conversa: ? Não me recordo de tê-la vista antes por aqui. ? Sim. Cheguei há duas semanas. Fui trazida para o encontro com meu filhinho. Provisoriamente, me acomodo no salão de confraternização, juntamente com os outros recém-chegados. No memento em que pensei em convidá-lo para um passeio, dona Ruth interrompeu, pedia-me a gentileza de acompanhar um recém-chegado até o Ministério do Conselho. Na volta para casa pensava na singeleza da amável Caroline. O almeijado passeio estava nos desígnios de Deus, com o sentimento renovado. Caroline ofereceu sua primorosa colaboração. Demonstrando enorme contentamento, foi incorporada no grupo de enfermagem, coordenado pela orientadora Helena. Religiosamente comparecia ao treinamento, a caridade fraternal no dever Cristão servi-lhe de esclarecimento. A orientadora Helena esclareceu: ? Temos diversos grupos a serviço de nossa esfera que se devotam exclusivamente aos serviços de auxílio. Os departamentos de regeneração estão repletos de salões consagrados à caridade fraternal. Os postos de socorro atendem diariamente a centenas de necessitados trazidos das zonas de sensações, na Costa Terrestre. Aqui são socorridos pelas nossas equipes de emergências, comandados pelos experientes paramédicos Herculano, Alexandre, William e Francisco. Suas equipes são treinadas para o resgate de irmãos que sofrem pela incompreensão. Sentem-se deslocados quando se vêem separados do corpo da morte. Aqui prestam valiosos serviços em nossos departamentos de ação. Fixando-lhe um olhar sereno, esboçou um amável sorrido e disse: ? Ajudando aos irmãos em desequilibro, ajudarão a si mesmos. É prazeroso para nossos irmãos que se devotam ao salutar serviço de resgatar alguém que se compazia nas sombras da própria amargura. Com os olhos enevoados, esclareceu: ? Na existência transitória era pediatra, porém não transportava no coração amor ao salutar trabalho de cura. As criancinhas enfermas que chegavam ao hospital para tratamento eu receitava um simples antitérmico e em seguida as devolvia aos braços maternos. No fim da existência a negligência converteu-se em gênios das sombras a me encurralarem no doloroso pesar da consciência. Tive medo de perder a criança que carregava no ventre, mas, vendo-me a amargura do coração, o Pai-Todo-Poderoso, em sua infinita misericórdia, abençoou-me, colocando em meus braços o filhinho amado que não acalentei no lar terreno. Presentemente amimo -lhe na eternidade... Se possível e útil quero dedicar-me ao trabalho de auxílio, dessa forma agradeço a Deus pelas bênçãos recebidas e aos Espíritos iluminados que me conduziram ao achego dos amigos. Nobres companhias confortam e enchem meu coração de terna felicidade. Sinto-me enobrecida pela grandeza dos caminhos iluminados e pela eterna claridade das bênçãos Divinas. Nas veredas da vida, pelos caminhos incertos, esquecera de cativar no coração o amor e a fé, de modo que se perdeu nas veredas sombrias da ilusão. No dia seguinte acompanhei Caroline ao salão de treinamento. Iniciar-se-ia no curso de auxílio. Para nossa satisfação o salão estava lotado. Criancinhas recém-nascidas no mundo terreno, desligadas das matérias frágeis, chegavam a nossa esfera. Pequenos relatórios por elas apresentados contavam aos ancestrais seus adiantamentos nas novas matérias. Alguns solicitavam proteção nos caminhos da vida transitória, para que seus corações não se desviassem do caminho da ardente fé que levaram no íntimo ao partirem para a nova experiência na vida mundana. Todavia, as memórias não lhes registravam nenhuma recordação dos caminhos sagrados no mundo espiritual. A Providência Paternal apagou-lhes das memórias. Alguns se demonstravam insatisfeitos no seio maternal, na nova matéria. Os obstáculos da vida anterior transformar-se-iam em mureta de amargura, flúmen de lágrimas se escoariam pelos rostos na vida presente e lhes enlaçariam com as cordas dos seus débitos, de tal modo que andariam sem rumo até o dia em que o sono dos seus olhos carnais repousem perpetuamente as pálpebras. Outros felizes no seio amoroso do novo lar já escutam carinhosamente as vozes de suas mamãezinhas, seus coraçõezinhos compreendem os ensinamentos de suas palavras amáveis. Para eles a vida transitória será como a luz da aurora que brilhará até o último dia de suas vidas. Junto ao admirável grupinho, a menina Luna, reencarnada no seio amoroso de uma nova família. Repetindo-se, de uma família Cristã. Com apenas cinco meses na nova matéria, Luna guardava na memória sublimes preces evangélicas que seus ouvidos carnais todas as noites ouvem pronunciadas pelos lábios de seus amados paizinhos. Carrega no íntimo sentimento nobre de caridade e de fé cristã enobrecida pelo valioso tesouro dos ensinamentos de Jesus. O caminho transitório lhe será abrilhantado pelos Espíritos iluminados de Hierarquia Superior. E quando a ansiedade bater-lhe no coração, zelosos guardiões, com alegria, inspirar-lhe-ão a paz no coração. OBSESSORES Acompanhei, por alguns instantes, as primorosas instruções da devotada orientadora Helena. Recém-reencarnados a todo instante chegavam em busca de orientação para o curso de seus mapas transitórios a se completar no círculo carnal. Nesse momento um companheiro solicitava nosso auxílio no doutrinamento de Entidades obsessoras, que inspiravam um adolescente a não dar ouvidos aos sábios conselhos de seus pais. Obsediado, com ásparas palavras atacava impiedosamente o genitor, envergonhando-o de tal maneira que o homem enjaulou-se no próprio sofrimento, arredado dos familiares e amigos, sem ânimo para se libertar, a angústia fustigava-lhe o coração, almejava ardentemente os braços da morte para o transportar para o além e lhe cobri-lo com o manto da paz. Sem delongar, descemos em auxílio ao companheiro, chegando na residência do rapaz por volta das duas horas da madrugada. Encontramo-lo acordado, rodeado de entidades perturbadoras, Maquinava na mente a próxima ofensa ao genitor. Reparamos que a infeliz vítima era o obsessor do próprio filho, desligava-se do corpo no momento do sono para perturbar o rapaz. Entidades umbralinas, amigos da vítima, acompanhavam-no na presente encarnação. Um quadro assustador. O pai valia-se do magnetismo do filho para se fortalecer e também das entidades amigas das zonas sombrosa que o acompanhavam. Admirando-me, Deus meu, jamais imaginei presenciar um quadro monstruoso como que estou presenciando agora. Percebendo meu espanto, Herculano endereçou um olhar para Alexandre. Sorrindo, gentilmente elucidou: ? Nas emergências espirituais não podemos presumir o tipo de ocorrência, de modo que temos que estar sempre preparados. A cena que acabamos de presenciar é das mais comuns entre pais e filhos ou vise versa. Em alguns casos, os filhos biológicos no passado foram seus desafetos, ou dos seus antepassados que atuam, valem-se de seus descendentes para perturbaram seus desafetos atualmente, reencarnados no seio familiar daqueles que lhe são mais simpáticos. Muitas vezes o ciúme leva o desencarnado a obsediá-lo. O quadro que acabamos de ver, nesse caso o rapaz na anterior existência fora desafeto da avó do genitor, e as entidades são amigas leais do obsessor. Para que o rapaz encontre a serenidade mental, temos que afastar do genitor os obsessores. Francisco, enquanto ouvia atentamente as elucidações de Herculano, deixava transluzir o profundo desejo de doutriná-las. Notando a pretensão do companheiro pediu-lhe que aplicasse no rapaz o magnético tranqüilizador, as bênçãos magnetizadoras garantir-lhe-iam um repouso tranqüilo. Logo depois de o rapaz cair em profundo sono, ausentamo-nos da residência, marcando para doutriná-las na noite posterior. Na noite seguinte, à zero hora, voltamos à residência do rapaz. Seus pais repousavam. O homem se debatia, impacientemente, enquanto as entidades sombrosas aguardavam o momento para o ataque à vítima. Minutos depois, notamos que o genitor desprendeu-se do envoltório e caminhara em direção das entidades que o esperavam no aposento da vítima. Ainda acordado, o rapaz silencioso e pensativo, estremecido de pavor, rabiscava, tentava transferir para a folha de papel imagens que lhe perturbavam a mente. Alexandre, ao descer, aproximou-se do jovem, coordenando-lhe a mão trêmula. Ele transferiu para o papel a caricatura dos seus obsessores. No momento em que viu a caricatura do pai no meio das outras, seu coração acelerou descompassado no peito. Nessa hora vimos o semblante do rapaz empalidecer. Com o pensamento emaranhado fitou novamente os olhos na folha de papel, encontrou em branco o espaço onde tinha desenhado a caricatura do pai. Suspirou... Aliviado, recuperava a serenidade mental. O sopro providencial da misericórdia Divina apagou o retrato do genitor. Instante depois, o obsessor preparava para a agressão mental a sua vítima. Nesse momento, valendo-se da experiência de médium no mundo carnal, com o coração aquecido pela ardente fé no Mestre Jesus, Francisco, proferindo sublimes palavras de amor ao próximo, convertia a perturbação mental do rapaz em bênçãos de serenidade. Em seguida, fizemos uma oração. Ao se aproximarem às entidades sentiram a vibração do ambiente purificada. Ao redor do rapaz formamos um círculo protetor com um cordão fluídico. Dessa forma impedimos -lhe a obsessão. O genitor, pressuroso, afastou-se rapidamente, frustrado. Deixava o ambiente doméstico em busca de sua próxima vítima. À distância seguimo-lo sem que percebesse. Chegando a uma avenida próxima de sua residência se juntou a Entidades de vibração baixíssima que ali se encontravam, pereciam familiares e amigos. Às gargalhadas, disputavam acaloradamente a vítima, como se disputassem numa partida... Um valioso Troféu. Observando, notei que os obsessores, aprisionadas às matérias, tinham seus cordões fluídicos de cores amarronzadas, obscurecidos pelas impurezas e davam a impressão de fitas de lodo a tremular. Não se via neles nenhum vestígio de vivacidade. Seus aspetos abomináveis causavam-nos forte sensação de náuseas. Espantado, inquiri: ? Já presenciara algum dia e viu um quadro como este Francisco? ? Não. Acho que temos que ajudá-los. Herculano, como devemos proceder em casos assim? Herculano, num gesto complacente e sorrindo, elucidou: ? Não temos permissão para intervir. São entidades viciadas, desligam-se dos corpos entorpecidos pelas drogas letais e vão à procura de companhia de entidades, que os corpos encontram-se no mesmo estágio que os seus. Elucidou-nos: As Vítimas são pessoas de vibrações igualmente inferiores, suas condições morais permitem-lhes a obsessão. Quando armazenarem em seus corações os ensinamentos sagrados, iniciarão sua caminhada evolutiva. Observem o Obsessor do rapaz. É um viciado, atraído pelas baixas vibrações, junta-se àqueles que lhe são simpáticos. Voltamos à residência do casal e lá passamos a noite. Ao clarear do dia, o genitor retornava ao corpo físico. Ao despertar, reclamava do cansaço físico pela noite mal dormida, porém a memória não lhe registrou nenhuma recordação do encontro com as infelizes entidades. Logo depois saiu para o trabalho. O rapaz levantou-se da cama, sorridente, contara para sua mãe o bonito sonho que tivera naquela noite. Sonhei com quatro homens gentis, um deles me ajudou a desenhar umas caras estranhas. Lembro-me de ter ouvido uma voz suave... Parecia fazer uma prece, mas não posso afirma que foi um sonho. Quando fiz o desenho lembro-me de estar acordado. Quando tudo aconteceu me pareceu muito estranho, mas em conseqüência sinto uma enorme sensação de bem-estar, sinto-me como se fosse outra pessoa, inexplicável, sensação de liberdade trouxe-me de volta à paz interior. Expressando no semblante enorme contentamento disse sua mãe: ? Agradeça a Deus pelo sonho que lhe transformou intimamente. Tendo fé em Deus, as portas estreitas alargar-se-ão, e a luz Divina aclarar-nos-á os caminhos. Quando enxergamos as pedras em nossos caminhos desviamos antes de nelas tropeçarmos. Quando andamos no escuro, caímos, sem percebermos em que tropeçamos, porque não enxergamos a pedra que nos serve de obstáculo. A fé que transportamos em nossos corações é a luz que ilumina os nossos caminhos e livra -nos dos tropeços na vida. Os sonhos mostram-nos que podemos enxergar de olhos vendados. Pausou por um instante e elevou o pensamento ao Mestre Jesus e, agradecendo a Deus, falou para o filho. Que Deus conserve-lhe no coração a paz do momento e, em seguida, pegou o evangelho e fez uma linda prece. Ao terminar disse ao filho: sendo vigilantes com nós mesmos estaremos nos protegendo. Na noite posterior, chegando à casa do casal, aumentamos a vibração fluídica do círculo protetor ao redor do rapaz. Dado certo momento, as entidades entraram no recinto. Como na noite anterior, aguardavam o momento para obsediar o rapaz, uma delas, extremamente incomodada com a nossa presença, se retirou rapidamente. Nessa hora observamos-lhe os traços fisionômicos. Era mesmo a avó do obsessor. ? Comecemos a desobsessão. Temos uma semana para doutrinarmos as entidades ? disse Herculano. ? O tempo urge. Dentro de poucos dias iniciam-se os cursos de aprimoramento e especialização, nos quais William e Francisco são repensáveis pela coordenação. Os Reitores de nossas universidades espirituais não toleram atrasos de modo geral, em cinco dias William mais Francisco terá que se apresentarem na abertura Comemorativa dos cursos. Bom seria se voltássemos todos juntos. Disse Alexandre: ? O companheiro estar com a razão. Se nos esforçarmos na missão voltaremos juntos, como aqui chegamos. Na terceira noite, as entidades já doutrinadas, deixando-as com os bondosos mentores, encarregados de conduzi-las no caminho do bem, partimos. No raiar do dia, venturoso volitamos a caminho de nossos domicílios espirituais. O véu celestial ergueu-se e sob nós caiu uma chuva de bênçãos. Com os corações cheios de júbilo, cantamos em Louvor a Deus. Ouvindo-nos de longe, nobres companheiros juntavam-se a nós para cantarem conosco em Louvor ao Eterno Pai. Seguimos, todos cantavam com grande alegria no coração. Somos abençoados, Deus em Sua infinita bondade, conservou-nos a vida, separada do corpo da morte, volitamos pelos caminhos sagrados, na eternidade transportamos em nossos corações o júbilo da eterna felicidade. Cantando pelas estradas sagradas, os nossos olhos apreciavam a sublimidade dos magníficos raios do sol resplandecente, a iluminar o infinito horizonte. De repente nossos olhos avistaram um grande grupo de entidades em desequilíbrio. Caminhavam por uma estrada estreita e lamosa. Como Pássaros que vagueiam, caminhavam juntos aos condutores. Em pleno dia a escuridão era tão intensa que dava a impressão de noite. Com os semblantes escuros como uma nuvem de fumaça, transportavam em seus corações dores inenarráveis que lhes assolavam. Vibrações de lamento se estendiam além do deserto. Estreitos córregos ali desaguavam salgadas águas das tempestades de lágrimas dos que vivem aprisionados ao sofrimento nas zonas obscuras dos campos de torturas, muralhas de fios de arames espinhosos impedem-lhes de evadir-se. Notamos um extenso clarão que se estendeu pelo espaço. Antes de eu perguntar, lendo meu pensamento o companheiro Francisco se antecipou: ? De onde vem esse estranho clarão? Herculano esclareceu: ? Vêem das fornalhas do campo de tortura. ouvem-se, constantemente, dolorosos lamentos de pessoas incrédulas, que são torturadas, sem fé na misericórdia divina. Vivem enredadas nas teias que elas mesmas teceram com os fios de suas descrenças. Seus dias são como estação tempestuosa, transbordam com a incessante tortura. Como se pode ver, o extenso clarão não clareia, a paisagem permanece escura.o clarão não é visto pelos que vagueiam nas zonas sombrosas. Instante depois se ouvia o eco trazido pelo vento: ? Socorro! Socorro!...: ? Acudam-me!... Em seguida, vimos uma multidão sair correndo, espantadas e trêmulas. Mulheres que percebiam que os seus estavam sendo torturados. Exclamavam, lacrimosas: Parem! Por favor, parem com isto!... Em seguida vimos centenas sendo levados para serem torturados. Rodeados de entidades de aspectos deprimentes, iniciavam a monstruosa cena. Depois de torturados os infelizes eram intrigues à vigilância, Carcereiros, serviam-lhes um liquido escuro. Uma espécie da água barrenta apagava-lhes da memória qualquer lembrança de sofrimento, embora não se transluzisse nos semblantes o cansaço e a amargura. Seus olhos espantados davam a impressão de que pensamentos alucinantes dominavam-lhes os cérebros. No transcurso dos minutos, acompanhados pelos vigilantes, caminhavam em direção a um bizarro salão. Ali iniciaram um estranho espetáculo. Descemos um raio de cem metros para observarmos mais de perto. No salão, luzes negras acenderam-se. De repente, entidades diversas aboletavam-se dentro do bizarro salão, e ao som infernal de uma música, agitavam-se. Logo percebemos que a maior parte ali se encontrava em posição de desequilibro total. O piso do recinto se transformara numa assustadora lagoa de fogo, dando-nos a entender que o campo de tortura centralizava-se num núcleo de uma zona vulcânica. O vulcão, adormecido, despertou com o eco infernal do som da música. É espantoso ver que a claridade dos raios que ilumina o infinito não ameniza a escuridão. O lugar é privado da alegria dos raios luminosos que brilham no horizonte. Demonstrando sabedoria, Francisco esclareceu: ? São muitos os caminhos na eternidade que ainda não conhecemos, provavelmente tardaremos a conhecer. O Universo se expande, todos os dias novos caminhos sagrados se abrem, somente Deus conhece todos eles, é certo a existência de outros campos que desconhecemos. Logo depois de deixarmos o local, alcançamos outro grupo de Missionários, que nos relataram que tinham passado pelas proximidades de uma área vulcânica próxima à Crosta Terrestre. Em seguida, acrescentou: ? Não obstante enxurradas de lavas vulcânicas, o verde e as flores nascidos nas rochas vulcânicas embelezam, de forma surpreendente, a cinzenta paisagem. Trabalhadores divinos se dedicam à tarefa de cuidar do verde florido, regado com as bênçãos divinas. Eleva-se em sublime beleza. Impressionados, convidaram-nos a apreciar a vasta e bela paisagem. Surpreendentemente, roseirais enormes balsamizavam a atmosfera límpida. Sentindo-nos fortemente impressionados, ao nos aproximarmos dos trabalhadores, percebemos: dedicavam o amor de seus corações à laboriosa tarefa. Abençoados fluídos luminosos, como pingos de chuva, desciam do céu, sublimando a magnitude da diversidade de rosas que embelezam a esplêndida paisagem. Lá encontramos três Ministros, em comunicação direta com o Ministério Superior. Com suas influenciáveis santificantes, elevavam os trabalhadores divinos em pensamento, sem que os percebessem, de maneira direta, no compromisso do serviço edificante. Amparados pelas bênçãos do Senhor se sentem num verdadeiro paraíso. Passado um quarto de hora, os Ministros vieram cumprimentar-nos de forma simpática, disse-nos: ? Dentro de alguns instantes, devemos partir. Nas zonas sulinas, trabalhadores defrontam-se com inúmeras situações, as quais necessitam de nós para solucioná-las. Faltam-lhes técnicas espirituais, de modo que solicitam o nosso auxílio. Deixando perceber que ouviam os nossos pensamentos mais profundos, os Ministros despediram-se de forma gentil. A regresso de nossos eternos domicílios, radiantes de contentamento, contemplávamos a magnífica paisagem que ia ficando à distância... TRAVESSIA Atravessando a imensa distância, desfraldava-se aos nossos olhos paisagem menos bela. Nuvens espessas e alguma coisa que não podemos identificar encobriam a nossa visibilidade. Fizemos enorme esforço visual para avistarmos o caminho, todavia, a atmosfera escureceu muitíssimo, impedindo-nos de continuar. Apenas trilhas diversas, que formavam temíveis labirintos rodeados de escuros precipícios ameaçadores, apresentavam-se à frente de nossos olhos. Herculano, como orientador vigoroso e sábio, percebendo-nos a dificuldade, considerou: ? Não precisamos atravessar. Descansaremos no Posto de Socorro. Logo mais ao anoitecer continuamos a nossa viagem. Momentos depois, notamos que ranger de ventania soprava em todas as direções. Dispersaram-se as nuvens e, ao cair da noite, a abençoada claridade voltou a brilhar, predominando a luz em nosso caminho. A misericórdia de Deus projeta-nos continuamente o amor... E a benevolência de seu coração sustentava a alegria de nossa alma. Em votos de júbilo fervoroso em nossos corações, em profundo agradecimento ao Eterno Pai, oramos. No final da prece, Herculano, gentilmente, nos convidou a prosseguir. No curto caminho, as surpresas sucediam-se de instante a instante. No lugar das cerradas nuvens, notáveis vultos negros, apressados, movimentavam-se em círculo, como se trilhassem as veredas do temível labirinto. Olhando do alto pudemos perceber que a saída dava acesso a uma gruta, cercada por muralhas altíssimas de terra barrenta. Deixava a forte impressão de terem sido constituídas por mãos humanas. Altíssimos muros de uma extensão que nossos olhos não conseguiam abranger cercavam um sombroso pomar, árvores de frutos espinhosos espalhavam no ar, de forma amedrontadora, uma fumaça negra e asfixiante. Entidades, de aspectos inesperados, envoltas em pesadas sombras, surgiam a nossa vista. Acompanhávamos com os olhos as fileiras de árvores a tremular em concordância com a vibração do solo. Um sopro de forte odor zunia nas escuras e estreitas veredas arborizadas do sombrio pomar, deixando no ar forte impressão de pavor. As vibrações refletiam o desequilíbrio mental das criaturas que vivem naquele reservatório de lamento infernal. Gritos agudos escapavam-lhes das gargantas, espalhando no ar angustiante sensação que não conseguimos compreender. ? As zonas de lamúria são muito mais numerosas do que se possa ? imaginar esclareceu Herculano. Espantado, perguntei: ? Onde estamos? - Herculano delineou nos lábios um largo sorriso e respondeu: ? Estamos atravessando uma zona de grande sofrimento. Como vocês podem perceber, a própria influência negativa é que domina o lugar e os que ai habitam. As zonas, que hoje atravessamos, estão repletas não somente de panoramas dolorosos, mas de vibrações devastadoras. De momento em momento multiplica-se o número de entidades desequilibradas que chegam, não recorrem aos postos de Socorro para receberem auxílio e o necessário esclarecimento para suas evoluções. Sem que pudéssemos compreender, a escuridão aumentava ininterruptamente, e as criaturas estranhas desapareceram no meio da pavorosa escuridão. Francisco e eu observávamos assustados. Todavia, Herculano e Alexandre, com serenidade, em profundo silêncio, observavam com atenção o assombroso quadro que tremulava aos nossos olhos. Tudo isso dava-nos a entender que aquelas criaturas preencheram com ervas amargosas os capítulos diários da vida transitória. De forma que marcham no desespero, sem entendimento correm sem sossego por entre as árvores, arrastando nos corações forças inundantes, embalados pelos braços árduos da improbidade que lhes humilham no balançar dos trevosos caminhos. Ali vigora um sistema vibratório de densidade estranhíssima, até então desconhecida para nós. Diante do alarmante quadro, restava-nos apenas deixar o local. Sentindo-me profundamente desconfortável, perguntei: ? Por quanto tempo vamos nos demorar por aqui? Herculano atenciosamente sorriu, ignorando a minha interrogação, e falou: ? William e seu grupo em breve terão nova missão na Terra. Francisco terá imensa satisfação em acompanhá-los nessa missão. Eu e o companheiro Alexandre vamos nos ausentar por alguns dias. William e Francisco nos substituirão, orientando os companheiros em suas edificantes funções de auxílio aos irmãos que necessitam de nossa prestimosa orientação no estágio inicial do aprimoramento para suas elevações. Contamos com a valiosa colaboração da orientadora Helena para lhes acompanhar. Certamente vão precisar de instruções nos relatórios diários. Caso sintam-se despreparados, poderão solicitar ajuda no Ministério do Conselho. Em seguida, acrescentou: ? Se acelerarmos, por volta das duas horas da madrugada estaremos em nossos domicílios. Seguimos. Um pouco mais à frente, um grupo amigo pedia-nos alguns esclarecimento nas lições de aprimoramento nas edificantes tarefas que se propunham a desempenhar para o enobrecimento no caminho da suas evoluções. Disse Durval: ? Trabalhamos pelo prazer de servir ao Mestre Jesus, Seus ensinamentos caíram em nossos corações como bálsamo precioso. Brevemente voltarei ao círculo carnal e, se possível, pretendo iluminar com amor os caminhos mundanos que terei de percorrer. Portanto, evitarei que minha alma reme nas tempestades de lágrimas de ilusão, para que a treva da amargura não obscureça a luz dos meus olhos. Demonstrando-se confiante, Durval procurava justificar os erros cometidos na anterior existência. Naquele momento, parecia recordar-se dos entes amados que deixou na paisagem do mundo. O companheiro devotado e sincero evidenciava profundo desejo em purificar-se para retornar à vida carnal menos imperfeito. Dando-lhe a merecida atenção, expliquei: ? Sem amor nada criamos. Somente quando nos preparamos devidamente, edificaremos com êxito para a vida eterna. Somos depositários de grandes lições da vida superior. Pô-las em prática certamente facilitará o caminho mundano. Depois de um breve intervalo, acrescentei: ? Nossos campos de trabalho são vastíssimos. Experimente nele o que aprendeu em seu tempo de eternidade, despertando em seu interior a consciência que dorme ao longo do caminho... O aprendizado forneceu-lhe conhecimento, todavia, somente a salutar dedicação oferece-lhe a prática. Na atividade de cada dia é preciso enfrentar as asperezas do serviço. Edifique-se, aceitando as experiências construtivas que lhe convocam o esforço a oportunidade maior. Dessa forma estará contribuindo com seu próprio crescimento mental. Só então descobrirá a divindade que palpita dentro de si mesmo, ainda que as mais belas notas de carinho sugiram o contrário. O aprendiz quase sempre põe em prática o que aprendeu. Ante o horizonte infinito da vida, associando-nos às mesmas experiências, criamos laços santificantes de amor... Quando transportamos no coração a fé, ela nos guia no caminho que nos conduz para a verdadeira vida. A fé é um tesouro que nem a traça e nem a ferrugem destroem. O coração é o único cofre que os ladrões não arrombam nem roubam. Nossos corações são um depósito sagrado e guarda esse valioso tesouro por toda a eternidade. Disse Jesus: Não andeis ansiosos pela vida. Não é a vida mais do que o alimento, nem o corpo mais do que um simples vestuário. Deu uma breve pausa e, em seguida, continuou: ? Na vida corpórea o homem preocupa-se apenas com o corpo, o seu bem estar, esquecendo-se de que o Espírito viverá para sempre. O nosso humilde auxílio ajudar-lhe-á a marchar corajosamente ao encontro do aperfeiçoamento. No caminho evolutivo somos devedores uns dos outros e somente o amor sincero e fraternal entre o Espírito e o homem dar-se-á a regeneração. Somente a morte rasga o véu sob o qual se esconde, forçando-nos a prestar contas ao amigo que nos favoreceu. O corpo carnal é como a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo. À volta ao mundo material são as bênçãos que recebemos do Pai Celestial, para saldarmos as nossos dívidas. Na matéria nos evoluímos e alargamos a porta para a eterna felicidade. Ao solver-se as dívidas de existências anteriores completa-se o ciclo reencarnatório. Cada reencarnação é uma bênção divina. O mundo terreno é o paraíso das universidades do aperfeiçoamento moral e intelectual. O homem cursa por diversas vezes essa mesma universidade para poder cursar uma universidade da vida eterna. O mesmo acontece com o aluno quando reprovado, no ano letivo seguinte terá de cursar a mesma série. Enquanto os aprovados adiantam seus estudos, o reprovado recebeu a chance de repetir o ano letivo, mas, se não souber aproveitar a oportunidade, pode ficar novamente retido, conquanto os colegas de classe avançam nos estudos. Depois de breve pausa, em profundo silêncio, com os olhos umedecidos, Durval se esclareceu: ? Não tenho boas recordações de minha última estadia na esfera carnal. Temo voltar à matéria com essas reminiscências dolorosas na memória. Recordo-me do estágio no envoltório carnal, todavia, não me recordo de ter reencarnado anteriormente. A sombra da morte e o resplandecer da luz eterna permanecem presentes em minha lembrança, sublimando o encorajamento do meu retorno ao mundo material. Herculano obtemperou: ? Ainda não entendeu que o túnel que atravessamos de volta a vida mundana não é sempre o mesmo. Quando somos atrasados evolutivamente, atravessamos a marcha lenta, cuidadosamente. A descida é complexa, os obstáculos dificultam a travessia. A caminhada representa o esquecimento das reminiscências da vida espiritual e das existências anteriores. Abnegados Guardiões nos conduzem a esfera carnal, cercam-nos de atenção para que o júbilo da vida eterna conserve-se em nossos corações durante a temporada na vida mundana. A conduta moral de cada um é que determina a travessia, marchando morosamente ou transportado pelos braços calorosos da abençoada reencarnação. Os que experimentam a travessia em passos morosos são os que não contribuíram para o engrandecimento das Obras de Deus. O túnel vai se fechando. Lentamente acompanha os nossos passos, de forma que não podemos resgatar as recordações que foram absorvidas da memória. Em cada passo que damos, enxergamos à nossa frente, excepcionalmente, o trajeto a ser percorrido no mundo material. Então vemos com mais clareza os obstáculos a serem vencidos ao longo da trajetória. A lamparina divina segue em nossa frente, alumiando, para que possamos avistar o caminho. Se olharmos para trás nada notamos além da incomensurável escuridão. No fim da travessia damos de encontro com o envoltório carnal que Deus nos destinou. No momento da união com a matéria as recordações da vida espirituais e da sublime travessia passam a ser uma vaga lembrança na memória, como um sonho que se distanciou no transcorrer do tempo. Os mais evoluídos têm conhecimento das leis de Deus. E ao atravessar o túnel da reencarnação caminham para a felicidade na vida mundana. Os obstáculos não lhes atravancam o caminho, mas, da mesma forma, as bênçãos da reencarnação absolvem-lhes as recordações. Ainda que não ocorra o esquecimento total, conservar-se-lhe na memória exclusivamente as reminiscências que irão servir-lhe de auxílio na evolução. O pensamento conserva-se firmemente mergulhado nos ensinamentos divinos. No momento do repouso, desligado ou não da matéria, continuam em permanente união com os Espíritos da Hierarquia Celestial. Mesmo atrelado à matéria, têm a permissão Divina para visitar os ascendentes nas esferas Superiores. Entretanto para os inferiores deixar a vida mundana é para eles um sacrifício; a idéia de abandonar os seus bens terrenos impede o juízo de alcançar a Vida Eterna. Herculano sorriu. Aclarava-lhe a memória, dizendo: ? Provavelmente, as dolorosas recordações da vida anteriores eram a razão do seu apego às coisas mundanas. Evidenciando recordar-se dos erros anterior, abriu um sorriso largo: ? De certo. Não me recordo. Passaram-se tantos anos... A Providência Divina incumbiu-se de suavizar minha memória. Reconhecer os próprios erros é examinar a si mesmo com bastante luz de entendimento. Vá, meu caro, e abrace essa nova oportunidade com humildade no coração. Não temas a volta ao novo corpo físico. Seus passos não serão tão morosos quanto na derradeira caminhada. Intrincado, perguntou: ? Tarei que descer a passo lento ou serei transportado? Atencioso, Herculano respondeu: ? Sua Conduta moral esclarece sua pergunta. Os Espíritos puros pairam sobre os horizontes, aspirando as emanações de Deus, sob os aromas do amor e da caridade, que se expandem do seu seio. Enquanto os Inferiores, asfixiados pelo ódio, emudecem seus corações, não se elevam a Deus, nem seguem as suas Leis. Evidenciando enorme contentamento, fitou-nos com um expressivo olhar de satisfação e sorriu... Em seguida, evidenciando anseio, interrogou: ? Na vida transitória serei assistido pelos abnegados irmãos de nosso Plano? Durval: Na vida transitória, não penses que irás colher uvas de espinheiros nem figos de abrolhos. Abençoada lição de encorajamento, esclareceu-lhe a necessidade de esforço íntimo para purificar-se. Evidenciando espontâneo carinho, com sincera cordialidade, despediu-se com a expressão de felicidade luzindo-lhe o semblante. Com os corações cheios de amor e confiantes nos desígnios de Deus, seguimos de coração aberto e o ardente desejo de auxiliar aqueles cujos corações ainda não foram tocados pelo arrependimento, camprazem-se nos erros e não sentem nenhum remorso do que fizeram durante a vida. Pela argumentação e a prece ensinamos-lhes a elevarem seus pensamentos a Deus. Quando se arrependem e pedem perdão a Deus, os raios da luz divina aclaram-lhes e desfazem-se as sombras que os envolvem, e prontamente a misericórdia do Altíssimo desce sobre eles, e um confortante bem-estar substitui as agonias de seus corações pelo júbilo eterno. Esquecem-se dos dias sombrosos, cheios de perturbações e de torturas morais, que seriam um verdadeiro inferno se durassem eternamente. Pelo simples esforço de nossa vontade, em nome de Jesus Cristo, encaminhamo-los no caminho do bem... Mas ainda precisam enfrentar a longa travessia, antes de alcançarem o caminho que os aproximem de Deus. Nos postos de Auxílio recebem medicação, elaborada pela medicina espiritual. A prece exerce poderosa ação no processo de evolução. A oração é a arma que dá a coragem que precisamos para trilhar o estreito caminho da evolução e a fé à luz que ilumina. Para a maioria dos sofredores, a passagem do mundo material para esse mundo foi penosa. Na vida carnal não mantiveram seus pensamentos elevados a Deus. Ao se verem separados da matéria acham-se perturbados, afogados nas mágoas e nos remorsos; por terem levado consigo o momento em que deixaram a Terra. Mesmo não tendo sobre os olhos o véu que lhes oculta os esplendores da vida espiritual, não contemplam as novas maravilhas, porque jazem penosamente mergulhados nas trevas do padecimento. Enquanto o clarão de arrependimento não lhes modificar o sentimento, nenhuma esperança abranda a amargura de seus corações. A prece assegura-lhes a paz, abreviando a perturbação que se segue na separação do corpo e perceberem a divina claridade: Só então reconhecem que seguiram o mau caminho. Portanto compreendem que o egoísmo é a fonte fecunda do sofrimento. Na maioria das vezes ficam presos ao mundo e não conseguem aceitar suas novas condições no mundo em que vivem atualmente. Assim como Deus faz germinar as plantas e agita as ondas do mar, pela bênção da paz cessa-lhes o sofrimento. A falta de caridade é o maior obstáculo que nos separa de Deus, cada obstáculo superado é um passo que damos para nos aproximarmos Dele. Entre os Espíritos de grau inferior e os mais elevados há inumeráveis degraus. Os Espíritos inferiores vêem a morte como uma transformação infeliz e ao deixarem a Terra para irem de encontro a um mundo mais feliz, abreviam e até anulam sua lucidez. Angustiados se arrastam penosamente sobre o solo, os fluídos pesados que acompanham o corpo espiritual dificultam-lhes a locomoção. Deixam transluzir, em suas expressões fisionômicas, as amarguras da vida mundana, retardando seus desenvolvimentos morais, já que trouxeram a consciência carregada de imperfeições. Enquanto não estiverem prontos para assumir a vida em um novo corpo, ou seja, para aceitar sua futura existência terrestre, tornam-se portadores das sombras de suas imperfeições. Como viajores no grande caminho da eternidade como as plantas renascem do solo profundo... Recapitulam as lembranças que ficaram distanciadas no espaço e no tempo, mas que permanecem presentes em seus corações. De olhos cansados e suplicantes, enquanto soluçam suas imperfeições, perdem a hora que seria justo utilizar em suas próprias melhorias. A prece auxiliadora e as vibrações de amor dos socorristas espirituais modificam-lhes o íntimo. Com o fardo do defeito moral menos pesado, forçam um sorriso, embora triste, e evidenciam contentamento. Abrasados pelo bálsamo da luz eterna abraçam a nova vida, e dedicam seus esforços ao trabalho construtivo. Ainda que atrasados evolutivamente, seus corações transportam sublimes sentimentos de benevolência, de tal forma que se esforçam com ardor para elevarem-se, com o desejo incessante de atingirem a superioridade. No momento em que se libertam dos sentimentos de animosidade, de ciúme das cobiças e da inveja, deixam aflorar de seus corações sentimentos de amor fraternal. São amparados pelos mais evoluídos. E à maneira em que galgam os degraus da evolução, os seus horizontes se alargam, compreendem o bem que está à sua frente. Então Deus, em Sua Infinita Bondade, permite-lhes o retorna ao mundo carnal para que, de encarnação em encarnação, façam-se merecedores da glória a que foram destinados e possam marchar em direção a Deus. PAIS E FILHOS Ao alvorecer, observei que Herculano e Alexandre recebiam numerosos grupos amigos, dos quais se despediam para a breve viagem. Chamando-me em particular, Herculano me incumbiu de suas responsabilidades no abreviado período de sua ausência, compartilhando com seu grupo as edificantes tarefas de acordo com suas instruções, das quais era forçado a tratar em caráter reservado. Francisco recebia de Alexandre as mesmas instruções, enquanto se mantinha em conversação íntima. Herculano e eu apreciávamos, com alegria, o soberano esplendor do amanhecer. Quando de repente, com afobação, Benjamim interrompeu-nos, dizendo: ? Um grande grupo de desencarnados, chegados inesperadamente, atravessam o portão de entrada da nossa esfera. Os Vigilantes solicitam-lhes prestimosa orientação. Falou Herculano que William convocasse os nossos grupos, e eu me encarregarei de deixar os outros em sobreaviso. Direcionando-me ao portão, notei o grande grupo que acabava de chegar, desencarnados em busca de auxílio para livrarem-se de suas imperfeições. Traziam o sorriso nos lábios e o arrependimento no coração. Evidenciavam forte desejo de purificarem-se, solicitando-nos amparo. Esforçavam-se para apagar suas imperfeições morais. Conduzidos pelo sentimento de bondade preservam, no fundo de seus corações, a humildade. Peregrinando a esmo puderam refletir e emendarem-se, sob os golpes do tempo. No momento em que abriram os olhos à luz, Deus, na infinita misericórdia, enviou socorro para suas aflições, fazendo-lhes compreenderem que suas passageiras existências representavam apenas algumas horas na eternidade. O amor e a humildade precisam andar de mãos dadas para obterem-se a graça Eterna, e de acordo com a nossa vontade alcançamos o paraíso celeste. Mas, para isso, temos que carregar no santuário de nossos corações a humildade e reconhecermos que Deus é Onipotente. Depois de me ouvirem, atencioso, Isidoro deu alguns passos à frente e com humildade ponderou: ? Seguir a luz do meu sentimento com esperança de encontrar o caminho do aprimoramento maior, a esplendente clemência Divina enviou-me a luz celeste que nos conduziu até este lugar. Na passageira existência terrestre fui um rico libertino, perdido nos vícios andrajosos. Todavia, todas as portas me eram abertas, todos as ordens me eram obedecidas, quando passei para este lado da vida me vi cumprindo ordens dos operários que eu os humilhei no mundo: homens de bem, viviam de seus trabalhos honestos, entretanto eu os tratava como animais, sempre. ? os humilhei. Quando me desencarnei na crosta recebi deles o mesmo tratamento que lhes dei na Terra. A posição social no mundo material aqui não serviu para anular as minhas imperfeições. Quando não suportava mais carregar o pesado fardo de sofrimento, curvei-me diante do próprio orgulho. Então compreendi que ele é a fonte de todos os males, retarda a caminhada para o aperfeiçoamento e para a renovação, afasta-nos do caminho do bem. As largas possibilidades do mundo em que habitava impulsionava de forma infreável o orgulho do meu coração, as imperfeições das existências precedentes sombreavam os pensamentos de caridade que me afloravam na mente. Depois de uma curta pausa, perguntei-lhe: ? E os outros, quem são? Virou-se para os companheiros, mostrando-se simpático, e com humildade falou: ? São almas caridosas que não guardam mágoas das humilhações que lhes fiz passar no mundo. Acolheram-me no seio de suas bondades, ensinaram-me os significados do amor e da caridade. Hoje em dia formamos uma numerosa família, todos com o pensamento voltado para o Criador. Os pensamentos mundanos já não mais me atormentam o cérebro. Achando-me perante apreciável quantidade de irmãos que solicitavam o nosso primoroso auxílio, alonguei o olhar pela multidão convidando a entrar. Atravessaram calmamente o portão de entrada, dirigindo-se ao salão, e receberam as primeiras instruções para as tarefas diárias. Mentores de sublime posição hierárquica se fizeram presente, com evidente propósito de auxiliar-lhes no restabelecimento. Com preces fervorosas, faziam-lhes contemplar as sublimes claridades dos céus. Voltando os olhos para o salão, os desencarnados pareciam avaliar a sublimidade da abençoada fraternização, envoltos em doce emanação elevavam seus pensamentos de forma magnificamente sublime. E, em seguida, todos oraram, acompanhando-me na prece final. Minutos depois, foi servido o alimento espiritual, com contentamento transluzido-lhes nos semblantes, cantaram em Louvor a Deus, agradeciam-Lhe as bênçãos do novo aprimoramento. Nas escolas da vida eterna cada lição representa um ?passo? na estrada sublimada pelas bênçãos do Altíssimo. De longe, avistei uma jovem senhora. Seus olhos ternos percorriam os quatro cantos do vasto salão, como se procurasse no recinto a presença de alguém. Evidenciando uma certa ansiedade, levantou-se. Fitando-me longamente, seus olhos revelavam uma sufocante e profunda tristeza. Depois de observá-la por alguns instantes, pedi a um companheiro que a trouxesse até mim, com sincero desejo no coração de ajudá-la. Transmitindo-lhe sinceridade: ? Procura por alguém em especial? ? Sim. Talvez o jovem possa me informar. Com um tom de voz suave e ao mesmo tempo tristonha, falou: ? Chamo-me Sidália. Procuro pelo meu noivo, desencarnou-se há oito anos, faltava uma semana para o nosso matrimônio quando foi morto. Trago no coração uma imensa... Saudade e junto à esperança de poder encontrá-lo aqui... Sensibilizado, perguntei qual o nome dele? Com os olhos inundados pelas lágrimas, emocionando-se: ? Benjamim! ? Ele é um dos nossos jardineiros. Foi transportado para cá a cerca de seis meses. Naquele momento, observei-lhe as lágrimas saudosas converterem-se em lágrimas de contentamento a escoar-lhe no rosto. Com um sorriso nos lábios e o coração pulsando acelerado no peito, antecipando-se, volitou ao encontro do seu amado. Depois de envolvê-la com um abraço paternal, as mãos de Benjamim, acariciando-a, com um toque suave deslizava sobre o rosto de sua querida Sidália. Quando notei seus os olhos umedecidos, admirando-a ternamente, meu coração foi violentado pela emoção, recordava-me, na desencarnação anterior, por inúmeras vezes brotou da profundidade de meu coração o forte anseio de um encontro assim; com minha amada e fiel esposa. Todavia, o destino não me conferiu o júbilo de um encontro sublime na eternidade. Mas outros momentos de alegria me fizeram superar a saudade. Instantes depois, de mãos dadas, os dois entraram no salão. Descendo do céu, uma chuva de pétalas luminosas caiu sobre os noivos sublimando com as bênçãos divinas o abençoado encontro. Os abnegados Mentores sacramentaram as bênçãos. da união. As crianças do coral, com suas vozes cristalinas, cantavam. Envolvida nos braços calorosos do dedicado jardineiro, Sidália evidenciava serenidade no semblante. No fim da celebração a pequena Isabela e o menino Hugo, que participavam do coral, dirigiram-se ao casal, presenteando-lhes com um magnífico rama de flores cristalinas. Exalava um suave e agradabilíssimo perfume, balsamizando a atmosfera do ambiente com a sublimidade da pureza celeste de seu aroma. Na hora em que pegaram nas mãos o ramo florido, Benjamim e Sidália se recordavam de Isabela e Hugo, seus filhos carnais, em uma existência que se distanciara no transcorrer do tempo. Abraçando-se aos filhos, em lágrimas comovedoras: ? Meus queridos, nunca imaginei encontrá-los. Na verdade não mais me lembrava de suas existências. Com os olhinhos brilhando e o coração pulando de felicidade falaram: ? Nunca nos esquecemos de você, mamãe. Eu e meu irmão não voltamos ao mundo carnal, almejávamos suas voltas, a expectativa foi longa, mas com a graça de Deus esse dia chegou... Tomado pela emoção, em profundo silêncio Hugo retribuía-lhes com afabilidade o carinho. Isabela enchia-a de perguntas. Em certo momento, Hugo afastou-se, e olhando-o no fundo dos olhos indagou: ? Por que se demoraram tanto? Surpreendida, com um tom de voz maternal, esclareceu-lhe: ? No longo da vida, de encarnação em encarnação, somaram-se os erros, e nas desencarnações anteriores as imperfeições morais não me permitiram alcançar os degraus evolutivos, na última vida transitória me esforcei muito... Elevando meu pensamento a Deus aprendi a amar incondicionalmente ao próximo, respeitando as Leis divinas e praticando com fervor a caridade, confiante na infinita misericórdia de Deus, a sublime claridade da luz divina me conduziu a esta esfera. De repente Isabela chamou ? mamãe! mamãe!... Esse é William. Ele e Francisco são dirigentes dos departamentos de auxílio, em ocasiões especiais William participa do coral, canta e toca violino. ? Obrigado, Isabela, por me apresentar aos seus pais, mas agora preciso ausentar-me por alguns instantes. Não nos faltará oportunidade para conversarmos. Sorriu graciosamente e abraçou-se á mãe. Depois de ligeira pausa elucidei: ? Aqui todos têm uma ocupação, cada um poderá escolher a função que mais lhe agrade, porém terão de ser eficazes. No final da tarde será afixada em um painel a relação das funções disponíveis. Gentilmente, peço-lhes que se adiantem, chegando um quarto de hora antes do início da leitura do Evangelho. Quem tiver interesse nos serviços de conservação dos jardins, poderão se antecipar, apresentando-se a Benjamim. Percorri o olhar rapidamente pelo salão, percebi que todos continuavam sentados, quando, de repente, Isidoro surpreendeu-me apresentando-se com humildade diante de Benjamim para o serviço de jardinagem. O empresário presunçoso no plano terreno, no plano espiritual humilde se oferecia para elaborar o serviço operário. Seguindo seu exemplo, outros se apresentaram. Em poucos minutos um grande número já tinha suas ocupações definidas. Meu grupo encarregava-se de conduzi-los às câmaras restauradoras para o preciso restabelecimento de suas energias. Apenas poucas cadeiras permaneciam ocupadas. Mulheres dispostas a cooperarem nas tarefas internas aguardavam pelas instruções da orientadora Helena. A PENETRA No fundo do interior do salão, na ultima fileira, uma mulher estranha se misturou aos outros desencarnados. Revestida de fluídos opacos, formava ao seu redor uma massa acinzentada, manteve-se de cabeça baixa o tempo todo, transmitia a impressão de que sofria algum tipo de enfermidade, lágrimas copiosas escorriam-lhe no rosto, nos traços fisionômicos acentuava-se a impressão de terrível abandono. Sensibilizado chamei Herculano! Apontando-lhe a sofredora, ele observou-a atentamente, e elucidou: ? William, é apenas uma infeliz. Envergonha-se das maldades praticadas contra seu semelhante. Fora da matéria percebeu que não pôde ocultá-las, o véu da imortalidade ergueu-lhe a carapuça da carne que lhe servia de máscara. Sem o envoltório carnal os erros transparecem de forma evidente. Sentindo-se inferior, conserva a cabeça baixa. Olhar para o solo foi a maneira que encontrou para não ser conhecida pelos que a enredaram nas teias de sua inferioridade.Vamos encaminhá-la imediatamente ao posto de atendimento aos casos mais urgente. Ao perceber que nos aproximávamos, cobriu com um lenço o rosto, certamente acreditando que o lenço ocultava-a de nossa visão. Com firmeza na voz, de modo gentil, pedi-lhe que nos acompanhasse. Com um tom de voz agressivo: ? Para onde estão me levando? ? Para um posto de atendimento. Lá terá assistência necessária. Perguntei: ? Por que os mentores a trouxeram para cá ao invés de conduzi-la ao posto de emergência? Assustada, ergueu rapidamente a cabeça. Ao descobriu o rosto, arregalou os olhos e disse: ? Ninguém me trouxe. Acompanhei o grupo que seguia nesta direção. Chegando no portão, sem que percebessem, misturei-me no meio deles. Desapercebida atravessei o portão. Mas ao entrar no salão senti que as imperfeições da alma me distanciavam dos que aqui estão. Mesmo ocupando o mesmo espaço a distância que me separa dos outros é incalculável. Isso faz a terrível sensação de abandono crescer célere dentro de mim, o fardo do remorso pressiona-me o âmago, dolorosamente esmaga a minha força psíquica. Tempestades frígidas de erros absurdos praticados no mundo obscurecem o meu cérebro com amargas recordações. De tempo em tempo, no fundo da consciência, acende-se um minúsculo foco de luz. Todavia, não ilumina a nebulosidade sombria do meu pensamento. ? Por gentileza. Quer nos dizer o seu nome? Com um tom de voz um pouco mais brando: ? Ah!... Não me recordo. Foram tantos nomes fictícios... que deslembra totalmente o próprio nome. Sorriu Herculano: ? Vamos chamá-la de Aparecida. Delineando nos lábios um sorriso forçado, aparentando impaciência, concordou, dizendo: ? É um nome mui belo. Do posto de emergência Aparecida foi transportada para a esfera onde a vibração iguala-se a sua. Com o pensamento mergulhado em trevas não enxerga a sublime claridade da quietação vinda ao seu encontro. A execrável condição de Feiticeira na vida transitória acompanhava-a na eternidade. Impressionava-nos a dificuldade que a infeliz tinha para aceitar a prece que lhe era dirigida com toda a sinceridade e a efervescência de nossos corações. Sem o arrependimento e a sombra dos erros obscurecendo-lhe o cérebro, Aparecida via-se como que despejada do templo carnal, o pensamento enovelado encarcerava-lhe nas paisagens inquietantes criadas por ela mesma. Sem o veículo denso, sequiosa de reconforto, em ansiosa expectativa, juntara-se aos desencarnados que trouxeram nos santuários dos corações o que levaram quando daqui partiram. Na posição em que falsamente se equilibra, Aparecida somente iniciará sua elevação quando a oração tocar-lhe o coração, inspirada no Infinito Bem, com o pensamento renovado procurar a mudança necessária. Os que têm com objetivo a elevação dedicam-se à prestimosa elaboração de edificantes tarefas, e como as flores secam e caiem e as uvas amadurecem, eles se desapegam dos pensamentos inferiores, de forma que experimentam a súbita renovação, inspirando-se na própria transformação, e confiante na Infinita Bondade do Altíssimo iniciam a lenta caminhada até atingirem a elevação moral. Alongando a conversação, acrescentei: ? É ilusão julgar-se que na morte a alma tem uma livre passagem. Irmãos sofredores trazem consigo o estigma dos desabonos a que se entregaram. Agarrados a esses pensamentos, resultantes do desequilíbrio moral, depois da morte do corpo físico, sobrevivem no períspirito no mundo espiritual, nossos pensamentos transluzem, de forma reveladora, as imagens que escondemos no mundo, sob as vestes carnais... Herculano esboçou sorriso e confirmou: ? É isso mesmo, William. A consciência é um núcleo de forças, em torno do qual gravitam os bens e os males gerados por nós mesmos e carregamos no cérebro para a Vida Eterna. Como pode se inteirar em razão do desequilíbrio trazido da terra, Aparecida esquecera o próprio nome, ou, talvez, consciente do altíssimo grau de imperfeição, tenha se auto-sugerido uma repentina amnésia... Minutos depois, como um menino curioso, Isidoro acercou-se de nós, abriu um sorriso e disse: ? Na vida transitória por diversas vezes freqüentei o templo religioso de Aparecida, percebendo-lhe o pensamento voltado para o mal. Imediatamente me afastei. Certa noite, meu sentimento foi tomado pelo desejo irresistível de voltar ao templo, sentir o coração saltar dentro do peito e simultaneamente uma voz cristalina atingia-me de súbito os ouvidos, à maneira que tentava abranger as palavras trazidas pelo vento, o anseio que me impulsionava o sentimento, sossegara no interior. Durante um certo período manteve-se adormecido, de repente, como os quatros ventos que agitam as águas do mar, meu sentimento era agitado pelo anseio. Não me contive. Obedecendo ao meu coração segui para a casa de Aparecida. Logo que cruzei a porta de entrada, avistei um círculo formado por diversas pessoas, sentadas no chão, de mãos dadas, em silêncio assistiam o queimar das velas no núcleo do círculo. Notando a minha presença, um Senhor, de semblante pálido como uma palha seca, veio ao meu encontro, cumprimentando-me de uma maneira muito estranha. Pronunciando algumas palavras incompreensíveis me conduziu até o círculo. No instante em que tirei os meus sapatos para me juntar aos outros, uma força superior à do ambiente sugeriu-me não fazer parte daquele ritual. Intrigado, usando de falsa enfermidade na coluna cervical, mantive-me fora do circulo. Alguns minutos depois de minha chegada, o recinto foi lotado por seres estranhíssimos, uma horrível combinação de ser humano com alguma espécie desconhecida. Tremeluzindo de pavor, rapidamente tentei disfarçar me amparando na prece. Quando um deles percebeu que eu orava o tempo todo, fitou-me, e com um tom de voz estridente mandou que eu me retirasse rapidamente do recinto. Agradeço a Deus. Depois daquele dia nunca mais voltei àquele lugar. No final da narrativa, sorrindo, disse: ? O homem é como criança, se deixa levar pela curiosidade... LIÇÃO DE HUMILDADE No finalzinho da tarde reunimo-nos de novo no salão. Herculano, gentilmente, prestava-nos esclarecimento precioso para as elaborações dos trabalhos durante a sua ausência e do companheiro Alexandre. Na hora da Ave Maria, notei que todos se puseram de pé para ouvirem a oração dirigida à mãe de Jesus. Com a fé luzindo-me fervorosamente o coração, dei inicio à oração. Todos me acompanharam na prece a Maria. No final esclareci: ? Pela força da oração nos aproximamos do Tesouro imenso de Deus que é a Santíssima, mãe de Jesus a quem Ele lhe conferiu a mais alta elevação: é ela o canal pela qual passam abundante e docente suas misericórdias. Somente Maria, essa bondosa mãe purífica, embeleza e torna aceitáveis a Deus todas as nossas boas obras, porque, pela nossa devoção, as damos todas a Ele pelas mãos puríssimas de Maria Santíssima. Quando amamos, com a humildade de nosso coração, esse amor nos convida à prática da devoção, ensina-nos que o bem volta ao seu autor pelo mesmo canal por onde veio. A humildade e a fé revestem-nos de merecimentos. Então Maria ilumina-nos com sua luz celestial e abrasa-nos de seu amor e nos conduz no caminho da perfeição. O caminho que Jesus Cristo abriu não há obstáculos que nos impeça de chegar a Ele. Pode-se chegar a Jesus por outros caminhos; mas, sem amor e sem a prática da caridade, ter-se-á de passar pelas obscuridades do além-túmulo, atravessando desertos horríveis, pisando espinhos agudos, tornar-se-á muito mais pesado o seu fardo. Conquanto o caminho do Evangelho e sublimado de rosas e de mel, para chegarmos a Jesus. O fiel servidor não anda em trevas infinitas e nem em aridez de deserto. torna-se mais fácil o caminho que lhes leva até Jesus. A lição era imensa, entretanto o tardar da hora convidava-nos ao descanso. No dia seguinte, minutos antes das nove horas da manhã, Herculano mais Alexandre despediam-se de nós para uma curta viagem, em companhia dos Mentores de Hierarquia Celeste designados a conduzi-los. Suas prestimosas colaborações, nas esferas avizinhadas, seriam de valiosa importância para o aperfeiçoamento no resgate aos que, no além-morte, encontram-se aprisionados nas sombrias dos maus pensamentos. Confiante na infinita misericórdia de Deus, abnegados socorristas fazem vibrar no íntimo dos sofredores o júbilo da paz. Luzidos pela fé, a luz resplandecente ilumina o caminho. O Supremo envia-lhes auxílio dos mensageiros que operam nos serviços de Socorro. Depois de se dedicarem aos treinamentos desempenham com amor as funções de Socorristas. Horas mais tarde o vasto salão lotara, uma multidão inumerável compareceu para a prece, em agradecimento à paz que nos segue no decurso do dia. Louvamos a Deus pelas bênçãos que, iluminando os santificados, caminham na vida eterna. Com a inesperada quantidade de participantes, antes de começarmos as instruções para o aperfeiçoamento das tarefas cotidianas, notei um grande número de desencarnados. O salão, superlotado, fez com que grande parte permanecesse de pé. Auxiliados por alguns grupos dispostos a cooperar, Francisco e eu providenciamos cadeiras para os que faltaram de acomodações. Logo depois compartimos a multidão, formando dois grandes grupos, seguindo as instruções de Herculano. Sem tardar, começamos a dar as primeiras orientações. Com muito entusiasmo antes da lição inicial expliquei: ? Seremos compreensíveis se por alguma razão algum de vocês não se sentir apito para a aula prática. Teremos imensa satisfação em apresentar-lhes sugestões em outros campos de trabalho. Nosso quadro de serviços internos é imenso e satisfatório. Nos variados departamentos encontram-se inúmeras funções, de modo que poderão escolher aquela que mais lhes agradem. Caso não se interessem por nenhuma, não serão obrigados a trabalhar, mas não poderemos interver nas solicitações que nos forem apresentadas. As visitações aos familiares na crosta, incluindo-se os que ainda permanecem na esfera carnal, serão suspensas por tempo indeterminado. Porém, os que colaborarem com o futuro crescimento de nossa esfera, serão agraciados. Mentores dessa Hierarquia ajudar-lhes-ão, valiosa pontuação servir-lhes-á de auxílio em suas elevações. E na vida transitória em suas futuras encarnações abrir-lhes-ão a parte da felicidade, na passagem pelo curso terreno. Encarnados, conhecermos as coisas do mundo, uma vez que somente no mundo somos expostos às coisas mundanas e, através deles, descobrimos o nosso instinto e a nossa verdadeira conduta moral, pois somente quando vislumbrimos a eloqüência terrestre ela se revela, e ao deixarmos o corpo da morte essa conduta, sendo má ou boa, ela transluz nitidamente, de forma inocultável acompanha o Espírito. Na espiritualidade evidentemente denota-se a clareza do procedimento moral da alma na esfera carnal. Envergonhando-se da própria conduta, esforçam-se para esquecer seus erros mundanos, e, ao regressarem para o refúgio carnal transportando no intimo o desejo de corrigir-se, enfrentam uma verdadeira batalha íntima para não se repetir nos erros anteriores. Depois da conversação, evidenciando interesse, Dionísio indagou: ? O que faz uns desencarnados serem inferiores a outros? Todos nós temos a mesma essência, porém o instinto moral é que classifica a inferioridade e a superioridade de cada um de nós. O envoltório carnal oculta-nos, as imperfeições. Todavia, quando brota do interior os defeitos morais a máscara cai, mas o espírito permanece incógnito os olhos carnais, de modo que não mais exita os defeitos morais, não temos consciência de que a morte descortina todos os sentimentos que carregamos no intimo. No momento em que o Espírito percebe que as vestes carnais não lhe servem de escudo, depara-se com as imperfeições, torna-se inferior pela própria conduta moral na vida transitória, e por mais elevada que seja a integridade intelectual é inferiorizado pelas paixões viciosas da desintegridade moral, já que os erros cometidos durante a vida transitória, somente no mundo material podem ser corrigidos. Então o espírito volta à nova matéria para percorrer com integridade os caminhos que na existência anterior ele tumultuara com erros, ou ao se desencarnar retorna à eternidade carregando na consciência o peso da imensa ?bagagem? errônea. Passando pela encarnação, com incansável esforço, lentamente, recupera-se a integridade moral. Converte erros em acertos. Confiante em Deus e em si mesmo, com o pensamento voltado para o bem e o coração cheio de sentimentos de caridade, a densa ?bagagem? que levou consigo tornar-se-á leve e luminosa, e as provas e as expiações na espiritualidade converter-se-ão em sublimes favos de mel. Depois de uma curta pausa, Benjamim, ao lado de Sidália, narrava para os companheiros a sua história no mundo terreno, com os olhos inundados pelas lágrimas, expunha a angústia que passara carregado pelos caminhos tortuosos e obscuros, o amargo sabor do remorso atravessara o lodaçal espinhoso da própria consciência. Nesse momento, um profundo silêncio se fez. Concomitantemente, todos desviaram o pensamento, de modo que afastavam da lembrança os difíceis caminhos percorridos após deixarem o veículo físico. O sofrimento nas diferentes existências terrestres abriu-lhes variados caminhos, e de desencarnação em desencarnação, sem as rochas da consciência que lhes serviam de tropeços, livres seguem o caminho iluminado. Na elevação, contentam-se com a chuva de bênçãos que acompanham no curso iluminado da vida eterna. Dionísio se levantou e disse: ? Ao longo da vida fui comerciante, com simpatia e um agradável sorriso nos lábios conquistei grande clientela e, pouco a pouco, o auxílio divino me fez prosperar, a felicidade abrasara o aconchego do meu lar. Nascido em berço humilde meus pais não puderam me oferecer riqueza, mas deles recebi o maior tesouro que um filho pode receber de seus pais, a integridade, esse valioso tesouro que carregamos por toda uma vida. Ensinaram-me a ser íntegro e dar valor às pequenas coisas conquistadas com o suor do rosto e amor no coração, e nunca se esquecer de agradecer a Deus pela nossa saúde e disposição, coisas indispensáveis para a luta cotidiana. Sem fazer restrição, cada pessoa que entrava em meu estabelecimento comercial recebia com atencioso carinho. Quando saiam de lá no meu coração ficava a certeza de que a minha simpatia conquistara a confiança. Tratando-as desta forma seguia em marcha lenta, de mãos dadas com a prosperidade. Anos depois, os negócios expandiam-se, tomando grande proporção. O pensamento deu-me a idéia de arranjar um sócio. Procurei um vizinho do comércio e propus-lhe sociedade. De imediato questionara, dando-me a entender que não dispunha de capital para o investimento, todavia demonstrou-se interessado. No cair da tarde, minutos antes de fechar o estabelecimento, Anastácio me procurou, pediu para que eu aguardasse alguns dias pela sua resposta. Uma pessoa idônea, caráter integro, ser-me-ia prazeroso tê-lo como sócio. Vencido o prazo, Anastácio me apresentou um amigo, investidor no ramo, um homem simpático, sorridente e de grande conhecimento nas letras. Em alguns minutos de conversação, conquistara minha confiança. Decidimos fazer uma parceria. Infelizmente quando me encontrava no envoltório carnal, Deus não me permitiu ler o pensamento do semelhante, entretanto me era permitido observar. Logo de início notei que lhe faltava aptidão para os negócios, mas levei em consideração a sua inexperiência. Os dias seguiam céleres e aos poucos seu corpo físico comprovava uma leve predisposição a não fazer coisa alguma. Como conseguira a totalidade para o investimento? A pergunta não calava em meu pensamento. Uma noite, sem motivo aparente, perdi o sono, pensamentos desagradáveis, de forma inesperada tumultuavam-me a mente. No instante em que tirei um ligeiro cochilo, sonho com um estranho movimento no local onde estocávamos a mercadoria. Despertei com o coração saltando no peito, em torno da minha mente o vai e vem de pessoas continuava. Uma inexplicável sensação, em conjunta com uma incontrolável inquietação, invadiu-me de súbito. A noite parecia interminável. De instante em instante olhava as horas do relógio, me virava de um lado para o outro na cama. O tic tac dos segundos de hora repercutia nos meus ouvidos como o estrondo de um trovão. Logo que o sol despontou no horizonte, sentindo o coração asfixiar, angustiado segui para o armazém. No momento em que meus olhos avistaram o portão aberto, fui tomado pelo nervosíssimo. Nascia dentro de mim uma incontrolável vontade de fazer justiça com as próprias mãos. Percorri os olhos no interior do armazém e constatei que as prateleiras estavam vazias. Para não se afogar, minha alma remava no temporal de tristeza que inundava meu ser, recordava-me das gotas de suor derramadas, as noites em que passei em claro trabalhando sob a luz do lampião até a última prateleira ser montada. De repente, uma mansa brisa acalmou meu pensamento, logo depois surgira no interior do galpão um inexplicável clarão, em seguida desapareceu misteriosamente dos meus olhos. Horas mais tarde os comerciantes vizinhos me surpreenderam, solidários, doaram uma boa soma em espécie para que eu pudesse recomeçar. O contentamento transluzia-me do semblante, denotei a ausência da presença do amigo Anastácio, na maré não me ocorrera nenhum pensamento que lhe desabonasse, embora em meu silêncio o coração o acusasse. Os dias se passaram e Anastácio não mais me olhava nos olhos. Naquela mesma semana se ausentara deixando sob a responsabilidade de empregado seus negócios. Suspeitando me aproveitei de sua ausência para fazer uma breve visita ao seu estabelecimento. Logo que entrei meus olhos identificaram minha mercadoria exposta em suas prateleiras. Saí de lá repetindo para mim mesmo; maldito, te matarei logo que voltar. Quando soube de sua volta, disposto a matá-lo, fui até o local do seu trabalho. Quando me vi frente a frente com o infeliz, repetia, continuamente, em minha mente, os mandamentos de Jesus Cristo. Meu pai sempre repetira para mim, era como se eu o ouvisse dizendo: Filho, jamais olvide esses mandamentos, eles são a porta que abre o caminho para nossa Salvação. A misericórdia de Deus me salvou. ? Sorrindo enderecei-lhe um olhar significativo e falei: Ainda bem. Caso contrario, presentemente, não estaria contando essa história. Essa esfera não habita assassinos. Como a palha diante do vento, o sopro de Deus levou para longe os maus pensamentos e fez meu coração se alegrar. Confiante no constante amor e na sua misericórdia, em pouco tempo, com o próprio esforço, recuperava o que fora feito a me. Anastácio e o amigo seguiram pelo caminho escuro e resvaladio da vida, e de escorregão em escorregão Anastácio acabara por suicidar-se. Quando deixei o universo carnal, e os maus pensamentos vieram ao meu encontro, o coração encheu-se de rancor e no pensamento a lembrança da ocasião em que desejei tirar a vida do infeliz. Embaraçava -me nos pensamentos que me passavam pela cabeça na vida mundana. Esforçava o máximo para esquecer os pensamentos maus que me ocorreram na trajetória mundana, embora persistissem em ocupar no meu cérebro o espaço dos pensamentos novos. A angústia abarracara-se no meu interior e para conservar a fé em Deus, viva dentro de mim, resistia ao pensamento. De instante em instante, o total esquecimento trazia-me alguns minutos de paz. Cercado pela escuridão imensa do pensamento, lembrei-me de rogar auxílio ao Pai misericordioso, mostrar-me o caminho a seguir. Deus ouviu as súplicas do meu coração. De repente, vi surgir à frente dos meus olhos, um túnel de película transparente e luminosa, sua semelhança me fez lembrar o canal vulvário que se alarga para dar passagem o corpo que nos é destinado no mundo. No final do túnel, uma pequena porta arredondada dava passagem para um jardim chamado de Jardim do Perdão. Logo que atravessei a porta, fiquei perplexo diante da intensa luminosidade do imenso jardim, cercado por belas muralhas altíssimas, todavia, para alcançar o perdão, tive que enfrentar o declive da extensa e estreita passarela que dá acesso à porta de entrada do Templo do Perdão. Pelo lado exterior apresentava uma expansão gigantesca, embora seu interior tenha apenas o tamanho de um confessionário. Em uma magnífica poltrona suspensa no ar, um Senhor, que não pude ver seu rosto, em um livro volumoso anotara todos os pensamentos que me ocorreram contra meu semelhante. Impressionantemente, anotou todos, sem que eu precisasse citar nenhum deles. Em seguida, retornei ao jardim, às três horas da madrugada a sentença impelia-me a localizar Anastácio para pedir-lhe perdão. Fora uma longa procura. Meses mais tarde, encontrava-me a caminho da esfera inferior quando um amigo me informara que na crosta terrestre eu poderia obter informações do infeliz. Desci e lá encontrei na listagem o nome de Anastácio. Não obstante tinha sido transportado para o vale dos suicidas, que fica a poucos quilômetros de distância dali. Em busca do perdão seguira para o vale dos suicidas. Frente a frente com Anastácio, como uma forte tempestade que chega repentinamente, o infeliz prostrou-se sincero e humilde me pediu perdão. Sua humildade serviu-me de grande lição. Perdoei e dele recebi o perdão. Logo em seguida tomava o rumo em direção ao Jardim do Perdão, onde passei uma curta temporada em companhia dos que esperavam pelas suas sentenças. Depois de uma curta pousa Francisco fitou um olhar sereno em Dionísio e indagou-lhe: Porque esperara a morte para pedir perdão. Sorrindo, respondeu: ? Em vida não tinha no coração sentimentos nobres. A humildade adquiri somente na morte. Se transportasse no coração carnal essa grandeza que atualmente carrego, não teria passado pelas amarguras do remorso, mas de certa forma foi sublime somou-se pontos na minha elevação. Como se pode perceber, nenhum esforço é em vão, ele auxilia-nos no declive evolutivo. Para encerra a aula naquele dia, acrescentei: ? A busca pelo perdão trouxe para Dionísio vasta experiência e serve-nos de lição. Tivemos conhecimento de lugares e caminhos que até então jamais ouvimos falar. Amanhã, no final da nossa aula prática, outras experiências poderão ser contadas. Que Deus abençoe o nosso descanso. Com um sorriso nos lábios e o contentamento no coração, todos deixaram o salão com um carinhoso até amanhã... LUZ DO ENTENDIMENTO No dia posterior, satisfazendo-nos a curiosidade, Dionísio falava-nos do vale dos suicidas. Um deserto montanhoso, entre as gigantescas montanhas, estreitos corredores, aterrados com grossos espinhos que mais se pareciam com pequenas lanças de arame, leva a uma enorme lagoa de lama, contornada por tenebrosos pavilhões em forma de círculo, envolvidos em sombras, e estranha umidade, trazida por tempestuosos vendavais. Os infelizes suicidas, habitados na escuridão, emaranham-se nas armadilhas do próprio suicídio. Lançados pelo vento tempestuoso nas covas profundas da amargura, com o remorso sufocando-lhes o peito, aguardam, com sofrimento, o passar dos anos, que ainda tinha no envoltório carnal interrompida pela vontade própria, infligindo desse modo a Lei de Deus. Entidades maledicentes esforçam-se para agravar-lhes o sofrimento. Esquematizam nas rochas corpos semelhantes às vestes carnais que lhes serviram de veículo no mundo material. Ao lado em letras grandes escrevem o motivo que as fez acovardar-se e desistirem de continuar... O suicídio impeliu a deixar a matéria, não imaginaram suas vidas fora dela. Anastácio contou que no instante em que deixara o veículo físico, viu-se rodeado de entidades bizarras, a angústia de seu coração crescia incessantemente, as gargalhadas forçavam-lhe a contemplar o corpo que acabara de tirar-lhe a vida, sofrendo o afastamento que ele mesmo provocara. Desfraldava-se à frente dos seus olhos a grandeza da vida que foi eliminada. Escapara da justiça do homem, condenando-se a viver no vale do sofrimento, onde terá que passar os trinta e cinco anos que ainda lhe restavam na vida corpórea. Com seus corações ancorados na certeza de que as trevas não durarão para sempre. Esperam os perdões a si mesmos, sentados na lama, choram ao lembrarem-se que exterminaram suas vidas com as próprias mãos. Depois de longa pausa, com os olhos úmidos, dando-nos a entender que se sensibilizara com o sofrimento dos que se acham na larga escuridão, à maneira de uma criança em pranto mudo Dionísio recolheu-se à meditação da prece. Passados alguns minutos, dominada a emoção, deu continuidade à narrativa. Desencarnados, em eterna luta consigo mesmos, em uma dura batalha interior, sentem-se amarrados ao mundo físico, anseiam libertarem-se das amarguras que envolvem seus sentimentos. Feitas setas lançadas no vácuo. Almejam voar em direção ao mundo material, imaginam acharem os corpos que mataram em perfeição. Transportando no cérebro essa absurda ilusão, agarram-se a essa expectativa. Todavia, as angústias do coração absorvem quase a totalidade de suas forças, anulando-lhes a vontades de prosseguir. Mas quando a brisa mansa acalma-lhes, defrontam-se com a angustiosa realidade, outras vezes confundem com o palco de suas pequenas fantasias mundanas. ? Fez um ligeiro intervalo e continuou: Alguns pavilhões são reservados para entidades que padecem deploráveis amnésias, não conservam exatas lembranças senão dos assuntos em que se lhes encravam as preocupações e, quando permutam impressões com os mentores, assemelham-se a psicóticos renitentes... No sofrimento em que se vêem, trazidos do mundo terreno, insulam-se nas amarguras intimas, ao redor do desequilíbrio oculto em que se comprazem. Nada mais ouvem, nada vêem e nada sentem, além da esfera de si mesmos. No quadro doloroso, ainda longe de recuperarem o equilíbrio completo... Acham-se em penosa inibição... O sofrimento dos suicidas sensibilizara-me as fibras mais intimas. Um novato de fisionomia nobre e calma indagou: ? Os que no mundo terreno se emaranham no mal, transportam para a vida eterna as teias em que se enredaram?... Francisco deu um largo sorriso e, em seguida, esclareceu: ? Quando o corpo carnal descansa na escuridão eterna, a alma de imediato parte, transportando na memória as experiências da vida mundana, e as amargas conseqüências de seus atos, na vida eterna, colhem o resultado de gestos que lhe desabonaram. Na morte lhes afligem o presente. Então, caem como os colossos de pés de barros, despencando sobre suas próprias falhas, cegas pelo orgulho, atingindo no fim da viagem o umbral de um mundo de sombras sutis. Espantado, Lutécio perguntou: ? Quem comete maldades, após a morte do corpo pode tornar-se um obsessor? ? Sim. Sempre escolhe para vítima que tem em comum sua maneira de pensar, pois será mais fácil lhe enganar. Dessa forma se sente acolhido pela vitima, levando-a com facilidade ao cenário das imperfeições morais. Controla meticulosamente todos os seus pensamentos. Todavia raramente a vitima percebe que está sendo obsidiada, pensar agir por si mesma. Essa forma de pensar faz com que o obsessor utilize-se do pensamento da vítima para alimentar os seus desejos, sente-se cada vez mais fortalecido: o tratamento espiritual o faz entender que sua vida já não mais diz respeito à vida mundana. Nessa hora a luz semeia-lhe no coração a alegria do entendimento, acompanhados pelos seus mentores, à maneira das aves do campo. E como as aves, alçam vôo rumo à esfera onde encontrarão a tão almejada paz... O olhar expressivo de Charlton chamava a atenção, concedendo-lhe alguns minutos para que pudesse falar. Explicando-se, disse: ? Em minha passagem mundana, além de gramático fui um grande poeta. Na meninice comecei a escrever pequenos versos, inspirado pelos que já tinha partido, fiz belíssimos versos, daí em diante jamais parei, aqui tenho arquivado no fundo do coração encurtados poemas, sinto-me motivado a transmitir ao homem. Gostaria de saber se preciso de autorização. Com o olhar sereno e a voz branda, imaginando a resposta que Herculano lhe daria, respondi: ? A sua vontade determinará o seu momento exato. ? Podemos ouvir um de seus poemas? ? Ah...Sim. É claro. O orvalho respinga a vegetação do campo, as montanhas lacrimejam, doce e serena umedecem os grãos de areia ressecados pelos raios solares, refresca-se com a brisa. Maltratados pela enxada, abençoa a semente. Embeleza-se com as ervas que o agricultor aduba, em trevas de covas profundas acolhe o corpo humano a alma cheia de alegria parte rumo à consagrada e sublime elevação... o corpo sutil volita pelo espaço, ouve o cântico dos pássaros, segue a luz, com alegria ouve a sinfonia celestial, regozija-se nas bênçãos ao encontro de Deus Pai... Logo depois, iniciamos a aula, mas todos pareciam desatentos, seus pensamentos continuaram atrelados à sublimidade da soberba poesia. Evidenciando emoção, um novato levantou-se da cadeira e pediu a Charlton que recitasse mais uma poesia. Lisonjeado, abriu um sorriso, gentil disse: ? Depois da aula. O caminho do duro aprendizado mundano é uma passagem iluminada pelas bênçãos do Eterno, por isso temos que nos aperfeiçoar para que na futura volta possamos desfrutar das bênçãos que iluminam na vida transitória. Após ouvirem essas singelas palavras, evidenciando contentamento, voltavam a atenção para as nossas aclarações. Continuamos: ? No mundo material deslembramos os mandamentos de amor e sabedoria do Pai Celestial. Nas estradas da vida enfrentamos as aflições angustiosas que tecemos com fios espinhosos, e no curso das existências autores de terríveis armadilhas nelas nos enredamos, uma vez que não soubemos descobrir o sentido sublime da fé. Precisamos amar os nossos irmãos da mesma forma que Jesus nos amou... Nos círculos carnais somos simples ?devedores? cegos de entendimento, esquecendo-nos de que já dormimos nos braços misericordiosos do Perdão... e nele contentamo-nos, confiantes nas bênçãos e na luz eterna. Interrompendo-me mais uma vez o Novato perguntou: ? Essa sensação de conforto que se apossa da alma e traduz sublime repouso ao pensamento ensina-nos a compreender o irmão que necessita de nosso entendimento?... ? Sem dúvida, meu amigo, a serenidade é um instrumento indispensável. Sem ela não podemos auxiliar os irmãos sofredores. Com as qualidades de elevação já conquistadas por nós podemos auxiliar nossos semelhantes. Dessa forma colaboramos com o Mestre Jesus. Através da prece doamos a esses irmãos uma grande quantidade de salutares fluídos, mas cada um tem uma capacidade diferente para receber auxílio magnético. Essa capacidade é uma conquista individual, e pode agilizar ou retardar o tratamento nas câmaras de regeneração, onde são recolhidos. Depois de uma curta pausa, continuou o silêncio. Em seguida, a magnífica luminosidade divina se estendeu, serena claridade acrescia em espetáculo prodigioso. Focos radiosos de tamanhos variadíssimos caíram abundantemente sobre os que estavam no recinto, derramados do céu sobre nós desapareciam, ao tocar levemente nossos corpos. Por alguns instantes nossos corpos continuaram envoltos pelo amplo círculo irradiante. A sublime luz do entendimento se fazia mais clara e mais penetrante no coração dos novatos. Acrescentei a lição: ? Quando transportamos no íntimo a luz da bondade, possuímos mérito e confiança para auxiliar os irmãos sofredores em nome de Deus. Já que vocês agora se encontram conosco num círculo de serviço auxiliador, espero que tenham aproveitado o máximo os ensinamentos desta aula. Francisco acrescentou: ? Com as bênçãos Paternais, declaramos terminada a lição de hoje. A ti, Senhor, elevamos nossos pensamentos. Imensa satisfação estampava nos semblantes, assumindo conosco compromisso para na noite posterior os grupos deixavam o recinto. O SOCORRO Na noite posterior, logo que entramos no salão, avistei Caroline sentada na primeira fieira de cadeiras. Assim que me viu esboçou em largo sorriso. Evidenciando interesse, disse: ? Me sinto motivada a visitar este recinto. Com o coração saltando no peito, sorrir. Seja bem vinda! Temos imenso prazer de receber a mais nova integrante da turma. De olhos fixos em mim, de instante em instante abria nos lábios um sorriso encantador, que chamava minha atenção. Desconcertado, tentava me concentrar nas obrigações, mas meu sentimento correspondia-lhe o olhar. Entendendo que me interessava. Francisco, condescendente, gentil, incumbia-se do treinamento naquela noite. Como um aluno que se interessa pelo aprendizado, tentava esquecer a presença, Caroline se encontrava sentada em uma cadeira ao meu lado, e no silêncio de minha alma ouvia as explicações de Francisco. No entanto, não podia deixar o sentimento particular intrometer-se nas minhas responsabilidades. Como orientador responsável pelo treinamento dos novatos, me senti na obrigação de transmitir com alegria tudo o que aprendemos na estrada iluminada da vida eterna. Sofredores encarnados e desencarnados que necessitam de auxílio dependem de nossa boa vontade. Estimulado pelo desempenho dos novatos, o pensamento voltava-se para a sublimidade dos ensinamentos de Jesus. Com júbilo no coração, honrei a posição Hierárquica conquistada, confiante e sorridente, assumi o posto que me fora creditado. De repente, o novato pôs-se de pé e falou: ? A lição anterior foi profundamente significativa para todos nós. Devemos auxiliar os irmãos ignorantes e sofredores que permanecem no mundo material? É evidente, meu caro. Não podemos socorrer com remédio a quem tem saúde, conquanto o doente seja o necessitado. Aqui agimos em grupo. Sempre que um irmão precisa, prontamente atendemos-lhe as rotativas. Essa é uma escola ativa e santa, e os que se encontram no clima da boa vontade não devem perder o ansejo de colaborar. Se recrutarem os que sofrem, para instrução e consolo, aperfeiçoar-se-ão no sublime dever cristão. Somos humildes cooperadores de Jesus. ? Desculpe-me a interrogativa, mas... Embaraçando-se na pergunta permaneceu silencioso. Notando-lhe o ansejo por esclarecimento, sorrindo esclareci: ? Todos nós podemos ajudar, querer bem, interceder e auxiliar os nossos irmãos. Essa é uma forma de caminharmos de coração purificado para Deus. Passando-se alguns instantes do intervalo, uma prodigiosa estrada da luz finalizava no núcleo do vasto salão. Desembarcaram duas entidades, vieram recrutar missionários experientes para uma missão especial. Entidades em desalinho encontram-se perdidas nas regiões umbralinas. Necessitamos de missionários com experiência nesse tipo de ação. Herculano nos sugeriu que procurássemos pelo missionário William. Disse-nos que ele é muito hábil e que as entidades inferiores reverenciam sua superioridade. Acrescentou ainda que além de conhecer bem aquelas regiões pode conta com auxílio de equipe de nosso lar especializada nesse tipo de missão. ? Sim, irmãs! É verdade. Conheço aquelas regiões. Foram anos nas desnudas trevas, mas os tempos remotos de tempestades serviram-me de lição: As chamas que hoje em dia aquece-me a alma são as do amor ao próximo. Nosso Lar foi a primeira escola de aprimoramento que me deu a santa oportunidade de enxergar a abertura iluminada da vida eterna. Contemos com a prestimosa colaboração de antigos Companheiros fieis e aplicados, que vão nos auxiliar nessa missão. Certificando-nos da sinceridade das desconhecidas, convocamos alguns companheiros. Faltava um quarto de hora para a meia noite de sexta-feira, quando embarcamos rumo ao nosso lar. As duas da madrugada já nos encontrávamos em Nosso Lar. No Ministério do Auxilio aguardamos pelo ministro. Logo que entrou Antunes, gentil, cumprimentou-nos de maneira simpática. Em seguida convidou- me a um passeio pelas ruas arborizadas. Tudo estava exatamente como antigamente, entretanto meus sentimentos tinham se modificado. O que em outros tempos me parecia eloquente, ante a nova posição era como a luz de uma vela no meio da vasta penumbra. Não pude deixar de me lembrar, os ensinamentos que ali recebi serviram-me de amuleto no declive no abençoado caminho da elevação. ? O amigo parece já conhecer nossa cidade, disse Antunes. ? Ah... Sim. Fui habitante de nosso lar, depois de engatinhar por um longo período dei meu primeiro passo, e como uma criança que de passinho em passinho, caminhando em direção da mãe, alcança-lhe o colo, de coração aberto e confiante na Infinita Misericórdia do Eterno Pai, segurando firmemente a mão da abençoada evolução, sem fraquejar, empenhei-me em escalar a estrada evolutiva. Antunes: ? Continuou engatinhando, mas espero que, em breve, a porta do enriquecimento moral se abra para mim. Ainda não me desliguei completamente das coisas mundanas. Em minha última descida ao mundo físico, sofri descomedidamente. Meus familiares têm peles negras, enfrentam constantemente o preconceito da sociedade hipócrita em que vivem. Se não fosse a cor da pele, viviam de maneira mais confortável. Não se preocupe. Para Deus a cor da pele do homem não é importante, para Ele o importante é o sentimento que carregamos em nosso íntimo. A bondade do homem não está na pele e sim no sentimento mais profundo que a alma transporta. Sinto que aos pouco estou me afogando num imenso pélago de tristeza. Meus familiares carregam no coração a fé candente na prece do Evangelho de Jesus. Praticam a caridade, no entanto, ninguém lhe percebe a bondade dos seus corações, vê somente a cor da pele. Não se aflija. São pessoas que ainda não têm entendimento para entender que as pessoas de pele negra não são menos merecedoras. Com a névoa da tristeza encobrindo-lhe o brilho dos olhos falou: ? Aqui temos a mesma maneira de pensar, mas quando nos vestimos de carne passamos a pensar de forma totalmente diferente. Selando os laços de simpatia com um abraço, voltamos ao Ministério do Auxilio, onde o grupo aguardava por nós. As entidades que solicitaram nosso auxílio repousavam, serenas, enquanto esperavam o raiar do dia. Logo que o sol despontou no horizonte, Antunes nos apresentou um grupo com bastante experiência em diversos tipos de ação. Depois de Veneranda servir-nos uma soberba alimentação, seguimos para a região onde as entidades permaneciam enredadas nas penumbras dos pensamentos mundanos. Descemos alguns raios. Em posição que não podiam nos ver, nos preparamos para socorrê-las, Felipe, mais Honório, desceram ao solo, mas as entidades mergulhadas em pensamentos em desalinho não e perceberam estenderem-lhes a mão ? ?as grassas correntes constituídas pelo próprio pensamento em desequilíbrio, acorrentava-lhes de forma que impedia qualquer movimento que fizessem... enxergar a claridade da luz divina?. Formamos um círculo luminoso ao redor do local e com a força da oração acalmamos as infelizes padecentes, cercamo-as com uma corrente de salutares fluídos magnéticos, enquanto os companheiros de missão sustentavam a corrente com a prece do Evangelho. Eu acompanhava a descida das Entidades bondosas a quem auxiliávamos. Pouco antes de nos aproximarmos das infelizes, percebi uma forte e grossa camada fluídica, que formava as correntes que lhes aprisionavam na selva escura dos erros da vida transitória. Sem nada esperarem após a morte, nos intervalos das curtas experiências corpóreas, deixaram de aperfeiçoar-se moralmente, prosseguiram suas marchas pela larga estrada, caminharam sem rumo. Companheiro, não convém nos aproximar. Essa camada fluídica fora formada pela essência particular do pensamento negativo de uma delas, temos que descobrir a qual delas pertence. Não será tarefa fácil. Já se encontram presas a essa energia há algumas horas. Temos que libertá-las desta negatividade. Mantenham-se em prece enquanto as libertamos. Demonstrando-me simpático, transmitindo-lhes serenidade, perguntei: ? A quem de vocês pertence essa particular energia que impede as outras de prosseguir? Em silêncio absoluto, olhares percorreram o círculo, enquanto o grupo de salvamento sustentava a salutar corrente fluídica com a fervorosa prece em nome do mestre Jesus. Nessa hora Ananias apresentou-se como criador da energia que aprisionara as outras entidades, ergueu a mão, rompendo-se as correntes emaranhava-se na própria armadilha. Logo que as libertamos das correntes fluídicas de baixa vibração, aplicamos salutares fluídos restabelecedores e, em seguida, as conduzimos ao posto de atendimento. Enquanto se restabeleciam, as envolvemos com a claridade da luz eterna, e ensinamos a prece que Jesus nos ensinou. Em seguida, voltei com o grupo ao local. Outras entidades necessitavam de preces, mas quando chegamos lá já tinham deixado o local. Vamos prosseguir, não devem estar muito longe, essas Entidades caminham sobre o solo, suas baixíssimas vibrações impossibilitam-lhes de volitar. Ainda temos algumas horas, a oração abrir-lhe-á o coração para o sublime entendimento, então Deus, em sua Infinita Misericórdia, atende-lhes as súplicas. Ele ouve todas as orações e atende-as quando são feitas com a pureza do coração. A soberana justiça do Eterno Pai não condena a alma ao tormento eterno, dar-lhe uma nova chance. Arrependendo-se, nos desiguais intervalos da vida transitória, a alma, pouco a pouco, vai se aperfeiçoando e os obstáculos serão vencidos, pois já possui a precisa compreensão. Mais à frente, avistamos um grupo de cinco entidades, pareciam desoladas no mais completo dos abandonos. Umas seguiam as outras pelo caminho ermo da paisagem sombria, embora não houvesse entendimento entre elas, de certo a presença preenchia-lhes o vazio. No palco do terrível sofrimento a sombra do cenário era a grande platéia. Do alto, acompanhamo-lhes na passeata. Em lágrimas copiosas, uma entidade chamava pelo nome de alguém, dando-nos a entender que se tratava de algum familiar. Em pranto, não encontrei nenhum dos meus. Encontro-me na mais terrível solidão, apenas a escuridão me segue pelo deserto por onde tenho caminhado desde que deixei minha miserável condição de infeliz na vida transitória. Tenho andado sem rumo pela vastidão erma de um mundo de sombras sutil, as trevas têm sido uma presença constante. Nada vejo ao meu redor. Meu egoísmo, atualmente, me guia pela penumbra do caminho desconhecido. Quão vasta é a soma do egoísmo que meus pensamentos se estendem. Encobrindo a luz em volta de mim, projeta em meu coração a angústia de quando o corpo fora entretecido nas profundezas da Terra. A memória vestida de lembranças egoísticas. Meus olhos são privados de contemplar a luz que ilumina os dias, e o brilho da lua e das estrelas que presidem a beleza das noites é escondido de meus olhos. Em seguida clama: - Oh... Deus, tem piedade. Socorre-me. Tira-me das trevas e me faz enxergar à luz da Tua misericórdia. Nesse instante descemos em seu socorro, o pensamento entrelaçado nas lembranças distantes, impedia-lhe de perceber nossa presença, no instante em que a aplicação dos fluídos restabelecedor, como orvalho, desce sobre o monte, preciosas gotas cristalinas em forma de bênçãos caiam do céu sobre a cabeça da desencarnada, deslizava sobre ela iluminando-lhe o pensamento, as células do corpo espiritual luziram de forma magnificamente sublime. A sensação não lhe permitia perceber a presença das entidades que lhe faziam companhia na caminhada. Apesar de andarem em grupo, uma não sentia a presença das outras,, a escuridão da paisagem ocultava-lhe o sentido. IRMÃ ROSÁLIA A dois quilômetros de distância, avistamos uma humilde hospedaria no meio do deserto. Prosseguimos a ?caminhada?. Levamos conosco a desencarnada. Logo que chegamos, um simpático casal nos recebeu de maneira agradabilíssima. Observando-lhes a evolução, indaguei: ? O que fazem sozinhos neste deserto? A bondosa Senhora, com amabilidade, respondeu-me: ? Não estamos sozinhos. Temos aqui muitos amigos pertencentes à Hierarquia Celestial. Viemos para cá por vontade própria, para cuidar de irmãos que se perdem no emaranhado das lembranças da vida corpórea, necessitam de ajuda para se libertarem dos pensamentos impuros que trouxeram consigo do mundo. A cada seis meses um novo grupo, substitui-nos, enquanto descansamos e nos preparamos para melhor auxiliar os que padecem nas sombras do egoísmo que arrastam para o caminho eterno. Não ficamos sujeitos a ele, a elevação conquistada nos permite viajar para toda a parte, onde quer que sejamos chamados pelas missões que nos forem confiadas. Com a memória iluminada pelo pensamento benevolente, recuperam a bondade e a fé que olvidaram durante o período de suas vidas no envoltório carnal. Conosco aprendem os ensinamentos de Jesus, e com amor no coração colaboram, plantam e colhem ervas que servem de remédio para depressão dos recém-chegados ao mundo espiritual. Demonstrando interesse perguntei: ? Há quanto tempo é feito esse trabalho por aqui? Bondosa e serena a mulher respondeu: ? Não sei ao certo, mais já fazem algumas centenas de anos. Quando chegamos aqui o lugar era deserto, não era visitado nem mesmo pelas gotas d?água que caíam da chuva. Apenas irmãos em penoso sofrimento vagueavam pelas redondezas, mas logo que constituímos essa humilde hospedaria, Deus enviou chuva em abundância e junto à chuva veio o vento, e a vida brotou. No princípio não foi tarefa fácil, mas quando os que viviam nas trevas perceberam nossa boa vontade, atraídos pela prece que fazemos no amanhecer de todos os dias e no anoitecer, pouco a pouco foram se achegando, e quando terminava a prece se retiravam. Depois de algum tempo a prece tocou-lhes fundo o coração. Com os sentimentos transformados contribuem no trabalho que beneficia os que ainda padecem na selva obscura do próprio pensamento. Depois de uma rápida pausa convidou-nos para conhecermos a plantação de ervas, a imensa horta de ervas celestiais usadas na cura das enfermidades espirituais chamou a minha atenção. A grande variedade se destacava pelo esplêndido colorido das folhas, cores belíssimas, que eu não tinha tido o prazer de apreciar. Moviam-se suavemente com o sopro brando do vento. Em certo momento cheguei a pensar que entendiam o nosso sentimento. Tive a sensação de que as ervas nos transmitiam um certo contentamento. Cada espécie ocupa o espaço adequado, formando uma vasta manta quadriculada. Suas cores harmoniosas, uma magnitude sublime de contemplamento... A curiosidade não me deixou evitar a interrogação: ? Quantas espécies de ervas existem na horta? ? Milhões. Sempre que a chuva cai nascem novas espécies, dessa forma a variedade vai aumentando. Para cada enfermidade temos uma erva diferente, algumas são para enfermidade que desconhecemos, identificamo-la pela cor, quando idêntica a cor da erva. Cada doença tem cor própria. A amargura tem uma cor sombria. Se tratarmos com ervas de cor vibrante, poderá ocasionar enfermidade que não temos ervas para a cura. Interessando-me pelo conhecimento das plantas cultivas do mundo espiritual, perguntei: ? Quais as ervas que servem para curar da angústia? ? São as de cores sombrias. A angústia tem um aspecto acinzentado e úmido como uma nuvem que abafa o ar antes da chuva cair. Todos os males relacionados ao sentimento humano são de origem espiritual. A tristeza é um sentimento que nasce nas profundezas da alma, mas não sabemos a causa desse sentimento tão profundo que desencadeia outros males do gênero. Encarnada ou desencarnada a alma transporta no interior uma rede de males que provocam consternação, sem nenhuma causa aparente. Quando tem causa é passageira e ocorre somente no mundo material. A saudade tem uma forte ligação com a tristeza, no entanto é sublime, belíssima, como o brilho das estrelas, e puríssima como as águas cristalinas. Os mundos matérias são templos universais do aprimoramento maior, somente no envoltório carnal a alma desenvolve os sentimentos, sejam maus ou bons. Apreciar o feio com amor no coração significa ter sentimentos nobres. E quem constrói com amor não destrói, procura aperfeiçoar o que focou imperfeito a seu ver. No momento apropriado, Irmã Rosália trouxe uma desencarnada, encontrada vagueando pela escuridão do deserto. Caso não tivesse acomodação poderia transportá-la para o Posto de Socorro mais próximo. Evidenciando contentamento: ? Não se preocupe, William, ainda temos espaço para algumas centenas, aparentemente a hospedaria é acanhada, mas seu interior é vasto em acomodações. Ao apresentar a desencarnada, a irmã Rosália fixou-lhe admirada, e disse: ? Há quanto tempo, Eleonora. Desviar-se dos ensinamentos do divino Mestre é arrastar quinhões pela simples ignorância. Com os olhos alagados pelas lágrimas, falou: ? As trevas que me obscureciam o cérebro impeliam-me a trilhar o vazio do meu interior, os ferrolhos mundanos aprisionaram-me a alma nas lembranças da vida. Enlaçada nas cordas das imperfeições morais, sem ter à lamparina divina para iluminar a escuridão do caminho, as sombras sutis das trevas levaram-me ao isolamento. Com os sentimentos voltados para o mundo material, o peso da angustiosa solidão me fazia olvidar a sublimidade prece. No vagar sem descanso, a infinita misericórdia de Deus enviou-me o amparo. Orar faz bem. A prece nos traz numerosos benefícios. Jesus ensinou o homem a se proteger de si mesmo orando. Deixando transluzir tristeza no semblante, disse: ? Fui vítima do meu próprio egoísmo. Sorrindo elucidei: ? Quando não possuímos a devida compreensão a separação se torna dolorosa, a alma já parte para a imensidade cheia de perturbação e ansiedade. No além-túmulo o passado desenrola-se diante de nós. Sofremos as conseqüências de nossos atos que serão pesados na balança de uma rigorosa justiça. Os prazeres grosseiros da vida ilusórios irão causar grande sofrimento os que transportarem-se no cérebro essas lembranças, no momento em que forem esquecidas. Os Bons Espíritos fazem brilhar aos nossos olhos a divina luz, então o nosso arrependimento chega até Deus que, em sua infinita bondade, estende-nos o manto da Sua misericórdia. O arrependimento é a chave que abre a porta que precisamos atravessar para libertar a memória das lembranças egoísticas da vida e transportar para a futura existência a sensação de que o cessar da vida mundana faz despertar no Mundo dos Espíritos. Esse pensamento consolador irá acompanhar na vida transitória e fazer compreender que ao desligarmo-nos do envoltório carnal levamos conosco para a imensidade somente a inteligência, os conhecimentos, e as qualidades morais. ?Essa miúda bagagem? a alma carrega por toda a eternidade. Quão é a bondade e o amor do Eterno Pai que nos aponta o caminho do bem e ensina-nos a caminhar com humildade pelo seu caminho, mas sempre escolhemos o caminho que nos parece mais fácil... Depois dos esclarecimentos, com a fisionomia mais alegre e os olhos brilhantes, Eleonora abraçou-se à irmã Rosália, o pranto copioso de angústia passava a lágrima de alegria. Amparada nas bênçãos da misericórdia divina e confortada no doce carinho da bondosa irmã, experimentava a sublime sensação de felicidade, a ternura maternal organizava-lhe a energia interior, sentia-se amparada e feliz. Evidenciando contentamento, exclamou comovida: ? Deve ser maravilhosa a esfera de sua habitação! Expliquei: ? As esferas elevadas requerem esforço e trabalho, a elevação não nos distancia dos deveres sagrados de missionários, quanto mais alta a posição Hierárquica maior a abnegação. Trabalhamos intensamente no auxílio aos irmãos desencarnados que permanecem agarrados aos familiares, que se demoram no templo carnal. Libertamos os irmãos enredados nas teias da ilusão e encaminhamo-os no bom caminho, mas na maioria das vezes arrancamos-lhes apenas algumas lágrimas de arrependimento, mas logo caem novamente, e enredam-se nas sombras, por faltar-lhes perseverança no bom e reto pensamento... Esforçamo-nos para abrir-lhes a visão espiritual, mas os infelizes permanecem ociosos em si mesmos, encurralam-se entre a insensibilidade e a rebeldia, não percebem a presença da luz divina, nem a assistência desvelada dos abnegados mentores. Depois de absorver-se por alguns instantes, o olhar carinhoso da bondosa irmã encorajava-lhe a interrogação. E, aproveitando os poucos minutos que lhe restava de nossa presença Eleonora, perguntou: ? É preciso elevar-me moralmente antes de iniciar o trabalho em beneficio dos necessitados? Depois de uma curta pausa esclareceu: ? O mau pensamento é resultante da imperfeição moral, comprometendo-se no bom caminho, pouco a pouco a satisfação em fazer o bem vai transformando-se em pureza e simplicidade, mas é necessário arrancar do coração todo sentimento impuro. O amor e a caridade são bálsamos poderosos, pérolas sublimes que fará mergulhar nas alegrias da vida maior. E como um pássaro voa pelos ares e não se lembra da terra, elevar-se-á incessantemente até se impregnar da verdadeira vida, no seio do Onipotente. Deixando o grupo de Antunes em nosso lar, seguimos. Um quarto de hora antes de terminar a lição, chegamos a nossa esfera, ansiosos pelo descanso no seio aconchegante de nossas moradias, onde desfrutamos da luz resplandecente e vislumbramos os magníficos espetáculos do infinito e juntos aos que amamos gozamos de uma indizível felicidade. Enquanto os impuros, cheios de remorsos e pesares, gemem sob a opressão dos sofrimentos morais, sem se arrependerem, prolongam suas permanências nas trevas e sofrem pelos caminhos mais penosos na além vida. Quando percebem que conquistaram apenas sombras, e elas não podem abrir-lhes as portas para as moradas do Altíssimo, uma vez que em suas moradas o bem reina, e somente Espíritos purificados habitam nas esferas celestiais, já que não carregaram na alma perturbações do egoísmo nem a obscuridade das paixões... Mas felizmente não há desespero eterno, porque o Eterno Pai, que pode tudo, não quer que suas criaturas sofram para sempre. Para abreviar-se o sofrimento depende do próprio esforço, fixar o pensamento no bem encontrará a felicidade eterna. Se de outro modo fosse não conheceríamos a verdadeira justiça de Deus. Os justos são recompensados. Ao deixarem a Terra, voltam cheios de felicidade e paz ao mundo sublimado pela claridade Divina. Que os corações dos homens sejam consolados, e estejam sempre unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento dos mistérios de Deus. E cumule seus corações de toda alegria e paz em sua fé, inspirados pelos Espíritos do Bem. O MENSAGEIRO No vasto salão, Francisco, sereno, prosseguia abrilhantando o ambiente, com os ensinamentos do evangelho cristão. Recém-chegados regozijam-se. Sublime lição ensinou-lhes a caminhar confiante na infinita misericórdia divina pelos caminhos eternos. Levantou-se um novato de olhos expressivos e fisionomia serena e falou: ? Na véspera de vinha vinda para cá, um jovem, de olhos ternos, semblante harmonioso, traços serenos e transparentes como águas cristalinas, me olhava de longe, envolvia-me numa indizível felicidade e um orvalho suave como uma brisa de outono balsamizava o meu leito. Nesse momento senti me desliga da matéria, embora não soubesse que a separação era eterna. Senti uma imensa e inexplicável vontade de acompanhar o jovem que me observava à distância. todavia, na hora em que pensei em caminhar em sua direção, meus olhos avistaram uma majestosa luz que desceu do céu e formou de maneira magnificamente bela um círculo radioso em volta do jovem, dando-me a impressão de protegê-lo das vibrações densas. Ao fitar-lhe novamente, percebi que estava protegido por uma cápsula de película límpida. Depois de observá-lo por alguns instantes, desapareceu da frente dos meus olhos. Então olhei para o meu corpo carnal, vendo o cordão fluídico manter-se preso a ele. Na nona hora da noite a treva alastrou-se pelo meu leito. Era chegada a hora da eterna separação. Depois do desligamento total, a luz voltara mais brilhante. Ao meu lado direito, vestido em um belo traje luminoso, o jovem segurava a minha mão, e quando me apercebi já estava amparado pela sublime claridade da sua luz. Deu uma curta pausa e prosseguiu: ? Portava na destra um raio celeste, com aspecto de uma espada prateada brilhante como a lua, defendeu-me das entidades inferiores que penetraram no ambiente do leito, minutos antes da minha separação. No momento de trava, o cordão fluídico se rompeu, sem que percebesse. Quando a luz voltou, o cordão fluídico já tinha se desprendido do envoltório carnal. Todavia, a presença das entidades sombrias intimidava-o e um repentino pavor lhe dominara de forma inesperada. Com a alma embebida em profunda consternação, orou para que aquele momento de aflição não demorasse de passar. Conservando na memória a imagem serena da fisionomia harmoniosa do Divino Missionário, confiante fixou o pensamento no desejo sincero do amparo. Alegrando-se na oração, o jovem missionário olhou a humildade do seu coração, e, como o sol nascente nas alturas ilumina a Terra, a sublimidade da Vida Maior iluminou a treva de sua alma, conduzindo-o pelo caminho da paz. A cápsula luminosa transportou-o pelo declive da estrada da luz de apenas sessenta centímetros de largura, mais parecia uma estreita manta luminosa que se forma no céu e desce até a Terra. No meio da imensa floresta, a escuridão noturna não permitia observar com clareza a paisagem, porém, pode-se perceber Entidades primitivas embrenhadas no meio da selva, seus corpos perispiritual conservam as aparências grosseiras das matérias, as vestes rasgadas e os cabelos longos e eriçados lembravam Pastores do início dos séculos. Vivem na mais perfeita harmonia entre eles, acreditam que somente eles sobreviveram após a morte. A selva onde vivem é o céu que em vida acreditaram alcançar na morte. Sem a necessidade de se precaverem dos animais ferozes, sentem-se felizes no céu imaginário que se encontram atualmente. Com devotamento nos corações abrigam-se na floresta, respeitam as leis da Natureza. agradecem a Deus pela vida após de morte. Trabalham em beneficio do homem, inspiram humildes curandeiros na identificação das plantas que servem para cura das enfermidades do corpo material e com humildade inspiram também curandeiros a contribuírem com a ciência com seus humildes conhecimentos das plantas curativas. Seus feiosos aspectos não anulam a bondade de seus corações. São entidades que não conheceram sofrimento, antes nem depois da morte. Seus sentimentos são puros como de uma criança nos primeiros anos de vida. Agradavelmente surpreendidos com a nossa presença, com emocionada gratidão recompensa-nos com suas intensas alegrias espirituais. No entanto, não nos permitem por muito tempo no céu sombreado pelas árvores da floresta que criaram para si. Depois das elucidações o novato permaneceu em profundo silêncio. Percebendo-lhe a muda interrogação, o Novato disse: A lembrança da carícia da mão materna assaltou-me de súbito o coração. Nesse instante experimentei a doce sensação, embora se encontre tão distanciada de mim como a luz da treva. Sei que meu regresso para o além deixou a genitora mergulhada em imorredoura saudade. Quando percebeu que a alma não acabara com a morte do corpo logo lhe veio o pensamento: Agora terei de recomeçar... Entendeu. Teria que fazer uma longa viagem. Deixava a Terra com tristeza, despedia-se, sem alegria trouxe consigo uma intensa saudade. Não estava preparado para retornar ao mundo dos espíritos. Essa saudade que voa em volta de si como as nuvens no espaço é o atual sentimento do coração; a saudade da presença material. No largo e abençoado caminho a saudosa lembrança faz-lhe palpitar o coração, a morte da matéria abriu para ele a porta da prisão... As melancólicas lágrimas sempre voltavam a banhar-lhe o rosto assim como os minutos voltam às horas, e as horas voltam com o dia e o mostrador do tempo infinito gira, sua alma vagueava atordoada como um peregrino sutil, procurando pouso. E avançando sempre atingira a esfera onde atualmente habita. E com o auxílio do Bondoso Mensageiro alcançou o aperfeiçoamento moral. A saudade é vestígio do que passou. Essa recordação que se levanta em nosso interior é como poeira de caminhos percorridos. Todos nós deixamos o mundo, acrescentamos à nossa ?bagagem? a intensa saudade dos antes amados que ficam até completarem-se as provas de suas existências. Mas deste lado da vida o transcorrer do tempo ensina-nos a transformar a saudade em momentos de salutares recordações. Dessa forma auxiliamo-los, suas provas tornar-se-ão menos amargas para que não arrastem para a vida eterna os dissabores mundanos. E no final do estágio da vida transitória, acrescentem-se as suas ?bagagens.? Dessa forma voltará ao mundo espiritual enriquecido em aperfeiçoamento moral, transportando no coração a esperança de um futuro melhor. Com a fisionomia cerrada, olhar distante e pensamento fixo na lembrança materna, afastou-se para um canto do salão, e como água que cai da chuva e banha o campo as lágrimas incessantes banharam-lhe o rosto. Socorrido e levado para a câmara restabelecedora, caiu em sono profundo. E a interrogação adormeceu-lhe na memória. Depois de uma curta pausa, Francisco esclareceu aos novatos a importância do socorro aos que derramam da ?bagagem?, dolorosa lembranças do mundo material. O acréscimo da misericórdia divina se anexa, em definitivo, ao patrimônio da elevação moral, e através do esforço próprio recebe auxílio. Agora precisa voltar-se, com fervor, ao aproveitamento das bênçãos que recebera. Na véspera do último dia do curso fomos surpreendidos pela visita inesperada de um Mensageiro. Alegre, entrou no salão, trazia notícia dos companheiros. Herculano e Alexandre iam se demorar. A necessidade de aperfeiçoamento na esfera em evolução retardara suas voltas. Desempenham tarefas de sublime expressão que ainda não tivemos oportunidade de conhecer. Solicitava-nos relatórios do desempenho dos novatos nas atividades no período de suas ausências. Enquanto prosseguíamos, com jovialidade no coração, as elucidações, Helena mais Caroline, gentis, ofereceu-nos suas prestimosas colaborações no preparo do relatório. No final da palestra recebemos de suas mãos o relatório minucioso de todas as atividades no curto período da ausência dos Companheiros. Entregando em mãos, evidenciando a satisfação que o novato demonstra quando lhe confiamos uma missão, o Mensageiro partiu... Porquanto, aguardamos pela volta dos Companheiros à comodidade de suas eternas moradias. COLABORADORES DIVINOS Uma semana mais tarde, preparávamos, carinhosamente, uma surpresa para a chegada dos amigos, prevista para o dia anterior ao sábado, quando fomos designados para uma missão na zona sulina da esfera avizinhada, uma grande massa de desencarnados necessitados de auxílio, faltava médico com experiência nesse tipo de emergência. O ministro Liberato solicitava nossa prestimosa colaboração nas câmaras auxiliadoras, deixando nossas tarefas sob a responsabilidade do companheiro de Helena. Amimados com companhia da doce Caroline, prontamente atendemos à solicitação do Ministro. Assim que chegamos, notei a presença de Herculano e dei por falta do companheiro Alexandre. Todavia, as numerosas emergências não davam intervalo para interrogação. Quando tudo se acalmara, Herculano, com os olhos afogados em lágrimas, deu-nos a notícia de que Alexandre tinha sido designado para assumir o Ministério de Auxílio de uma esfera em evolução. Por um alongado período, seremos privados de sua companhia. Vamos ter que nos acostumar com a ausência do amigo. Com o brilho encoberto pelas lágrimas, seus olhos fitavam os meus que lacrimejavam abundantemente, e acrescentou: ? Sua missão requer esforço e serenidades. O desempenho dos habitantes lhe antecipará a volta. Com o auxílio dos moradores, nos regozijaremos muito em breve de sua presença. Depois, com uma expressão triste no rosto, voltou para o setor de emergência. Com a alma afundada no imenso lago de saudade, segui o exemplo do companheiro. Em obediência ao plano da ordem divina, durante algumas horas permanecemos no posto de Emergência. Colaborávamos com as equipes de Liberato. Os recém-chegados traziam os organismos perispírituais em dolorosas condições. Além do remorso natural que transportavam na alma, a lembrança do largo padecimento nas zonas purgatórias deixava-lhes em terrível desalinho mental. Silenciei comovido, para fixar minha atenção em um Idoso que teve um desencarne traumático. Experimentava o sofrimento. Em virtude dos vícios mundanos, tornou-se desprezível, e despertara antipatia de muitas pessoas. Ao desencarnar transportara para o plano espiritual ?dívidas que não quitara no mundo?. E aqui terá de valer-se do próprio esforço para libertar-se do sofrimento. Tendo a felicidade de colaborar no círculo de trabalho, um dia voltará à experiência carnal, porém em condições bem amargas... Com os olhos embaçados, exclamou o infeliz: ? Temo contrair novos débitos ao invés de pagar os das existências anteriores. É tão penoso vencer na experiência carnal. No instante em que eu retomei a palavra, Herculano interrompeu-me o curso da elucidação, passando a mão, de leve, nos meus ombros, e despediu-se, deixando-nos no Posto de Socorro. Liberato, ocupando-se dos encargos de seu ministério, prazerosamente cercando-nos de gentilezas, confiara a mim e a Francisco a orientação das equipes de atendimento de emergência. O momento era de atenção e não podíamos contemporizar. Com o contentamento sublimando-nos a alma, abraçamos a oportunidade, a nova experiência acrescentava-se com imenso proveito ao nosso valioso aprendizado no Plano Divino. Terminada a missão, evidenciando significativa expressão, Liberato aproximou-se, e dando-nos a impressão de que desejava esclarecer-nos, relativamente a sua ministrança, disse: ? Há muitos anos me esforço para conseguir melhores condições de aprimoramento para os habitantes desta esfera. No entanto, até agora meu projeto continua em fase de preparação... Aqui chegam diariamente muitos desencarnados vindos das zonas inferiores. Necessitam de nosso subsídio para suas evoluções. Se contássemos com os nossos irmãos que pertencem às hierarquias mais elevadas, tudo ficaria altamente bom. Todavia, o sublime aprimoramento dos Divinos Mensageiros, os habitantes desta esfera gastarão ainda muito tempo para compreender. O tratamento dos desencarnados em desalinho mental requer paciência e esforço dos nossos colaboradores. Mesmo os que já estiveram perdidos no lodaçal amargo deste Plano, confiam plenamente no auxílio dos que habitam nas esferas superiores. Entretanto, compreendemos que as atividades de auxílio são verdadeiramente sacrificais, comprometem-lhe os melhores esforços. Depois de uma breve pausa, fixando-lhe um gesto expressivo, disse: ? Seremos solidários, desde que esteja de acordo com o trabalho da vontade de Deus. Pausa. E, em seguida, Liberato convidou-nos a examinar o projeto de aperfeiçoamento para o enriquecimento da esfera. Junto de nós Caroline acompanhava a leitura do projeto com singular interesse. Embora categoricamente desprovida de competência para avaliar, comportava-se como criança curiosa que desmantela as coisas para entender como foram feitas. Da ampla janela do ministério, avistamos singelos edifícios e casas, onde operários e outros serviçais residem temporariamente, preparam-se para socorrerem habitantes do umbral que se encontram em perturbação e também as rogativas do que choram na Terra. Com um pouco mais de um século de existência, a esfera fica localizada em uma pequena ilha sublimada pelas maravilhas do Plano Celeste. Por estar situada em uma região montanhosa, as esferas avizinhadas desconhecem a existência. Somente quando o Plano Superior incumbe-nos de orientar seus habitantes tomamos conhecimento. Horas de nossa chegada derramavam-se do plano superior, em abundância, sobre a esfera, pingos fluídicos que balsamizavam o coração dos moradores. E logo cessaram os radiosos pingos luminosos, Liberato sorriu com simpatia. Nesse momento avistei uma formosa mulher vindo em nossa direção. Fitava-nos com os olhos serenos, grandes e negros como a noite. Ao se aproximar, cumprimentou-nos com um largo e admirável sorriso, e, em seguida, disse: ? Agradecida. E em nome das habitantes desta esfera dedico-lhes um poema, cujo título é dia de bênçãos. Nunca vi dia como este de agora... Como é claro e belo, brilhante como outrora... Abri a porta aos nobres amigos bênçãos A quem vem da esfera amiga. Quero a porta muita aberta... Vejo amigos, ouço sussurro das bênçãos Entrando pela porta. Missionários celestes lúcidos gesto e voz clara. Em brilho suave, rosto claro e alegre, De certo almas puras, trazem sublimidade e paz. Andam pela estrada da luz, Socorrendo os pobrezinhos que choram e clamam. Nesta hora os mensageiros divinos lhes socorrem... Ai! Se eu pudesse ajudar-lhes a socorrê-los. Transportá-los das trevas e tirar-lhes do abandono Para a luz e fechar para si as portas da escuridão. A beleza do poema mereceu muitos aplausos. Tão logo cessaram, a poetisa caminhou em nossa direção e se apresentou. Francisca Júlia e, em seguida, disse: ? Habito em outra esfera, mas visito diariamente o amigo Liberato. Auxilio-lhe no ministério, e de quando em quando visitamos pequenas esferas nas redondezas. Nosso pouco conhecimento nos dá oportunidade de nos aprimorarmos, colaborando com irmãos menos preparados. Minha poesia tem auxiliado os que vivem no vácuo do esquecimento total. Pouco a pouco recuperam-se-lhes as memórias. Grande número, a maioria intelectuais que no após morte isolam suas inteligências nesse imenso vácuo. A poesia desperta-lhes para a nova realidade. Depois transportamo-los para o Posto de Socorro mais próximo, para o tratamento adequado. Quando recebem alta, recompensam-nos dedicando seus esforços às tarefas diárias da esfera. Dessa forma aumentamos nosso número de cooperadores. Essa foi uma maneira que encontramos para o enriquecimento contínuo da esfera. Porém, a falta de pessoas gabaritadas, com conhecimento mais profundo na lição do Evangelho, torna-se uma preocupação. Alguns mensageiros, um dia do mês devotam-se ao ensinamento do Evangelho Cristão. Aos que aqui habitam, com apenas uma aula mensal retarda-lhes a evolução. Dizendo assim, emudeceu. Notando as lágrimas rolarem-lhe no rosto, comovido Francisco, com carinho paternal, enxugou-as dos olhos, e, endereçando-me um olhar terno, comprometeu-se, dizendo: ? No primeiro dia da semana, durante cinco meses, propomos a Evangelizar os habitantes do local. Proferido essas palavras notei que os olhos de todos do ministério estavam fitos nele. Maravilhando-se, Francisca Júlia deixava transluzir no semblante o contentamento do seu coração. Prontamente iniciamos a evangelização para os que se encontravam no Ministério. Francisco começou dizendo: ? Quando temos entendimento nada nos separa do amor do Eterno Pai. Em espírito, servimos a Lei de Deus, mas na carne à lei do pecado. E voltamos ao mundo espiritual, carregados de imperfeições que adquirimos em nossa temporada mundana, esquecendo-se que a carne caminha para a morte, enquanto o Espírito prepara-se para voltar à vida eterna. Pois somos vida e paz e vivemos pela justiça de Deus: a morte do corpo faz o Espírito que nele habita retornar às moradas do Altíssimo. Morremos para os vícios mundanos, e vivemos para Deus. Aqueles que se enovelaram nos erros da carne, ao separarem-se dela tornar-se-ão escravos da justiça divina, as impurezas e os débitos de suas existências condenar-lhes-ão às sucessivas reencarnações. Dessa maneira terão oportunidade de libertarem-se das imperfeições que lhes habitam a alma. Deus ressuscitou o espírito da morte, para que ele retornasse a matéria para a justiça se cumprir. Se não há lei não há evolução. Por amor a Deus intercedemos pelos que carregam grande tristeza no coração, pois somos co-herdeiros dos ensinamentos de Cristo Nosso Senhor... Depois de uma rápida pausa, Francisca Júlia exclamou encantada. ? A lição é maravilhosa!... Com a satisfação estampada no semblante Liberato acrescentou: ? Não imaginei que Francisco espontaneamente fosse nos dar sublimes esclarecimentos. Identificando-lhe o contentamento, Francisco prosseguiu: ? Quando somos escravizados pelas vaidades mundanas nos sentimos livres da Justiça de Deus, mas não estamos livres e sim a cumprindo. O templo carnal é a santificada prisão do espírito. Em seguida esboçou um sorriso e falou: ? Mas, graças a Deus, o desejo dos nossos corações è a oração e a obediência a Ele. Mais alguns minutos de agradável conversação, deixando marcado o nosso retorno para a semana seguinte, nos despedimos. Na volta para casa, o sopro brando da brisa proporcionou-nos uma prazerosa viagem. Recordando-se do poema de Francisca Júlia Francisco sorrindo exclamou: ? Nunca vi uma noite tão bela como a de hoje! E você William? ? No momento, não tenho alegria maior. AS MARIAS No vasto salão, a pequena Isabela e seu irmãozinho aguardavam pela nossa chegada. Com um lindo maço de lírios brancos nas mãos e a luz da alegria iluminando-lhes os semblantes serenos, ofertava-nos um admirável maço deles, colhidos no jardim, cultivados pelas abençoadas mãos de Benjamim. O gesto afetuoso das crianças mexera com a emoção mais profunda de nossos corações. Jubilosa, Sidália as colocou num belíssimo vaso de esmeralda. Pondo-o sob a mesa, olhamos maravilhados. Das pétalas, sublimes gotas cristalinas caiam e se espalhavam sobre a mesa. Pequenos movimentos suaves e harmoniosos formavam um extraordinário círculo luminoso ao redor do vaso. A luminosidade estendeu-se pelo teto e desceu formando uma magnífica cortina de luz que iluminou todo o recinto. Um espetáculo. Naquele momento não imaginávamos presenciar. Isabela, com um adorável sorriso nos lábios, fitou-nos os olhos, e deu dois passinhos para a frente. Evidenciando grande contentamento, alargara o sorriso e falou: ? Eu mais o meu irmão pedimos a Deus para nos ajudar, nos ouvindo Ele. Preparamos essa surpresa para suas chegadas. Em seguida, uma estreita passadeira luminosa se estendeu da porta da entrada até o lugar onde estávamos. De repente, uma jovem senhora entrou no salão. Deixava emanar dos seus olhos a paz irmanizadora balsamizar a atmosfera de forma sublimemente agradável. Impressionava-nos a serenidade da sua fisionomia. Evidenciando amor maternal, trazia nos braços o filhinho de Caroline. Ao entregar-lhe acariciou ternamente, enaltecendo-lhe o coração de grandíssima e preciosa alegria. Proferiu singelas e doces palavras, em seguida acrescentou: ? Aos irmãos que se esforçam no aperfeiçoamento, cinja-lhes de humildade uns para com os outros, porque Deus luta contra aos soberbos, mas dá graças aos humildes de coração. Aos sofredores tire-os das trevas e os conduza à luz, ensine-lhes a encontrar a paz. Pelo auxílio alcançarão a fé e a paz lhes será multiplicada. Porque é da Vontade de Deus... A cinqüenta quilômetros, mais alguns metros de onde estamos, há um pequeno vilarejo habitado. Inúmeras famílias vivem como nuvens sem água que se distanciam do céu pelo sopro do vento. Deus meu. Que triste novidade a irmã nos traz. Os vigilantes nunca levaram ao conhecimento dos seus superiores a existência desse vilarejo. Com uma névoa de tristeza comovedora encobrindo-lhe o brilho dos olhos, disse: ? O vilarejo encontra-se encoberto por uma espessa nuvem sombrosa. Os raios visuais dos vigilantes não conseguem penetrar a sombra. Demonstrando-me preocupado, indaguei-lhe: ? Como a informação chegou ao seu conhecimento? Sorriu e disse-me: ? A competência da missionária mirim. Isabela tem raios visuais poderosíssimos alcançam longas distâncias com nitidez e nos mostra com exatidão o local onde aja sofrimento. Compreendendo-lhe a visão, como nesse exato momento, informamos aos missionários em ação. ? E quando devemos enviar-lhes auxílio? Brevemente. Aguardamos a chegada de Herculano, prevista, para daqui a algumas horas, e decidiremos. No alongado intervalo, acompanhamos Maria a uma rápida visita ao Ministério do Auxílio. Emocionava-nos o carinho fraternal do Socorristas. Nessa hora a orientadora Helena entrou, surpresa falou: ? Estamos sendo abençoados pela sua presença. Venho solicitar auxílio de William e Francisco para algumas famílias que se acham perdidas em vilarejos sombrios. Um localizado na zona norte dessa esfera. Em sofrimento os coitadinhos não vêem a claridade da luz natural do nosso plano. Esse pequeno círculo ao redor dos muros protetores foi habitado. Desencarnados ansiosos para alcançarem os céus, seguiram pelo solo e chegaram a essa zona sombreada pelas nuvens projetadas pelas muralhas. Dessa forma evita-se que entidades inferiores enxergue-os. Embora muitas almas tenham praticado o bem, sustentando a fé no coração, após deixarem o corpo na morte, sem a presença dos mentores não conseguem volitar, e acabam por trilhar o caminho que lhes parecer melhor e terminam suas caminhadas antes de chegarem ao lugar que lhes é reservado. Crianças choram copiosamente, chamam pelas suas mães, não lhes percebem a presença. Homens e mulheres transportam nos corpos espirituais máculas das enfermidades da carne, e precisam, urgentemente, de serem transportados para as câmaras restabelecedoras. Alguns, na velhice, tiveram morte serena. Demoraram-se tanto na matéria que no processo natural da vida seus organismos já não reproduziam novas células para substituir as mutiladas no transcorrer anos. De forma que milhares e milhares de células foram se apagando e seus órgãos aos poucos deixando de funcionar, paralisaram de forma natural e causaram-lhes morte serena. Após a morte experimentam o sofrimento nas zonas desprovidas da luz. Sensibilizada, Helena gentilmente propôs-se a colaborar. Mães zelosas, separadas de seus filhinhos, que continuam com suas provas e expiações na Terra, prontificam-se ao amparo dos pequeninos que choram a ausência delas. Nessa hora, seus olhos expressivos lacrimejaram de emoção. Maria agradeceu-lhes dizendo: ? Oh! Eterno Pai, sublima o amor dessas mulheres para que devotem aos filhos alheios o mesmo amor que devotam aos seus legítimos. Eterno Pai, fazei com que as almas desses pequeninos inexperientes encontrem amparo nos braços carinhosos das Bondosas Marias, mães saudosas e amantes da fé. A profundidade das palavras tocou-nos fundo, quando se referiu às mães amorosas como Marias. Marias são almas de sentimentos maternais, cristalinos como gotas d?água que caem da fonte da vida eterna. E são santificadas pela nossa mãe Maria Santíssima. No final da pausa, seguimos para o pavilhão infantil, no imenso berçário, uma equipe de mães cuidadosamente preparavam as cápsulas incubadoras, que dentro de poucas horas seriam ocupadas. Enquanto isso, Edgard, feliz, acompanhava o primoroso trabalho de regulagem das câmaras no pavilhão masculino. Feitas de acordo com as máculas do corpo perispíritual, cujos órgãos estavam tomados por algum tipo de enfermidade, imediatamente transportamó-los para o Posto de Socorro. Depois de alongado tratamento são levados de volta para as câmaras, onde adormecem, sem presciência do abrir os olhos. ? Vejam, Herculano acaba de chegar ? disse Francisco ? Parece cansado. Sua fisionomia evidencia preocupação. Cumprimentando com um sorriso falei: ? O que aconteceu? O amigo parece insatisfeito. Gentil como sempre forçou um sorriso, e satisfazendo-me a curiosidade, informou: ? A missão fora extraordinariamente sublime. Preciso apenas de alguns minutinhos para me recompor da viagem. Quando viajamos desacompanhado o caminho torna-se mais longo e a demora é inevitável. Não pude deixar de sentir uma certa tristeza. Alexandre me fez muita falta, mas o pior foi ter que voltar sozinho. Experimentei a ansiedade de, pela primeira vez, me sentir só. Todavia, me vinha ao pensamento que havia inúmeros companheiros sozinhos, fazendo o seu caminho de volta, assim como eu. Em seguida, retirou-se, para que os preciosos minutinhos lhe trouxessem a bênção do merecido repouso. Depois de uma ligeira pausa para o descanso do Companheiro, nos reunimos para a importante decisão. Alguns minutos de conversação e logo depois enviamos equipes ao local. Jubilosa, Maria acompanhou a equipe feminina, designada ao resgate das criancinhas que sofriam na desoladora escuridão. A presença de Maria fez resplandecer a luz divina. O véu celestial se erguera, de forma magnífica iluminou a treva do lugar, onde os inocentes se achavam desprovidos de carinho maternal. No instante em que a misericórdia do Altíssimo desceu do céu, a jubilosa luz transluziu dos seus rostinhos e a paz penetrou em seus corações, sublimando-lhes do eterno amor fraternal. Amparados pela infinita misericórdia Paternal, regozijam-se. Cercados pela luz espiritual, eram transportados da escuridão. A claridade eterna fez jorrar em abundancia lágrimas de alegria. Com o tesouro do amor no coração, e o bálsamo da oração no espírito, no imenso berçário, as Marias as receberam, carinhosamente, acomodavam as crianças nas incubadoras, e a prece de ninar proporcionava-lhes o sono restaurador, e a certeza de que ao despertarem os dias sombrios já não estarão presentes em suas memórias. Surpreendendo-nos, Isabela elucidou: ? Aqui aprenderão lições novas e, depois de experiências úteis, cooperarão eficientemente conosco, preparando-se para o futuro infinito. Em seguida, de olhos atentos na porta, todas silenciaram. Passados alguns instantes, Isabela entrou, portando na destra uma ânfora estrelada como o céu. Nessa hora as Marias fizeram uma prece para Maria mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo. Concomitantemente, banhavam as mãos de Maria com salutares fluídos e as secaram com uma toalha de alvura admirável. Enquanto orávamos, caia do céu águas celestes, puras, quase fluídicas. Jorravam suaves. Magníficos pingos luminosos iluminavam, de forma enormemente sublime, o interior do berçário. Em seguida, as bênçãos e o bálsamo radioso da eterna paz envolveram o ambiente na claridade da luz confortadora. Depois de Maria contemplar, desvanecida, a Missionária mirim mostrando um belo sorriso, envolveu-a no seu abraço caloroso e terno, deixando duradoura impressão de felicidade, despediu-se das Marias e partiu. Amparada pelas bênçãos do Altíssimo, retornou para a esfera mais alta. Nota do autor espiritual, Maria a quem faz referência nesse capítulo. Não se fala da mãe de Jesus. PRECE AUXILIADORA No pavilhão masculino, Herculano e os companheiros sustentavam, com fervorosa fé, a prece auxiliadora. Nas cápsulas, velhotes inquietos. Suas compreensões não lhes deixavam abranger os benefícios apresentados pelos salutares fluídos restauradores. Com idéias fixas de alcançarem o céu, não percebiam que a infinita misericórdia Paternal lhes amparou, nem que a justiça ressurgir-lhes-á como as estrelas sempre e eternamente. Ante a inquietação que lhes torturava os corações, tornavam-se incapazes de aceitar os maravilhosos benefícios que as cápsulas retificadoras impunha-lhes o corpo espiritual à luz da Bondade infinita. Depois de conformados com os desígnios superiores que lhes havia trocado o rumo de suas experiências, começam a ver com maior interesse os assuntos do nosso Plano. Ao lembrarem-se da meditação no Evangelho de Jesus experimentam intraduzível alegria. Só então se esquecem dos lamaçais tediosos nas margens das velhas estradas que caminharam para chegarem até aqui. Com a suprema alegria inundando-lhes o espírito, a sensação de tédio não mais existe. Livres dos quinhões, os raios do alvorecer divino ilumina-lhes os sentimentos e lhes fazem perceber que as lições do Mestre revelam expressões desconhecidas de suas inteligências. Com os corações cheios com o bálsamo do amor Divino caminham confiantes e se esforçam na edificação de si mesmos. Acompanhados por nobres instrutores, o contentamento indefinível transparece-lhes dos olhos. E quando lhes verificamos o desejo ardente de colaborar em beneficio dos outros agrupamo-los aos cooperadores anônimos da felicidade alheia. Certos de suas voltas à carne, entregam-se de boa vontade ao novo aprendizado, compreendem que suas posições no plano terrestre agora ajustam-se aos valores do Plano Espiritual. Com a compreensão banhando-lhes os sentimentos, o sol de seus íntimos volta a brilhar e os conduzem pelos desconhecidos caminhos da vida eterna. E para alcançarem a elevação não precisam caminhar apenas uma milha, terão que andar muitas milhas, antes do resplandecer da luz do Pai Celestial diante deles. Porém, aqueles que cumprem os mandamentos verão a Grande Luz, pois serão recebidos nas moradas do Altíssimo. Pois souberam abranger as tempestades da vida, antes que as ondas da ventania tangessem para longe a bondade de seus corações. Os olhos do homem são as lâmpadas que iluminam os caminhos e seus pensamentos os condutores da vida. Se forem bons o percurso será iluminado. Se, porém, forem maus, como ovelhas perdidas do rebanho, caminharão nas trevas, e quando o arrependimento tocar-lhes o coração, alcançará a misericórdia do Eterno Pai. Os Mensageiros incumbem-se de lhes ensinar as lições do evangelho e curam-lhes as doenças e as enfermidades que trouxeram do mundo, ao raiar-lhes a luz da eternidade. Confiantes devotam-se a amar uns aos outros e orar pelos que sofrem. Deus conhece todos os nossos sentimentos. Até as nossas palavras Ele as lê antes de elas nascerem no nosso pensamento. O espírito é a pureza da emanação da essência divina. A morte é a vida que transita no espaço sem limites no tempo porque é eterno. A vida após a morte é uma ondulação progressiva no espaço e no tempo. Essa mesma vida volta à carne e traz em si reminiscência remota de um passado de além do esmo em que transitamos. Voam em torno do homem como as nuvens no espaço. Essas desconhecidas recordações trouxeram na alma quando reencarnaram em novos corpos, para ressurgirem em novas vidas. Voltar à vida das que delas partiram de surpresa, ?expulsos? antes de haverem concretizado sua missão. Só compreendem a vida de além-túmulo depois que atravessam o curso melancólico das lágrimas e avistam a luz do misterioso horizonte a iluminar-lhes. Cada experiência da vida transitória serve-nos de aperfeiçoamento. Cada vez que deixamos a matéria vislumbramos as eloqüências de caminhos que não tivemos chance de conhecer anteriormente. As estradas divinas são infinitas e cheias de misericórdia. Até na paisagem sombrosa do plano espiritual a luz está sempre presente. Treva total não há, a não ser na memória dos que sofrem, porque a impureza de seus corações não lhes permite perceberem a presença da luz misericordiosa de Deus. Depois dos esclarecimentos, endereçando-me um olhar de espanto, um novato perguntou: ? Os que voltam ao refúgio carnal, cada vez que deixarem a material faz um diferente caminho na volta para a eternidade? ? Certamente. Se a condição moral lhe permitir a volta lhe será mais luminosa do que nas anteriores. Alcançando o mais alto degrau da escada evolutiva a inteligência moral e a intelectual permitiram-lhe uma visão mais nítida da grandeza majestosa do mundo espiritual. Deu um curto intervalo e em seguida acrescentou: ? A infinita bondade que emana de Deus dá ao homem quantas chances forem necessárias para a sua evolução. Dessa forma o Todo-Poderoso faz com que a Sua justiça se cumpra. Cada existência é um novo aperfeiçoamento e cada aperfeiçoamento soma-se: essa pontuação acelera-lhe a evolução e auxilia os que amamos, estando eles encarnados ou desencarnados. A escola mundana é vasta em aprimoramento, o aperfeiçoamento é o avanço, o ingresso para as Hierarquias Celestiais. Findo o esclarecimento, com espontaneidade, o novato se apresentou no pavilhão dos idosos: ? Com minha experiência de médico no mundo terreno creio que posso ser útil nesse plano como enfermeiro, se necessário for posso fazer uma experiência antes de exercer a função. Caminhamos em direção ao vasto salão. Depois de longa conversação entre amigos, Herculano fitou-me longamente e disse: ? O plano superior designou-nos a uma visitação ao mundo terreno. O Doutor pode nos acompanhar, se quiser. Evidenciando anseio, o novato falou: ? Terei imenso prazer. As palavras de Herculano penetraram-me fundo e a emoção silenciou por alguns instantes. Com os olhos arregalados de alegria: ? E quando partimos? Depois de observando minha silenciosa inquietação, sorrindo: ? Calma, meu caro. Não vai ser preciso que os ventos nos obedeçam antes de partirmos. Percebendo o anseio do meu coração, dirigiu-me um olhar e disse: ? No terceiro dia da semana que se aproxima desembarcaremos no plano terrestre. Porém, antes, temos que orientar as equipes para as ocorrências diárias mais complexas. Não sei se o amigo concorda comigo. Caroline poderá prestar um excelente trabalho durante a nossa ausência. Tem se devotado com amor e eficiência ao socorro dos recém-chegados. Além dela, pudemos contar com as indispensáveis experiências de Edgard e mais Euclides. Maria Deli é uma socorrista competentíssima, pode perfeitamente me substituir. ? Tem razão. Para as emergências internas não temos ninguém mais organizada do que ela. Tudo acertado, nos recolhemos para algumas horas de descanso. Ao anoitecer, o vasto salão lotara. Desencarnados e encarnados, com a alma enobrecida na fé, juntos, como as águas do mar, oravam pela paz do Universo e dos mundos. No meio da multidão, meus olhos avistaram uma humilde mulher de meia idade, com a cabeça curvada, lágrimas escoavam-lhe abundantemente no rosto. Com a alma enlutada, a fisionomia demonstrava extremamente cansada. Depois de observá-la à distância por longo tempo, aproximei-me e fitando-lhe com serenidade nos olhos indaguei: ? O que traz tanta tristeza ao seu coração? Com a voz embargada e os olhos enevoados obtemperou: ? Sinto-me humilhada. Meu filho conspira contra mim e diz coisas que seus olhos não viram. Tenho suportado as ofensas que lhe saem da boca endereçadas à minha pessoa. Tenho orado todos os dias, mas parece que não sou digna, de uma resposta. Envergonho-me do maltrato moral que tenho sofrido. Quando saio na rua, curvo a cabeça para não ter que encarar os vizinhos. Meu incessante esforço para lhe ensinar a seguir o caminho do bem não tem ajudado, parece que no coração não carrega nenhum entendimento. Suas palavras são agressivas como as ondas das águas do mar, nas estações de tempestade. Sinto que algo triste e monstruoso coroi-lhe o íntimo. Somente a misericórdia que emana do alto para me livrar desse calvário. Sensibilizado com a dor moral do pobre mulher, acariciei-lhe as mãos e falei: ? Continuei orando. Quando todos tiverem acabado suas preces, nos uniremos em oração pelo seu filho. Fixando os olhos nos meus, delineou um gesto de contentamento. Agradecida, a mãe de coração aflito continuou orando. Enquanto meditava, o lume abrasador da esperança acalorava-lhe o coração, amenizava a dor moral que, como flecha, cravara-lhe o íntimo. Em seguida oramos: Senhor de infinita bondade vasta é a Tua misericórdia para com os homens. Ilumina as trevas do coração dos jovens aponta-lhe o caminho do bem. Senhor, faz brotar de seus corações sentimentos puros para que possam se fortificar em amor e na prática do bem. Senhor, livra-lhes dos maus pensamentos... E lhes faz regozijar no pensamento De amor divino. Cumula seus corações de uma nova plenitude de amor... Senhor, tira-lhes da estrada do sofrimento, para que possam cumprir seus deveres de homem no mundo. No final da prece, encarnados e desencarnados, por algum tempo permaneceram em vibração pelo jovem perturbado. Na alta madrugada, enquanto os desencarnados recolhiam-se aos seus abençoados leitos, os encarnados deixavam o plano espiritual para o encontro com seus templos carnais, adormecidos no seio de seus domicílios terrenos. SEMEADORES da PAZ No alvorecer do dia anterior ao dia da partida, reunimo-nos para as últimas instruções, antes do embarque. Designados a semear a paz no mundo material, minutos depois do meio-dia, com os corações jubilosos embarcamos para a descida, transportando na bagagem sublimes sementes da paz. Logo que iniciarmos a descida, magníficas gotas espalhavam-se, luminosos pingos de forma surpreendentemente espetacular caíam do alto, e rechearam de bênçãos celestiais o globo terrestre. ? William, observe, as gotas tocam o solo como grossos pingos d?água da chuva, e o sol continua brilhante como num belo dia de estação luminosa ? disse Herculano. Percebendo meu silêncio, bem-humorado sorriu e ponderou: ? Parece que não esta me ouvido, William! Desconcertado, desculpando-me, esbocei um sorriso: ? Estava com o pensamento distante, verdadeiramente não ouvi o que disse. ? Falávamos de o brilho solar. Percorridos alguns quilômetros, o Novato quebrava o silêncio dizendo que sentia saudade de quando tinha a carne como veste. Herculano fitou-lhe os olhos e sorrindo redargüiu: ? Não se preocupe, Doutor, a sua volta à matéria é tão certa quanto a morte. Em seguida, avistamos um grupo de abnegados Mentores, com devotamente fraternal, conduziam uma grande leva de desencarnados. Vestiam túnicas alvas como neve, levando nas mãos ramo verde. Cruzavam o largo horizonte em marcha lenta. Os romeiros seguiam em procissão, oravam pela Maria Santíssima, suas vozes ecoavam suaves em perfeita harmonia. Tangidas pelo sopro brando do vento se estendiam pela imensidão do espaço: ?Ave Maria, mãe de Deus, advogada nossa, intercedei por nós junto ao Eterno Pai?. A romaria chamara a nossa emocionada atenção. Admirado, fitei longamente a distância. Que procissão extraordinária! Jamais poderia imaginar assistir, no plano espiritual, um espetáculo como o que nesse momento desfraldava-se aos meus olhos. No começo da primavera, inicia-se a homenagem à Rainha do Céu e protetora dos homens que jazem nas trevas terrestres. Milhares de grupos de fiéis cruzam os largos horizontes, caminham em direção ao salão fraternal. As mulheres se unem em vibração fraternal pela paz e pela prosperidade dos encarnados e preparam novas levas de Espíritos purificados para a futura experiência. Com o véu escondendo-lhes os passados, renascem em diferentes condições sociais. Todavia, reencarnados, têm eles a mesma missão. Depois de um breve intervalo, continuou: ? Até a algum tempo somente os Católicos acompanhavam a procissão em homenagem a Maria. Atualmente, aos que na vida transitória devotavam-se às mais diversas doutrinas têm cruzado os horizontes para receberem de Maria, mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, as bênçãos da fraternização. Purificados pelas bênçãos da Maria Santíssima, voltam as suas atividades com a alegria do encontro vibrando em seus corações, devotam-se aos deveres morais e cristãos, se dedicam ao trabalho incessante, esforçam-se para colaborarem no processo moral dos irmãos menos evoluídos. Transportando sentimentos de amor ao próximo, com humildade, o devotamento e a abnegação eternizam a paz no coração, uma vez que ergueram os olhos para onde a felicidade jamais será perturbada. Ao deixarem a vida transitória, não transportaram na ?bagagem? influências que lhes fazem concentrar o pensamento nas coisas mundanas. No mundo souberam destingir a vida espiritual, infinita, da corporal, temporária, enquanto não chegava a hora de alcançar o Céu. Pausa. Admirando-se, evidenciando anseio, o novato falou: Não quero retardar a viagem, mas algo vibra em meu interior, incentivando-me a visitar o salão. Paramos e por um instante de olhos fixos acompanhamos os passos harmoniosos da multidão. Não contendo o anseio de nossos corações, somamo-nos à multidão. No imenso salão, as servidoras de Maria, tomadas pela bondade e pela doçura, cobriam os fieis com o bálsamo da luz suprema. Ao lado de Maria, Francisco e eu ensinamo-lo a orar, tocados pelo fervor da prece. Assim como o sol que se distribui para todos, confiantes nas bênçãos providenciais, espalhamos sob os encarnados salutares vibrações. Quando nos devotamos ao auxilio do irmão sofredor a caridade e a fraternidade reinam entre os homens. Assim evita-se que o egoísmo instale-se para sempre no coração. A luz divina clareia o caminho dos corações, que o sentimento de piedade anima-lhe a alma. Depois de uma breve pausa, prosseguimos. A uma pequena distância dali, uma agradável e inesperada surpresa. Alexandre voltava de uma missão. Demonstrando-se satisfeito esboçou um sorriso. ? E então, companheiro, como tem se saído em suas novas tarefas. Com um olhar significativo e uma expressão de felicidade, esclareceu: ? Tenho me esforçado pelo progresso intelectual e moral dos habitantes, para que na vida futura não tomem o caminho mais difícil. O esforço exigido nas ocupações do dia a dia aumenta e desenvolve-lhes a inteligência e lhes ajuda a compreender as grandes verdades morais. Grandes números, na Terra, conduziram a vida como selvagens, em contrariedade com a lei do progresso, que é uma lei de Deus. Ensinamos que é forçoso vencer as barreiras mundanas que os separam da verdade, antes de atingirem a vida eterna. Alguns julgam-se quites com a lei, porque observaram certos ensinamentos, e, no entanto, não conseguem desligar o pensamento das coisas que lhes pertenceram na vida material. Já que não carregam na alma o sentimento da verdadeira caridade, suas virtudes não chegaram até à abnegação. Ajudando-lhes a melhor compreender os ensinamentos de Cristo, eles tornar-se-ão, na vida futura, melhores cristãos, quando entenderem que Deus conhece a alma caridosa pelo perfume da caridade que esparge ao seu redor. Evidenciando interesse indagou o novato: ? Qual o caminho que melhor conduz o homem à verdadeira felicidade eterna? Sorrindo, Alexandre elucidou: ? A fé, a esperança e a caridade, estas três virtudes, incitam-nos ao amor fraterno. A verdadeira caridade é um conjunto de todas as qualidades do coração. A bondade e a benevolência para com o próximo abrem a porta para a felicidade suprema, pois são essas virtudes as negações absolutas do orgulho e do egoísmo. Esclarecendo o singular interesse do nosso inexperiente e esforçado companheiro, acenando-nos, continuou sua viagem. O tardar da hora exigia presteza, no avançar regozijando-nos, com o júbilo entesourando no coração, tomamos o rumo, designados a semear o bem na Terra. Minutos depois nos encontrávamos a poucos metros de altitude do solo. Iniciamos a missão pelos países em guerra, nos deparávamos com inimaginável horror do após morte. Desencarnados em guerra com os vizinhos de países estrangeiros, lutam incessantemente para vingarem a morte dos corpos que foram impelidos a abandonar. Pausa. À distância observávamos o confronto entre os guerrilheiros, mulheres terrivelmente feridas moralmente lutavam em defesa dos seus, enquanto os pequeninos, em desespero, choravam pelo amparo dos braços maternais. Carregando na alma a humilhação moral acometida de tormentos, impulsionados pelo sentimento de vingança, continuavam no além-túmulo a guerra que iniciaram na Terra. Estridentes gritos de pavor ecoavam no ar, indo mais longe que o estrondo de trovão, um verdadeiro horror. Invisível aos olhos carnais, mas visível aos nossos olhos. As ruas das cidades transformadas em torrentes de sangue e lágrimas transbordavam, uma veloz e assustadora correnteza enxurrava pela fronteira que separava os países, formando um imenso e fundo lago vermelho, que ali empoçou centrilhões de gotas de sangue humano derramado nas regiões, no transcurso dos séculos. Enquanto orávamos algo chamou-nos a atenção. Um guerrilheiro fitou longamente um estrangeiro, fixando-lhe por alguns segundos, reconheceu o estrangeiro morto pela sua arma, fora seu pai na existência passada. Nessa hora presenciamos um excepcional momento: sentimento de ódio e remorso, misturavam-se com a emoção. Instantes depois, vimos pai e filho abandonarem a batalha, fugirem, distanciando-se dos outros. Seguimo-los até que deixassem a fronteira, e livre dos olhos do exército que vigiavam a fronteira dos países, o abraço paternal entre pai e filho. Nesse momento recordações de suas anteriores existências deixavam seus corações alagaram-se de júbilo e esperança. Com os olhos inundados pelas lágrimas de emoção, Francisco sorriu e disse: ? No Evangelho cristão está escrito: um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai ao filho, e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão. Nesse caso o pai renasceu em país estrangeiro, que vive em guerra com o país vizinho, onde renasceu o rapaz que fora seu filho no passado longínquo. De modo que cada um lutava pelo próprio país. Com o véu encobrindo-lhes o passado, o filho matou o pai para que a justiça de Deus se cumprisse. O pai recebeu com amor o abraço do filho mesmo depois de ter sido morto por ele. Com as almas enobrecidas pelo perdão, a luz divina iluminar-lhes-á pelos caminhos da vida eterna. Abnegados mentores achegaram-se, envolvendo-lhes em abençoados fluídos salutares, sustentavam a alegria em seus corações, foram transportados das trevas para a claridade divina. Logo em seguida deixávamos o local e prosseguíamos com a missão. Com a fisionomia transluzindo satisfação, desde que cheguei no plano espiritual pela primeira vez tive a chance de participar de uma missão assim tão elevada. Disse o novato: ? No país distante do que estivemos anteriormente, o bálsamo da paz reinava em harmonia com a fervorosa fé no coração dos irmãos espiritualizados. Alegram-se os corações e fortalece-se em espírito, devotando-se a caridade e a fraternidade. Encarnados, cheios de benignidade já desde antes mesmo do nascimento na nova matéria, contribuem com o enriquecimento das obras do Senhor. Então Deus, o Eterno Pai, enche-lhes o coração de bondade e de todos os conhecimentos. Enche-lhes o espírito de serenidade e contentamento. Depois de uma breve pausa, encerrou a conversação dizendo: ? O bem divino manifesta-se pela ação da boa vontade humana, mas para isso é preciso conservar a pureza do coração e a santidade das intenções. BOM FRUTO Conversávamos animadíssimos, quando, de repente, Herculano convidou-nos a partir. Fora imensa a alegria do grupo. Dessa vez a sublime missão nos levara ao país consagrado Pátria do Evangelho, pelo edificante trabalho de evangelização feito pelos caridosos irmãos encarnados. Cooperadores de Deus enobreciam com preciosos grãos a belíssima lavoura de Deus. Evidenciando espanto o novato interrompeu: ? William, ao que se refere como lavoura de Deus? A humanidade. O Espírito encarnado é a lavoura que Deus cultiva no mundo terreno, assim como o homem cultiva o campo. Pelo Seu poder rega-a com amor, compreensão e entendimento, dar-lhe crescimento intelectual e moral. Nós somos colaboradores, bons frutos colhidos dessa lavoura. Pausa. João Evangelista, no curso das suas pregações, repetia estas doces palavras: amai-vos uns aos outros! O amor traz para a alma imenso beneficio. Os efeitos da lei do amor são o aperfeiçoamento moral das raças humanas. Desde o mais elevado até o mais humilde, transporta no fundo do coração essa essência divina, e compreendendo a lei do amor ela os conduzirá à gloriosa elevação. Quem ama, com amor imenso, o irmão em sofrimento, não conhece as angústias da alma. O amor é o germe vivaz que Deus depositou em nossos corações, no ato da criação. Esse germe se desenvolve e cresce com a moralidade e a inteligência. Amar sem destinação é uma larga e difícil tarefa para todos os irmãos na rota árida da existência humana. A Doutrina espírita ensina que o homem deve se elevar antes mesmo de despedir-se do corpo carnal, ampliar-lhe a visão do futuro. O devotamento à caridade e a fraternidade limpam o caminho dos obstáculos que lhe entravam a marcha. O egoísmo é o monstro devorador de todo progresso moral e espiritual do homem. Aos colaboradores do Eterno Pai cabe a tarefa e o dever de extirpar esse mal do coração do homem, para que sua alma possa elevar-se na escala do aperfeiçoamento. A caridade é o alicerce que sustenta a fé, e a fé o caminho que lhe dá ao coração a certeza do progresso para com Deus. A verdadeira caridade é um dos mais sublimes ensinamentos de Deus para o mundo. A caridade consiste também na benevolência constante, e em todas as coisas, para com o próximo. Depois de uma breve pausa o Doutor interrogou: ? O que quis dizer Jesus quando falou aos seus discípulos: Este é o pão que desceu do céu, em nada semelhante aquele que os vossos pais comeram e, contudo, morreram; quem comer este pão viverá eternamente? Reconhecendo o interesse no aprendizado Francisco olhou-o no fundo dos olhos e com a voz tranqüila como sempre lhe esclareceu: ? Obviamente que o pão da vida eterna que Jesus lhes falava é o pão do conhecimento. Falava da lei de Deus, mas nem todos estavam preparados para tais conhecimentos avançados. Ninguém sobe ao céu, senão aquele que de lá desceu. Jesus, na Terra, foi o centro de comunicação diretamente ligado a Deus. Quando ele partiu deixou um elemento de comunicação: O Espírito. Entre a vida do homem e a vida verdadeiramente inteligente, para que o Espírito encarnado pudesse se comunicar com o mundo espiritual. ? Há poucos instantes atrás, William referiu-se a nós como bons frutos da imensa lavoura de Deus. O que faz uma árvore produzir frutos bons outros maus? Francisco delineou nos lábios um sorriso. Ele pode esclarecer: ? O bom fruto é aquele que conservará na vida temporária a pureza e a humildade que Deus depositou-lhe no coração no ato da criação. Interrompendo-me, com uma expressão alegre, Herculano abriu um largo sorriso: ? Companheiros, acabamos de entrar na Pátria onde tivemos as nossas últimas experiências corpóreas. Nessa hora o Doutor deixara transluzir uma profunda tristeza, parecia ancorado nas lembranças, de repente algo lhe deteve a alegria. ? Não se alegra em visitar o país onde começara a nova escalada para a evolução? Com o olhar distante, e uma certa angústia na fala, obtemperou: ? Não tenho este prazer. Meu nascimento na vida transitória se deu do outro lado da fronteira. Aqui sou apenas um estrangeiro em missão em terra alheia. Sensibiliza-me o patriotismo dos companheiros. Já eu tenho verdadeiro devotamento pela minha pátria. Conservo na memória a lembrança viva da fisionomia cansada de um povo sofrido, submisso, as tropas do exército geram violência, despertam revoltas no coração dos que se sacrificam para permanecerem na carne e completar o tempo que lhes fora concedido pelo Altíssimo para suas provas e expiações. Recordo-me com tristeza do dia em que cheguei ao hospital. Encontrava-se lotado. Pessoas gravemente machucadas pelos homens do exército, depois de um esforço ininterrupto dos médicos para salvar-lhes as vidas, as enfermarias do hospital foram invadidas, e no mesmo leito em que dedicamo-los, carinhosamente, cuidados que lhes salvaram as vidas, eram exterminadas. E nada podíamos fazer para deter a violência. De lábios cerrados sentia a alma se afogar em angústia e corroia-me a entranha. Muitos foram mortos no instante em que delineavam nos lábios o sorriso, a recompensa que todo médico espera do paciente, se bem que levaram para a eternidade aquele gesto sublime estampado nos semblantes. Um demorado intervalo para enxugar as lágrimas e, em seguida continuou: ? Depois de um dia exaustivo cheguei em casa, cansado. Logo em seguida, escutei alguém bater continuamente na porta. Um desconhecido pedia-me socorro. Rapidamente peguei minhas ferramentas médicas e alguns medicamentos. Entrando no carro do estranho, ele seguiu para o local onde estava o doente que, na verdade, não era um enfermo, mas sim um ferido em estado gravíssimo, precisava de sangue para continuar a viver. Era opositor do governo, não seria aceito em nenhum dos hospitais da região. De sorte, eu tinha seu tipo sanguíneo, arriscava-me para salva-lo, levei-o para minha residência e doei-lhe meu próprio sangue. Mantive-o sobre cuidados até recuperar-se totalmente. Um homem de temperamento intolerável. Minha esposa fazia o papel de enfermeira. Diariamente traçava-lhe o curativo e lhe dava o medicamento na hora prescrita, e em agradecimento recebia palavras de insatisfação. Com o semblante carregado, em funda tristeza, e os olhos mergulhados em lágrimas, emudecera, instantes depois sentiu necessidade de continuar. No dia em que deixou minha casa, levara como refém minha esposa e meu primogênito de três aninhos de idade. O homem que lhe salvei a vida acabara por arruinar a minha. Dias mais tarde, o infeliz, novamente ferido, precisava com urgência de meus serviços médicos. Meu coração saltou de expectativa, o pensamento fixo em levar de volta comigo minha esposa e filho, fortalecia-me o espírito. Quando me preparava para ir ao seu socorro fui bombardeado com a notícia de que os dois estavam mortos. Naquela ocasião o sentimento de caridade e fraternidade, que carregava no íntimo, dava espaço para o sentimento de revolta, preparava-se para vingar a morte de seus entes amados. Com a dolorosa e inenarrável angústia dilacerando-me, não me recusei de socorrer o autor da dor intensa que corroía minhas entranhas. Diante do infeliz invés do médico o pai de família, com o pensamento fixo em antecipar-lhe a partida para o além, fiz o que as possibilidades naquele momento me permitiam para encurtar-lhe o curso na vida mundana. Felizmente não carrego esse remorso. De aquele dia em diante salvar vidas, ver o sorriso nos lábios do paciente salvo, não mais era compensador. O imenso vazio tomara conta do meu interior, as ondas mentais traziam de volta a lembrança do semblante sereno da minha esposa no seio doméstico brincando com nosso filhinho, revivia em sonho a felicidade do matrimônio, essa felicidade consolava-me nas horas amargas e estimulava-me a abraçar, com nobreza, a prática do bem. Varado de saudade, carregando no íntimo a dor da extrema separação, soluçando de angústia juntei os pedaços de mim para prosseguir vivendo sem o cárcere das amarguras que me prendia a solidão. Dedicando-me aos que necessitavam de serviços médicos, nas regiões mais carentes, conheci uma senhora, alma nobre, era como eu, sozinha, preenchera o vazio do coração, recolhendo das ruas crianças abandonadas e no seio do seu lar dava-lhes o ninho maternal que elas ansiavam. Vendo-a cultivar amor ao próximo, com tanto empenho, me propus a ajudá-la. A princípio estranhara, mas depois que conheceu minha história chamou as crianças para me conhecerem. Com o propósito de fazer por aquelas crianças o que não tivera chance de fazer pelo seu filhinho, crendo na influência e na vitória do bem, abandonava a profissão para dedicar meus cuidados aos órfãozinhos. O tempo avançara e o carinho dos filhinhos do coração me fazia compreender que era possível reaprender a sorrir. Então entendi que ninguém é totalmente sozinho, a não ser por opção. Antes das refeições, a zelosa mãezinha enchia de alegria o coração dos pequenos órfãos. Sentado ao redor da mesa à alegria abrandava as ondas tempestuosas de saudade que atingiam sem piedade meu coração. Com a voz embargada afogava-se no mar de lembrança. Instante depois continuou: ? Completava dois anos da partida da minha amada e do filhinho. Uma luz surgiu ao longe e pouco a pouco se expandia, vindo ao meu encontro. Estonteado com a sublimidade da indescritível claridade, pensei estar sonhando, quando me dei conta de que estava de olhos abertos. Uma voz suave atingiu-me os ouvidos, estático olhei para a luz e vi nitidamente minha amada. Segurava a mão do nosso menino, semblante sereno, olhos ternos, fitou-me longamente, esperei ouvir uma palavra que pudesse suavizar a dor da eterna separação. Com os lábios mudos acenaram. Em seguida a luz se apagou. Desse dia em diante de tempo em tempo desfraldava-se aos meus olhos, a vida de além-túmulo, silenciavam-me as lágrimas e acalmara o coração. E a luz da esperança iluminava a treva da estrada da minha existência corpórea. Cultivando na alma sentimentos benevolentes de caridade e fé, voltava a sorrir para a vida com serenidade... A sombra da solidão não mais alcançara meu coração. Anos mais tarde os filhinhos do coração, pela segunda vez, ficaram órfãos de pai. Aos quarenta e dois anos de existência terrena, Deus concedia-me a passagem de volta para o mundo além, então partia rumo a Vida Maior. De olhos erguidos para a face risonha da vida eterna, alimentava na alma a alegria, com a ilusão de deparar-me com minha amada, mas à frente da nova vida era surpreendido pelo esbranquiçado da imensidade do outro lado do mundo, ao invés do semblante sereno da esposa amada. Atravessei a faixa do sepulcro com o coração em treva. A ausência da presença almejada me fizera soluçar de tristeza. Sentia-me um viajor solitário no imenso deserto de névoa, num mundo desconhecido. Desencorajado, desisti de prosseguir. Voltei para o convívio dos órfãos, participava com eles das atividades, sentava-me à mesa e ouvia as orações. Tudo me parecia perfeito. Todavia me incomodava o fato de ser o único desencarnado habitando aquele lar, mas não sabia eu que rumo tomar. Sem ter com quem conversar, minha alma afundava num poço de tristeza. Em seguida a solidão. Lágrimas incessantes banhavam-me o semblante cansado. No cume da solidão a luz veio ao meu encontro. Quatro jovens vestidos de branco desembarcaram. Carregando uma maca vieram em minha direção. Assustado fitei-lhes rapidamente e pensei... Oh! Deus meu, será que não perceberam que estou morto? Como podem querer transportar um Espírito em uma simples maca hospitalar... Ouvindo meu pensamento, sorriram: ? Não se preocupe Doutor, vamos levá-lo para um Posto de Socorro no plano espiritual. POSTO DE SOCORRO De inicio, as lágrimas de felicidade lavaram-lhe incessantemente o rosto. Os socorristas do plano espirituais serviram-lhe água fluídica, saborosa e dulcificada. O liquido salutar lhe felicitou as bênçãos do sono. Ao acordar, uma imensa sensação de alivio, suave som da melodia celeste, em maravilhosa harmonia ao tocar-lhe fundo, seu coração inundou-se de sublime paz. Depois de longos dias de solidão, no caminho eterno da vida, abriu os olhos para a sublime claridade que emanava das esferas superiores. Sem saber de que estrela vinha a luz confortadora, o Doutor prostrou-se a fronte em gratidão. No novo mundo onde se encontrava lhe fora oferecido o leito acolhedor. Depois de dias consecutivos, soluçando amarga solidão, o conforto inesperado envolveu-lhe a alma. As vibrações positivas dos habitantes da esfera renovavam-lhe as energias mais profundas. Levantou-se da sombra da saudade e agarrou-se ao braço fraternal que se lhe estendia. Conduzido a um imenso salão, avistou, entre os que oravam em silêncio, os médicos espirituais que o socorreram. Percebendo o espanto estampado no rosto, o médico amigo aconselhara: ? Conserve-se tranqüilo. Todos estão orando pelo restabelecimento dos doentes desta esfera. A oração celeste constituía-se de sublimes notas angelicais que pairavam no núcleo do vasto salão. Vibrações de paz e alegria balsamizava-lhe o coração. A ternura dos médicos, e a fraternal devoção dos enfermeiros ajudaram na sua recuperação. Dias mais tarde, já se sentia integrado no mecanismo das tarefas diárias. No cair da tarde o médico estimulava-lhe com palavras animadoras: ? E então, Doutor! Sente-se preparado para devotar ao nosso círculo de trabalho sua prestimosa destreza? ? O convite é tentador. Mas temo não corresponder as suas expectativas. ? Pode fazer uma experiência. Caso não se adapte, iniciará novas tarefas. A ocupação ensina-nos melhor compreender os desígnios de Deus. Aqui todos além de colaborarem participam das atividades. No dia posterior na primeira hora foi levado ao Ministério do Auxílio. O Ministro, gentil, evidenciando simpatia, esboçou um sorriso e esclareceu: ? Estamos em uma esfera de primeiros socorros, próxima da crosta terrestre. Em nosso vasto parque habitacional temos vários edifícios com amplas e confortáveis acomodações. As unidades femininas são de responsabilidade da ministra Veneranda. Caso almeje visitar alguma amiga ou parenta terá que apresentar autorização. As unidades masculinas são livres para visitação. De modo que poderá visitar sempre, sim assim desejar. Nas ruas Um e Dois todas as unidades são ocupadas por criança de zero a sete anos. Acima desta de idade ocupam as unidades da rua Três. Lá recebem instruções, aprendem desde cedo a sublimidade da oração e auxiliam os menores em suas atividades. Com o âmago inundado de esperança, perguntou: ? O Ministro sabe me dizer se na década anterior uma formosa jovem de nome Talita e o filho Diego chegaram aqui?... ? Não posso lhe dizer, mas certamente Veneranda pode lhe passar essa informação. Venha, vamos até ela. As palavras animadoras de Alfredo fizeram seu coração saltar no peito. Alimentava a esperança de encontrar a amada que se despediu da vida sem dar-lhe o último adeus. ? Chegando no ministério, Veneranda. O Doutor procura pela esposa! ? Talita partiu. No ano anterior iniciara o curso da vida transitória na nova matéria. Diego permanece internado. Seu quadro requer cuidado especial. O pobrezinho continua ancorado na traumática cena da morte. Terá que voltar à matéria para superar o trauma. Renascendo como irmão de Talita, um ajudará ao outro no curto estágio de seus aperfeiçoamentos mundanos. Em breve voltará ao nosso plano, sem que as lembranças da desencarnação traumática aflijam-lhe o cérebro. Acabava de encontrar o filho. Contudo a notícia da separação, interrompeu-lhe a alegria do coração. Lacrimejando, com tristeza nas palavras, indagou: ? Para quando está prevista a volta de Diego à matéria? ? Não temos ainda uma previsão exata. Mas posso adiantar que será muito em breve. Aguardamos pela ordem do plano superior. A nova matéria lhe servirá de escudo para o esquecimento. ? Será que a Ministra pode satisfazer meu anseio, oferecendo-me um serviço nessa unidade? Esboçou um largo e agradável sorriso e disse: ? Imediatamente, Doutor. Vejo que tem condições para exercer a medicina. Entretanto os seus serviços nos primeiros estágios serão acompanhados pelos médicos com vasta experiência na medicina espiritual. A ciência mundana pouco pode fazer, ou seja, quase nada, pelas doenças do corpo Períspiritual. Entendo que queira acompanhar o tratamento de Diego, mas o caso dele é de responsabilidade dos especialistas nessa área. ? Não vou intervir. A Ministra tem a minha palavra. No momento só quero ficar perto do meu filho nesse pouco tempo que lhe resta no plano espiritual, antes de partir para o mundo terreno. Pausa. Logo que o sol despontou no largo horizonte, esperançoso seguiu para a unidade onde o filho se encontrava. Junto à equipe médica que trabalhava incansavelmente pela recuperação do menino, o pai, amoroso, sofria em silêncio a angústia de não ser reconhecido pelo filhinho querido. A dedicação do pai cuidadoso não despertara Diego do trauma da morte do corpo para a realidade da nova vida. Durante longos dias em funda aflição, acompanhou o quadro melancólico do filho. Quando uns poucos minutos de sono parecia dar-lhe o descanso preciso, despertava em súplica pela vida do corpo morto, e de quando em quando, nos poucos instantes de lucidez, recordava-se do carinho paternal. Todavia, a imagem do rosto apagou-se de sua mente. Passadas algumas semanas, percebendo a tristeza do coração impressa no semblante, Veneranda requisitara sua presença no ministério. De lá caminharam pelo corredor comprido que os levou a uma imensa e confortável sala de estar, belíssima, decorada. Soberbos móveis confeccionados manualmente com nobres matérias celestiais. Esplêndidos quadros de Artistas de nomes conhecidos no mundo terreno enfeitavam as paredes com seu alegre colorido. Todavia, desconhecia o motivo que o levou àquele lugar. Logo que entrou notou que um enorme telão, branco como névoa, ocupava todo o espaço da parede do fundo. De olhos arregalados de assombro, a sua curiosidade aumentava sem cessar e a vontade de indagar corroía-lhe o íntimo. A Ministra, entendendo seu anseio, disse: ? Venha, Doutor. Vamos ver a surpresa que lhe foi reservada. É inimaginável o que uma tela, visivelmente, comum possa nos transmitir no mundo espiritual. Sorrindo: ? tranqüilize-se e veja. No braço do sofá havia um botão luminoso. Ao apertá-lo, como um véu automático, a tela ergueu-se lentamente. Atrás de havia outra tela brilhante como o brilho de uma estrela. Desapontado, disse: ? Não pensei... que aqui também se fizesse brincadeira desagradável. Sorrindo obtemperou: ? Acalme-se, não é uma brincadeira. De olhos fixos na tela, se acomodava no sofá de maneira confortável. Inquieto se mexia o tempo todo. A Ministra sorrindo: ? Preparado, Doutor? As palavras se afogaram, antes que ele abrisse os lábios, a Ministra pôs a funcionar o telão. Da mesma forma que os encarnados assistem em televisores mundanos, imagens de países distantes que chegam em seus lares através da globalização, do mundo espiritual ao longe assistíamos o transitar dos encarnados no mundo terreno. Conhecendo o anseio de seu coração, a Ministra, tranqüila, adequava a tela, e trazia cada vez mais para perto as imagens do mundo material. Lágrimas de emoção banhavam-lhe o rosto. Diante das surpreendentes e belíssimas imagens, as velhas estradas que percorrera na vida transitória ficaram distantes do caminho que ruma atualmente. Deu um curto intervalo, em seguida continuou: Surpreendido, viu e reviu as imagens por diversas vezes. A ministra Veneranda apontou na tela a cidade onde Talita se reencarnou. Nesse momento sentiu o coração acelerar, qual era a sua emoção. Paralisava a imagem para mostrar na tela uma soberba residência numa larga avenida arborizada. e, em seguida, lhe perguntou: ? Deseja conhecer o novo lar de Talita reencarnada. Doutor, evidenciando contentamento, abriu um sorriso e disse: ? Sendo permitido apresento enorme prezar! Ao vê-la encarnada na nova matéria, seu coração encheu-se de júbilo. Sua esposa, refugiada no novo veículo carnal, os braços maternais a embalavam ao som suave da cantiga de ninar... De repente, um chamado interrompeu-lhe. Acabava de chegar do plano superior os Mentores designados a conduzirem Diego às câmaras, onde seria organizado seu processo reencarnatório. Na alvorada do dia seguinte, carregando no íntimo a vasta saudade, deixava os Companheiros que o acolheram quando lá chegou. ? O companheiro pode nos dizer o país onde sua esposa reencarnou? ? Sim. Neste país. para ser exato, na capital paulistana. Nossa missão estende-se por mais alguns dias. Temos tempo de sobra para visitar os familiares e entes queridos que começam o aprendizado na nova matéria. Antes de iniciarmos a missão vamos reservar algumas horas para um longo repouso... Daqui cada um segue para seu domicílio terreno. Após o descanso voltamos a nos encontrar. INFÂNCIA Horas depois voltamos à missão. Com sublimes gotas cristalinas de amor e paz começamos pelos bairros periféricos. Nas ruas crianças de pés descalços brincavam felizes, corriam de um lado para outro, com pequenos pedaços de sucatas improvisavam o brinquedo. Por longo tempo observamos a brincadeira delas. Dali seguimos. Em outro bairro o cenário se repetia, mas o elenco era outro. Ao longe se ouvia o contentamento da meninada. Ao aproximarmos, avistamos uma linda garotinha de cachinhos longos e dourados, olhar distante, carregado de profunda tristeza. A impressão que dava era de que pedia socorro com os olhos, grande tristeza deles emanava. Apesar de seus poucos aninhos de vida transitória, já soluçava. O peso da angústia que transportava na alma, o pensamento voltava-se para o suicídio. Insulada em um universo particular, não percebia o contentamento dos que brincavam em sua volta. ? Pobre garotinha! Devemos agudá-la. Herculano sorriu e obtemperou: ? William! Não percebe que não está sozinha? Os Mentores lhe fazem companhia, a garota é médium, terá pela frente uma sublime e longa missão. O fato de ver o que outras crianças não vêem a exclui do círculo de brincadeiras, o pensamento suicida lhe é inspirado pelas entidades maledicentes, com o propósito de perturbá-la. Todavia os mentores espirituais incumbem-se da sua proteção. Todos os médiuns, videntes e auditivos, passam pelas fases confusas da própria mediunidade. As aparições os fazem compreender a verdade. Muitos, considerados médiuns, vivem a ilusão; vêem apenas imagens criadas pela própria imaginação. Muitos são os que se dizem videntes, mas poucos são os que foram eleitos. Mostrou-se interessado no assunto: ? Como assim? ? perguntou o Doutor. Endereçando-lhe um longo e significativo olhar, Herculano esclareceu: ? Poucos são portadores dessa faculdade. A mediunidade é um tesouro sagrado que o Espírito transporta na encarnação. Somente ele conhece a chave que abre esse valioso tesouro. Todavia, para ver e ouvir além do mundo material, precisa a permissão do Criador. A chave que abre a porta iluminada que permite a visibilidade do invisível não é a mesma que a fecha, na maioria das vezes por tempo indeterminado: sendo o Médium merecedor, essa abençoada passagem estará sempre aberta. Depois de uma pausa continuou: ? A garotinha está experimentando a primeira fase confusa que lhe é própria da mediunidade. Essa fase passageira lhe servirá de entendimento para o alargamento da mediunidade. É natural que se disjunto dos amiguinhos. O desenvolvimento natural da faculdade mediúnica requer do que a possui certo isolamento para melhor abranger a vibração que gira em torno de si próprio. Todos os possuidores da mediunidade natural atravessam fases confusas idênticas a que a menininha tem atravessado nesses últimos dias... O estágio ser-lhe-ia doce como favos de mel. Todavia, a não aceitação tornou-lhe amarga que nem fel. A incredulidade dos pais tem grande responsabilidade na angústia que a menina carrega na alma, mas o tempo lhe fará entender que o que lhe parece treva na verdade é a sublime luz divina acendendo-se em seu interior. No fundo do coração muitas alegrias reservam-se nos largos caminhos que terá de cursar durante a vida transitória. A conversação tomava outro rumo. Francisco indagou: ? Para onde iremos agora? ? William acompanha o Doutor á residência de Talita reencarnada. Quanto a nós continuemos a missão. No final da tarde voltamos a nos encontrar. Pausa Em casa de Talita, abnegados Mentores apresentavam Diego ao seio amoroso do futuro lar, onde sua mamãezinha renasceu. Amparado pelos abnegados Mentores, evidenciava a imensa alegria que lhe abrasava o coração. A dolorosa reminiscência do instante em que se separara do corpo da morte não mais lhe abespinhava a memória. Se familiarizado com o ambiente, uma inesperada e agradável surpresa aguardava-lhe o momento sublime do encontro de Diego com sua mamãezinha reencarnada. Logo que seus olhos avistaram Talita, envolvido pelo brilho da felicidade do momento, de braços estendidos correu em sua direção. ? Mamãe! Mamãe!... Ao envolvê-la com um abraço, conscientizava-se de que sua adorada mamãezinha encontrava-se em uma nova matéria. Com o júbilo estampado no rosto de vê-la criança, viviam os últimos momentos jubilosos antes da reencarnação. Familiarizado com o ambiente onde irá renascer. Os mentores vibravam, em profundo silêncio aguardavam a hora assinalada pelo plano superior, para conduzirem Diego espírito ao ventre maternal. Acompanhamos, com os mentores, Talita ao aposento da querida mãezinha. Deitou-se ao seu lado e acarinhava-lhe a barriga. Nesse sublime momento a luz divina desceu vagarosamente do céu, vindo em nossa direção envolveu Diego espírito. Levando-o ao encontro do embrião no útero materno ele se mexeu no exato momento em que o espírito unia-se ao corpo carnal. Diego espírito deixou a vida espiritual para habitar a matéria que Deus lhe designou porquanto abrigada no ventre maternal. ? Mamãe, sua barriga se mexeu!... Sorrindo, disse-lhe: ? É o seu irmãozinho, dizendo que está tudo bem... Durante alguns minutos a luz continuou iluminando-o de forma elevada. Quando a reencarnação acabara de se concretizar, a luz divina deixou o ambiente, subindo de volta ao céu transportou os bondosos Mentores. ? É, Doutor, seu filho terá um largo caminho a percorrer. Na nova experiência encontrará no novo caminho a felicidade que não encontrou nas estradas já percorridas. Não contendo as lágrimas, disse: ? Estou muito emocionado. É a primeira vez que presencio o encontro do espírito com a matéria. Jamais presenciei antes a sublimidade de um momento assim. Fora um longo declive para alcançar o maravilhoso degrau da evolução, onde me encontro atualmente. Em seguida, deixamos a casa de Talita e seguimos para o local combinado para nos encontrarmos com os companheiros Herculano e Francisco. Logo que chegamos, Herculano quis saber as novidades: ? E então, Doutor, como se sente depois do que viu? Apalermado, redargüiu: ? O que vi não podia ser mais emocionante. Tive a satisfação de ver de perto minha cara metade encarnada num corpo de criança, uma doce e formosíssima garotinha, além de acompanhar o reencarne de Diego, sua união com a matéria que irá servir-lhe de transporte no mundo terreno fora magnificamente bela. Lembre-se que para o homem alcançar as esferas mais altas terá que renascer, para iniciar um novo aperfeiçoamento na longa estrada da vida. ? Tenho consciência do que diz. Mas a reencarnação não deixa de mexer com os sentimentos profundos de minha alma. Os obstáculos nos caminhos mundanos serão sempre... Preocupação para o Espírito que começa uma nova caminhada com o escudo carnal ocultando-lhe os caminhos andados por existência passada. ? O instinto ensinará a caminhar sem tropeçar nas armadilhas que se escondem dos olhos carnais. O bem é um caminho reto e seguro, a cravelha da passagem para as maravilhas do mundo espiritual. Na madrugada alta, seguimos para um lar onde um jovem, em desarmonia com os familiares, necessitava do nosso auxílio para libertar-se das fantasias ilusórias criadas pela própria mente. Enlaçado no pensamento egoístico fazia do ninho doméstico um verdadeiro núcleo de desequilibro, deixando seus familiares à beira do esgotamento nervoso. Nem mesmo o repouso noturno o faz olvidarem o desassossego que atravessara no dia anterior, de modo que o dia já se inicia com a sombra da mágoa, abafando-lhes o peito; pais e filhos despertam com o peso da angústia sufocando seus interiores, um simples olhar basta para que palavras ásperas lhes escapulam dos lábios, e durante todo o dia acarretem na mente as palavras angustiosas que ouviram logo após despertarem. Com a sombra do desapontamento aos seus redores, não percebem a luz que brilha em seus interiores, abrilhantando-lhes de alegria o dia que começa. O pensamento fixo nos problemas familiares intromete-se no rendimento diário do trabalho. Na maneira como nos esforçamos para inspirar salutar harmonia, irrigamos seus pensamentos com sublimes sentimentos de amor fraternal e semeamo-los no coração valiosos grãos da sementeira do entendimento e da fé. Quando inibimos a cizânia nos lares, a paz desabrocha em forma de alegria em seus interiores como as rosas desabrocham nos roseirais do campo. Naquele dia, eu e os companheiros acompanhamos o chefe da família em seu dia de trabalho. Inspirando serenidade, cercamos-lhe com salutares fluídos harmonizadores, para que no final do expediente o seu esforço fosse satisfatório. Esforçava-se para sustentar a serenidade que o envolvia em profunda sensação de paz. Logo depois o aspecto cansado desaparecera e seus traços fisionômicos eram iluminados pela clareza da paz que ancorava em seu interior. Esboçando um largo e simpático sorriso fez do seu dia um céu iluminado. Naquele momento, admirando-se, o encarregado do departamento onde Leonardo trabalhava olhou para ele e indagou curioso: ? Qual a novidade que te fez sorrir? Sorrindo, respondeu: ? Decidir encarar com alegria os problemas, já que a angústia não me ajuda a solucioná-los. ? Parabéns... falou o chefe. ? Parece mudado. Sendo assim vou desconsiderar sua demissão. Já esperava pela sua assinatura no final do expediente. Aparentemente mudado, me faz pensar em dar-lhe uma nova chance. ? Então fui salvo pelo sorriso, Chefe!... ? Sim, Leonardo. Seus companheiros de trabalho há muito tempo reclamam do seu humor. Alguns quiseram se demitir, mas não podia permitir que funcionários cumpridores de seus deveres me deixassem na mão por causa do seu humor. Leonardo levantou-se da cadeira, esboçando um sorriso singelo, com humildade, desculpou-se com os colegas. Nesse momento fizemos uma prece singela. Vibramos, pedindo ao Eterno Pai que a harmonia sustentasse a paz no ambiente: ? Eterno Pai, ilumina com a Vossa luz os corações desses irmãos encarnados, para que a harmonia se instale em seus interiores. Deus, de infinita bondade, faz com que a semente do amor germine em seus corações sentimentos de amor fraternal. Senhor, que a Vossa misericórdia, extinga do coração desses irmãos sentimentos de ódio e de mágoa, e que o perdão encontre-se sempre... presente em suas vidas. E sublime luz da serenidade aclare-lhes os pensamentos, e sombras não mais sejam obstáculos em seus caminhos. Corrija-lhe os vasos dos corações e mostre-lhes o caminho da paz... Enquanto oramos a exterioridade do ambiente pouco a pouco se suavizava. Quando terminamos de orar a sublime luz divina se acendeu e dos seus raios emanavam aramos do amor e da caridade e ampliaram-se pelo ambiente, fazendo Leonardo entender a aurora da felicidade. Observando-lhe o íntimo, vimos o contentamento reinar no seu coração. Nasceu um largo laço de amizade entre ele e seus colegas. O maravilhoso instante o fez compreender que a fraternidade deve ser praticada sempre; no ambiente de trabalho, fora dele, principalmente no seio doméstico. Deixamos o recinto, voltando, ele no final da tarde, ao seu local de trabalho. Logo que terminou o expediente seguimo-lo até sua residência. Nossa missão é ajudá-lo. Logo que ele entrou em casa, sua esposa percebeu-lhe o semblante sereno confirmando a impressão, fitou-lhe longamente, e falou: ? Você está com uma aparência saudável, meu querido. Vejo que teve um dia prazeroso e tranqüilo!... Evidenciando contentamento esboçou um belo sorriso. Com o íntimo pleno de doce sentimento, envolveu-o com um carinhoso abraço e acariciando-o de maneira gentil, disse: ? É verdade, meu bem! Sinto meu interior renovado, como se tivesse nascido de novo. Ela fitou-lhe os olhos serenos e falou com doçura na voz: ? Nosso filho parece também ter passado por abençoada reforma íntima! Graça a Deus a tempestade se acalmara, mas é sábio conservar em nossos corações a paz que sentimos no decorrer do dia... ajudar-nos-á a equilibrar a harmonia do ninho sagrado que é o nosso lar. Com interesse em nos ajudar, a vizinha convidou-nos para participar da leitura do Evangelho. Logo mais à noitinha os amigos vão se reunir em sua casa para sublime leitura. Nosso filho surpreendeu-me quando disse querer participar. Quem sabe essa reunião nos mantenha unidos e conserve em nossos interiores a paz que almejamos. ? A razão está sempre com você, minha querida! Marque com Otília, à noitinha nos atrelamos ao grupo e, unidos, aprenderemos a lição. No horário marcado, todos se reuniram na casa de Otília. Não faltava compreensão do dever. O programa era o ensino no capítulo da evangelização para os irmãos que se devotavam ao aprendizado com ansejo de aprender. Desejosos de renovação, Leonardo e sua família sentaram-se entre o número de participantes. Logo que começou a singela reunião, em meio dos estudos evangélicos, notei que parentes desencarnados de Leonardo, em significativa elevação espiritual, tinham a tarefa de auxiliar os mentores que ali compareceram para fortalecer a fé dos encarnados na oração. Terminado a leitura, o avô paterno de Leonardo, valeu-se da mediunidade de dona Otília para deixar sua mensagem. Meu netinho amado. Sinto necessidade de expressar meus sentimentos na alegria e na saudade que me tomam o coração. Sem as algemas, que antes me aprisionavam a carne, conquistei a liberdade. Mas tenho agora a paz da vida imperecível em que já me encontro. Retornei do mundo para a bênção da vida eterna. Brisas passam sublimes ondas de sussurros embalam-me a felicidade Eterna. Claro que ainda choro, porque as lágrimas são orações sem palavras nas horas de saudade. Mas tenho plena certeza de que um dia nos encontraremos na eternidade. No mundo, a sombra do próprio mundo obscurece a visão. Todavia na realidade eterna colhemos os frutos que espalhamos no campo do bem. Com os olhos encobertos pelas lágrimas de emoção, Francisco elucidou: ? É, companheiros. Uma só gota de lágrima que enxugamos nos olhos de um irmão angustiado, uma palavra de consolo e de estimulo, uma prece que oferecemos a alguém que se encontre caído nos espinhos do sofrimento ou na treva do desânimo, serve de benefício para a nossa felicidade real, enriquecendo-nos a estrada da luz e incentivos santos. Com o ansejo de aprender cada vez mais, indagou o Doutor. ? O bem e a caridade que fazemos na terra falam de nós aqui! ? Sem dúvida, Doutor, desde que seja praticado com amor no coração. Depois de um dia cheio de séries de atividades longas e exaustivas recebemos reforço de energia, alimentamo-nos convenientemente para prosseguir no esforço que exige a missão. Depois de trabalhado intensamente durante o dia, à noite necessitamos de descanso, buscando no santuário doméstico o repouso indispensável. A caminho fiz uma singela prece, agora para nós mesmos. Amado Mestre, abençoa a nossa hora de prece que Te oferecemos, em sinal de carinho e de gratidão. Ensina-nos, Senhor, a cultivar a paz pelo esforço do bem. Transforma a água viva dos nossos sentimentos em doce realidade. Dai-nos, Mestre, o espírito de consagração aos nossos deveres. Ajuda-nos a ser teus fieis servidores. Ensina-nos a compreender a extensão do trabalho que nos confiastes! Abençoa nossa missão, para que saíamos vitoriosos e fortalecidos na bênção do Senhor, nosso Eterno Pai. INTERNOS Acompanhado na curta viagem, o Doutor seguiu com Francisco para a cidade onde residira na existência corpórea. Herculano me acompanhou a uma abreviada visita a um hospital psiquiátrico. Assim que chegamos procuramos pelo mentor que nos fora indicado por um amigo de posição hierárquica elevada: ? Amigo. Sr Geoconimo mandou que procurássemos pelo Dr. Santório. É um velho conhecido, aguarda pela nossa visita! Deixando-nos por um instante, retornou em companhia do Dr. Santório, que nos recebeu com afabilidade e singeleza. Aclarando-nos as aflitivas questões de problemas mentais, pousaram em nós os olhos firmes e lúcidos, não apenas com interesse, mas também com a bondade de um irmão enternecido. Não ignorava a motivo que nos levou até lá. A primorosa ?bagagem? de memória e experiência que se fazia portador deixava-nos maravilhados. A nossa visita era para um conhecimento mais amplo das faculdades psíquicas, com a simplicidade possível. Em alguns casos, os problemas mentais foram considerados pelo Dr. Santório em um considerado número de pacientes, mediunidade obsessiva crônica, ou seja, irreversível. Equipe da espiritualidade colaborava em diversos setores de trabalho desde o mais alto posta ao mais simples cargo de serviçal. Não havia tempo a perder, seguimo-lo prestamente. Em uma vasta área numerosos pavilhões, pacientes agressivos de ambos os sexos com problemas mentais considerados graves, são mantidos isolados de outros pacientes, suas agressividades são controladas pelos medicamentos diários. Dão a impressão de viverem num purgatório terrestre. Parecem verdadeiros animais indomesticáveis em corpos humanos. Infelizmente o conhecimento dificulta ao homem como destingir o espírito de um humano do de um animal indomável. Uma vez que não cabe, no momento, nenhum relatamento a respeito do assusto. Levar-se-á um tempo para dizer-se a respeito... Os degraus de conhecimento que já escalamos permitirá falar desse assunto. Depois de um pequeno intervalo, Santório convidou-nos a ouvir um interno que entre um delírio e outro falava de um mundo material onde vivera anteriormente. Não nos fazemos de rogado ante obsequioso convite. Antes de entrarmos nos aposentos do Interno, pediu-nos que auxiliasse na oração. Logo que entramos, encontramo-lo rodeado de entidades. Surpreendia-nos o valioso tesouro de conhecimento que transportam nas memórias. Pousando em nos os olhos serenos e lúcidos nos cumprimentaram como se fôssemos velhos amigos. Respeitando a nossa posição hierárquica com afabilidade, a mais experiente fixando-nos indagou: ? Que assunto lhes trouxe até aqui?... Santório olhou-a nos olhos e falou: ? Sou mentor desta Instituição, William e seu acompanhante são convidados, vieram avaliar os problemas psíquicos dos Internos. Desculpe-me. Somos portadores de vastas experiências no campo psíquico. Viemos em missão especifica. Queria me desculpar por não perceber a intenção.? disse Santório. Já fizemos uma avaliação completa do interno do leito cinco. É um espírito dócil, porém sem a agudeza para o curso da experiência no mundo terreno, como um animal domesticado, ouvi e entende-nos perfeitamente, no entanto não consegue se comunicar. Na futura volta à matéria, provavelmente a inteligência do campo mental responsável pela fala já terá se desenvolvido, pouco a pouco os campos celebrais responsáveis por outras atividades desenvolver-se-ão, dizendo: William é conhecedor, no mundo terreno, como médico. Na existência anterior acompanhara de perto a dificuldade da ciência para identificar no cérebro humano o campo responsável pelos problemas da mente. já que nem sempre os problemas são mentais, mas sim obsessivos. Noutros o motivo é o mesmo do interno do leito cinco. Sorrindo: ? Algumas vezes me senti impotente ante o paciente, somente no mundo espiritual tomei conhecimento da verdadeira causa do problema. Então pude compreender que nem sempre as células nervosas do cérebro são a fonte dos problemas psíquicos. Muitos têm origem na própria inaptidão do espírito por sua inteligência se encontrar ainda em fase inicial de desenvolvimento. Santório gentil falou: ? Se os amigos não tiverem outro compromisso poderão acompanhar conosco as atividades dos internos. Logo mais à noite temos estudo sobre a mente humana. Herculano esboçou um sorriso e disse: ? William! É uma boa oportunidade para aprendermos um pouco sobre o assunto. Não lhe parece proveitoso? ? Sem dúvida! A ocasião é de oportunidade para o enriquecimento da nossa ?bagagem?. Não devemos dispensar. Sem falar que o que aprendermos podemos auxiliar outros irmãos. Os internos cujas condições permitiam, participavam de atividades internas, em companhia de enfermeiros espirituais. Na hora do lazer, solidários uns com os outros, com contentamento estampado nos rostos, no meio do esplêndido carpete da grama, um estreito caminho que leva ao singelo campinho de futebol. Enquanto corriam atrás da bola que rolava no gramado, a arquibancada invisível aos olhos carnais, lotara, desencarnados que tiveram na vida mundana a instituição como lar, unidos, com alegria vibravam pelos irmãos que brincavam, no jogo. Sem as regras do jogo, vibravam pelo próprio adversário, e no final todos se sentem vitoriosos. Enquanto esperávamos a noite chegar, Santório nos levou para conhecermos as áreas externas. Se bem já conhecíamos magnífica paisagem, de longe se avistava a área acarpetada pelo belo gramado. Singulares letras em mármore branco na parte elevada do gramado formavam o nome André Luiz. Aos olhos de quem visse a distância, dava a nítida impressão de iluminar o verde do campo como as estrelas iluminam na noite o azul do céu, gravava-se na memória o contentamento que nos envolvia de súbito. Depois da agradável caminhada pelo parque de entretenimento, na dependência privada da instituição, pausamos por algumas horas, em conversação reservada trocamos largas experiências. Endereçando-nos um olhar, Santório, como quem não mais dispunha de tempo para conversação, apenas, disse-nos: ? Vamos voltar ao leito seis do pavilhão onde estivemos anteriormente. Logo que entramos, o interno arregalou os olhos. Admirava-se de nossa presença. ? Céus ? clamou impressionado. ? É possível voltar depois da morte? Será que a vida continua mesmo depois de sermos sepultados na escuridão eterna da profundeza da terra? Ao vê-lo assombrado, sorrindo, Santório disse: ? Como não! A matéria morre, mas o espírito continua vivendo na matéria sutil. Se assim não fosse, nesse momento não estaria nos vendo. Demonstrando enorme curiosidade fez indagações. O homem, de olhos arregalados, silenciou. De repente ponderou: ? Se se vive depois da morte, alguém pode me esclarecer por que Deus mantém-me preso ao leito do sofrimento? Fitando-lhe um olhar doce, Santório disse-lhe: ? Acalme-se. A treva em que se encontra servir-lhe-á de luz no largo caminho do aprimoramento futuro. Forçando um sorriso, fixou-nos os olhos desmesurados, sem expressão... E, em seguida, a sombra psíquica obscureceu a janela de sua vida, fazendo-o afundar-se no estado vegetativo. Enquanto observávamos o homem, no leito ao lado do seu, vimos um Senhor deixar o corpo. Observou à sua volta, deixando o ambiente. Seguimo-lo, fora do corpo. Não percebeu a nossa presença. Caminhou rápido em direção do salão de reuniões, lá se encontrou com uma jovem de pele alva e traços delicados. Sorriam feitos duas crianças, de mãos dadas, foram até a cozinha, se encontraram com outros internos, desligados do vaso físico, buscam diversão com o contentamento impresso nos rostos e o sorriso nos lábios. Corriam pelo gramado. Pouco tempo depois, o grupinho que vibrava na arquibancada algumas horas antes, surpreendia-lhes com suas presenças. Deram-se as mãos, formaram um enorme cordão humano, em passos lentos andavam em linha reta, como se temessem tropeçar nos próprios limites. Elucidou Santório: ? Essas almas afundadas na insanidade trazem desde o berço alicerces no mal... Recebem no leito visita de desencarnados de mentes desequilibradas que lhes cercam desde a infância. Na maioria o problema tem origem na obsessão. De certo os Espíritos que os visitam não são simples curiosos, mas blasfemadores e reinantes no mal que se comprazem... em agravar as insanidades. Como vemos, se afinam numa perfeita comunhão com as entidades sombrias. Os espinheiros que plantaram na existência anterior colhem no leito da experiência atual. Cada criatura, com os sentimentos que lhe caracterizam a zona intima, emite raios específicos e vive na onda vibratória que o pensamento arremessa... O sentimento bom ou mal que emana do interior, envolve e domina o pensamento. No momento de instabilidade emocional causa violência ou até mesmo depressão. O pensamento humano se movimenta como as nuvens se movimentam no céu, e em seus movimentos emitem raios vibratórios salutares ou hipocondríacos. O pensamento trabalha de acordo com a emanação do sentimento, seja ele bom ou mau, uma vez que essa emanação vem do sentimento que nasce no fundo da alma. Afastando-nos para um canto da enfermaria, notei em torno do leito de número seis uma equipe médica espiritual. Velavam o interno em crise vegetativa, comum em pacientes com doenças mentais consideradas incuráveis pela medicina terrena, porém simples na percepção da ciência espiritual, embora a cura dê-se somente após deixarem os corpos da morte, enquanto Deus não permitir que o véu se erguesse, dando-lhes passagens para o outro lado da vida. Enquanto permanecem nos casulos de carnais. O Espiritismo ilumina os caminhos da ciência e aponta as causas das doenças psíquicas, das conturbações mentais, psicose, obsessões etc!... Santório, sorrindo, disse: ? É isso mesmo, William. O médico que segue a doutrina espírita tem um diagnostico mais preciso. As crises obsessivas e vegetativas dos internos, a doutrina espírita explica claramente as rápidas mudanças de comportamento, do estado de agressividade ao vegetativo, induzido pelos médicos espirituais para olvidar o preso das obsessões crucificais. Ao deixarem a matéria, recebem magnetismos anestesiantes. Transportados para o Pronto Socorro espiritual permanecem em tratamento para que as reminiscências do curso da vida transitória não lhes afixem nas dolorosas e amargas recordações. A Bondade Infinita, que emana de Deus, engrandece o sentimento e faz entender a Sua infalível justiça. Pontualmente, às oito horas da noite, nas câmaras onde são realizados os tratamentos espirituais dos internos, no fervor da prece, iniciavam-se os trabalhos. Encarnados e desencarnados não se demoraram muito a chegar. Por alguns instantes sustentaram uma falsa tranqüilidade, mas as imperfeições morais não demoraram a tirar-lhes as máscaras. Vivendo no inferno que criaram para si mesmos, trazem na consciência o estigma dos erros deliberados que cometeram nas suas experiências anteriores. Com o pensamento enredado nas imperfeições morais, sob as vestes carnais, imaginam-se esconder do mundo o sofrimento de que são portadores. De repente, um homem entrou na câmara. Seu perispírito estava revestido com os eflúvios que o mantinham ligado ao envoltório carnal. Disse o companheiro: ? Vejam. O corpo sutil do doente mental. Emanações neuropsíquicas emitem fortes ondas magnéticas que equilibram o psíquico de outros internos. Fora do corpo os fluídos que dele emanam são de preciosa significância para os que sofrem de desequilíbrio mental. Observei atentamente, ?o homem projetava salutares fluídos na câmara, magníficos raios azuis vestiam de forma sublimemente esplêndida o ambiente, com sublime fluidez da sua irradiação luminescente?. De repente, uma entidade, com sinais de angústia e estranheza, transluzindo-lhe do rosto, disse: ? Tenho impressão de que me acho em plena luz... Que lugar é este?... A luz do ambiente parece iluminar meu interior. Santório elevou o padrão vibratório, numa prece fervorosa em que rogávamos do alto, força para o irmão necessitado. Fitando-nos, disse a Entidade: ? Agradeço-lhes a prece. Atua sobre mim como bálsamo de luz. Herculano consultou o relógio e certificou que tinha chegado a hora de partirmos: ? William, é uma pena não podermos continuar. Quinze minutos depois de se iniciar os trabalhos éramos obrigados a despedimo-nos de Santório. Acrescentando um sorriso de satisfação partimos. Um pouco antes de três minutos mais tarde encontramos com Francisco e o Doutor no local acertado. Logo depois embarcamos de volta à nossa esfera. O som da música celeste corria pelo vácuo como a água clara de uma torrente desliza pelos rochedos. O sol brilhava regularmente, parecia acompanhar nosso trajeto, menor do que se pode ver da Terra, mas ainda muito mais luminoso. A Terra, por sua vez, era apenas uma grande estrela azul, brilhante, clara. Minutos depois da partida, há distância, já não se conseguia destingir as nuvens e os continentes que visitamos: a Terra já não passava de uma pequena pastilha colorida que não podíamos deixar de fixar. Longos minutos aquela estrela azul de onde tínhamos acabado de realizar uma missão de curto curso. Sorrindo, perguntei ao Doutor, o que o companheiro achara da sua primeira das muitas missões à Terra. Um breve silêncio, que ninguém interrompeu: ? Suficientemente grande. Por outro lado completa de emoção. Evidentemente que cuidar dos corpos perispírituais dos irmãos, especialmente ver como o organismo sutil reage às aplicações magnéticas, é maravilhoso. Trouxe-me uma boa experiência fora da matéria. Não acontece o mesmo que proceder exames regulares de um paciente para saber a quantas anda o organismo humano. Fez uma pausa para esboçar um pequeno sorriso e acrescentou: ? Desde já me ofereço para correligionário na próxima missão. Herculano esboçou um sorriso de curta duração e, em seguida, disse: ? Acrescento com alegria que provavelmente em poucos dias teremos nova missão. Não sei ainda se na Terra. A volta foi repleta de agradáveis surpresas. Pelo caminho encontramos o Liberato que voltava de um passeio: ? Já que está sozinho, se for da vontade do amigo seguir conosco, na próxima parada vamos pausar para um breve descanso, os ânimos pedem por repouso. Esboçou um sorriso, com simpatia: ? Não recuso companhia aprazível, a menos que não seja bem visto. Quem é o novo companheiro, William? ? É um abnegado chagado há alguns dias em nossa esfera. Carrega na ?bagagem? uma boa experiência na prática da caridade. Renunciou sua riqueza em benefício dos órfãos do orfanato Coração de Jesus, na cidade de La Paz. Que Deus conserve sua bondade, na eternidade e na encarnação. HOSPEDARIA Chegando a uma belíssima pousada, nas redondezas de uma esfera, no espaço iluminado, onde se desfruta de uma admirável paisagem e ainda podíamos ver o enorme globo azulado da Terra. Pela parede envidraçada acompanhávamos o lento e inexorável mergulho do sol nas Vargas em brasas, na direção do oriente. Ali estávamos. Pela primeira vez encontramos velhos e nobres amigos com quem dividir tarefas em tempos passados. Resolvemos pernoitar, a ocasião merecia celebração. Passaram-se longos minutos de agradável conversação entre amigos que há muito tempo não se encontravam. Para contemporizar a nossa conversação nos ajeitamos todos no mesmo aposento. Os espaçosos compartimentos de repouso serviam de sala de reunião e de biblioteca. Amplas prateleiras comportavam inúmeros exemplares, livros de diversos autores; falam do cristianismo, em uma pequena prateleira com espaço reservado, para apenas poucos exemplares, os doze livros do Testamento, o Evangelho Segundo o Espiritismo diferencia-se dos outros, a sublimidade da luminosidade pela fé cristã brilhava como uma estrela brilha nas noites escuras. Sorrindo falei: ? pelo visto, aqui se hospedam Cristãos com bom conhecimento na Doutrina. Herculano elucidou: ? Para que possamos acompanhar a evolução do cristianismo e alargar os nossos conhecimentos, biblioteca como essa é de grande valia para todos nós. Pousando-lhe os olhos, Liberato balançou a cabeça afirmativamente e sorriu... Ao abrir o Evangelho, me deixou pasmado. O brilho das paginas distendeu -se pelo ambiente, e, em seguida, surgiu uma luminosidade suave, as letras sombreavam de forma melodiosa as paredes do compartimento. Perplexo, notei que cada um de nós lia o escrito na língua oficial do país onde se deu a última encarnação. No palco do aprimoramento, iluminado pela Sabedoria Eterna, aprende-se a apreciar as maravilhas do mundo espiritual. Fazendo uma pequena pausa na leitura, para um rápido comentário, um senhor simpático, de semblante sereno, pediu-nos licença, entrou em nosso aposento, tirando do bolso um pequeno instrumento musical. Sentou-se em uma poltrona e começou a tocar para nós. A belíssima sonata parecia acariciar suavemente o nosso ouvidos. Quando terminou de tocar, guardou o instrumento num garboso estojo dourado, em seguida deu um acanhado sorriso, bondoso levantou-se, indo à direção do companheiro Herculano, presenteou-o com um realejo. Voltando o olhar para a porta deu um sinal afirmativo. Um jovem bem aperfeiçoado serviu-nos uma saborosa sopa. Meu paladar jamais apreciara igual sabor, depois degustamos do frescor da água purificada que nos foi servida. Uma moça de generosidade assombrosa, olhos ternos e negros como o fundo do céu, esboçando um agradável sorriso, cumprimentou-nos com um leve balançar de cabeça, e em seguida disse: ? Sou portadora dos cumprimentos do Ministro do Auxílio, trago comigo algo significativo para William e Francisco, desculpando-se por não poder estar presente, encontra-se em um congresso no Ministério do Cristianismo. Passou às minhas mãos um Evangelho cristão, sua capa de uma beleza indescritível, cravejada em diamante de elevadíssimo brilho, o título escrito em minúsculas pedras de esmeralda, lindíssimas pedras azuis. Em baixo do título edificam o nome do Mestre do espiritismo. Junto entregou-me também uma chave confeccionada com placa de turmalina celeste, com um código que me da livre visitação aos Ministérios de Auxílios de todas as esferas de luz. Igualmente entregue ao companheiro Francisco o devotado interprete dos Espíritos no mundo terreno. Logo depois a moça sorriu, despedindo-se, novamente cumprimentou-nos com um balançar de cabeça e retirou-se, deixava-nos a sós com os amigos. Enquanto admirava o exemplar do evangelho que acabava de ganhar, notei que o livro emitia uma luz que indicava a lição a ser ensinada em cada missão. Admirando-se, Herculano sorriu e brincou dizendo: ? Esperamos que os amigos não se esqueçam de nos convidar para conhecermos os Ministérios. Não é mesmo, Doutor? Afirmou: Assim esperamos!... Duas horas mais tarde, deixamos a hospedaria para darmos um passeio pelos arredores. Enquanto conversávamos, caminhamos pela estradinha que levava a uma queda-d?água. Ficamos maravilhados ante a incomparável beleza. Minutos depois reparei que as águas que desciam velozes, surpreendentemente, ao escorrerem pelo solo, cristalizavam-se, formando uma trilha luminosa. Seguindo pela trilha, logo adiante avistamos uma passagem que nenhum de nós sabíamos aonde levava. As interrogativas íntimas nos fizeram prosseguir, de modo que ao cruzarmos a larga paisagem nos deparamos com altas paredes transparentes edificadas com nobre matéria celestial. Largos e amplos corredores indicavam caminhos até então desconhecidos para nós. Andamos pelo corredor central. Depois de vários passos desfraldava-se, aos nossos olhos, um imenso campo arenoso. A paisagem surpreendia-nos um vasto campo de areia cristalina. De repente, na beirada do outro lado do campo, apareceu uma nave luminosa, alva como uma clara em neve, desembarcando um Senhor de olhos ternos e traços nobres e harmoniosos. Fitou-nos longamente e de longe cumprimentou-nos com um aceno de mão. Em seguida vimos desembarcar dezenas de homens de estatura pequena e musculatura avolumada, gorro na cabeça alinhava-se à estranha farda confeccionada de uma matéria que não pudemos identificar. Na alta noite, enquanto a lua brilhava no céu e iluminava o vasto campo areento, os operários fardados, em um idioma desconhecido, oravam em coro enquanto semeavam o solo. Para nossa surpresa, as sementes brotaram logo após serem plantadas, e o campo arenoso se transformara num imenso manto verde. Evidenciando satisfação os homens contemplaram o magnífico verde brilhoso da vegetação, e em seguida voltaram a embarcar. O destino da nave não é permitido revelar. Percebendo o espanto estampado em nossos rostos o companheiro aclarou: ? De tempo em tempo a nave estaciona neste campo. Logo que os operários acabam de semear o solo deixam o local. Dias mais tarde retornam para a colheita, e o lugar volta a ser o campo areento e cristalino como nas outras estações do ano. Acredita-se que habitam nas colinas, mas até hoje ninguém se atreveu a atravessar esse imenso manto arenoso. São simpáticos e gentis, embora nunca tenham nos dado uma chance de aproximação. Sabemos da existência de uma estufa embaixo desse imenso manto. Ela é a fonte da germinação instantânea do plantio. Há quem diga que as frutas, legumes e cereais colhidos são levados para as cooperativas das redondezas, e de lá distribuídos entre as oficinas que produzem salutares medicamentos, depois enviados para os postos de socorro na Crosta terrestre. Nessa região é muito comum apreciar-se naves que cruzam a todo instante os horizontes. Na hospedaria temos um vasto salão, comporta algumas centenas de pessoas, uma espécie de observatório para Companheiros que apreciam esse tipo de espetáculo, ver-se de longe naves que regressam de suas viagens, velando de volta seus tripulantes ao seu planeta natal. Sorrindo, indaguei: ? Quanto tempo dura a viagem de ida e volta de um mundo ao outro? Levantou os olhos, de sobrancelhas franzidas, encolheu os ombros, traduzindo a sua ignorância, e em seguida acrescentou: ? Algumas mensagens chegam ao nosso ministério de comunicação, quando estão verdadeiramente longe. Pela hora do relógio que indica o tempo universal, calculamos que uma mensagem precisa de no mínimo quarenta e dois minutos para chegar à sala de comunicação do Ministério. Depois do novo Ministro as mensagens não cessam... Um breve intervalo e silenciamos por um tempo curto para observarmos um pouco mais a paisagem. De volta à hospedaria olhei no relógio da parede do compartimento de repouso. Marcava exatamente duas horas e vinte e três minutos da madrugada de terça-feira. Herculano me olhou e, esboçando um sorriso me perguntou: ? Preocupado com a hora, William? ? Não! Embora os ânimos já peçam por repouso. ? Amanhã á noite, à mesma hora, vamos estar em nossa esfera, narrando aos companheiros às experiências dessa missão. Ainda temos tempo para o descanso e mais uns minutinhos de conversação. Partimos logo depois de Liberato. No instante em que os primeiros raios solares despontaram no horizonte os nobres amigos despediam-se, para prosseguir com suas missões. Um quanto de hora passado das nove da manhã. Dando-nos um abraço fraternal, com breve adeus, Liberato embarcara. Em seguida o simpático senhor que homenageara-nos na chegada, tocando uma bela canção, antes de embarcarmos, pediu-nos para auxiliar-lhe na prece. Amado Mestre que as Vossas bênçãos se estendam pelo caminho que temos que passar. Iluminai os nossos corações com a sublime luz do Vosso amor. Fazei-nos vencedores, para que saiamos vitoriosos na missão que Vós nos designastes, aclarai nossos corações para que o ensejo de auxiliar os irmãos permaneça aceso dentro de nós. Amado Mestre, sustentai em nossos corações as chamas da bondade que emana o nosso interior de forma que possamos auxiliar os irmãos que necessitam de luz e amparo. Oh! Eterno Pai, ouvi a nossa singela e humilde prece, nos fazei sentir a Vossa presença ao nosso lado pelos caminhos da vida eterna. Mestre, iluminai com vosso amor os corações que vivem nas trevas da amargura por não conhecer a sublime luz do perdão. Iluminai o sentimento dos que vivem acorrentados às angústias da vida. Tirai-lhes do poço das aflições e lhes fazei ver a vossa luz. Dar-lhes entendimento para que possam com sabedoria compreender os vossos desígnios, para que o barco carregado de revolta não ancore em seus corações. Terminada a prece acrescentou: ? Que a paz do Senhor permaneça em todos os corações. Depois de meditarmos em silêncio pela paz no mundo e nos lares, embarcamos. Um quarto de hora mais tarde, desembarcamos em nossa esfera, com a ?bagagem? enriquecida de novos aprimoramentos. CAMINHO ETERNO Chegando em domicílio deparava-me com uma agradável surpresa, o coração encheu-se de júbilo, Caroline esperava pela minha chegada, com um doce e admirável sorriso nos lábios. Calcinado de contentamento, meus olhos pousaram em seu sorriso, o coração acelerou no peito de alegria. Delicados vasos com flores brancas enfeitavam de modo especial a sala. Sustentando nos lábios o sorriso, Caroline endereçou-me um olhar terno e perguntou: ? William! O que achou do arranjo?... ? Harmonioso. A sala estava mesmo precisando de alguns adereços. ? Quer dizer que aprova? ? Sem dúvida. É delicadeza sua enfeitar a sala para minha chegada. Admiro as flores, mas tenho preferência pelas brancas, harmoniza-se com a paz interior do ambiente. A pureza da simplicidade não deixa de ser a mais bela das belezas. Fitando-me com serenidade nos olhos, com um tom de voz cristalina disse-me: ? Tomei a iniciativa de lhe preparar uma boa alimentação. Pus na mesa lugar para dois, mas se não lhe agradar posso deixar apenas um!... Suaves ondas de contentamento banhavam-me o íntimo. Esboçando um largo sorriso lhe pedi que ficasse, dizendo: ? Sua companhia faz meu coração navegar pelo oceano íntimo de minha alegria. Após alguns minutos de conversação, Caroline, amavelmente, disse-me: ? William, você parece estar fadigadíssimo. Desejando um repouso tranqüilo deixava-me a sós. Considerando que a missão fora longa, mas satisfatória, colhemos belas lições... Ao retornarmos a nossa esfera a luz jorrava do Plano Superior, de maneira incessante iluminava o caminho da vida eterna, de tal modo que a alegria e o bom ânimo transluziam de nossos rostos. Durante toda a viagem, a Soberana Fonte do Amor emanava do coração misericordioso do Eterno Pai, a plantar em nossos corações a sementeira da serenidade e da paz que se ampliavam e tornavam os nossos dias risonhos. O sopro divino, como uma melodia, acompanhava-nos. Ao longo do caminho, chegava aos nossos ouvidos como bênçãos vindas do Céu. Findara a semana. Aqueles poucos dias de trabalho edificantes encheram os nossos corações de novos sentimentos. Era como uma fonte de água viva, nascendo espontaneamente em nossos interiores. Traduzia-se em reverência profunda, aliada ao mais alto conceito de serviço e responsabilidade, diante das sublimes concessões do Nosso Eterno Pai. Quando regressamos sentiamo-nos positivamente satisfeitos. Guardávamos na alma a impressão de transportar um valioso tesouro a locupletar novos conhecimentos. Consolidava-se, dando-nos a sensação de que os conhecimentos de Jesus ampliavam-se em nosso interior. Na manhã do dia seguinte, instantes antes de começar as tarefas diárias, Eutéria trouxe-nos a notícia de que o bondoso Israel avizinhava-se da morte. Benjamim e Sidália foram designados para assistir o amigo que não se demorava a despedir-se do corpo carnal. Evidenciando contentamento, às oito e quinze da manhã de quinta-feira, Benjamim e sua companheira, sob proteção de elevados mentores, iniciaram a descida pela estrada comum. Minutos mais tarde, ao lado do convalescente, em silêncio, oravam pelo amigo. Desprendeu-se da matéria. Amável como sempre, deu um pacato sorriso e falou: ? Benjamim! Não esperava encontrá-lo já que nessa vida não tenho terras para doar. Todavia o sentimento de caridade que Jesus depositou em minha alma quando parti para o reencarne. Não deixei que se perdesse pelos longos e espinhosos caminhos da vida transitória, trouxe de volta enriquecido de nobres sentimentos. O devotamento de amor ao próximo e a caridade que praticara ao longo da vida servia-lhe agora de lâmpada nos caminhos da vida eterna. Iluminarão a paisagem que terá que atravessar antes de cruzar o horizonte iluminado. Depois de uma longa pausa, Benjamim sorriu e aclarou: ? Se posso assim dizer, sou muito feliz, Sidália tem sido grande companheira. Além dos amigos, os filhos que germinamos na existência anterior, na espiritualidade nos receberam com a mesma alegria e carinho que um filho recebe do pai depois de esperar o dia inteiro pela hora de ele chegar do trabalho. Consultando o relógio, o Mentor elucidou: ? Nosso tempo se esgotou. Temos que partir imediatamente, Eutéria aguarda-nos no posto de primeiros socorros. De lá seguem com o grupo de mentores designados a conduzir os recém-desencarnados às esferas hierárquicas de seus antepassados. Suas viagens serão demoradas. ? E quanto ao Sr. Israel? ? Não se preocupe. Seu amigo pertence à hierarquia de luz. O transporte dar-se pela estrada iluminada. Logo após cruzar o horizonte abrevia-se a felicidade na vida eterna... Na hora da despedida, com lágrimas copiosas banhando-lhe o rosto, o abraço assinalava o momento o eterno adeus. Pousara por um instante. Fitou os olhos úmidos, vendo o amigo distanciar-se. Enxugou as lágrimas e buscou amparo nos braços da Companheira. Entre soluço, repassa o dia em que Israel, com afabilidade, abrigou-lhe no seio do seu domicílio terrestre. Com o coração afagado pela eterna gratidão orou pelo bondoso Senhor, que suavizara sua amargura no difícil caminho da vida transitória que escolheu para si mesmo. Na vida eterna trilhara pelas veredas obscuras. Atravessara o lago lamoso para perceber a generosidade que Israel carregava na profundeza da alma. Na eternidade o rápido encontro entre os dois não abreviara espaço para agradecimentos. No cérebro arquivavam-se palavras amáveis ensaiadas para o generoso Israel. Sidália, acariciando-lhe ternamente, disse: ? Não se deixe abater, meu querido. Os dias intrincados ficaram para traz. Pense em Isabela e Hugo, não precisam ver-lhe transluzir tristeza. Esperam-nos com o sorriso nos lábios. Depois de meditar por um instante, Benjamim respondeu-lhe: ? Esta certa! Não vou desencavar do fundo da memória recordações de experiência que me trouxe quinhões. Na nova vida, a Infinita Bondade emana de Deus e faz brilhar, aos meus olhos, a sagrada lâmpada, clareia-me o caminho da vida eterna. O Elevado Mentor elucidou: ? O Pai Todo-Poderoso permite que visitemos na espiritualidade aqueles que nos foram simpáticos no mundo, mas nem sempre... É possível continuarmos com as visitas. Alguns pertencem à esfera hierárquica, infinitamente longe... Mas encontramo-los na nova matéria, abrolham do nosso interior sentimentos de amizades, todavia o templo carnal oculta-lhe-nos o reconhecimento, embora permaneça no altar do nosso coração o sentimento de simpatia e nos aproxime dos que nos foram leais na existência anterior. Na nova vida mundana, seu amigo Israel poderá reencarnar-se na sua família, se for da Vontade de Deus. Com os olhos brilhantes Sidália fitou o mentor e disse: ? Tenho lhe dito isso. Mas ele parece não me ouvir. Tem o coração cravejado de esperança de um dia encontrar-se novamente com o senhor Israel. Delineado um sorriso o mentor aclarou: ? A esperança cessa-nos as lágrimas, sem nos deter nos acerbos que envadem a nossa memória. Ela sustenta o ânimo e fortalece a nossa Confiança em Deus. Após enxugar as lágrimas, fitou a vastidão. Nesse momento as bênçãos do Altíssimo trouxeram-lhe alegria ao coração. Profunda sensação de paz envolveu-lhe o espírito. Era como se a luz e a calma do dia enchessem-lhe o intimo de entendimento. Ao voltarem aos domicílios espirituais penetraram o parque banhado de luz, entre as grandes fileiras de árvores cobertas de flores e encantos naturais. Maravilhosos contornos para diversos Ministérios ali situados assinalavam a beleza dos caminhos da cidade espiritual, onde foram criados planos excelentes para os precessos educativos. As bênçãos divinas iluminavam o sublime caminho que levava ao Plano Superior. Ao cruzar o parque contemplara a beleza dos soberbos edifícios de cores suaves, brilhavam como estrelas distantes. Via-se ali grandes Institutos especializados em transportar irmãos generosos de sentimentos santificados, intencionados em prestar apreciáveis auxílios aos encarnados e desencarnados, necessitados de auxílio e conforto, onde nobres colegas se voltam a essa modalidade de cooperação. Dirigindo-se ao ministério da comunicação do esplêndido salão, seus olhos acompanhavam a viagem. Via o generoso Israel se distanciar no longo e iluminado declive. De olhos fitos na imensidade, admirava a sublime claridade que se estendia pela imensidão... Via findar a estrada. O homem humilde, de gestos nobres, chegava à vasta cidade espiritual, longínqua, iluminada pela santificante claridade celeste. Depois de curto intervalo o elevado mentor esclareceu-lhe: ? O devotamento e a abnegação foram prece continua ao longo de sua trajetória. Cumpridor dos deveres que a caridade e a humilde lhe impôs, ao findar-se seus dias de existência terrena. O sentimento de dever cumprido deu-lhe serenidade de espírito, de modo que ao fechar os olhos para a luz da vida mundana, germinara em sua alma a preciosa semente que cultivara no silêncio dos seus pensamentos. Durante a prova escolhida, Israel cultivara no coração o bálsamo do amor e deixou que o devotamento e a abnegação se enraizassem no interior. As fortes raízes do amor ao próximo se alargaram e encurtou-lhe o caminho que o aproxima do Criador. Sua elevação moral o levou à esfera iluminada pela santificante luz Divina, onde compraz-se na companhia de Espíritos Superiores. Pausou por um instante e, em seguida continuou: ? Para elevar-se não basta a prática da caridade. É também necessário o esquecimento das ofensas, o perdão, para que na morte nenhum sentimento de vingança surpreenda-nos o coração. É preciso se apresentar perante Jesus com o coração inteiramente limpo de animosidade. Somente de alma purificada alcançará o caminho da felicidade eterna. A caridade ajuda a reparar as faltas passadas, sem arrastarmos para a vida futura os quinhões... A Infinita Bondade do Todo-Poderoso lança sobre o passado o véu do esquecimento e faz a luz chamejar sobre a nova vida. Muitas vezes o sofrimento é a justa expiação das faltas que cometem nas existências mundanas. Deus, em sua infinita misericórdia, nos dá inteligência para sairmos dos atoleiros que nos dificultam o caminho ao longo das nossas provas. Nesse momento as bênçãos santificantes do Divino Mestre iluminaram o vasto salão. Era necessário interromper as elucidações para a oração diária. No findar da oração o agradecimento ao Mestre dos mestres. Glorificado seja para sempre, o Senhor Jesus... A CHEGADA Ao entardecer, o brilho das estrelas embelezava o sublime azul do Céu. Moradores solícitos caminhavam em direção ao salão. Minutos depois nobres colegas do ministério do auxílio reuniram-se para uma proveitosa palestra, o vasto salão lotara, a presença da poetisa Francisca era como bálsamo de flores vivas, trazia-nos encantamento e alegria. Sorridente sentou-se em uma confortável poltrona, ao lado de Francisco recebeu aplausos calorosos. Sentando-nos todos, o companheiro Alexandre honrou-nos com sua presença. Via-se o contentamento estampado em todos os semblantes. Transluzia de seus olhares a alegria que lhes emanava dos corações. Largos sorrisos abençoavam com sublimidade à sua volta. Com os olhos brilhantes de emoção contemplara o recinto. Cumprimentando a todos, deu início à prece. Senhor Deus, agradeço-Te por iluminar os silenciosos caminhos dos nossos corações. Que os ensinamentos do Senhor sejam o guia e a luz para todos que buscam nas profundidades de seus corações o valioso tesouro da fé, para que não sofram as amarguras da vida. Senhor, ampara os humildes e o necessitado, dá-lhes consolo, faz com que o entendimento seja a lamparina no curso de suas trajetórias. Acende-lhes a claridade do entendimento novo para que saibam vencer os obstáculos em Teu nome. Acrescenta-lhes aos corações a fé abrasadora, descortina-lhes o véu da compreensão para que possam compreender que somos todos irmãos. Senhor Jesus, abençoa os que repousam em densas sombras. Sabemos, Divino Mestre, que Teu amor é perfeito e infinito!... Senhor, fortifique-nos em amor para que a paz tranqüilize os anseios dos nossos corações. Acabada a prece, o olhar jubiloso vagueava pelo salão, parecia despedir-se da paisagem externa, ensimesmado, pensativo... Notei lágrimas de tristeza nos olhos, o momento era inoportuno para indagações. O laborioso serviço incessante de aprimoramento alargara-se, novos caminhos abriram-se para a execução dos Desígnios Divinos. O curto intervalo mostrou-nos o júbilo reinante em todos os rostos. E antes que Alexandre pudesse retomar a palavra, os companheiros entoaram formoso cântico em louvor ao Divino Mestre Jesus. Retomando a palavra, comunicou que não mais voltava a fazer parte dos laboriosos serviços de aprimoramento no departamento de auxílio de nossa esfera. Nomeou-me Ministro do Auxílio, e Francisco ocupara naquele momento o cargo de primeiro Ministro da Comunicação. Reuniram-se ali representantes dos diversos ministérios, passavam as nossas mãos relatórios da ultima assembléia. O silêncio dominou o recinto por alguns instantes, até que Herculano quebrou, quando sugeriu Caroline para auxiliar-me. Esbocei um singelo sorriso e, em seguida perguntei: ? Disponibiliza de tempo para colaborar com o prestimoso serviço de um humilde mensageiro? Fitando-me os olhos esboçou um largo sorriso e em seguida deu-me um sinal afirmativamente com a cabeça. O intraduzível contentamento fez meu coração acelerar no peito com a emoção da resposta. A noite avançava silenciosa e as estrelas iluminavam o azul primaveril do céu distante. Alexandre, com os olhos úmidos, despedia-se para galgar novos caminhos. Vendo-me os soluços, fitou-me nos olhos e disse: ? Caro William, não há motivo para lágrimas. Sigo em busca de novos aprendizados. Ao retornar terei a ?bagagem? enriquecida de novos aprimoramentos. No passado o cumprimento dos desígnios do Eterno Pai afastou-lhe dos companheiros, depois de um tempo logo de ausência voltamos a nos encontrar. qual foi o contentamento assim como percebi que meus ensinamentos lhe foram proveitosos. Retornou ao mundo espiritual fortalecido em amor, em perdão e em compreensão. O humilde e obediente discípulo supera sempre... o mestre e a luz da disciplina e do entendimento conduz-lhe o caminho, sem mais necessidade de orientação do mestre. O abnegado discípulo transporta no interior o valioso tesouro dos ensinamentos do seu mestre. Mas não devemos nos esquecer que mesmo os grandes mestres serão sempre... Humildes discípulos do Mestre dos mestres. Pausa. E, em seguida, passou a palavra para seu companheiro ao longo do século no mundo espiritual. Sem palavra para expressar o sentimento, Herculano disse apenas: ? Vá, companheiro, mas leve no coração a certeza de que um dia voltaremos a nos encontrar, se não neste mundo será no círculo carnal... Com o coração asfixiado em funda tristeza, apertou a mão desejando-lhe boa viagem. Depois do nobre convidado, Cornélio proferir palavras singelas, que constituíram freses sublimes. O ministro Francisco, arrancando-nos lágrimas de intraduzível emotividade, deu início à mais antiga oração cristã que até hoje permanece atual em todos os nossos corações. Finda a oração notei o olhar silencioso de Alexandre vaguear pelo vasto salão. O bálsamo da atmosfera e as estrelas acesas no céu escuro, como diamantes cintilantes desenhavam novas constelações. Ao fim de um quarto de hora, o companheiro despediu-se. Logo no inicio da viagem notamos, no meio da estrada, uma forma escura que lhe cortava a passagem, mas assim que se aproximara viu surgir flashe luminosos. O que inicialmente era treva transformara-se em onda elevada, cada vez mais longa, algumas chagavam a alongar-se por varias dezenas de quilômetros. No curto intervalo entre um flashe e outro percebeu que os flashes de luz eram enviados pelo Altíssimo para iluminar-lhe a travessia. Depois de longos minutos, em profunda meditação, indaguei a previsão para o retorno de Alexandre. Herculano esclareceu: ? Seu retorno dar-se-á daqui a uma dezena de anos. Com a voz embargada respondi: ? Esta data parece-me muito afastada. Sorrindo disse: ? William é, na realidade, muito próxima. Não esqueça que dez anos no passado leva-lhe apenas a puberdade da última existência... Mais um quarto de hora se passou antes que o sol despontasse lentamente no oriente. Nesse instante, levantava-se uma ligeira aragem, trazendo consigo agradável perfume, após longos minutos de precioso silêncio, Francisca mais Cornélio incorporaram-se ao nobre grupo que seguia de regresso a sua esfera. E nós retomamos a nossas atividades. FIM. Respeite os direitos autorais. Livros registrados e com certificado de autenticidade da Biblioteca Nacional Click na Seta CARREGANDO X O REGRESSO ROMANCE ESPIRAL - 138 páginas ESPÍRITO William Eduardo Autora: Rozalia Pereira Nakahara O Regresso - Postado em 2012 Respeite os direitos outorais. Não use o Trabalho da autora para adaptação de textos. PREFÁCIO Nos passos da vida nos deparamos com situações que nos deixam perplexos diante de fatos que fogem à nossa compreensão. Foi o que aconteceu com William eduardo, personagem principal desta história verídica. Um jovem respeitável, os amigos lhe devotavam verdadeira adoração pela integridade de caráter que possuía. Por onde passou deixou a sua mensagem de fé e coragem para aqueles que, em algum momento, desacreditaram da vida além-túmulo. O Pai Todo Poderosos parecia ter incumbido a ele a sublime missão de emanar amor aos espíritos encarnados que buscavam a luz e a compreensão. Somente um espírito evoluído poderia se incumbir de uma missão tão complexa. Como uma pessoa iluminada, William Eduardo cumpriu a sua missão com alegria, espalhando amor em meio à tristeza e ao sofrimento, acreditando que o amor era a solução para todos os enigmas, a inspiração para todos os momentos, e a força para superarmos todas as dores. O jovem sublime, de coração sensível, de incansável obediência a Deus, preservara o amor, amor que se desdobrara em paciência, fé e perdão. A luz natural de seu espirito conquistara as mais vastas simpatias entre encarnados e as entidades bondosas do mundo invisível. William sabia irradiar as vibrações de sentimentos purificados. Seu espírito, ainda encarnado, se desdobrava do corpo físico indo a incomensurável distância, sem perder a ligação com os laços que lhe retinham na matéria. Desprendia-se do seu corpo carnal indo ao encontro de amigos desencarnados, que lhe aguardavam em uma esfera distante, habitada por vidas celestiais; nos sonhos, encontrava-se livre de vibrações densas, o que lhe possibilitava alçar vôos cada vez mais distantes. Despertando, envolto em doces lembranças e suaves vibrações, guardava na memória a lembrança do encontro com os amigos que permanecem na eternidade. A imensa distância que o separava dos amigos se unificava naquele momento sublime. A presença de amihos espirituais constituía infinito conforto ao seu coração, que as palavras não conseguem descrever, Sagrada emoção. Dominado de pensamentos novos, o verdadeiro amor brotara no seu coração, envolvendo-lhe com sentimentos benevolentes. Atirava-se a sublime capítulo, entregando-se a pensamentos construtivos de inclinação, nutrindo pelo próximo um amor paternal. Na terra repousa sob a grande roda, o ciclo de nascimento, crescimento e morte, onde viveu sem conflitos e de acordo com sua consciência permanentemente vigilante, esclarecendo-lhe que continuava a ser ele a mesma alma bondosa da espiritualidade. Amparado na confiança em Deus, prosseguia emanando amor e alegria, em cada gesto inocente de seu semblante sereno, evidenciando veracidade na incumbência que lhe fora designada. Orando a Deus, elevava o pensamento aos espíritos de nível sublime, com a esperança de que o Amor Divino Triunfasse em todos os corações. O amor e a força divina alimentavam o jovem alegre de sorriso dadivoso nos degraus da escala evolutiva. Pressentia a viagem de vilta à Pátria Espiritual. Falava da morte como se ela fosse a maior das maravilhas. Serenamente esperava o momento de Deus lhe dar passagem para o Além, onde a vida perecia-lhe mais agradável. O fin de uma existência significava para ele acabar uma das etapas do estágio de aperfeiçoamento. Mesmo sabendo que o fenômeno de sua era inevitável, cultivara a pureza de sua alma que permanece agora da desencarnação, aceitando com alegria a Vontade Soberana de Deus. Não podendo ele alterar a realidade da vida, partiu deixando-nos a amarga saudade de sua presença física. O templo da alma assinalara no mapa do destino, o estágio natural da vida, estipulando o limite de sua exist~encia. A inevitabilidade da desencarnação em plana juventude. O veículo físico em que o Psiquiatra Anacleto P. G. se reencarnara na Terra é destruído pela selvageria humana. Desencarnado prematuramente, William assume o comando mental de si mesmo, desprendendo-se da matéria com facilidade. O amor tangia as dificuldades, fazendo-lhe entender a sublime beleza da desencarnação. Surpreendentemente, William se recordava de ter vivido anteriormente na Terra com o nome de Anacleto P.G. Do mesmo modo, rememorava o espisódio que finalizara aquela sua existência. As reminiscencias precedentes, de sua existência passada, faziam-lhe rememorar, passo a passo, a sua vida anterior, do mesmo modo a sua vida na eternidade. Anunciou de antemão sua existência futura na Terra, especificando a família a onde irá renascer, afirmando que na proxima encarnação renascerá na família paterna, e nascera com uma deficiência coronária, que o levará ao desencarne precoce aos nove anos de idade. Durante seu curto aprendizado no mundo carporal, William foi protegido pelos Espíritos benévolos de Hierarquia Celestial. Autora Rozalia Pereira Nakahara APRESENTAÇÂO Neste livro, William Eduardo narra em detalhe o traumático reencontro de sua consciência imortal com as dolorosas reminiscências de sua desencarnação anterior. Mostrando que ?tudo está no cérebro do homem?. Em singelas páginas, um pequeno relato de seu trajeto e a longa e exaustiva viagem após morte, com a sombra da saudade obscurecendo seus sentimentos no além-túmulo. todavia amigos espirituais abnegados, lhe auxiliam na grande viagem. Como enfermo foi internado numa cápsula purificadora, adormecera. Despertando do sono restaurador, experimentara o júbilo da descoberta de si mesmo. Ante a nova vida, conformado com os desígnios superiores, vestiu o traje renovante da luz eterna, com o coração inundado com o bálsamo do amor divino e a saudade persistindo lhe no cérebro, na companhia de amigos espirituais, o sussurro do vento e a noite estrelada encheu lhe o pensamento de prodigiosa harmonia. Vislumbrou as sublimes eloquências na sagrada estrada da luz, longínqua, com destino ao eterno domicílio, na Consagrada esfera de Hierarquia Celestial. Pressentira os raios da alvorada em um novo amanhecer... Num mar de contentamento indefinível. Mostrando que o homem desencarnado, com a memória enobrecida de sentimentos purificados, penetra no mundo espiritual. Dominado por esperanças novas, sem dificuldade, atravessa os oceanos fronteiriços do invisível que separa uma esfera da outra. Vivemos nos largos horizontes, noutros campos vibratórios do universo, reconhecemos que nos compete lutar, nos esforçar no aprimoramento, para compreendermos a grandeza dos ensinamentos de Jesus, para abraçar o imenso mar das existências. Agarrados a fé, os obstáculos nos oferecem oportunidades verdadeiramente valiosa para a Evolução. Em cada página deste livro, você encontrará a si mesmo, seus sentimentos e problemas que a memória imortal trouxe da existência anterior para sua época presente. O exclusivismo nos antepara de compreender que no fim da estrada da vida o túmulo reserva-se somente á vestimenta carnal. A morte do corpo físico abri-nos a porta sagrada para a renovação, onde se inicia um novo caminho, consciente de que a morte do corpo não nos conduzirá á estagnação e sim a novos campos de aperfeiçoamento e trabalho nas estrada divinas que galgamos na vida eterna, da mesma forma, apresenta lhe a ansiedade do homem desencarnado no imenso mar do sofrimento, nas páginas obscuras, ulceradas pelo frio das lamúrias, que delineiam o quadro vivo dos caminho mundanos que lhe estreitaram as portas no Além-Túmulo. Em alguns capítulos, William Eduardo constitui o próprio sofrimento ao se ver separado do envoltório carnal. transportando na memória a lembrança e no coração a angustiosa saudade dos familiares que ficaram no mundo. Acompanhado de abnegados amigos espirituais, em lágrimas silenciosas, iniciava a ?caminhada? por estrada desconhecida que o conduziu a sublimes moradas na vida Eterna. Descreve estradas do mundo invisível, umas sublimadas pela magnitude divina. Magnificas paisagens que enchem de júbilo o coração das almas desencarnadas, que, amparadas pelos Mensageiros Divinos, seguem a estrada da luz e desembarcam em surpreendentes esferas sublimadas pelo Altíssimo. Outros seguem pelas obscuras e infinitas paisagens frias, com espinhosos atoleiros de lamúrias. Arrastam-se como lagartas antes de se transformarem em borboletas, por terem, no mundo, preenchido, com viciosas luxúrias, as futuras páginas do livro da vida no Além-Túmulo. As largas e jubilosos portas das experiências viciosas na vida terrestre estreitar-se-ão como plantas espinhosas que dificultarão a compreensão da consciência imortal. É preciso compreender que o homem acaba por embrenhar-se nos próprios defeitos morais. Hoje, amparado pelos braços carinhosos da eternidade, com as bênçãos divinas, William Eduardo transita livremente pelos abençoados caminhos, nas Eferas Celestiais. E Transmite ao homem encarnado a luta e as experiências do homem no Além-túmulo. Que Deus nos fortifique em benções. São Paulo, 26 de março de 2006. NO ALÉM-TÚMULO No início do século XX, o psiquiatra Anacleto P. G., debatia-se no processo da desencarnação, em um porfiado duelo com a morte. O sofrimento subjugava a forma e a sombra da morte planava sobre a carne. O espírito era compelido a abandonar o corpo físico a contragosto. Como andarilho desditoso, desnorteado andava pelo caminho da amargura. Neblina espessa obscureciam a paisagem, o vento forte e úmido sopreva, deixando no ar vaga expressão de lamento. Os equívocos e o vício da vida corporéa naufragavam nas experiências de recém-desencarnado arrastando-o ao lamentável estado de perturbação. Com os pensamentos em desalinho, cultivava as ondas crescentes de ódio, revolta e mágoas que se instalaram em sua mente, atormentando-o a si mesmo, levando ao labirinto de pesadelos e horror, à densa angústia espiritaul. Ilhado no desespero, desatava os laços do egoísmo engastado no espírito. Não suportando o fardo do sofrimento, seu desespero atingira o auge. Abrasado pela sobrecarga de sofrimento, experimentava impressão angustiante, sensações indescritivés lhe martelavam incessantemente o cérebro. Encontrava-se emocionalmente perturbado, sofria sem o consolo de familiares ou amigos, sentia o mais terrivel abandono, precisava de claridade mental para prosseguir. Desdobravam-lhe avassaladas lembranças da vida corporéa, esposa e filhos se distanciavam no tempo. Examinava, atentamente, a si mesmo. Experimentava a sensação de estar preso à agonia infinita em que se encontrava. O rancor por aquele que lhe tirara a vida assomava seus pensamentos, permitindo-lhe nutrir o forte desejo de vingança, menosprezando-lhe a dignidade e os sentimentos nobres que ainda lhe restavam. Turbilhões de pensamentos assomava-lhe a mente, sustentando a realidade da morte física. Engolfado nas vaidades da experiência humana, esquecera o Eterno Pai. Todos os seus sentimentos concentravam-se no egoísmo e na ambição, levando-o ao assédio incessante de forças perversas que o assolavam no caminho ermo da paisagem obscura da desencarnação, na obscuridade sombria das regiões desconhecidas do purgatório, onde sofrera quinhões. Encontrava-se na neblina imensa da desilusão. Pensamentos de ódio embalavam-no na escuridão das trevas onde vivera, por longo tempo, em grande desesperação, nutrindo sentimentos acintosos, que contribuíam, com sua desventura, para leva-lo ao mar imenso de forças ignotas. Precisava confiar na Providência Divina e em si mesmo, mas para isso era preciso converter o ódio em perdão, libertar-se das tentações complexas do egoísmo. Sentia-se como um enfermo apoquentado por inúmeras feridas; conservava no íntimo as cicatrizes da morte física. Espezinhado pelo sofrimento, caminhava na sombra da dor, via-se ao terrível abandono. Sem lograr sequer uma palavra consoladora, entregava-se à amargura. Na memória, a saudade incontida convertia-se em dor, com o coração a explodir de angústia. Suplicara piedade, o antídoto para combater o ódio do coração. Naquele momento, Deus enviara-lhe em socorro Entidades benévolas e ditosas. Com sublimes preces, estimulava-lhe o rompimento de vibrações densas da autopiedade e da revolta, que se aliciavam à sua mente, atormentando-lhe o cérebro com a ausência da crença em Deus, impossibilitando-lhe o desenvolvimento espiritual. Irrigado de esperança e renovação, o amor emanava do seu coração, aniquilando as forças densas nutridas pela desesperança, deixando as energias benéficas modificarem a paisagem do seu interior. Agora se defrontava com desprendimento dos Perturbadores desventurados umbralinos, e do desabrochar das reminiscências em que se cumpliciavam os erros da vida corporéa. Resgatado, agora, O médico Anacleto P. G. encontrava-se em uma nova esfera, onde fora submetido ao tratamento para cura das feridas perespírituais que ainda amargavam-lhe o sentimento magoado por aquele que lhe negara o direito à vida, enjaulando-o no sofrimento das trevas que lhe torturavam a alma. No novo lar, submetia-se ao esquecimento das reminiscências do domícilio da vida corporal, dos descendentes que deixara no mundo e das inquietações que lhe assomavam ao espírito agoniado. A Providência Divina nomeava Entidades luarizantes e ditosas para reconforta-lh o coração. A sagrada bênção do mundo espiritual conduziu-o ao divã da sublime elevação. Trêmulo de contentamento, o barco da sua esperança ancorava no porto da fé. compreendera, então, que o sofrimento não se edificara pelas lágrimas, nem pelas feridas sanguinolentas de dentro de si, libertando-o das amarguaras, das quais se tornara prisioneiro. No amparo de amigos, no núcleo de atividades, o sol espiritual iluminava-lhe pela primeira vez, depois de anos confinado na escuridão do próprio sofrimento. Sem compreender a morte física, fora enredado na sombra pelas desventuradas criaturas perversas da esfera inferior. A majestosa limunosidade envolvia-lhe en renovadas bênçãos de alegria e de paz. Levado para um ambiente simples e aconchegante, fora alimentado. Vibrações energéticas supriam-lhe a fome e a sede do corpo espiritual. Fazendo-lhe relembrar as fartas refeições no domícilio terreno. Aquele gesto sublime de amor enchera-lhe de pensamentos esperançosos; a fidelidade divina abria-lhe a comporta do Amor. Como um inocente ditoso, entregava-se a tão esperada oportunidade, com o sentimento novo a brilhar. Caminhava, tangido por abencoada esperança, ao encontro da paz. Conduzido à esfera elevada, a dor e as dificuldades transformaram-se em alegria. O inesperado e inexprimível contentamento modificaram-lhe o espírito. Sentia-se alegre e feliz. Em sua nova habitação, conhecera espíritos desencarnados que assistiam às palastras do Codificador e de outros participantes. Ensinavam a Doutrina Espírita, falando-lhes sobre a reencarnação. O Psiquiatra Anacleto fora convidado para participar de uma dessas reuniões. A importancia das palestras evidenciava a grandeza dos ensinamentos, até então ignorado pelo Médico. A oportunidade despertou-lhe repentino interesse. Comparecia frequentemente às palestras. Lá conheceu inúmeros autores espirituais que transmitiam suas mensagens através de pessoas cuja sensibilidade captava o que lhe é ditado do Além. Na escola de aprendizado no mundo espiritual, Dr. Anacleto vê-se na condição de aluno. dedicava-se à disciplina e às lições do Mestre. O psiquiatra era orientado a se canalizar com o mundo material, tendo como orientadores Espíritos de elevação superior. Anos mais tarde, o psiquiatra transmitia, ao mundo carnal, lições que aprendera na eternidade. REFÚGIO MATERNAL Em 1984, a vida penetrara no ventre de uma jovem mulher. No útero ela refugiara a vida concebida, nutrira e protegera carregando-a no ventre, abrigou-lhe em seu próprio corpo nesse estágio inicial da vida da criança, cujo corpo servira de veículo para o espírito Anacleto P. G. Conduzido pela Inteligência Suprema a um novo corpo físico em formação. O Psiquiatra se preparava para o reencarne, passando pelas modificações intensas do processo reencarnatório, revivendo conglomeradas etapas de sua trajetória evolutiva, preparando-se para o regresso no refúgio maternal da carna. Agora partia para o seio da afetuosa mãezinha que Jesus lhe destinou. Em 1985, a jovem mamãe recebera em seus braços o médico Anacleto, reencarnado na materia gerada em seu ventre. O experiente médico, e pai de familia, voltara a ser criança. Desprotegida e indefesa, precisava de cuidados. Tranquilo e sorridente, William Eduardo irá crescer. Protegido pelos amigos desencarnados que permanecem na eternidade, e cumprir a incumbência que lhe fora destinada na Terra. Tímido e amedrontado, o Espírito generoso e amável sonhava com a cena trágica de sua morte anterior e os caminhos tortuosos percorridos por ele na desencarnação passada. No curso das reminiscências o rompimento prematuro e violento que causara a sensação de desfiguração no pé de seu corpo espiritual no momento em que fora impelido a abandonar o corpo físico, provocando nele, William, a sensação de deficiência em seu pé. Recordava-se do mar de tristeza que invadira o seu ser, com ondas imensas de amargura afogando-lhe a vontade de continuar ao lado de seu corpo carnal acamado em um leito de hospital, gravemente ferido pelo amigo e colega de profissão com uma punhalada. Bruscamente separado do corpo orgânico, na existência anterior, em sonho William vivenciava a agonia do esforço feito para se desprender da matéria. Na memória, permanentes sensações revelavam expressivas lembranças, convertendo aquele momento em reminiscências do Plano Espiritual, quando transmitiu as suas tão inesperadas experiências que lhe fustigavam o coração desencarnado. Caminhara tangido por abencoada esperança no amparo que socorre almas interpeladas e conturbadas. Contamplava-se no terror da eterna separação. A morte do corpo físico arrastou o espírito Anacleto pelos caminhos úmidos e escuros, nutridos pela sombra de dolorosos lamentos. Assinalava pesado crepúsculo. No sepulcro os vermes alimentar-se de seu corpo carnal em decomposição. O espírito do menino adorável se desdobrava, embora se encontrasse, nos laços físicos, com fraternal auxílio de amigos espirituais. Em sonho William era conduzido ao Plano Espiritual, em visita aos amigos que ainda permaneciam na eternidade. Experimentava a capacidade de volitação. Num instante ganhhava grande distância, comprazia-se com a alegria desfraldando-se em seu íntimo. Fora do corpo relembrava a dor e o sofrimento que passara na região trevosa, onde vivera durante a anos consecultivos em verdadeiro terror, entidades tenebrosas demonstravam-se interessadas em agravar seu padecimento, com acusações infundadas. Anacleto, esforçava-se pelo desapego aos laços materias. Ainda ligado ao corpo físico, no sepulcro o Médico acompanhara o processo de decomposição de seu cadáver. No labirinto de perturbação tracejava a mercê de seres que andavam a esmo no além-túmulo. Caminhara nas trevas pelo egoísmo que o absorvia, caindo no precipício, estacionando no fundo do abismo por tempo indeterminado. Seus pensamentos se entrelaçavam, formando núcleo de força vibratória, das quais recebera quinhões de sofrimento, da vibração inferior. O tormento que Anacleto passara quando desencarnado manifestava-se nos sonhos de William Eduardo encarnado. As sombras que o perseguiram na desencarnação de Anacleto, agora, na encarnação, obscureciam a infância do adorável William, atormentando o sono da criança sorridente e feliz.. Enquanto seu corpo dormia sua alma acordada rememorava os dias tormentosos que passara em lamentável desequilibrio, na esfera inferior. Os anos seguiam e a recordação da cena que finalizara na existência de Anacleto P.G. permanecia viva na memória de William, evidenciando-lhe a sua reencarnação. Revivia nos sonhos aquele indescritível tormento que lhe assolava a emoção de menino, chorava e ria ao mesmo tempo, com o coração batendo descompassada, seu rosto banhava-se em lágrimas, demonstrando imensa angústia, anos de sofrimento de além-túmulo, voltava a lhe proporcionar lágrimas de melancolia, embargando-lhe a voz de menino ditoso. Amigos da espiritualidade murmuravam-lhe palavras de encorajamento e consolação, em sentinela e sincero amor a William ( Anacleto P. G.), agora encarnado num novo lar terreno, onde praticara o culto vivo da compreensão e da fraternidade. A Providência Divina enchia-lhe de pensamentos sublimes de amor ao próximo. Saudoso, o jovem feliz irradiava enorme alegria ao recordar-se das maravilhas vislumbrantes da espiritualidade e dos amigos que ainda se conservavam por lá, evidenciando o desejo de reencontrá-los, quando de repente a voz de um amigos espiritual se fez ouvir carinhosamente ao seu lado. O amigo se manifestara em missão de afirmar a origem da reencarnação de William e prepará-lo para a grande viagem de volta à Pátria Espiritual, onde William dará continuidade ao trabalho de autor espiritaul, interrompido, quando Anacleto P. G. começou a se preparar para a reencarnação. Naquele instante, William rememorava sua grande experiência como autor espiritual. Conscientizando William de sua existência anterior, num passado distante, anunciando de antemão o lacônico desencarne de William aos 18 anos de idade. A distância imensa que o separava do amigo da espiritualidade se unificava naquele momento sublime. Com a voz entrecortada pela emoção, William transmitiu a sua mãe as palavras do amigo da eternidade. Esperancoso, aguardava o dia de se ausentar para sempre da terra, e ir-se ao encontro dos amigos na Pátria espiritual, com a certeza de que as sombras que as atormentaram na desencarnação de Anacleto não mais o atormentaram na desencarnação de William Eduardo. O jovem, temente a Deus, desempenhara sua trajetória terrestre com amor, sem esquecer dos anos de doloroso tormento de sua alma na esfera inferior, até a chegada da luz. Orava com veemência, agradecido a Deus pela ascensão concedida ao seu espírito. As sombras do passado não os impediam de voejar do lar terreno ao mundo espiritual, experimentando grande júbilo na alma, enchendo-lhe de sublime conforto. O desabrochar na carna anunciava os versículos nos capítulos do livro da vida terrestre. Em uma narrativa comovente, William relatara o sucedido quando se deu a morte prematura de seu corpo carnal na existência anterior. Atraiçoado pelo amigo, com uma punhalada perfurando-lhe o pulmão, e também outros órgãos, depois de longos dias de sofrimento, finalizara-se a existência do psíquiatra Anacleto P. G. Acrescentou ainda o sucedido com seu pé no instante em que se dera a dolorosa separação entre o corpo físico e o corpo espiritual, no momento em que fora impelido a abandonar o corpo carnal, relembrando aquele triste episódio que finalizara para sempre sua existência. Na memória a cena brutal em que o psiquiatra Anacleto fora atraiçoado pelo amigo com uma punhalada, causando-lhe uma contusão irreversível. O CESSAR DOS OLHOS O entardecer de inverno frio e chuvoso de 2003 cessava minha incumbência no mundo terreno, impelido a abandonar o corpo físico como na vida passada foi conduzindo de volta à Pátria Espiritual. Na memória, a cena dolorosa e inenarrável do episódio inesquecível do fenômeno da desencarnação prematura. Vi o meu corpo espiritual envolto de luz elevar-se acima do corpo carnal; olhei meu corpo físico abandonado ali no solo, vertendo-se em sangue, sem ninguém para socorrê-lo; torturava-me o cérebro; sofri deliberadamente a amargura da incompreensão. Rogério fugiu sem me prestar socorro. Senti medo, muito medo. Foi como se vivenciasse a desencarnação anterior. Uma vasta escuridão pairava em torno de mim. Então percebi que não mais pertencia ao número dos encarnados. No entanto os meus pulmões respiravam, minha cabeça doía, sentia a forte sensação de que os meus órgãos estavam sendo inundados. Uma enxurrada de sangue jorrava dentro de mim. Minha angústia aumentava cada vez mais. Mesmo cansado permaneci ali ao lado do corpo carnal, em vigília, até a chegada de socorro. A lembrança da desencarnação anterior paralisara-me de súbito. A memória exibia de novo o quadro vivo. Naquele instante, revivia mentalmente a cena trágica da morte que finalizara minha existência de Anacleto P. G., no passado. Não conseguia encontrar esclarecimento que pudesse justificar tamanha crueldade, por duas encarnações consecutivas. Sozinho e angustiado, com as forças se esvaindo, no silêncio implacável, o doloroso desânimo subjugava-me o espírito, as lágrimas lavavam incessantemente o meu rosto, ao ver o rosto carnal gesticular a dor agonizante da morte. A garoa fina e o vento frio traziam a sensação de vazio, o cansaço e a falta de ar me dominavam por completo, e a estranha sensação aumentava. Era como se tudo ao meu redor tivesse deixado de existir. Pensava na aflição dos meus familiares. No além-túmulo meu pensamento percorria simultaneamente caminhos variados e etapas diversas. Precisava compreender a sequência da vida. Com o cerrar dos olhos carnais uma multidão aproximava-se do corpo, algumas pessoas lamentavam, enquanto outros, com comentários inevitáveis, atingiam-me profundamente, aumentando ainda mais a minha desesperação. Esboçando um gesto de paciência, aguardava a chegada dos paramédicos, embora ninguém se prontificasse em chamá-lo. Persisti na espera. Recordações de sofrimento da desencarnação anterior penetravam-me o coração, quando, mesmo tendo de abandonar o corpo físico, fui acusado de ter exterminado minha própria vida. Apeguei-me a Deus, orando pedi a Ele que me fizesse compreender aquele episódio brutal. De repente uma luz clareou meu corpo espiritual, que permanecia no local da tragédia, e na escuridão da noite fluíam do céu as bênções da paz. Envoltos em luz, amigos desencarnados, em um gesto afetuoso, desceram à Terra em meu socorro, emanavam-me amor na mais poderosa manifestação da bondade divina. A presença deles significava que não teria eu de passar pelo tormento que passei na desencarnação de minha existência de Anacleto P. G. Enquanto eu esperava o socorro do homem, a Inteligência Suprema enviou-me socorro para a alma, os paramédicos da espiritualidade socorreram-me ali mesmo, com preces do Evangelho de Cristo. O crepúsculo transformou-se em luz, amenizando as perturbações íntimas que me chocavam o sentimento. Experimentei penosas sensações, perdendo as forças devagarzinho. Jesus, o Pai generoso, inspirou-me o desejo santo da paz. O amor alumiava-me o íntimo, permeando-me de esperança. Conscientizava-me de quanto me sentia oprimido e amargurado, na expectativa ansiosa de prosseguir. Fatigados sentimentos prendiam-me o coração, envolvendo-o nas teias da saudade. Súbito abatimento evidenciava intraduzível angústia. Nova corrente de idéias penetrava-me o espírito. A sensação de dor arfava dolorosamente no peito, como se o coração tentasse romper o tórax, causando-me indefinível angústia. As pálpebras cansadas rendiam-se ao sono Eterno. O corpo carnal, caído ao solo, esvaindo-se em sangue, trazia-me a sensação de dor. Era como se eu ainda estivesse na matéria. Depois do padecimento verdadeiramente doloroso, experimentava a realidade de viver sem as amarras do corpo terrestre. A Sagrada Misericórdia Paternal concedia-me a paz da compreensão, dava-me a oportunidade de retornar à Pátria Espiritual. Como sensação de dor? O espírito sente ou não dor? -Fora da matéria não sentimos a dor carnal, no entanto sentimos a dor emocional, por experimentar a dor física quando encarnamos. Desencarnados, a sensação de dor nos faz sofrer como se ainda habitássemos na matéria. Na morte violenta somos ?expulsos? do corpo físico com muita rapidez, mesmo que experimentássemos a dor; na morte violenta não teríamos tempo, o desligamento do espírito é como um sopro curto e rápido. Quando nos vemos sem as vestes carnais, a dor moral e emocional nos levam ao desespero. O local onde ocorre morte trágica, inesperada, encontra-se encestado de entidades que caíram em tenebrosos desvios de impiedade, alimentam-se do ódio, sofrem o império do egoísmo e da mentira não entendem a verdade, e, consequentemente, atormentam o espírito recém-desencarnado com gargalhadas, gritos e palavreados; a crueldade transparece de todos os semblantes. São incontáveis criaturas que padecem ao longo do século, sem qualquer alívio espiritual. É preciso muita fé em Deus para suportar. Mesmo porque não sabemos quantas mortes necessitamos ainda. - Quando deixou o corpo físico, encontrou alguma dessas entidades no local? - Sim. Muitas delas, um verdadeiro terror, algumas esqueléticas, com vestes carnais em decomposição, alucinadas, gritavam por água. Outras, apenas mentes desequilibradas me acusavam de tê-las abandonado, eram pacientes em minha existência de psiquiatra, tinham perdido a noção do tempo, continuavam a me chamar de Dr. Anacleto. Com olhos esgazeados dos que experimentam profunda sensação de pavor, gritavam ?doutor, me ajuda!? - Elas o atormentaram? - Não. A fé que tenho em Deus me protegeu, mas fiquei bastante assustado com o que vi. Não esperava semelhante situação. Na desencarnação anterior, Entidades deste gênero me perturbaram muito quando estive no Purgatório. Todavia, a beleza sublime do amor espiritual reconfortava-me nessa desencarnação, substituindo as sombras das entidades por laços de luz. Senti-me aconchegado ao amoroso amparo espiritual. Contudo, a profunda saudade me lancinava rudemente o coração e as lágrimas marejavam-me no rosto tal como criança necessitada de carinho. Pensava o tempo todo em meus familiares. Minha mãe, ela estava à minha espera, me preocupava com o sofrimento dela, não queria que sofresse, eu o amo tanto, amo-a mais do que a mim mesmo. Adorável criatura, olhar profundo, verdadeiro, e, ao mesmo tempo, triste. Naquele momento seu sentimento estava sendo invadido pela amargura da invisibilidade imensa que nos separava. A sombra da dor oprimia seu coração afetuoso. Que saudade eu tenho daquele jeitinho meigo, desprotegido, dela me acarinhando ternamente, envolvendo-me em seus braços maternais emanando-me amor e ternura, transfundindo -me a alma. A preocupação não cessava. Pensava eu: Qual será a reação dela quando souber que estou morto? Pensamentos angustiantes aniquilavam as minhas forças, olhar o próprio corpo desfalecido ao solo sem poder voltar para casa foi muito doloroso. É uma cena infeliz de se ver. Por um momento desejei ardentemente retomar à matéria, o corpo ainda respirava lentamente. Contudo, evidenciava o fim da existência. Foi quando entendi que aquele corpo não mais me pertencia. os amigos espirituais oravam na mais ardente fé, enquanto outros me consolavam. Pensamento benévolo fazia-me compreender aquela experiência dramática do após desencarne, despertando em mim sincero desejo de paz. A presença dos Espíritos da Luz constituiu infinito reconforto ao meu coração. Relembrei a vivência carnal, os amigos e familiares, uma estranha sensação de angústia clamava pelo passado irremediável, dominando-me por completo. De olhos para o corpo físico, observei seu rosto gesticular a dor agonizante dos últimos suspiros, uma das cenas mais dolorosas de se assistir, as pálpebras cansadas rendiam-se ao sono, por toda a eternidade. É um choque sentir-se sem as vestes carnais! É também estonteante passar para outro lado da vida. Vê, sem ser visto, ouvir, sem a necessidade da palavra articulada. Eu estava preparado, mas quando me vi fora do corpo físico fiquei assustado, fugiu-me da compreensão, não esperava encontrar aquelas entidades tenebrosas. Deparei-me com os pesadelos da adolescência. A atmosfera frígida e a garoa ocasionavam-me sublime sensação de paz interior, o céu resplendia além das sombras que envolviam aquele lugar, mas o pavor não me deixava enxergar a Sagrada Misericórdia Paternal. A desesperação me fazia olhar só para mim mesmo, quero dizer, para o corpo carnal, a forte sensação de dor na cabeça me deixava estonteado. Chorei insistentemente, queria minha mãe. Era natural que eu sofresse tanto, vendo o próprio corpo aniquilado. Não estava eu preparado para aquela situação verdadeiramente dolorosa, para o espírito assistir. Naquele momento pensei no sofrimento profundo dos meus familiares, a ?bagagem? de preocupação perturbava-me o íntimo, torturava-me o cérebro. Século de sublimes construções espirituais me fez compreender aquela experiência dramática do após morte. A luz da gratidão e do entendimento permanecia viva em meu coração. sem deixar que a névoa da tristeza me entorpecesse. Empenhei-me no esforço da compreensão. As preces dos Espíritos da Luz despertaram em mim o facho ardente da fé, a bondade dos amigos espirituais fez-me compreender e sentir Jesus no coração. Aí, então, pela primeira vez eu sorrir à frente de minha nova vida, minha alma radiante clareou-se, despertando o súbito interesse de retornar à Pátria Espiritual. A incompreensível dor carnal não mais me adulterava o espírito. Infinita alegria e a certeza da concessão divina se caracterizavam pelo pensamento elevado dos Espíritos, portadores da paz, restauraram-me as energias. Sentindo-me ultrajado pela nudez, encorajado olhei para o meu corpo espiritual, pensava estar despido, me surpreendi com as roupagens luminosas que trajava, estava livre daquela sensação de nudez. Como é constrangedor senti-se nu na frente de amigos. Não me preocupei com as pessoas que se encontravam no local, tinha plena consciência de que elas não podiam me observar. Os amigos espirituais, esses, sim, podiam enxergar minha nudez. Sem saber como, nem da onde surgira, aquela roupa em meu corpo, chorei de emoção, agradeci a Deus, Ele me abençoou com a veste espiritual. Nesse momento, fui envolvido com um abraço caloroso pelo meu agradecimento a Deus. Aí, então, chorei, chorei como uma criança tímida, quando se sente longe de sua mamãe. Feliz com a nova vestimenta retornei ao lar em companhia de Castardelli, para observar minha mãe. Encontrei-a na sala, sentada em um canto do sofá, silenciosa como sempre, por um momento pude ouvir seus pensamentos emaranhados pressentindo minha morte, eu já não mais me encontrava entre os vivos. Seu semblante expressava grande amargura, minha morte já lhe causava enorme sofrimento, mesmo antes de a notícia chegar. Sozinha, desprotegida, sofria em silêncio a amargura de suas sensações. Tentei animá-la, abracei-me a ela, com o carinho de minha saudade imensa. Todavia, minha aproximação provocou-lhe repentinamente o choro compulsivo, levando-a à desesperação. Pareceu-me totalmente sensível ao meu gesto de amor, seu coração apresentava-se amortalhado, seus olhos afogados pelo pranto incontido, seu pensamento pronunciava meu nome. No impulso gritei, com toda a força dos meus pulmões, mas as palavras pereciam ecoar pela casa, sem atingir os seus ouvidos. Compreendi a situação. Calei-me diante daquele imenso silêncio angustioso. Já não era a mesma de algumas horas atrás. A fisionomia cansada evidenciava a angustiante premonição, seu coração sensível clamava pela ausência irremediável de um corpo agora morto. Sensibilizado, pronunciei; mãe, não chore, estou aqui. Ela suspirou amenamente, abafando o soluço de amargura. Minha voz se fez ouvir carinhosamente ao seu lado. É doloroso de assistir a uma cena de sofrimentos de pessoas a quem amamos! Não me contive diante de tamanha amargura, aguaceiro de lágrimas enxurrava em meu rosto, meu sofrimento voltava com mais intensidade, mesmo angustiado encontrei forças para manter-me fiel ao Pai Misericordioso, os Espíritos benevolentes imediatamente me convidaram a retornar ao local onde se encontrava meu corpo físico. A multidão tinha aumentado, os curiosos tentavam adivinhar o ocorrido na calamitosa cena. Naquele momento senti-me alheio ao flagelamento do corpo físico. Eu continuei além, sem dúvida da irreversível morte trágica do corpo físico. Encontrar-me além-mundo, presenciando tudo. Certo da imortalidade. A morte aniquilara minhas vestes carnais. Apesar disso, o amor expressava-se, sentimento elevado aliciava junto a me, espíritos benevolentes e ditosos. Nesse instante, elevei meu pensamento em oração, amigos da espiritualidade envolveram-me com pensamentos afetuosos. Aquele momento sublime libertou-me do sofrimento que embebia minha alma. Amparado na confiança em Deus, restaurei as energias e me preparei para a grande viagem de volta à Pátria Espiritual. Sem, entretanto, conseguir saciar a saudade torturante dos que aqui ficavam. Choroso e com os olhos e nevoados em lágrimas, num gesto de ternura, pedi a Castardelli para continuarmos no local até a remoção do corpo. Proferindo palavras amáveis o amigo compreendeu o meu desejo em acompanhar a trajetória de William cadáver. A REMOÇÂO Eu estava exausto, mas pacientemente aguardei a chegada do transporte para a remoção do corpo caído na calçada imunda de uma avenida movimentada. Ninguém se prontificou em chamar o socorro, preocupavam-se apenas em fazer comentários maledicentes. Depois de passados alguns minutos do ocorrido, um senhor bondoso de semblante e meigo, aproximou-se da multidão, desesperado com o que viu, correu em busca de ajuda. Aquela atitude benévola sensibilizou-me profundamente. Lágrimas de emoção borbotavam-me dos olhos. Sensação indescritível de gratidão me fez respirar o ar, de alívio. O verdadeiro amor brotara da profundeza do coração daquele homem. A Providência Divina o enviou para amenizar o meu sofrimento. Rogério fugiu sem me prestar socorro. Tentava se recompor do susto e reordenar as idéias. Precisavam relatar uma história convincente, no interrogatório policial, na tentativa de escapar das acusações que lhe seriam feitas. Afinal ele foi o único culpado pelo o que me aconteceu. Fui atingido pelos disparos direcionados a ele. Eu morri, ele ficou. Mas carrega consigo o peso do tormento, e o remorso pelo que me aconteceu naquele episódio trágico que finalizou minha experiência terrestre. Que Deus tenha piedade do desassossego dele. ? Você tem mágoa do Rogério? ? Não. Ele provocou os indivíduos, mas não poderia prever que fosse acabar em morte. O perdão é o sentimento mais sublime do homem. Minutos depois do telefonema daquela nobre alma, os policiais chegaram ao local. Uma tagarela foi logo denunciando o fujão, enquanto alguns policiais colocavam a faixa de isolamento no local. Outros saíam apressados, à procura do Rogério. Com demora do pegá-lo, assim que os policiais voltaram com ele, o Tenente do comando decidiu por me transportar. O corpo foi colocado em um saco térmico. O soldado Nilo se expressou rapidamente: Tenente, tenente, os paramédicos acabam de chegar! Era tarde demais, o corpo já estava na viatura. Gravemente ferido foi levado para o hospital. Meu estado se agravava de momento a momento, as dores insuportáveis, aumentavam. Com o desconforto da acomodação precária da viatura policial, meu estado agravou-se. Tentei gritar, faltou-me ar para o grito. Meu rosto carnal gesticulava, a expressão da dor agonizante é inarrável. As palavras não conseguem traduzi-la. O soldado Nilo tentava estancar o sangue que estilava do meu corpo, dizendo: Agüenta ai, meu rapaz! Você é forte, vai resistir. Já estamos chegando. Agüenta, só mais um pouquinho. As palavras proferidas pelo soldado ecoavam suavemente, sussurravam nos meus ouvidos, evidenciando a grandeza d?alma nas frases gentis do soldado Nilo. Eu ouvia sua voz suave, como se ele se encontrasse a quilômetros de distância. O sangue que corria em minhas veias enxurrava, alagando os meus órgãos internos, como as correntezas das águas inundam as margens dos rios. Com dificuldades para respirar, fui desfalecendo. Pouco a pouco, minha cabeça doía muito, não sei o que era mais doloroso, se a dor na cabeça ou se a hemorragia interna, impedindo-me de respirar. Foram momentos de muita agonia. Profunda sensação indescritível de amargura dominou-me de súbito o espírito. Chegamos ao hospital. Foi aquele corre-corre. Fui submetido a uma cirurgia de emergência para retirar a bala, ali mesmo na enfermaria do pronto socorro. A morte inevitável ocorreu antes mesmo de a equipe médica finalizar a cirurgia. O insucesso consternara a equipe. A tentativa de salvamento foi em vão. Meu tempo de existência corpórea tinha se completado, chegara minha hora de retornar ao mundo espiritual. Angustiado, acompanhei a operação para a retirada das balas de revolver alojadas no fígado. Queria observar de perto a evolução da medicina. A fissura cirúrgica mostrou o coração fragmentado, o depósito de sentimentos da alma foi estilhaçado pelo fogo da maldade. Depois da abertura suturada o sangramento continuou. Rogério estava sendo operado na enfermaria ao lado. Ouvi quando ele perguntou: ? Como está William? Uma voz ecoou: - Morto. Em profunda desesperação, senti o coração acelerar no peito, dores horríveis, por um instante silenciou meu pensamento na continuidade da vida, depois da experiência triste e dolorosa da morte. Meu corpo carnal estava morto, mas eu continuava vivo, e precisava prosseguir. O sofrimento é inevitável, mesmo quando o Espírito está preparado para desencarnar. A morte trágica leva-o à desesperança, à dor moral e emocional. Num ato violento o Espírito é forçado a deixar o corpo carnal, às vezes ainda com vida. Fora do corpo acompanha todo o sofrimento do corpo orgânico até o instante da morte. É inevitável o sofrimento do Espírito, ele sofre também com o sofrimento daqueles que o amam. Eu estava preparado para a desencarnar, mas quando me libertei das algemas carnais, deparei com uma imensa escuridão. Fiquei apavorado, senti muito medo. Na memória a minha triste trajetória na desencarnação anterior até encontrar a paz espiritual. A conduta moral desregrada na mocidade, em minha encarnação anterior, me fez caminhar pelas trilhas obscuros de dolorosos tormentos, uma escuridão pavorosa, os dias eram tão crepusculosos quanto as noites. Entidades pavorosas das sombras torturavam-me com acusações incabíveis. Foram anos consecutivos de sofrimento, até que as vibrações de paz balsamizaram-me o coração. Quarenta minutos passados das vinte e uma horas, o corpo frigido, permanecia no necrotério à espera de alguém da família para identificá-lo, com olhar afogado em justa preocupação. Aguardei a chegada de minha mãe. Presumi o choque quando o médico notificasse a ela a minha morte. Amparado pela espiritualidade, rememorei os ensinamentos de Jesus, senti-me acalmado, embora sofresse antecipadamente com o sofrimento que a minha morte iria causar, pensava eu. A vida de meus familiares se tornaria vazia com a minha ausência, pensamento angustioso me oprimia. Meu pai chegou minutos antes de minha mãe. Ele recebeu a noticia de minha morte com certa frieza, deixou que o corpo permanecesse no necrotério, sem identificação. Quando o policial deu-lhe a noticia, ele sequer falou com o médico. Naquele baque senti o quanto eu lhe era indiferente. Confiante em Deus, corajosamente me recompus da decepção. Minha mãe chegou ao hospital com o olhar sombreado pela névoa da tristeza, a angústia atormentava-lhe o coração, esperava o momento de soltar aquele grito sufocado no peito. Em seu silêncio, profundo e perplexo, sofria; o amargo vazio alastrava em seu íntimo a dor da perda, minha vida ia deixando em seu âmago vasta saudade. Angustiada dirigiu-se à portaria dizendo: ? Quero ver o meu filho! ? Não pode entrar senhora! Desesperada: Como não? É o meu filho quem está ai dentro! ? Ele está sendo operado neste momento. Chame o medico que o atendeu, quero falar com ele. ? Não posso. Ele está em uma emergência senhora, disse o enfermeiro. Amargurada faltaram-lhe as forças. Meu virtuoso amigo Kan acompanhava de perto a sua angústia, acarinhando-lhe ternamente. Ciente do ocorrido, ele foi até a casa de uma amiga, que residia na proximidade do hospital, para avisá-la do acontecimento, deixando-a sozinha por alguns instantes. Em espírito permaneci ao lado dela. Acompanhei de perto seu sofrimento. Meu pai se ausentou assim que ela chegou. Kan retornava ao hospital acompanhado de Zélia. Ela tem livre acesso ao hospital, é funcionaria. Senti-me aliviado, minha adorável mãezinha, não está mais sozinha. Zélia entrou no hospital perguntando ao enfermeiro: Quem é o Plantonista do Pronto Socorro? ? Dr. Henrique, senhora! Respondeu o enfermeiro. Minutos depois, Zélia retorna com uma expressão de piedade. Pediu à minha mãe que a acompanhasse. Trêmula e assustada seguiu os passos lentos da amiga em direção à sala do plantonista. ? Dr. Henrique, essa é a mãe de William. Pressentindo a irremediável tragédia, proferiu: Onde está o meu filho, quero vê-lo. ? É lamentável, mas ele está morto; já chegou aqui em óbito. O grito lancinante de dor. Em seguida, o sepulcral silêncio. Mesmo sofrendo com o fim de minha existência, corajosamente, caminhou a passos bambos, em direção ao necrotério. O indescritível sofrimento não a fez recuar. Compreensivamente melancólica, contemplava o meu corpo morto. Desesperada e impotente, diante do acontecimento desditoso e irreversível, e a dor vergastando-lhe o coração, assinou a papelada de reconhecimento do corpo. Em expressivo silêncio de dor despedia-se, acariciando o corpo de seu filho amado. Contendo a custo as lágrimas, retirou-se do recinto com o olhar afogado em tristeza. A amargura instalou-se em seu cérebro, pensamentos de inconformismo e incompreensão penetraram nos recessos do seu ser, encontrando a saudade. A poderosa força do amor submergia seu interior, desejando, ardentemente, o impossível retorno da vida carnal de William cadáver. Seu filho querido e tão amado encontrava-se separado, a invisibilidade ocultou-lhe a presença do filho querido. O tormentoso vazio crescia de vulto na saudade que a tomaria de súbito. Entregou-se ao terrível silêncio. No seu mundo interior a sombra imensa da tristeza refugiava-se em seu olhar melancólico, esperando que o tempo, em sua marcha inexorável, se encarregasse de dissipar a dor da saudade do filho, agora desencarnado. VIOLAÇÂO dos ÓRGÃOS Depois de uma longa espera, apareceu o veículo para transportar o cadáver até o Instituto Médico Legal. Chegando lá, o corpo foi imediatamente submetido à necrópsia. As suturas foram abertas novamente. Depois de os Legistas examinarem William cadáver, seus órgãos foram removidos para doação, e, em seguida, empacotados, como se fosse mercadoria engavetada em frízeres enormes. Gavetas imensas serviam de depósito para cadáveres, ainda não identificados. Em um certo momento o cadáver foi levado para uma sala ao lado. O crânio foi cerrado, retirada a massa craniana e engavetada separadamente, dos outros órgãos. Quando o corpo foi liberado para o sepultamento, apresentava interstícios em todas as partes dele. Os legistas não se dão ao trabalho de suturar as fissuras cirúrgicas do corpo em óbito. È um verdadeiro atropelo ao corpo humano. É doloroso assistir à inesperada violação dos órgãos do próprio corpo físico. É insuportável. Doía-me na alma. Cada órgão removido causava-me uma dor maior, dando-me a sensação de vertigem no corpo espiritual. No interior do corpo, o oco ocupou o lugar dos órgãos. A dor foi tão imensa que os sentimentos não encontram palavras para explicar. Naquele momento conscientizei-me de que o corpo carnal já não tinha mais nenhuma serventia. No entanto, minha alma foi contaminada pela dor emocional e moral, o flagelo do corpo constrangeu-me o espírito, a violação inaceitável causou-me grande sofrimento, não estava eu preparado para presenciar uma cena tão assim. Quando se é doador é diferente, caracteriza uma ação de bondade feita quando o espírito ainda se encontra encarnado. Ainda assim, ele pode sofrer; quando um acidente causa-lhe a morte prematura. Meu sofrimento foi maior por ter dado um a de repórter bisbilhoteiro, fazendo o percurso feito por William cadáver. Acompanhei o trabalho dos Médicos Legistas. É uma experiência espantosa assistira violação dos órgãos do próprio físico. O deserto de angústia sufocava-me no desejo incontido de bem-estar. O padecimento verdadeiramente doloroso não me deixou fugir da nova realidade. Sublime claridade inundou o ambiente, convertendo a tristeza e a angústia em esperança e alegria. Sentindo-me modificado, abracei-me à realidade da nova vida. Entreguei-me a pensamentos construtivos. A existência terrestre, que a morte transformara, assinalava dessemelhante tempo de existência, fazendo-me compreender a seqüência que rege o quadro evolutivo da vida. Numa sala solitária, outros cadáveres aguardavam para serem identificados, depois liberados para o sepultamento. Presenciei cenas lamentáveis, Espíritos recém-desencarnados, inconformados com a morte do corpo orgânico, incorporavam-se ao próprio cadáver, na tentativa de reanimá-lo e soerguê-lo dos escombros da destruição. No corpo frígido reviveram a tragédia, cena que os coagiu a abandonar o corpo carnal, só depois se conscientizavam que já não mais pertenciam ao mundo dos vivos. Não compreendem o fato de se apresentarem num corpo idêntico ao corpo morto pensam que continuam vivos. Indignados pelo ódio sustentam na morte a aspiração de vingarem-se daqueles que lhes tiraram o direito à existência física. Revoltados andam de um lado para o outro, abordam os médicos com palavras obscenas. Na incompreensão bofeteiam o ar acreditando estarem esbofeteando o médico. Chega a ser cômico! Outros, na desesperança, lamentam a própria morte. Muitos jovens de bem, vitimados pela violência de indivíduos endiabrados pelo álcool e pelas drogas. Depois de roubarem para sustentarem o vício eliminam sua vítima. Os Mentores aventuram-se em acalmá-los com preces do Evangelho. Tão logo esses Espíritos escutam falar o nome de Jesus, conscientizam-se de que o seu corpo carnal encontra-se morto. O Plano Espiritual envia os mensageiros da luz em auxílio aos Mentores incumbidos de conduzir esses Espíritos à esfera espiritual, onde serão atendidos pelos socorristas. O que aconteceu no dia em que perdeu a vida? Não perdi a vida. Só me libertei das vestes carnais. Na volta para casa, Rogério se envolveu em uma tremenda confusão. Pensei em seguir. Estava com a impressão de que ia morrer naquele dia, mas acabei por optar em ajudá-lo. Eram três contra um, quando percebi já estava envolvido, não queria brigar, apenas acalmá-los. Rogério, muito rancoroso, começou a revidar a murro as provocações dos indivíduos. Quando percebi que Rogério estava apanhando muito, me enchi de coragem e decidir lutar em seu favor. Eu não queria machucá-los, contudo a violência dos indivíduos obrigou-me a lutar. Naquele momento, recordações da morte anterior afloravam-me na mente, fazendo-me regredir nos séculos. Rememorei o episódio da morte anterior. Senti a dor da punhalada nas costas, perfurando meu pulmão. Humilhado por ter sido morto injustamente na existência passada, sem direito a me defender, naquele momento senti que precisava lutar. Na existência de Anacleto P. G. fui morto sem ter chance de defesa. Por ser eu portador de técnicas das artes marciais, não podia lutar. A disciplina das artes marciais não permite lutas fora do tatame, a não ser em legitima defesa. Não era o caso. Durante os dezoito anos de experiência terrena, carregando comigo a tristeza do crime que finalizara a minha existência. Então regredi nos séculos e voltei a ser Anacleto, ele precisava lutar. Daí entrou na luta e me vi obrigado a usar as técnicas de William na arte marcial, porque Pinheiro não sabe lutar. Dominei um dos indivíduos, os outros dois, assustados, correram. Quando tudo parecia calmo, ouvimos um barulho. Rogério gritou: ? É tiro. Vamos correr! ? Soltei rapidamente o indivíduo. No que tentei correr, senti uma estranha sensação de algo se escoando pelo corpo. Quando passei a mão, senti que estava sangrando. Até então, não sabia que fora baleado. Falei: Rogério! Creio eu que levei um tiro! Quando pronunciei essas palavras, ele correu sem me prestar ajuda. Mas, outro disparo atingiu-lhe a mão. Embora ferido gravemente, no lado esquerdo, me aventurei a correr, mas estava extremamente cansado, faltaram-me as forças e ar. Ao mesmo tempo, senti a bala de revólver percorrer o meu estômago, causando-me imenso mal-estar. Uma enchente sanguínea sufocante crescia dentro de mim, inundando os meus órgãos. Concomitantemente, aniquilava-se as minhas forças. Embora consciente da gravidade do estado em que eu me encontrava, tentei debelar a morte, ainda anelando que parti para morrer. No entanto, ela foi mais competente do que eu. Atraiçoou-me com um outro disparo letal. Eu caí, batendo com a cabeça na guia da calcada. O impacto violente causou-me forte dor. Esse foi o motivo da dor na cabeça. O INSTANTE DO RETORNO Violentamente impelido a abandonar a carne foi excluído da experiência material. O jovem carismático e feliz anulava-se na alma tristonha e saudosa, no entanto compreendia que tinha chegado o dia indicado para a minha libertação. A vida de seus familiares e amigos reduzia-se a triste montão de lágrimas, sofriam, amarguradamente, a ausência dolorosa e irreversível do corpo agora morto. Era chegada a hora da viagem de volta à Pátria Espiritual. Certo da bondade de Deus ia ao encontro dos meus familiares e amigos, que me aguardavam na imortalidade. Como uma criança desprovida de carinho, fui conduzido pelos amigos espirituais, cheguei ao novo lar com uma sensação indescritível de um jovem que retorna ao aconchego do lar depois de longa ausência. A esperança animava-me o espírito. No entanto, levei comigo a dor da morte física, as experiências da última vivência corpórea; sensações, emoções e a dor da saudade. Minha mente ainda voejava longe. O quadro vivo da cena dolorosa da morte ressumava-me na cabeça. Ainda escutava, dentro de mim mesmo, o barulho dos disparos que me coagiram a exonerar-se da matéria. O passado remoto na espiritualidade repetia-se - me no painel das reminiscências. Após despedir-me do corpo físico, um imenso clarão planava, comunicando-nos a hora de retomar o caminho de volta ao domicílio espiritual. Guiado pelos amigos, subia de costas, com o olhar vago para a Terra. Vi o planeta se distanciar lentamente. Experimentava a tão esperada partida. O sopro celestial sussurrava carícias na deslumbrante viagem. Depois de percorremos uma longa estrada, chegamos à primeira paragem, não muito distante da Terra. A flamejante luz abençoava-nos. Gracioso grupo de amigos, que se encontravam à nossa espera, receberam-nos com uma recepção fraternal. O coração pulsava descompassado, algo me oprimia ansiosamente. Árduos conflitos fustigavam-me. O corpo carnal refletia no espiritual. Cambaleando de tristeza, dirigi-me até à janela, lá de cima olhei o orbe terrestre, e, ao longe, vi-o transformado-se em uma estrela pequenina, obscurecida pela própria densidade. A distância acompanhava a inevitável e angustiosa dor expressar-se no rosto dos meus familiares e amigos, fazendo-os perder todo o rumo com a amargura que a morte causara. Sofriam terrivelmente com a despedida do inevitável fenômeno da partida. A Providência Divina antecipava-me os que ainda permaneciam no corpo carnal, experimentava a mesma dolorosa saudade que macerava os corações amargurados daqueles que lamentavam a minha despedida. A mídia noticiava a todo o momento o trágico acontecimento. As inverdades fervilhavam no cérebro das pessoas a quem eu tanto amo. Foram minutos de extrema aflição. Meu sofrimento equivale ao somatório do sofrimento de todas aquelas pessoas que experimentavam a dor da morte física. Foram momentos angustiantes de dor e solidão. Depois de observá-los, um vazio imenso e sufocante crescia em torno de mim com o choque da separação biológica. Meu cérebro era uma névoa densa. Embora consciente, sentia-me ainda ligado à tragédia de algumas horas antes. Angustiado, acheguei-me ao repousante compartimento vislumbrante aos olhos imortais. Um Espírito caridoso e feliz edificava o brilho no ambiente, aquecendo a chama da fé e da confiança no meu coração. Sem dispensar as apresentações, disse-me: Meu nome é Aderbaldo Menezes, eu estou aqui para ajudá-lo. Naquele momento desejava, do fundo de minha alma, a presença de minha mãe. Em pranto silencioso, ao pronunciei: Quero minha mãe! Fui surpreendido, segundos depois. Em espírito, ela encontrava-se ao lado do sereno e generoso Menezes, em meu aposento. Aquela presença me banhou o coração. O imperioso esforço de Menezes trouxera minha mãe até mim. Desejei abraçá-la com amor de um filho que há muito não a vê. No entanto, a dor dos ferimentos impossibilitava-me o abraço. O Pai Celestial concedeu-me o direito de revê-lo. Meu espírito, pacificado, voltou a sorrir diante do sublime mistério da vida espiritual. O espírito desliga-se do corpo, os obstáculos da carne não impossibilitavam a sua capacidade de volitar. Sentia-me tranqüilizado. A visita me fez entender que a força do amor vence todas as barreiras impostas pela matéria, o reencontro dava-me certa calma ao coração. O amor de nosso irmão Menezes reconfortava-me na despedida de minha adorável mãe. A alma silenciosa e tristonha voltava ao seu domicílio. O corpo carnal adormecido pelo sono o aguardava, depois que ela retornar ao mundo material. Menezes carinhosamente cuidava dos ferimentos do meu corpo perispiritual. Enternecido com a sublimidade da bondade de Menezes, com uma prece agradece ao Pai Celestial. Então compreendi que Menezes e o bondoso velhinho que chamara o socorro para meu corpo carnal eram a mesma pessoa. O sono repousante despertava-me novos ânimos e, inspirando-me confiança, despedimo-nos felizes de Menezes; prosseguimos a viagem, de costas, olhando para baixo as maravilhas do Universo. Naquela altitude contemplavam os meus olhos os planetas se distanciando. A Terra transformava-se numa estrela deslocada das outras flutuava no espaço, parecia-me o fim da exaustiva viagem. Todavia, era apenas a próxima paragem. Ainda tínhamos um longo caminho a seguir. Infinitamente longe das regiões celestiais. O corpo, sem carne, dava-me a idéia de repouso preciso. No domínio das reminiscências o diferente caminho transcorrido na desencarnação de minha existência de Anacleto, o episódio do leito de morte daquela existência centralizava-se agora nessa. A trágica cena perseguia-me por dentro. O passado parecia querer enredar-se no labirinto dos pensamentos, trazendo de volta o que havia ficado para trás. Na rolagem contínua do tempo, o passado parece-nos um constante presente, as reminiscências reavivam-nos, a memória acende as esperanças e nos fazem malograr idéias de felicidade na verdadeira vida do Espírito. Chegamos na segunda paragem, um belo hospital de uma higiene jamais vista na Terra. Parecia-me mais uma casa de repouso para idosos do que um hospital. Os amigos que me acompanhavam despediam-se. Era o fim da viagem para eles, mas, para mim, era apenas uma hospedaria para o tão necessitado repouso. Já havia perdido toda noção do tempo. A viagem, que me parecia ter durado meses, na realidade durara apenas minutos. A distância é tão imensa que me dava a impressão de ter deixado a Terra há meses, os pensamentos emaranhavam-se no tempo e na distância. As lembranças de todas as outras existências afloravam-me na minha mente, e por um instante perdi a noção de mim mesmo. Uma voz alertou-me ao chamar por William Eduardo. Meus pensamentos se iluminaram de novo. Uma bela jovem, de semblante sereno, cabelos longos, olhos verdes como uma floresta, direcionou-se a mim e, apresentou-se: Maria Deli. Notei algo nela que lembrava minha mãe. Não sei se o jeitinho tímido, o olhar de saudade talvez. ? Você me faz lembrar de minha mãe. Esboçou um sorriso singelo e acrescentou: ? Somos primas. Deixei o Lar Terrestre ainda muito jovem, desencarnei aos dezoito anos de idade, num acidente automobilístico, comemorávamos o primeiro aniversário de casamento, meu esposo, embriagado, na volta para casa, entregou-me a chave do veículo, como fazia sempre que íamos a algum festejo. Meu irmão, exaltado pelo álcool, não me permitindo conduzir, assumiu a direção do veículo, dizendo: ? Onde tem homem, mulher não dirige. Em alta velocidade, ao contornar a praça central na cidade de valente, perdeu o controle da direção, o veículo capotou, por diversas vezes, contínuas. Na primeira capotagem, a porta se abriu lançando-me para fora ainda com vida. Apenas algumas arranhaduras. No momento em que pensei em me erguer o veículo capotou pela segunda vez, meus longos cabelos enroscaram nas ferragens da porta, fazendo-me rodopiar junto com o veículo. O chumaço de cabelos ficou preso na porta e o corpo foi lançado a metros de distância. Meu esposo e o meu irmão foram socorridos ainda com vida. Meu esposo, depois de duas semanas em coma profundo, deixou a matéria e retornou ao mundo espiritual. Meu irmão passara por varias cirurgias, um longo coma, meses mais tarde despertava novamente na vida corporal. Meu esposo foi trazido para o plano espiritual ainda em coma, não pude vê-lo, sei que depois de anos de tratamento foi transportado para um outro local, mas, até hoje, não sei como, nem onde encontra-lo. Só então pude compreender aquele olhar umedecido pela brisa da tristeza. Ao retratar sua história triste, recordava-se do episódio que lhe fizera despedir-se das pessoas amadas, conduzindo-a à Vida Maior. Meu pensamento se voltava para a existência terrena. Necessitava do calor de um abraço de mãe, a sensação de vazio indisfarçável doía-me profundamente, a saudade angustiante afligia-me o coração e as emoções me tocavam o espírito. Agora, necessitando restaurar as energias, fui hospitalizado, as recordações impossibilitavam-me de prosseguir viagem. Fui internado para triagem, numa confortável acomodação, maravilhosamente equipada com uma diversidade imensa de majestosos aparelhos. Dava-me a impressão de que eu não necessitava apenas de triagem. Intrigado, pergunto: Maria Deli, para que toda esta aparelhagem? Respondeu: ? Os quartos ficam todos equipados. Caso haja necessidade em uma emergência, ou um tratamento alongado, somente depois da avaliação será determinado qual para cada um. A triagem é apenas uma avaliação médica do estado emocional do recém-desencarnado. Depois de um longo repouso, desperto com uma equipe médica ao meu lado. O mineiro Odilon era um dos integrantes da equipe. Cheio de prosa e tique nervoso contava-nos histórias do mundo terreno. Depois passou ás minhas mãos um livro dizendo: Este é você antes de ser William Eduardo. Maravilhado com o gesto singelo de boas vindas, agradeci-lhe com a humildade de um imigrante que acaba de chegar num país desconhecido, necessitando de cordialidade para não se sentir deslocado na pátria alheia. Odilon festivamente conduzia-me ao centro de triagem para avaliação. Depois de liberado, retornamo-nos ao aposento onde me encontrava instalado. Abalado emocionalmente, fui submetido a um tratamento, numa cápsula de purificação, luzes de cores variadas proporcionaram-me alguns dias de sono profundo. Ao despertar, veio uma imensa sensação de bem-estar. Durante o período em que me mantive na cápsula foi como se eu tivesse deixado de existir. Como um jovem, figurando tão-somente dezoito anos da experiência física, esbocei um gesto de quem reconhecia aquela cápsula de outros tempos. O sono purificador despertava-me para o mundo espiritual mais elevado, renascemos em uma nova matéria, e assumimos as nossas atividades no mundo espiritual. A matéria espiritual é eterna. Quando nos reencarnamos deixamos o nosso corpo espiritual depositado em uma cápsula, e quando retornamo-nos ao mundo espiritual reassumimos o corpo que aqui deixamos para nos reencarnarmos na matéria densa no mundo terrestre. Mas para isso temos que nos elevar para alcançar a esfera onde o nosso corpo espiritual encontra-se depositado. Sem o alcance da esfera depositária. Quando desencarnamos, permanecemos no corpo perispiritual até atingirmos o grau de elevação necessária para recuperarmos o corpo espiritual. A espiritualidade é o caminho para a conquista dessa elevação. Mas para isto é preciso amar, amar, amar sem altivez, e obedecer as Leis de Deus, e a Ele agradecer a oportunidade de renascimento, sem medo de retornar à nossa verdadeira vida, que é a espiritual. O Pai Misericordioso, em sua benevolência, me fizera enxergar as maravilhas do mundo no além vida. Prosseguimos com a viagem. A sombra da saudade já não mais me oprimia tanto. Agora feliz imaginava eu as maravilhas do céu a aproximar-se no infinito caminho que trilhei desde que me despedi do mundo terreno, e ao longe percebi que as regiões celestiais encontravam-se ainda longínquas. No entanto, me aproximava de um mundo iluminado por lindos raios de sol, que refletem as maravilhas do mundo espacial. Fluídos vibratórios de amor emanam de toda a região, enviando aos espíritos que ainda se encontram nas esferas de padecimento. Sentimo-nos felizes quando nos libertamos do corpo físico. A nossa verdadeira vida é a espiritual. Contudo, sofremos com a separação biológica. Sentimos saudade das pessoas a quem amamos e sofremos com o sofrimento daquelas que nos amam. O amor é a força mais sublime do universo, o amor é o intercâmbio entre os diversos mundos. Através do amor Deus perdoa, abençoa e protege-nos. Assim como Ele, devemos perdoar aqueles que nos odeiam. E retribuir os sentimentos de ódio com sentimentos de amor. Amar o próximo é amar a Deus e a nós mesmos. Sem amor não há perdão, sem perdão não há salvação. A ELEVAÇÂO Não fui para o céu. Momentaneamente, encontro-me numa câmara de luz, nas regiões sulinas desse mundo sublime. Sou muito feliz aqui. A vida é linda além da Terra. As maravilhas do espaço são eloqüentes para nós. Vislumbramos a todo o momento a sublimação dessas maravilhas. Emocionalmente equilibrado, recordei-me do passado espiritual e dos erros clamorosos, nos ciclos da vida eterna. O crime de que fui vítima e o passado doloroso no mundo espiritual, se apresentavam agora cheios de alegria, na espiritualidade solidária de nossos irmãos. Odilon, Aderbaldo e eu assistimos nossos irmãos espirituais nas esferas em elevação. Nas horas de folga regozijamo-nos das infinitas maravilhas de nossa Pátria Espiritual, do mesmo modo ouvimos Odilon como bom proseador contar-nos belas histórias que ouvira durante sua temporada no mundo terreno. Contudo, apesar da alegria, ainda transparecia em seu semblante a sombra da saudade, quando se refere há algumas pessoas. Em especial o ilustre confidente e amigo de prosa, Dr. Saulo. Saudoso, recorda-se dos momentos agradáveis de suas confabulações. Aderbaldo timidamente gesticulava um sorriso ao escutar as histórias de nosso amigo Odilon, o qual nós o apelidamos de vaga-lume, por ser ele um Espírito de brilho intenso. Aqui a felicidade impera em ritmo de bênção. Somos felizes. Agradecemos a Deus por retomamos a nossa verdadeira vida, que é a espiritual, sem esquecermos de agradecer-Lhe o nosso renascimento no Plano Terreno, que é um constante aprendizado para a nossa evolução. O renascimento conduz-nos ao desencarne, e desencarnados empenhamo-nos a subir a rampa do espiral que nos aproxima de Deus. Só então usufruamos a verdadeira eternidade, por temos alcançado a glória. Por ora somos soldados de médio escalão, recebemos resoluções de nossos mentores e as cumprimos com devotamento e alegria. Todavia, comandamos aos soldados de escalões inferiores. E também Diáconos devolutos, que transitam por nossa esfera. Os raios de sol que nos aquecem não são os mesmos da vida terrestre, mas muito temos de descer as esferas iluminadas pelo sol que ilumina o orbe terreno para socorremos nossos irmãos que ainda se encontram nas teias rijas do egoísmo, com os corações amargurados. Necessitam de nosso amparo. Sem o reconhecimento da extensão de suas leviandades defrontam-se com o tribunal de torturas no ermo obscuro das regiões das esferas inferiores, onde espíritos culposos sofrem a inquietação das próprias reminiscências, sem vislumbrar as claridades augustas do Céu. Conflitos horríveis extenuam-se no recesso de suas mentes e experimentam o amargo sabor de suas lágrimas. Ainda apegados às vestes carnais, sentem-se infelizes ao libertar-se. Depois do sepulcro experimentam a sombra da vaidade e do egoísmo terreno. Sem aceitar a realidade da vida além da morte, desabam sobre os espinhos do sofrimento e se arrastam por muito tempo, até a esperança serenar-lhes os corações. O profundo apego à matéria lamentavelmente os afligem embaraçam-se, a contragosto, ao verem seus corpos sucumbidos ao processo de desagregação. Experimentam selvagem sensação, por ainda não se encontrarem libertos da cena do sepultamento do cadáver. As lágrimas de dor os acompanham, fazendo-os recusar a outra esfera da vida. Rumo às trevas da impiedade produzem suas infelicidades, derramam rios de lágrimas com as reminiscências do corpo transitório. O abuso moral e físico, quando o espírito ainda se encontra encarnado, incentiva e acarreta sofrimento no após desencarne, permitindo leviandades, que lhes são prejudiciais. Transforma-se em martírio no futuro de além-túmulo. Entidades perniciosas comprazem-se em inspirar ódio e revolta contra si mesmo, instalando, em seu pensamento vicioso, ardilosa amargura. Credenciando-se ao auxiliado divino. Os mensageiros da luz descem em socorro desses irmãos que sofrem a saudade impreenchível e a necessidade da evolução pelo sofrimento. Inspiramos amor e confiança em Deus a esses espíritos, e através da oração estimulamos-lhes a acender a luz da fé viva no santuário de seus corações, e esquecerem o egoísmo terreno, que se transformara em amargura da imortalidade, a fim de experimentarem abençoadas alegrias, experiência de paz, e felicidade na sublime elevação do mundo espiritual, sem se defrontar com os adversários da paz. Com o conforto da fé e a presença da caridade impedimos que a revolta e a amargura tisnassem as esperanças, fazendo-os compreender a imperiosa necessidade dos ensinamentos de Jesus. A oração é como um anestesiante para esses irmãos necessitados de esclarecimento que padecem por não reconhecerem a existência de um só Pai realmente eterno, que é Deus. Só então vencem as vibrações inferiores que os dominam, e se restabelecem nas leis do equilibro, recompõem os fios dilacerados de suas consciências, e pouco a pouco seus sofrimentos transformam-se, e eles aprendem a governar seus próprios impulsos. Afeiçoando-se ao bem, recuperam a dignidade e recebe da Divina Confiança a graça do conhecimento superior. Aproveitado-os de modo consciente absorvem os pensamentos que provocam a temporária cegueira de suas mentes, arrojando-as em sensações de remoto passado, se desvirtuam da direção das esferas do Espírito Puro, onde lhe aguardam os inconcebíveis e inimagináveis recursos da suprema sublimação da abençoada fonte de raios balsamizantes e indefiníveis, cuja existência no além-tumba nunca puderam vislumbrar, por padecerem no cárcere de escuro padecimento intimo, a debaterem-se com enigmas inquietantes no após morte, até Deus enviar os mensageiros da luz para socorrê-los. Com os semblantes transparecendo a impressão de repugnância, esses irmãos espirituais inspiram-nos piedade, evidenciam a aspereza e a revolta. Contudo, a bênção providencial do Pai misericordioso os faz vencer as vibrações inferiores, cujas sombras obscurecem-lhes as mentes, mergulhadas no egoísmo e na reminiscência da esfera da carne. Entregam-se à amargura e à incompreensão, odiando a si mesmos. São eles os gananciosos e hipócritas que na esfera da carne visaram apenas prerrogativas financeiras. Como ilustres da sociedade, entregaram-se à compulsória ambição e ao desejo de ganharem mais e mais. Hipnotizados pela riqueza adquirida na Terra; a vaidade e a ambição demasiadas afastaram-lhe do Pai. No além-túmulo essas criaturas demonstram expressivo arrependimento, suplicam piedade e o amparo da bondade Divina. Esses Espíritos não compreendem que não mais pertencem ao número dos vivos. Surpreendidos pela morte, ficam atormentados com a brusca mudança inevitável que neles operou. Não compreendem a posição em que se encontram. Porque pensam, vêem, ouvem, têm sensações, julgam estar vivos. Pensam não estar mortos. Assistem ao próprio sepultamento, ficam perturbados, cheios de ansiedade e de angústia, e muitas vezes levam anos para se conscientizarem da verdade. Isso ocorre com alguns Espíritos materialistas. Sentem-se desviscerados sem os bens adquiridos na vida terrestre. Essa perturbação se segue à morte, por tempo variável, que pode ser apenas momentânea, como pode demorar meses ou até mesmos anos, por não aceitarem a morte. No entanto, vêem o próprio corpo, reconhecem como seus. No entanto, não compreendem porque se encontram independentes deles. Prolonga o sofrimento, os pensamentos aflitos os levam grandes perturbações assombram-se com a própria angústia, e a tribulação prevalece na amargura de seus corações. Não havendo provado o bem, seus passos se estreitam por seus próprios pés. Lançados na rede nadam nos fios, enredados nas armadilhas de suas veredas. Não agem eles na verdade errado, consigo arrastam os seus erros. Denegridos andam, clamam sem serem ouvidos, gritam por socorro, exaurem-se as forças, assolam-se nas sombras escuras em redor de seus olhos, e não encontram descanso para seus clamores, com os olhos escurecidos pela mágoa, todas as sensações se voltam para a sepultura, nas trevas estendem suas camas onde descansam juntos nas moradas dos perversos: Tal é o lugar dos que ainda não conhecem Deus. Lançados nas trevas e afugentados da luz clamam ao Criador, suplicam-Lhe misericórdia, Deus então faz reinar a paz e a esperança, pelo sopro divino as trevas se aclaram e esses Espíritos sossegam num sentimento de segurança interminável. INTEGRIDADE O homem virtuoso, durante sua migração terrena, se volta para o bem, por conhecer Deus, e serve-O com o coração íntegro e alma voluntária, pois, do seu coração, procedem a bons pensamentos, não se deixa corromper pelas coisas deste mundo tenebroso. Porta-se com inteligência no caminho da vida mundana. Carrega no coração a chama ardente da fé, alegra-se na oração. O amor faz reluzir a luz e o entendimento. Por causa da bondade de seu coração, esforça-se em fazer o bem, voluntariamente contribuí com as obras de Deus, por compreender que Ele é a magnificência de tudo que há nos céus e na Terra. O homem caridoso preserva, na alma, a integridade e a amabilidade do seu coração. O amor dura para sempre; ao desencarnar, sua fidelidade estende-se na eternidade; sua alma repousa no santuário das moradas do Altíssimo, por ter ele contribuído segundo propôs seu coração, não com tristeza ou por necessidade. O Pai Celestial ama ao que dá com alegria. Deus conhece o coração, o pensamento. E a integridade do homem caridoso e livre de culpas, não teme maus rumores; seus passos não se desviam do caminho do bem; segue movido por sentimentos beneficentes, confiantes no Pai Todo-poderoso. Dedica-se com todo o carinho do seu coração à prestimosa colaboração, acompanhada de bons pensamentos e preocupa-se com o bem estar do seu semelhante. O Pai Celestial guia-lhe pelo caminho da benevolência. Quão vasta é a soma de sua misericórdia. Quem ama ao próximo ama a si mesmo e, em todas as suas orações, suplica por todos os nossos irmãos com alegria e sinceridade no coração. Não se esquece dos ensinamentos do Senhor, guarda-os no coração. O Pai Celestial esquadrinha todos os corações, e penetra em todos os desígnios e pensamentos do homem. O homem de boa conduta moral deposita estes ensinamentos no santuário de seu coração, preserva-os com amor, dedica-se para que os corações aflitos sejam consolados, unidos em amor e enriquecimento da plenitude da inteligência, para o conhecimento das Leis de Deus, por compreender que toda sua justa lei é eterna. Sem a caridade a vida familiar e os valores morais se desintegram, o crime e a violência se alastram cada vez mais. Ter fé em Deus traz-nos paz, felicidade, saúde perfeita e vida eterna. Paz seja com os irmãos, e amor com fé, da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo a todos que amam. ? O arrependimento é o indício do fim de um sofrimento? ? Sim, quando a causa do sofrimento é porque, em sua migração terrena, o coração seguiu os olhos e se deixou seduzir pela ambição. Arrasta na morte o remorso, sofre pela própria culpa, Deus, pelo seu constante amor e pela sublimação de suas maravilhas, acolhe os filhos que retornam à sua terna casa. No entanto, o sofrimento serve-lhe de ajuda para o desenvolvimento moral em sua existência posterior. ? Quando provocamos, em nós mesmos, algum tipo de lesão, o nosso perispírito, reencarna com alguma deficiência física, originada da lesão provocada? ? Não, a deficiência física é biológica; o perispírito é matéria, ele se forma com a deficiência, assim como o corpo físico, todavia Deus, que tudo sabe e tudo vê, se o Espírito em sua existência anterior conscientemente provocou algum dano ao seu corpo físico, na reencarnação posterior Deus destinará a ele um corpo físico com uma deficiência compatível à lesão provocada por ele em seu corpo físico anterior. O perispírito é matéria, que pertence ao mundo; não reencarna; a matéria forma matéria. O perispírito se forma algumas horas depois de o espermatozóide ter fecundado o óvulo; ele serve de contorno para o embrião que se forma, serve também de intermediário entre este ser em formação e a mãe que o acolhera no ventre. Ele capta todas as sensações e emoções vividas pela mãe e transmite ao pequeno ser durante o período em que ele permanece no ventre materno. Capta também as vibrações espirituais, emitidas pelo Espírito, destinado ao corpo orgânico. No momento em que a pequena criatura humana coroa para a vida mundana. Através dos braços amorosos da reencarnação, o Espírito é conduzido à nova matéria, conforme seu merecimento. A cada reencarnação o Espírito recebe um novo corpo físico e cada corpo forma seu próprio perispírito. Embora o perispírito acompanhe o espírito na morte, ele é gerado pelo óvulo materno. Somente depois da formação do perispírito é que o embrião começa a se formar, e a partir do terceiro mês, no ventre materno, ele recebe a luz divina. Nesse momento ele faz seu primeiro contato com o mundo espiritual, ou seja, com o Espírito predestinado ao corpo físico. ? O que acontece com o Perispírito na morte orgânica? ? O Espírito, independentemente de sua evolução, no momento em que ele deixa o envoltório carnal o perispíritual também se desliga. Encarnado, o Espírito precisa do perispírito, pois é ele que exerce a função de transmissor e receptor, de todas as sensações, emocionais, físicas. Desencarnado não. Quando o espírito de uma pessoa sai do corpo enquanto ela dorme o perispírito permanece no corpo, ele transmite ao Espírito o exato local onde seu corpo se encontra. Caso ele saía do corpo, o Espírito da pessoa que se encontra em estado de sonolência não tem como retornar ao corpo carnal. Espírito e Perispírito deixando o corpo ao mesmo tempo, o Espírito perderia a ligação com seu corpo físico; é através do perispírito que o espírito retorna ao corpo físico adormecido pelo sono. ? O períspirito se desliga do corpo físico somente na morte? ? Sim. Se o perispírito continuasse ligado ao corpo morto do mesmo modo o Espírito permanece ligado a ele. Como intermediário entre o corpo físico e o espírito ele intermediará do sepulcro à decomposição orgânica ao Espírito. ? Sendo matéria prolixa, o perispírito sobrevive à morte? ? Sim, porém deteriora-se num abreviado período da morte do corpo físico. O perispírito contorna o corpo orgânico e molda o corpo Espiritual. Com a morte física o corpo espiritual desliga-se do perespírito. Quando o corpo espiritual não se desvincula do liame que o une ao perispírito ele continua ligado ao corpo físico, mesmo no sepulcro. Todavia, não significa que o espírito continua no sepulcro. Na esfera onde se encontra ele capta todas as sensações que lhe foram transmitidas pelo perispírito. A densidade da matéria perispíritual não permite a ele o alcance das esferas elevadas. O corpo perispiritual é confundido com o corpo espiritual; embora seja individual, o corpo perispíritual é útil ao Espírito somente quando ele encontra-se no envoltório carnal. Deus criou mundos, e matéria para os seres habitarem, mas o homem esqueceu-se de que a matéria é uma habitação sagrada que o Pai concedeu-lhe, temporariamente, para sua própria evolução, pois ela está ligada à experiência. Caminhamos em busca de nossa própria iluminação e aperfeiçoamento, sofremos influências, boas e ruins. E, pela ignorância, deixamo-nos corromper pelas riquezas mundanas, por não acreditarmos que, futuramente, voltaremos a viver na Terra em nova experiência. Não compreendemos, ainda, que cada existência significa um passo no caminho do aperfeiçoamento. O homem, cujo coração carrega a chama da cobiça abrasadora, satisfaz-se na ambição pelo próprio egoísmo. Destroe a Natureza com devastações incessantas, abre caminho para o aguaceiro invadir habitações de irmãos infortunados, cercando-os de amarguras. E, por ser, ainda, inexperiente, não compreende por si só. Cria esferas e as dividem em regiões, umas sublimes, outras obscurecidas pela ambição dos poderosos. ESFERA ELEVADA Felizes, agora, despedimo-nos dos que aqui ficaram. Os nobres companheiros Odilon e Menezes regressaram para a esfera superior, longe daqui, onde Silva, Machado e outros os aguardavam para homenageá-los pela prestimosa colaboração na cápsula de recuperação de recém-chegados. A prima Maria Deli, com um exército de Entidades protetoras, afetuosamente conduziu-me a uma nova esfera. Lugar onde irmãos de nobre sentimento acolheram-me, enchendo de conforto celeste meu coração saudoso. Coral de crianças emitia raios luminosos diferentes entre si. Anunciando nossa chegada, cumprimentavam-nos, carinhosamente, ao som do violino; música lírica foi cantada, prestando-nos afetuosa homenagem. Uma contemplação divinamente bela. Sublime felicidade invadia-me profundamente as emoções de jovem ainda carente de afeto insubstituível de mãe, suprido agora pelo carinho de uma prima tão jovem quanto eu, mas que já superara a saudade de seus amados familiares e amigos. A jovem, de olhos triste, nos momentos de meditação sublime de sua nobre alma, emanava gestos singelos de amor. Instantes depois da chegada, profundo pensamento silenciara minha felicidade. Denotava a ausência de uma presença. Uma pontinha de tristeza, inesperadamente, invadiu-me as emoções, fazendo-me sentir vítima de meu próprio pensamento saudoso. A invencível saudade elevava-se, repentinamente, com mais intensidade. Compelindo-me ao imperioso refúgio da oração, sublime amor paternal equilibrava-me emocionalmente. Enxuguei as lágrimas, delineando um sorriso de compreensão. Como se estivesse adivinhado meu sentimento, Deli aconchegou-me nos braços afetuosamente e falou: ? William, a saudade é um sentimento que carregamos por toda a eternidade. A saudade de seus familiares é tão intensa quanto a sua. Terá que se acostumar com a ausência. Olhe ao seu redor. Aqui todos se anteciparam aos familiares. Aprenderam a viver com saudade. Por mais dolorosa que seja temos de conviver com ela, na encarnação ou na desencarnação. Quando amamos sentimo-nos felizes com a presença de quem amamos. A ausência de pessoas amadas converte o sentimento nobre, que é o amor, em saudade... Sábias palavras acaloraram-me o coração, achegando-me a um grupo amistoso que confabulava suas experiências no mundo espiritual. Um distinto Senhor cumprimentou-me: ? Anacleto... Quanto tempo. ?Que bom nos encontrarmos novamente?. Respondi que não me recordava dele. Ele sorriu-me acolhedoramente: ? Me chamo Alexandre; fui seu orientador espiritual no passado. Quero felicitá-lo pela integridade em sua experiência temporária no mundo terreno. Alexandre, como pude me esquecer, afinal dezoito anos não é tanto tempo assim para não se recordar de um amigo tão estimado. Naquele momento, indisfarçável felicidade transluziu-me no semblante e abracei-o fraternamente. ? É sinal de que ainda continua pensando nos que ficaram na Terra? Voltando a me chamar de Anacleto, pronunciou bem humorado: ? No final da celebração terá uma agradabilíssima surpresa. Mas agora venha, quero que você conheça os nossos departamentos. Após alguns instantes de conversação encantadora o tardar da hora nos convidava a parar. No desmesurado salão de confraternização, crianças tocavam o hino espiritual. Sem vislumbrar de dúvidas que as crianças compunham sublime coral. A oração do Evangelho anunciava o descanso naquela noite. Ansioso, eu aguardava a tão esperada surpresa, no termino da celebração, apreensivo indaguei: ? Alexandre, aquela surpresa que me prometera para o final... Esboçando um sorriso singelo gentilmente disse-me: ? Continua curioso como no passado. Olhe em sua direção. Eu nada percebi. De repente, uma cortina de luminosa se abriu. A ?câmara de luz? onde me encontrava anteriormente achava-se agora a alguns passos de distância. A longa viagem que havíamos enfrentado para chegarmos até aqui me pareceu desnecessária. Espantado questionei: Se apenas uma cortina divide uma câmara de luz da outra, não compreendo como andamos tanto para chegarmos até aqui. Sorrindo, Alexandre endereçou-me sereno olhar. Então me disse: ? Nosso percurso não foi alongado. O Pai Celestial não dificulta o caminho para nenhum de nós. Quanto mais nos evoluirmos, a cortina de nossa ?câmara de luz? se estende, acompanhando nossa evolução. Quanto maior ela for, mais longa será a nossa caminhada. É generosa manifestação da Providência Paternal de Deus. A sabedoria divina é perfeita. Perguntei-lhe: ? Será que um dia alcançaremos tamanha perfeição? Obtemperou: ? Deus nos dá a oportunidade, só depende de nós. A infinita extensão da ?cortina de luz? avança conforme nossa elevação, formando estrada luminosa para caminharmos, são benevolências que o plano espiritual nos oferece. Conforme andamos, a ?luz da cortina vai se apagando?, ou seja, a estrada se fecha para que as entidades, em lamentáveis condições de desequilíbrio, não alcancem nossa esfera, motivo pelo qual subimos de costas para o céu. E à nossa frente vem apenas a escuridão, que ficou para trás. Ela evita que entidades maledicentes invadam as ?câmaras de luz? das esferas Superiores. Daqui pôde observar todo o universo através da extensão da iluminação de nossas câmaras. Os habitantes das esferas inferiores não enxergam a claridade das esferas Superiores. Quando alguns deles se purificarem por si sós, nós enviamos os mensageiros da luz para resgatá-los. Só então eles têm conhecimento das esferas em maior elevação. Mas, para alcançar essa elevação à intensidade de sua luz espiritual, terá que ser tão luminosa quanto à luz da esfera. Deste modo, evitamos que as entidades impuras apoderem-se de seu brilho. Acrescentou: ? O mundo espiritual é cheio de complexidade. Nossa esfera é protegida contra as força das trevas. Não podemos deixar resquício de luz nos caminhos por onde passamos; qualquer indício de luz poderá indicar a nossa esfera. Nossos caminhos são sagrados, leva-nos à sublimação divina. Todavia, qualquer pensamento contrário poderá nos conduzir de volta à esfera de sofrimento. Então, desviam o pensamento para o caminho do bem antes de se perder nas trevas. Sabendo manter-se fiel aos ensinamentos cristãos, a Providência Paternal ampara-os pelos braços amorosos da infinita bondade. Um dos participantes da confraternização indagou: ? Alexandre, o irmão William demonstra uma inteligência moral superior de muitos companheiros. Por que se demorou tanto para chegar a esta esfera? Com invejável tranquilidade, respondeu ao interessado: ? A Elevação representa uma subida e toda subida requer esforço de ascensão.Todos que aqui se encontram caminharam pela mesma estrada da luz. O nobre irmão Rubens é responsável pela análise dos sentimentos de todos os irmãos que caminham sobre a cortina de luz. A infinita benevolência do Pai Celestial é que nos conduz no caminho da elevação. Inteligência moral superior não significa rapidez. Quanto maior é a inteligência e integridade moral mais lenta será a caminhada pela sua perfeição. Deus guia-nos pelo caminho da benevolência. Quão vasta é a soma de sua misericórdia. Após horas de muita celebração, todos se recolheram aos seus aposentos. A intensa felicidade que eu sentia, naquele momento, dispensava qualquer repouso. Como qualquer recém-chegado, não sabia como me portar. Maria Deli, então, me sugeriu observar o céu. Alexandre, gentilmente prontificou-se a me acompanhar: ? Venha, William, quero que avalie a formosura do jardim de seu novo lar. Perguntei: ? Maria Deli não vem conosco? ? Ela já conhece a sublimação de nossa esfera. ? Como, se chegou há pouco? ? Deli é uma de nossas habitantes mais antigas, querida por todos aqui. ? Deve estar havendo algum equivoco. Deli veio comigo. ? Como mentora socorrista fez-lhe companhia na esfera de socorro aos recém-desencarnados, elucidou Alexandre. Encerrando a conversação, andamos até um lugar que tinha aspecto de um jardim. Lembrei-me das lindas flores de diversas espécies e de cores variadas desabrocham em perfeita harmonia no mundo terreno. Na memória o canteiro de Azaléia, a flor preferida de minha mãe. Todas as manhãs, ela cuida carinhosamente de sua coleção. Não contive as lágrimas de emoção diante de tantas maravilhas. Alexandre parecia querer me ver chorar mais ainda, sugerindo-me olhar para cima. Respirei, lentamente, o ar purificado da espiritualidade, durante longo tempo admirando a sublimação noturna do plano espiritual. Impressionantemente, minúsculos pontos luminosos transformavam-se em magníficos corais, a bailar a mais esplêndida coreografia especial. Mantive-me imóvel, apreciando a beleza daquela noite espiritual. As cores vibrantes dos corais harmonizavam-se; a luminosidade das estrelas coloridas, que surgiam no céu, embelezava ainda mais a terna sublimação de nossa esfera, até então inimaginável para mim. Depois de determinado tempo de observação, localizei outra rara beleza. Avistei, naquele abençoado momento, uma estrela vermelha. Parecia-se mais com o sol. O tamanho chamara minha atenção, o brilho intenso transmitia raios estrelares, parecia-me um sol vermelho que passara a existir naquela noite. Contudo, a intensidade dos raios não oculta a tonalidade das outras estrelas. Os raios vermelhos desfraldam na mais perfeita harmonia, unindo-se ao brilho colorido das estrelas pequeninas. Incomparavelmente delirante observar a noite iluminada por uma estrela de cor vibrante, verdadeiramente surpreendente. Por um instante imaginei-me sonhando com um conto de fadas. Quão suntuosa visão. ? Alexandre, as noites aqui são sempre iluminadas por estrela avolumada? - O que acabara de observar não era uma estrela comum. Era a Lua. Cada ano do século ela surge com uma coloração diferente. Durante todo o ano as noites terão a mesma cor. Este ano a lua iluminará as noites com sua tonalidade vibrante. No ano que se aproxima ela despontará em outra tonalidade. Cada ano ela terá uma coloração. A cor prateada da Lua que avistamos da terra, somente vemos aqui a cada milênio. Certamente, caro William, ainda terá que voltar a matéria antes de apreciar a luminosidade do milênio lunar. A tonalidade da estrela lunar nos indica as estações e o ano terrestre. A cor, que acabara de ver conservar-se, até o final desta estação, na próxima estação apresentar-se-á em outra tonalidade. A cor apresentada neste ano, voltamos a apreciar somente no século vindouro. Já apreciei diversas alterações nas tonalidades da estrela lunar. Entretanto, pela primeira vez, estou tendo a oportunidade de admirar a lua de cor diferente, esclareceu Alexandre. Extremosamente cansado, Alexandre convidava-me a entrar. O luar despedia-se de nossa esfera cedendo lugar para as congratulações do sol, seus raios clarificantes abraçava amenamente a esfera e, acariciando-a, tonificava a paisagem na mais sublime perfeição. Equilibrando todas as coisas existentes nessa esfera, lindas quedas-d?água de longa altitude deságuam abundantemente em pequeno lago, sem alterar o volume da água neles existentes, dando a impressão de uma catarata artificial de água cristalina em pleno vácuo do mundo espiritual. COLHEITA As infinitas maravilhas da nossa esfera aformoseavam todos os seus habitantes. No amanhecer, seus raios suáveis iluminando as esferas abençoadas pelas maravilhas da noite, iluminada pelo tom inconcebível do luar, impulsionando a emoção além de qualquer palavra de definição. Uma pausa. Prosseguir; então na visitação nos lares dos irmãos espirituais da esfera Após visitar certo número de lar, Alexandre, percebendo-me o ardente interesse em conhecer os irmãos espirituais, disse-me: ? Caro William. Tenho uma nova surpresa para você. Quero que conheça uma pessoa muito especial. Andamos alguns passos em frente de uma admirável residência. ? Dona Ruth, sou eu, Alexandre. Trago comigo um recém-chegado. Quero apresentá-lo. A porta se abriu. Do interior da casa ecoou, suavemente, um delicado sussurro: ? Entrem meus filhos: Encontramos D. Ruth escrevendo. ? Indaguei-lhe se gostava de escrever. ? Sim, a escrita me trás muita serenidade. ? Qual o tema abordado? ? Psicografo atendendo os irmãos ainda encarnados que enviam suas mensagens para seus entes queridos desencarnados. Veja essa mensagem, pobre mãe, desde que seu filho desencarnou-se, todos os dias ela envia mensagem, e pede a Deus para abençoar seu filho amado. ? O que é feito destas mensagens? ? São todas entreguem aos destinatários. Os que ainda não chegaram à nossa esfera, as mensagens são arquivadas e apresentadas a eles tão logo cheguem. Permite-me verificar se consta alguma mensagem para mim. Amavelmente, ela respondeu: ?É claro, meu filho. O irmão Alexandre lhe acompanha até os nossos arquivos. Entramos na sala de arquivo, películas delicadas formam prateleiras que ocupam todo o espaço das paredes de cortinas luminosas, a ordem alfabética meio que duvidosa, as letras do nosso alfabeto misturava-se ao nome da letra hebraico. O que faço agora? Não conheço hebraico. Alexandre retrucou: ? Conhece. Todos nós conhecemos o alfabeto hebraico. De repente encontro meu nome escrito. O volume de mensagens enviadas para mim ocupava parte da prateleira. Mensagens da minha mãe e outras de alguns amigos. Rindo de felicidade, proferi: ? Alexandre esse é o maior presente que um homem incorpóreo pode receber. ? É verdade, caro. William. ? Solicitei uma pausa para eu as ler. Em curto espaço de tempo li todas as mensagens. Ébrio de felicidade, esboço um largo sorriso. Senti-me amado por aqueles que continuam ainda na luta diária do corpo carnal. Faltam-me palavras para expressar a emoção em receber uma mensagem de amor, nossos pensamentos tornam-se clarificantes, e os sentimentos elevam-se, a alegria é inexplicável. Poder ter em mãos mensagens de pessoas amadas, delicadamente impressas em páginas de fina película luminosa, de aparência sedosa, é uma bênção, somente Deus, d?Ele vem a luz do entendimento e da consolação. A mais recente mensagem que eu recebi foi de minha mãe. Ela diz: ? Sinto-me confusa. Não sei se escrevo com meu pensamento ou se meus pensamentos são realmente seus. A luz da minha compreensão parece se apagar. Penso pensar com meus próprios pensamentos. No entanto, um pensamento instrui outro pensamento. Continua a ser. É difícil de saber. Sempre mencionando a carência de minha alegria. Abruptamente aquela pontinha de saudade ameaçara o sofrimento da separação. Entretanto, a alegria do instante ia além de triste recordação. Com a felicidade aumentada retomava o passeio, visitando novos lares de irmãos espirituais. O irmão Euclides nos convidara para a alimentação em companhia das crianças do coral. Profusa refeição foi servida. Meu paladar degustava a mais deleitosa alimentação espiritual. Um breve espaço de tempo para a sesta, acrescentada um tempo para confabulação, de agradecimento no plano espiritual. Despedimo-nos de Euclides e suas crianças, marcando para logo mais à noite, na praça, lugar onde a vizinhança se reúne para assistir as palestras sobre a dádiva do retorno à vida carnal... Passou-se metade do dia. Eu precisava agora agradecer a Dona Ruth. - Deus, em seu constante amor, conservou em meu coração a fé e a alegria eterna. O seguir do dia presenteava-me com novas amizades. Sublimes ascendentes espirituais, que continuam servindo os desígnios do Senhor, desempenham elevadas funções na esfera, convidou-me ao treinamento de colaboração espontânea de resgate aos irmãos que se encontram em esfera de lamentação e dor. Enorme alegria expressava-se em meu semblante. Com as bênçãos acolhedoras de meus ancestrais. Senti-me abençoado por ser acolhido com tanto amor, pelos irmãos espirituais. Após a minha chegada, havia se passado poucos dias. No entanto sinto-me como um habitante de longos anos: Dominado pela felicidade e pelas emoções do lugar... A claridade do sol gentilmente agora se despede de nossa esfera. A noite chega, sorrateiramente, com sua surpreendente beleza, sustentando a luminosidade esférica com seus magníficos raios lunar. Depois de longo intervalo, caminhamos até à praça de palestra, centrada a alguns passos de distância. Chegamos todos ao mesmo tempo. Os habitantes mais distantes demoraram-se alguns instantes, dentre eles meu avô maternal e minha bisavó, que até então não tinham informação de minha chegada. O comovente encontro na espiritualidade tocava-me profundamente as emoções. Meu avô, assim que me avistou, ébrio de felicidade, abraçou-me fraternamente: ? Meu netinho. Em seguida, serenamente, perguntou de minha mãe, evidenciando indisfarçável preocupação de embaraçar-se com as reminiscências da vida mundana. Maria Deli, carinhosamente, abraçara meu avo: ? Tio, precisa aparecer mais vezes... Tem andado ausente. ? Sim, minha filha, de hoje em dia vou passar a vir além do costume. Compreensivelmente emocionado: ? D Ruth quer conhecer meu netinho. ? Eu já o conheço. Esteve hoje na sala de arquivo retirando suas mensagens. É um jovem de nobres sentimentos. No final do encontro, um grande grupo de jovens presenteou-me com objetos de importância significativa na espiritualidade, no sentido de aperfeiçoar as qualidades individuais, verdadeiramente úteis à realização dos preceitos do Evangelho. A oração do Evangelho de Cristo encerrara a palestra ministrada pelos veneráveis Instrutores. Eu e outros novatos despedimo-nos da multidão, agradecendo-lhes a amorosa afabilidade com que fomos acolhidos. A prima Maria Deli, com serenidade de mãe cuidadosa, bondosamente convidara-me a continuar em sua terna moradia. Ao raiar do sol do dia seguinte, Alexandre e o amistoso Euclides, percebendo meu singular interesse, convidaram-me para visitar o irmão Rubens. Eu sentia imensa ansiedade para conhecê-lo. Rubens desempenha atributos de responsabilidade no Conselho dos habitantes da esfera sublimemente iluminada. Muito amado por todos aqui. Respeitosamente, como devo chamá-lo? ? William Eduardo. William. É imenso o carinho com que todos nós o acolhamos nesta esfera de amor e paz. Desejando-me boas vindas. Ali abrolhava vínculo sublime de amizade. Passado um longo tempo de conversação, Rubens convidou-me a conhecer as instalações do Departamento de Conselho, diversas repartições, magnificamente equipadas com aparelhos de alta tecnologia. Imensa é a variedade de cápsulas, pouco parecidas com as da esfera onde eu estive anteriormente. Sobressaltado, indaguei se eu teria de submeter-me ao tratamento na cápsula. ? William, sossegue. Somente desencarnados de outros mundos submete-se a esse tratamento. ? Como estas criaturas vêm parar aqui? ? São criaturas de inteligência muito superior às nossas. Chegam a esta esfera com o propósito de passar seus conhecimentos científicos aos nossos cientistas espirituais. Daqui transmite-se aprendizado de novas técnicas aos jovens cientistas da vida mundana, para que eles possam beneficiar a humanidade. O tratamento na cápsula equilibra as energias. São tão evoluídas que, por si sós, obrigam-se ao tratamento, despertando somente quando suas energias encontram-se equilibradas. Acrescentando: Aqui somos caridosos uns para com os outros. Alexandre alertou-me sobre o passar do tempo. Aproximava-se da metade do dia. Pouco faltava para o sagrado descanso do meio-dia. Deixando a conversação para uma nova oportunidade, despedia-me com a lembrança desse agradável encontro, que nos seja durável, e em seguida Rubens convidava-me a visitar o novo Lar. Aproveitando a oportunidade, agradeci a afetuosa gentileza de Euclides convidando-o a visitar-me com Rubens. Depois de um breve intervalo. Euclides retomava sua atividade. Alexandre desempenhava atributos, chefiava e organizava o salão fraternal para abrigar irmãos recém-desencarnados, que se encontravam a caminho de nossa esfera. Mostrando-nos empenhados em aproveitar o tempo, seguimos para o Centro de Pesquisa. Lugar onde almas benevolentes de outros mundos dão ensinamentos prestimosos para os nossos cientistas, técnicas avançadas para descoberta e cura de doenças infecto-contagiosas, que irão surgir ainda neste século por todos os países do mundo terreno. É sublimemente notável o amor com que essas criaturas se dedicam às pesquisas, que beneficiará a humanidade e também a Natureza orgânica que o homem, aos poucos, vem destruindo, sem nenhuma piedade. Esquece-se que vida é amor, preservá-la de certa forma é uma maneira singela de amar a Deus e a si mesmo. Destruir a natureza estará destruindo também outras vidas que nela habitam, embelezando as saunas do Planeta Terra. INTELIGÊNCIAS SUPERIORES Responsável pelo Centro de Pesquisas, explicou-me que uma leva de Espíritos Superiores de alta hierarquia se reencarnará na Terra em beneficio da humanidade ainda neste século e, em meio deles, almas de outros mundos, com Inteligência Superior à Inteligência do homem mundano, levando em sua memória técnicas avançadas que ajudarão a ciência a identificar bactérias que irão contaminar grande massa da população. Os descendentes dessas criaturas nascerão na Terra para a evolução moral e intelectual do homem. O homem de instinto ainda selvagem retornará à espiritualidade, a fim de se reeducarem e, posteriormente, se reencarnarem como homens de bem. Deus, então, enviará ao mundo o Espírito de Verdade, que irá se manifestar em uma pessoa comum, e através dela unificar todas as religiões em uma só Doutrina. Deus enviou o Consolador para a Humanidade, agora enviará o Espírito precedente de Deus prometido por Jesus. Muitas coisas ainda oculta serão reveladas pela mediunidade. Após ouvi-lo atentamente, resolvi indagar sobre essa imensa esfera, maravilhosamente sublime, onde amor e beneficio emanam do ar, cercando-nos da mais perfeita harmonia e paz. Interrompeu a conversação para orientar Clemente, que se encontrava em dificuldade. Dispensando-me naquele dia. No dia seguinte retomamos a conversa, voltando ao assunto do dia anterior, percebendo meu interesse pelas atividades. Herculano, sempre gentil, acentuou: ? Este não é um estudo que você possa entender, por enquanto, sugerindo-me a escola de aprendizado. ? Temos alunos de diversas esferas de ação, todavia os kardecistas são os que mais se interessam pelo aprendizado no Plano Espiritual! ? O que fazer para tornar-se um deles? ? Temos diversas escolas que ensinam a Doutrina Kardeciana. O estudo Doutrinário tem como base os ensinamentos do Evangelho de Jesus. Aqui, como em muitas outras esferas, os Espíritas ensinam a Doutrina. Assim, como nós, eles são Espíritos iluminados; do mesmo modo que nós, eles são protegidos pelas Fraternidades. Aqui, se preocupam com o processo reencarnacionista. Estão sempre acompanhados de Entidades responsáveis pela formação dos fetos designados, os Espíritos que são conduzidos ao renascimento na vida temporária da carne, onde irão passar por novas experiências terrestres. Suas presenças enobrecedoras ajudam-nos no socorro aos nossos irmãos que se encontram necessitados de prece. Nas esferas Superiores somos todos unidos. Trabalhamos em beneficio de nossos irmãos encarnados e desencarnados, que sofrem influencia de Entidades maledicentes. Todos os nossos habitantes são preparados para detê-las, caso aproximem-se, embora sejamos protegidos pelas Divindades Superiores. Inúmeros guardiões protetores conservam-se em vigilância constante. Temos também Divindades de alta hierarquia, muros protetores, os quais nenhuma Entidade mal-intencionada consegue aproximar-se, não resistem ao amor emanado pela luz do mural protetor da esfera. Constantemente descemos as esferas de sofrimento para socorrer os nossos irmãos recém-desencarnados. Demonstram-se descontentes com o inesperado fenômeno da separação física. ? Pode me responder se pertenço a essa esfera? ? Sim, porém a maneira como se deu seu desencarne o obrigará a submeter-se ao sono repousante na cápsula energética, que fica a três mil passos daqui. A cortina de luz é somente para os que desencarnam criminosamente, a caminhada faz esquecer-se o traumático desencarne e recuperar a energia perdida no instante da separação entre o corpo físico e o corpo espiritual. ? Sábia elucidação. Mas eu perdoei o meu assassino! ? É nobre de sua parte perdoá-lo. Todavia é necessária a caminhada. Perdoar o nosso assassino é a maior sublimação do homem, pois é um sentimento mais difícil de se perdoar. Ter amor no coração suficiente para perdoar o próprio assassino é amar a Deus e compreender que Ele determina a forma de nos desencarnarmos. Gracejando, pronunciei: ? A vantagem de desencarnar jovem é não ter tempo de envelhecer... Herculano sorriu: ? Não sabe caro William, como é formidável o passar do tempo na carne, ver seu rosto transformar-se, as rugas que nele surgem simboliza a sabedoria. A maturidade mundana nos faz evoluir moralmente e intelectualmente. Posteriormente, seremos melhor que anteriormente. A vida mundana ensina-nos o que não aprendemos aqui. Aproveitei a descontração para falar. O irmão tem noção do quanto me sinto feliz com a vida individual da matéria. O amor imenso que me é doado por todos aqui, contemplo as maravilhas desse imenso lugar a embelezar a paisagem esférica com seu colorido vislumbrante, que desabrocha à nossa vista, na mais sublime emanação de amor e paz. Na vida mundana jamais poderia apreciar a eloqüência dessa maravilha espiritual, que a Providencia Divina oferece-nos a todo instante. Cantores mirins congratulam-nos com sua música lírica a ecoar no espaço a suavidade de suas lindas vozes infantis, ao som de afinados violinos. É magnífico ouvir. É como se os céus abraçassem todos nós simultaneamente. É como um abraço caloroso de mãe, recheado de bênção do Pai que ama o filho que volta a sua terna casa, depois de uma temporada ausente. A benevolência do Pai Celestial conduz-nos no caminho do amor paternal, na vida espiritual e física. O amor é a condução mais veloz do mundo espiritual, leva-nos a qualquer lugar em fração de segundo. A distância torna-se inexistente quando amamos e somos amados. Herculano acrescentou: ? Somos uma grande família. Milhões de irmãos unidos pelo amor de Deus Pai Criador de todas as coisas. O amor é doce como mel, enquanto o ódio amargo que nem fel. Todavia, o homem dispensa o doce para alimentar-se do amargo, por não ter ainda experimentado a suavidade que a doçura traz ao paladar. Uma longa pausa para o tão merecido descanso, as emoções exigiam. Após uma noite de descanso, sentia-me renovado, cheio de disposição para prosseguir com as visitas. Como morador local ansiava apreciar outros departamentos. Precisava me decidir a respeito da sugestão do amigo Herculano. É um estudo meticuloso, muito complexo, não sei se me sinto preparado para tamanha responsabilidade. Todavia o livre arbítrio permite-nos escolher, é preciso um tempo para pensar. Conhecer outros departamentos ajudaria a tomar minha decisão. Estonteado com tanto avanço, não sabia qual a melhor decisão a ser tomada. MEMÓRIA DA GUERRA Fizemos uma longa pausa, antes de visitarmos o recanto para idosos. Velhinhos adoráveis levaram-me para apreciar a beleza do lugar, mais se parecia com uma praça, piso com aparência de mármore branco, bancos espaçosos para os vovôs se sentarem. Por um instante acreditei estar numa casa de repouso, no mundo terreno, dada a tamanha semelhança. Resolvi interrogar um vovô simpático que abria um agradável sorriso. Surpreendeu-me dizendo ser meu bisavô paternal. Retruquei: ? Impossível. Tenho descendência oriental. Meus antepassados paternais são japoneses, os anos de espiritualidade deixaram o Senhor um tanto intricando, não é mesmo, vovô? ? Não, meu querido, não me sinta confuso, tem o meu sobrenome, você é neto de meu filho Seigo. Então eu confirmei-lhe que meu ditian (avô) se chama Seigo, ele é japonês. O vovô: Eu também sou. ? O Sr. não tem traços de oriental. Ele então esclareceu: ? Em minha última temporada na terra encarnei-me no corpo biológico de genealogia japonesa, após o desencarne durante muito tempo conservara os traços fisionômicos do corpo não espiritual de descendência oriental. Com o passar do tempo, esses traços fisionômicos misturaram-se aos traços da encarnação anterior à última encarnação. Fez uma pequena pausa para rememorar. Prosseguiu: ? Estou aqui há muitos anos. Fui morto na segunda guerra, quando tentava fugir.para junto dos filhos que se encontravam no Brasil. Lá não existiam guerras, muitos fugitivos de guerra foram para esse país, mas muitos morreram de fome na viagem, outros conseguiram chegar, porém se perderam de seus familiares. Foi uma época difícil para o povo japonês. A guerra causara muita destruição, sofrimento em pessoas de todas as idades. Mulheres e crianças foram as que mais sofreram, esperando seus esposos voltarem da guerra, mas nem sempre era possível. Enquanto isso, muitas mulheres, depois de violentadas, eram surradas até a morte pelo inimigo, deixando suas crianças órfãs. Algumas foram acolhidas pelo Governo Japonês, enquanto outras levadas pelo inimigo. Vivemos anos de terror. Muitos de nossos soldados sobreviveram, mas foram mortos depois nas emboscadas feitas pelo inimigo. Eles eram muito cruéis com as mulheres e filhos dos soldados japoneses. As púberes prostituíam-se para satisfazer o desejo sexual do inimigo, com o propósito de suas mães e irmãos menores continuar vivendo. Muitos japoneses, com medo, abandonaram suas casas e, para não morrerem de fome, negociavam com o inimigo a pureza de suas filhas em troca de um prato de alimento. Presenciei tudo isso sofrendo sem poder fazer nada. Desencarnei com o terror da guerra na mente. Durante muitos anos esse terror sobressaltou-me na mente. Hoje me sinto seguro porque sei que aqui as guerras não chegam, mas as lembranças ainda me maltratam. Cada vez que eu encontro com um de meus descendentes que não viveram o terror que eu vivi me sinto feliz e agradeço a Deus, porque meu sofrimento servira para a paz de meus descendentes. ? Fez uma pequena pausa. Depois de respirar profundamente continuou: ? Assisti o desespero do povo japonês. Famílias abandonavam suas casas, para escapar da morte, refugiavam-se nos campos, na busca da sobrevivência. Muitas vezes iam parar nos locais onde o inimigo se encontrava escondido. Tentando preservar a vida, caíam nos braços da morte, sendo submetidos a todo tipo de ultraje antes de serem exterminados pela arma de fogo do inimigo. Muitos se humilharam, ajoelhando-se aos pés do inimigo. Suplicavam pela vida, porém a crueldade do inimigo os fazia rastejar implorando piedade, enquanto outros se aproveitavam das mulheres na frente dos esposos e filhos pequenos. Satisfeitos sexualmente exterminavam as mulheres, deixando as crianças entregues à própria sorte. Muitas foram adotadas por famílias sobreviventes, mas na memória dessas crianças os terrores da guerra, as cenas traumáticas da morte de seus familiares, os atormentaram durante toda uma vida. Agora os atormentam na morte. ? Sofreu tanto... Para que contar essa historia? ? Os descendentes Japoneses precisam conhecer o sofrimento de seus antepassados. Lutamos para que os nossos descendentes vivessem num país sem guerra. Muitos guerrilheiros mandaram seus filhos para outros países para escaparem da guerra, na expectativa de se encontrarem depois num país estranho. A viagem precária, sem higiene, e a falta de alimentação, matavam os japoneses antes mesmo de chegarem no lugar de destino. Enquanto seus pais morriam em batalha, sem saber o paradeiro dos filhos, se encontravam na espiritualidade sem compreenderem o que aconteceu. Aqui, na espiritualidade, presenciei muito. Esses emocionantes reencontros, pais e filhos a se abraçarem felizes, acreditando terem sobrevivido a guerra, alguns acreditavam ter chegado ao Brasil, sem se darem conta que todos aqui estão mortos. Emocionado, envolveu-me com um abraço, pedindo-me para voltar no dia seguinte. Fui para casa reorganizar minhas emoções, precisava descansar. No dia seguinte, preparei-me para uma visita rápida. Convidei: ? Vem comigo, prima, quero apresentá-la ao meu bisavô. Assim que notou a nossa presença deixou transparecer em seu semblante incontida felicidade. Nossa visita proporcionava-lhe imensa alegria. ? Sua presença, William, é uma bênção divina para mim, ainda mais em companhia dessa candura de menina. ? O Senhor a conhece? ? Sim, ela nos visita sempre que possível, é uma alma nobre de sentimento puro, e sabedoria de oriental. Amamos muito a jovem Maria Deli. Agora que sei que ela é prima de meu bisneto vou amá-lo mais ainda. Naquele dia vovô parecia amargurado. A melancólica lembrança do tempo de guerra afligia-lhe o sentimento. Angustiado, pronunciou: ? Estação de trem em Saga. Falava de uma ilha no Japão, onde se deu seu desencarne. Prosseguiu: ? Eram centenas de famílias desabrigadas. O Governo japonês mandou os soldados conduzirem os desabrigados até à estação de Saga. Ele tinha dado ordem ao comandante do trem para sair da estação de Torishima uma pequena ilha no norte do Japão, com o trem vazio, a primeira parada era em Saga, para levar os idosos, mulheres e crianças desabrigadas, para uma pequena ilha no sul do Japão. Acreditava-se que estariam protegidas, a guerra ainda não tinha chegado lá. Mas o traidor japonês tinha avisado o inimigo da providência tomada pelo Governo do Japonês. O inimigo chegou duas horas antes no local de partida. Mataram todos, e assumiram o comando do trem, antecipando a partida duas horas do horário marcado, chegando em Saga antes do horário previsto. Os soldados japoneses avisaram que o trem vinha em alta velocidade. Aquelas pessoas perceberam que o maquinista do trem não ia parar, sem saberem que o inimigo estava no comando. Com a intenção de obrigá-lo a parar o trem, idosos, mulheres e crianças atiraram-se na frente do trem, morrendo todos atropelados. O inimigo tinha dominado o maquinista para impedir a parada em Saga. Foi assim que muitos morreram. Vi meus pais, esposa e o filho de meu irmão ser esmagados pelo trem, que todos acreditavam ser a salvação. Os homens faziam vigília. Porém muitos, na tentativa de ajudar seus familiares, acabaram atropelados como os outros. Foi o maior terror de todos os terrores. Todas as mentes daqueles que ali estavam foram tomadas pelo desespero, ódio e revolta. Para não serem mortos pelo inimigo, os japoneses lutaram entre eles até à morte. Apesar da melancólica narrativa, vovô é tranqüilo, alegre, está sempre distribuindo sorrisos amáveis entre os irmãos espirituais. Porém há momentos em que deixa transparecer o sofrimento que passara no mundo terreno. No entanto, recupera rapidamente a alegria. Costuma dizer que a beleza aqui se compara à beleza das ilhas de Tókio, lugar onde ele espera não voltar. REAPRENDENDO Eu e Deli não notamos o passar do tempo. Fomos para casa, dar uma pausa. Hoje, o sol chegou lentamente, com seus raios brilhantes, acalorando a esfera. Parece abraçar afetuosamente as flores dos jardins, alegrando-nos com sua sublimação enriquecedora. Dando-nos a idéia de um passeio, convidei Alexandre para me acompanhar na visita a uma das escolas, nas proximidades. Achei inconveniente ir sozinho. Temia ser mal interpretado. Além disso, podia sentir-me desconfortável no meio de pessoas desconhecidas. No mundo espiritual somos transparentes, não temos como esconder os nossos sentimentos, sem falar do quanto é agradável a companhia de amigos. O tempo torna-se precioso, sentimo-nos felizes quando temos amigos para compartilharmos nossa alegria. Na saída deparamo-nos com Herculano. Prontificou-se a nos acompanhar. Senti, então, que o passeio ia ser melhor que o esperado. Uma alma generosa, sempre se dispõe a proporcionar momentos ditosos aos irmãos. Andamos mais ou menos mil passos. Uma caminhada agradabilíssima. Conversamos sobre diversos assuntos do mundo espiritual, e também do mundo terreno. Subitamente, surpreendido, fui tomado por uma felicidade imensa. Cada passo que eu dava a felicidade aumentava, preenchendo aquele vazio que sentimos. A saudade dos familiares e amigos mundanos, naquele dia, me fez sentir uma felicidade maior, a saudade angustiosa transformara-se numa saudade alegre. Passei a pensar nas pessoas mundanas com alegria. Abençoados passos, o vazio não mais me entristeceu. Chegamos em uma das escolas. D. Anna conduziu-nos a uma classe: ? Aqui ensinamos o Evangelho de Jesus Cristo. Dentro de alguns instantes daremos início a nossa aula de hoje. Ministrada pelo irmão Tobias. Algum de nossos visitantes pode felicitar-nos com uma prece? ? O irmão William frequenta nosso ateneu pela primeira vez, elucidou Herculano. Quão grandemente nervoso que senti o corpo tremular. De início embaracei-me, mas consegui improvisar uma bela prece, emocionando-me no final com as aclamações da classe. Em seguida, visitamos outras classes. Diferentes temas são ensinados aqui. Em especial um, que me chamou a atenção: o tema reencarnatório deixou-me curioso. Todos nós aqui sabemos o significado da reencarnação. A questão vagueava-me no cérebro. Valendo-me daquele instante indaguei: ? Os amigos podem aclarar-me o objetivo desse ensino? Alexandre, sorrindo paternalmente, brincou: ? já pensou em voltar ao envoltório carnal, William? ? Não. É sempre penoso voltar à carne, daqui a alguns anos talvez. Embora saiba que um dia terei eu que ingressar no mundo material, tenho preferência pelo mundo espiritual. Aqui não carecemos atravessar os imperativos da vida mundana, lugar de origem da selvageria humana, que vem se alastrado muito nos últimos tempos. De sorte não viveu na carne em épocas assim. Silenciei-me por um instante. Herculano serenamente aclarava-me: ? ?Os benfeitores espirituais têm como objetivo preparar nossos irmãos para retornarem a existência corporal de modo confiante?. Organizam novas tarefas e prontamente os conduzem ao envoltório carnal. No futuro berço o amoroso o propósito adorna-lhe o caminho do recomeço. A resposta impressionante surpreendeu-me. Compreendi, com mais intensidade, o propósito que os preceitos espirituais oferecem-nos. Constantemente reeducamos e preparamos nossos irmãos de eternidade para voltarem a nova matéria. Aqui eles recebem instruções de procedimento moral e espiritual que irão ajudá-los a vencer com dignidade os obstáculos nos caminhos de suas novas trajetórias terrenas, sem que o orgulho domine seus corações. Instruir-se como compreender e respeitar os Espíritos encarnados, cujos corações carregam o amargoso sentimento de egoísmo e vingança, para não tropicar nos erros da existência anterior. São instruídos a amar, não somente a si como também ao próximo; a amar todas as coisas, pois todas elas são obras de Deus e têm seu lugar no universo, assim como a humanidade, porque dele faz parte. Eles são orientados a não se deixar magoar pelos corações endurecidos pelos dissabores da vida mundana. Aprendem que vivem para um dia morrer, morrer com dignidade e voltar à sua eterna casa, com o coração enriquecido pelo Amor e pela Fé. Aprendida a lição, são conduzidos pelos braços amorosos da reencarnação ao seio da nova família, onde certamente completarão mais uma etapa de seus ciclos reencarnatórios, instruídos pelos seus guias espirituais, os guardiões responsáveis pelas suas proteções na vida mundana. NO MUNDO ESPIRITUAL Alexandre e eu visitemos um gigantesco salão. À direita da passagem principal, um simpaticíssimo Senhor, envolto de luz, expressava ternamente a serenidade em seu semblante. Sentado atrás de uma belíssima mesa cristalina, com detalhes verde-esmeralda, ele anotava o nome dos visitantes da sala de exposição de retratos que representam a reencarnação. Sorridente, cumprimentou-me amavelmente. De modo singular, surpreendeu-me passando às minhas mãos uma ficha brilhante qual sol de verão, datada do dia de meu desencarne. Nela continha informações dos caminhos que foram percorridos nos tempos de vida carnal. De repente, à nossa frente, um enorme portão de película cristalina se abriu. No interior do salão, um amável senhor acenava, convidando-nos a entrar, de modo que atravessamos o portão. A magnificência se vislumbrava. Sob os meus olhos, um balcão de cristal luminoso de mais ou menos cinco metros, linear. Inimaginável era a quantidade de prateleiras de películas delicadíssimas de aspecto transparente. Comportavam objetos. Uma espécie de pedras brilhantes, de diferentes formatos, representam o brilho da alma e o procedimento ético do Espírito que deixara o plano espiritual, de partida para nova experiência no envoltório carnal. A luminosidade da pedra simboliza a probidade do Espírito no momento em que ele deixara o plano espiritual para retornar à vida carnal. O Espírito, encontrando-se encarnado, poderá aumentar o brilho da pedra, que representa sua migração no mundo material, purificando-a, ou poderá ela contrair uma coloração acinzentada, revelando o grau de elevação ou de imperfeição em que o espírito se encontra. Essa coloração acinzentada indica que o espírito ainda poderá aperfeiçoar-se, corrigindo suas imperfeições mundanas. Não se esforçando para aperfeiçoar-se a pedra cristalina poderá contrair uma tonalidade amarronzada, transforma-se em uma espécie de bronze, representando o exclusivismo engastado no coração, endurecido pela vaidade mundana. Aquele que conservara o brilho de sua pedra no plano espiritual, durante sua vida carnal, porque ele não se elevou, moralmente, todavia não deixou perverter-se pelas coisas mundanas, mas também não progrediu. Ao retornar ao plano espiritual estacionara no ponto em que partira. Enquanto o Espírito de procedimento elevado ao encontrar-se encarnado purifica-se, a pedra aumenta o brilho e a luz, aperfeiçoa o formato pela fé e pela caridade. Posteriormente, em sua nova experiência saberá que caminho seguir. E, sem egoísmo, caridosamente beneficiará os necessitados, pois o coração íntegro transporta benevolência, ama respeitosamente os irmãos que se encontram em dificuldade. Alguns passos à nossa fronte retratos enfileirados estendiam-se, ocupando o vazio do imenso salão, dando-me a impressão de afixados no ar. Ao aproximar-me, observei que havia um muro constituído de energias que dava sustentação às fileiras de retratos. Uma visão surpreendentemente magnífica. As pessoas das fotografias retratam famílias espirituais que se encontram no envoltório carnal, em diferentes lares, no seio da família, daquele que fora inimigo na existência anterior, aprendendo a conviver com diferenças íntimas para eleva-se espiritualmente. Um longo intervalo. Depois notei que, abaixo de cada retrato, uma placa límpida certificava a existência passada e atual daquelas pessoas. Datas impressas assinalavam ano, dia e hora de suas partidas para o plano carnal, do mesmo modo especificava o retorno de cada uma daquelas pessoas ao plano espiritual. Pequena anotação apontava de antemão a causa que levará a pessoa ao desencarne na data marcada para retornar ao mundo espiritual. Surpreendentemente, atraído pelas datas assinaladas para a desencarnação, propus-me a procurar nomes de familiares. No meio de milhares de fileiras encontrei meu próprio retrato. É maravilhoso olhar nossos traços biológicos por meio de retrato exposto num esplêndido salão, no mundo espiritual. Eu era o primeiro daquela fileira. Observei que, na existência anterior, encarnei-me no ano em que Kardec se desencarnou. Em uma fileira acima encontrei o nome de meu virtuoso amigo Juliano. Depois de longa procura sem localizar nenhum nome de familiar, dirigi-me ao balcão, onde as pedras que representam a pureza dalma encarnada encontram-se sobrepostas em sublimes prateleiras. Notei a ausência da pedra cristalina, que representa a luminosidade de minha alma. O sobressalto, naquele momento, fez meu pensamento vaguear em busca de justificativa. Sem encontrar resposta para satisfazer-me à curiosidade decidi perguntar ao amigo Alexandre. Sorrindo respondeu-me: ? Como pôde imaginar que teria uma pedra cristalina numa prateleira de objetos que simbolizam a trajetória do Espírito encarnado... Você, meu caro, encontra-se desencarnado! E esclareceu-me que, quando o Espírito retorna a Pátria espiritual, a pedra luminosa é transferida para diferente salão, lugar de origem de guardados que simbolizam exclusivamente o aprimoramento da alma desencarnada. Somente os retratos conservam-se em primorosas fileiras, após a volta do Espírito ao além-mundo. Percebendo a gafe, desculpei-me. Esbocei um sorriso de marinheiro ancorado em porto desconhecido. Do outro lado do balcão, umas imensas paredes, com inúmeras fileiras de retratos. Ao invés de placas delicadas com identificação, conchas brilhantes em forma de ostra. Entre as conchas e as imagens, um pequeno espaço assinalava a data de desencarnação das pessoas, com programação para a reencarnação posterior, ainda sem data prevista. Abaixo de todas as conchas, relatórios minuciosamente escritos descrevem a trajetória feita por aquelas pessoas em suas anteriores existências corporal, até o cumprimento de suas missões mundanas. A expressão viva dos retratos dava-me a impressão de realidade. Inexplicável sensação me era transmitida. Diante daquele inimaginável quadro, notei que muitos daqueles rostos pareciam-me familiares. Naquele momento, meu olhar percorreu inúmeras fileiras, procurando identificar o rosto de cada pessoa do retrato, quando, de repente, no meio das fotos masculinas, um rosto feminino chamou a atenção de meu olhar. O rosto sereno, de traços delicados como de uma menina, tocou-me profundamente o coração. Parecia irradiar de modo sublime, sentimentos benévolos, uma combinação de carícia maternal com felicidade duradoura, como se os nossos sentimentos atuassem concomitantemente em diferentes lugares. A enorme saudade que me oprimia, simultaneamente sufocava-lhe o peito. A ternura do olhar envolvia-me de modo maternal. Todavia, os longos cachos nos cabelos castanhos deixavam-me intrigado. A Providência divina aclarava-me delineando um afetuoso sorriso no rosto daquele retrato. Tomado pela emoção daquele abençoado momento, baixei o olhar para certificar-me do nome. Observei que do lado esquerdo da concha faltava um pequeno pedaço. O lugar despedaçado apresentava-se com uma película lamosa, contornando a borda. ? Deus meu, esse retrato, pertencente à minha genitora, a concha apresenta-se imperfeita, os outros são pessoas que eu a indiquei. O bondoso amigo, percebendo o meu assombro, sorriu calmamente, e acrescentou: ?Todas as conchas encontram-se incompletas, umas mais, outras menos. Os pedaços faltantes indicam que a pessoa ainda não completou o seu aprendizado no mundo terreno. A película escura, contornando-o, significa que ela terá de esforçar-se no cumprimento da missão, ou posteriormente será compelida à nova experiência mundana, para complementar a missão que lhe fora confiada anteriormente?. Depois de pequena pausa, continuou: ? São retratos cujas pessoas encontram-se na vida material, em missão espiritual. Suas histórias encontram-se escritas na Bíblia. A pessoa a quem você se refere, no início da era de Cristo ele encarnou-se como profeta. Depois de determinados anos de profecia regressou de volta à Pátria Espiritual. No século XV, voltou à vida material num corpo feminino, tendo, como tarefa, grande missão. Inspirado pelos Espíritos de Hierarquia Celestial dera início à missão que lhe fora designada pela Hierarquia dos apóstolos de Jesus, porém a incredulidade do povo da época levou-o à condenação. Foi lanhado e morto em praça pública. No além-túmulo prosseguiu com a missão. Manifestava-se, através de médiuns, e inspirava pessoas crédulas na crença da vida além da morte física. No século XVll, a oportunidade de uma nova matéria dava-lhe a chance de voltar a profetizar. Tida como louca fora perseguida e novamente morta. Na espiritualidade manifestava-se através da incorporação, auxiliava os médiuns nas curas de doenças físicas e espirituais. No século kardeciano voltara a manifestar-se, por meio de incorporação. Transmutara mensagens do mundo espiritual para o mundo material. Na década de cinquenta do ano kardeciano deixava o mundo incorpóreo para renascer no mundo corpóreo. Na vivência atual é protegida. Espíritos de Hierarquias Celestiais são incumbidos de sua proteção. Deu um pequeno intervalo e acrescentou: ? Os Espíritos de Alta Hierarquia, ao se reencarnarem, no plano espiritual incumbem-se de dar-lhes proteção. Deste modo, evita-se que Entidades inferiores corrompam-lhes, incapacitando a missões no mundo material, ainda que esses Espíritos sejam elevados. As vestes carnais incapacitam suas reminiscências espirituais, de tal modo que o plano espiritual envia Espíritos de Alta hierarquia para protegê-los, conduzindo-os nos caminhos benévolos. Os Espíritos elevados, que ainda se encontram no mundo carnal, de tempos em tempos, apresentam-se em nossa esfera para inteirar-se de nosso aprendizado. Demonstram-se satisfeitos com as lições de bênções no caminho evolutivo. Sentem-se felizes no corpo físico, porque podem dele libertar-se para darem continuidade às suas tarefas no plano espiritual. Esforçam-se no incentivo dos muitos amigos espirituais que os aguardam com alegria nessa esfera iluminada. Esses Espíritos desligam-se do corpo no momento em que se encontram hipnotizados pelo fenômeno do sono. Aproveitam de modo singelo a santa oportunidade que lhe fora concedida, no curso laborioso de aperfeiçoamento dos defeitos morais preexistentes no caminho da existência presente. A cada visita ao mundo espiritual eles são orientados como se portar no templo que Deus concedeu-lhe provisoriamente para a evolução espiritual. A palavra esclarecedora do amigo Alexandre entusiasmava-me. Em seguida, entramos no salão onde os Espíritos encarnados reúnem-se para ouvir as elucidações de seus Mentores. Surpreendeu-me o belo salão, magnificamente decorado. Imensa era a variedade de flores campestres, exalando delicioso perfume, dando-nos a impressão de abençoada compreensão, alegria e bem-estar. A transparência do teto azul-celeste deixava irradiar magnífica claridade deslumbrante da lua a proporcionar ao ambiente sublime luminosidade. Os nossos olhos admiravam o esplêndido brilho das delicadas estrelas no vasto céu, a misturar-se à misteriosa beleza do reflexo da lua, que resplandece no longínquo espaço, adornando o piso do ambiente. Aquele lugar acolhedor e tranquilo deixava-me inteiramente surpreso. Cessavam-se, as visitas daquele dia. Alexandre e eu nos dirigimos ao sagrado descanso com o coração transbordante pelo contentamento do dever cumprido. DIA POSTERIOR No amanhecer do dia seguinte, o sopro brando do vento trouxe-me fortes recordações. Meus pensamentos, saudosos, voltavam à esfera anterior. Na memória o despertar na cápsula com a imagem bondosa dos amigos Odilon e Menezes ao meu lado. A imagem dos rostos amigos persistia-me na mente, oprimindo-me ansiosamente o coração; doía-me no Espírito. A enorme distância que separa uma esfera da outra tornava-se incompreensível perante a saudade. Embora saudoso, sinto-me feliz. Os novos amigos preenchem-me o deserto íntimo, especialmente Herculano. Ele tornou-se um irmão muito querido, nessa esfera elevada. Todavia, a lembrança repentina da alegria do amigo Odilon entristecia-me do mesmo modo que a timidez de Menezes. Simultaneamente, as reminiscências mundanas, novamente expunham-me ao maltrato da amargurada saudade, fazendo-me necessitado de palavras afetuosas, um carinho que aliviasse a sensação de vazio que, naquele momento, estacionara no âmago de minha alma. O forte desejo de rever meus familiares e os amigos carnais, incapacitava-me o ânimo naquele dia. Com o olhar sombreado pela saudade, olhei pela janela de onde vi a chuva embelezando a esfera, a sensação de imenso deserto estendia-se ao longe, abraçado à saudade de um carinho maternal. Silencioso pôs-me a pensar, alegrando-me ao visitá-la no mundo terreno. De repente, ouvi pronunciar suavemente meu nome. Eu esperava a continuidade das visitas em companhia do amigo Alexandre. Quarenta minutos passados das nove da manhã, Herculano surpreendeu-me com agradável noticia. Tratava-se da visita de Odilon à nossa esfera. Esclareceu-me, Herculano, amavelmente: ? De quando em quando, os nossos companheiros kardeciano se dirigem à nossa esfera para desempenharem tarefas de sublime expressão, que os aprendizes da Doutrina ainda não podem compreender. Fez pequena pausa e em seguida acrescentou: ? Creio que deva chegar amanhã, pela noitinha, em companhia do afamado instrutor Menezes. Os aprendizes de nossas escolas necessitam de cursos valiosos para o aprendizado enriquecedor que os conduz na estrada de aperfeiçoamento, em todos os caminhos de suas evoluções, por terem sido invigilantes quanto aos caminhos de suas reencarnações anteriores. ? Suas palavras afetuosas transmitiam serenidade, dando-me o equilíbrio emocional indispensável. A notícia suavizava a saudade. Rever amigos espirituais não é como rever membros da família, ou amigos carnais, mas, sem dúvida, a alegria é imensa, o coração inquietou-se de emoção, espantosa alegria acalorava-me a luz da felicidade, arrancando-me do coração a dolorosa saudade. Herculano e eu caminhamos em agradável palestra até o Departamento de Conselho. Rubens e Alexandre aguardavam-nos para iniciar a reunião de habitantes. A pauta era as palestras que seriam ministradas também nas escolas, pelo o Instrutor Menezes. No término da reunião, depois de ligeira pausa, os habitantes deram início à decoração para a chegada de nossos visitantes. A segurança foi redobrada, evitando-se que entidades maledicentes penetrassem em nossa esfera. Algumas horas depois o salão estava magnificamente decorado para as acomodações dos participantes da palestra. Poltronas enfileiradas ocupavam o vasto salão. No palco, uma imensa mesa de safira-brilhante, com doze poltronas contornando-a. Ao lado da de Herculano uma poltrona reservada em meu nome. Profundamente emocionado, fui tomado por uma leve vertigem. Recuperado-me instantes depois, esbocei um sorriso de felicidade, em agradecimento à prestimosa gentileza. Sobre a mesa folhas de películas luminosas, impressas à pauta da palestra a ser realizada na noite do dia posterior. No teto e paredes, magníficas luzes, representavam o brilho das estrelas no vasto céu, adornando-a sublimemente o interior do salão. Instante depois, Dona Ruth chegou ofegante, transportando nos braços uma enorme caixa contendo mensagem para os habitantes. Comoveu-me o esforço e a generosidade dela ofereci-lhe ajuda, delicadamente aceitou a minha colaboração, convidando-me para distribuir as mensagens. Em cada poltrona foi colocada a mensagem endereçada ao ocupante. A última estava endereçada ao palestrador Odilon. O remetente, um velho amigo, que ainda se encontra no mundo material. Uma pausa de vinte minutos para relaxarmos o fôlego. Em seguida, participar da reunião entre os associados. Rubens aproveitara o momento para anunciar sua partida, logo após a chegada dos visitantes. Apesar da cordialidade do irmão Rubens demonstrava-se inseguro em presença dos habitantes da esfera. Edgard, o Conselheiro secular da esfera, encontra-se a serviço do mestre Jesus, visitando outras esferas. Chegava, ainda, naquele dia, para receber os ilustres visitantes. Rubens aguardava a chegada de Edgard para despedir-se desse lugar, onde fora acolhido respeitosamente pelos veteranos da esfera. Entristecia-me a idéia de sua partida. A ausência de amigos traz-nos a sensação de vazio. Por outro lado, alegrava-me a chegada de Odilon e Menezes. Naquela noite seguimos, em comitê, com o companheiro Euclídes e as crianças do coral, para homenagearmos a volta de Edgard. O coral sinfônico tocara o hino espiritual de nossa esfera, felicitando respeitosamente o veterano Edgard. Emocionalmente tocado pelo som da orquestra, solicitei permissão a Euclídes para eu tocar junto com as criancinhas do coral. Consentido, Euclídes entregou-me nas mãos um belíssimo violino, com detalhes dourados. Imensa foi à emoção ao pegar em um violino depois de algum tempo sem tocar. Aconcheguei-o nos braços, agradecendo a oportunidade concedida. Em poucas palavras, fiz-lhe um discurso. Em seguida, ajeitei o violino sobre o ombro esquerdo, posicionando-o no queixo. Comecei a tocar em homenagem aos visitantes. As crianças do coral acompanhavam o som do violino. Suas vozes, suaves, sussurravam ao pé do ouvidos dos irmãos que nos assistiam. No final, os aplausos enriqueceram-nos o espírito. Edgard perguntou meu nome. E, em seguida, mandou que eu tocasse mais uma canção. Emocionado, toquei e cantei uma música sacra em latim. Novamente aplaudido, a voz engasgou-se, as lágrimas de felicidade deslizavam-me no rosto, expressando emoção. A prima Maria Deli, aconchegou-me nos braços, serenando-a Precisava eu, naquela hora, de uma longa pausa para dominar os sentimentos. Aquela noite fez-me recordar o mundo terreno, quando eu tocava no coral das crianças de Fátima, em homenagem a mãe de Jesus. Anulando o fato de ter me sentido como um adulto no meio das crianças, foi surpreendentemente uma bela participação. No final da homenagem, alguns amigos convidaram-me a acompanhá-los em uma emergência. Um desencarnado encontrava-se em dificuldade em uma esfera na crosta terrena. Os socorristas espirituais preparavam-se para socorrer um recém-desencarnado. Sobre o comando de Edgard e de Herculano, ocupamos o transporte que nos levou a esfera de lágrimas e lamentações, lugar onde o desencarnado encontrava-se terrificado pelos seus próprios erros, suplicava socorro aos irmãos das esferas mais altas. Pobre homem, boa alma, porém pouco elevada, corrompeu-se pela luxúria: debate-se em amargura inexprimível na zona de sofrimento. Influenciado pelo vício, desviou-se da verdade e do bem. Tornando-se vítima de si mesmo sofria a angustiosa inquietação à espera do socorro indispensável para a cura das enfermidades da alma. Os paramedicos, depois de socorrê-lo, conduziram-no ao Pronto de Socorro espiritual, onde, irá receber tratamento adequado para a desintoxicação dos órgãos espirituais, que se encontram imperfeitos pelo desgaste causado pelo vício. No Pronto Socorro Espiritual foi diagnosticada uma grave contaminação: os órgãos do desencarnado apresentavam-se prejudicados pelo alcoolismo e outras drogas viciosas. Depois de internado na ala de dependentes químicos, retornamos à nossa esfera, chegando por volta das três horas da manhã. Na praça a homenagem continuava, prolongando-se até ao despontar do sol, quando todos já se preparavam para as atividades diárias. Alexandre e eu encarregamo-nos de recepcionar os convidados que começaram a chegar para a palestra de logo mais à noitinha. De repente, um dos guardiões avisou-me de que alguém se encontrava à minha procura, porém não quis identificar-se. Alexandre mandou que eu aguardasse até que ele identificasse a alma que estava à minha procura. Todavia, a curiosidade inquietante fez-me seguir os passos de Alexandre. Ao longe avistei uma velhinha rechonchuda e corcunda, carregando nos braços um belo buquê de cravos brilhantes e perfumados. Tomado pela emoção esclareci: - Alexandre eu a conheço, é Batiam. Com o passinho miúdo, sorrindo veio ao meu encontro. Entregou-me o buquê dizendo: - Vim para ficar, o lugar onde eu estava é muito ruim, clamoroso, frio e escuro, encontra-se cheio de delinqüentes juvenis. Crianças endiabradas perturbam-me dia e noite, sem cessar. Almas ruins choram e clamam o tempo inteiro. Não há como ter paz naquele lugar. ? Acrescentou: ? Foi um padecimento em alto grau... Com a voz amargurada, demonstrando-se insatisfeita, recordava-se da longa viagem do após morte. Com o coração amargurado, a fisionomia ainda abatida pelo sofrimento e os obstáculos que se deparara no após morte, exibia no rosto horrível impressão de pavor. Comovido aconcheguei-me, envolvendo-a em amor, acariciei-lhe os cabelos branquinhos como neve. Atenuou-se com meu abraço. Todavia não sabia como proceder. Uma orientação naquele momento ser-me-ia valiosamente útil. Percebendo-me inquieto, Alexandre aconselhou-me falar com Maria Deli, responsável pela integração dos idosos na esfera. Bondosamente ela conduziu-nos à presença do Conselheiro, explicando-lhe a situação. Edgard, com generosidade, compreensivelmente, consentiu na permanência de Batiam em nossa esfera. A velhinha, alegremente, curvou-se em um gesto de agradecimento. Restava-nos conduzi-la ao Lar dos idosos. Fomos surpreendidos com a oposição de Batiam. Recusava-se a ficar com os outros idosos. Naquele momento percebemos que estávamos com enorme problema. Inquieta, Batiam reclamava, no idioma japonês. Alexandre e Deli nada entenderam. Pacientemente, Maria Deli convidou-a a entrar para conhecer o ambiente. Antes de se decidir, ela reclamou outra vez, depois entrou para sondar o ambiente. Calorosamente acolhida pelos outros idosos, sentindo-se aconchegada, endereçou-me um olhar de satisfação e pronunciou: Por que não me disseram antes que aqui é bom? Maria Deli dirigiu-me um olhar de alivio. Sorrindo, Alexandre acrescentou: ? Vai se acostumando, William, tem outras ocorrências do mesmo modo embaraçosas. Minutos depois, Batiam queria visitar um santuário budista, acreditava encontrar na espiritualidade um santuário budista. Difícil foi convencê-la de que eu não conhecia nenhum templo religioso. Para acalmá-la, assegurei-a que à noitinha eu voltava para levá-la à palestra. Voltamos para nossos lares. Necessitávamos de alguns minutinhos de trégua antes de retomarmos nossas atividades. Em seguida, os habitantes das proximidades começaram a chegar, ao mesmo tempo em que os habitantes das esferas vizinhas chegavam para o acontecimento de logo mais à noite. A notícia da visita de Odilon e Menezes à nossa esfera tinha se espalhado. Muitos irmãos persistiam na expectativa de conseguir oportunidade de uma nova matéria. Depois da palestra, Odilon ia anunciar o nome dos Espíritos designados ao processo reencarnatório. É incontável o número de espíritos que se prontificam à nova encarnação. É inexplicável o desejo deles pela nova experiência mundana, que leva ao esquecimento das dificuldades da vida transitória. Terão ainda de submeter-se a viver num mundo de adversidade, onde impera a impunidade, do mesmo modo ilusões dos espíritos encarnados. Sem pensar no processo reencarnatório, que é sem dúvida um período doloroso para os que se encontram nesse processo, obriga-se a perdas das reminiscências de vidas anteriores e das vidas espirituais. No momento em que o óvulo for fecundado o Espírito predestinado àquele corpo carnal passa a sentir todas as sensações, boas e ruins, vividas pela mãe que transporta no ventre o corpo biológico que Deus reservou ao Espírito em processo de reencarnação. No período de gestação da futura mamãe, o Espírito predestinado ao corpo em formação, mantem-se em estado inconsciente, despertando somente alguns dias antes do nascimento do corpo físico que lhe servira de veículo, na existência transitória de sua nova experiência mundana. Na ocasião do nascimento no corpo físico os mentores espirituais incumbem-se de conduzir o espírito ao mundo material, no seio da família onde se dará o reencarne. Deste modo, ele prosseguirá em sua nova vida transitória, no templo sagrado da carne, e terá novas experiências. Embora passem por todo esse procedimento, muitos Espíritos optam pela reencarnação. Sentem necessidade de reencarnar-se. O acontecimento daquele dia foi muito importante. A reencarnação trata-se do cumprimento da Lei da Natureza. Que é a Vontade do Todo-Poderoso. AO ANOITECER O sol despedia-se lentamente e eu precisava cumprir o prometido a Batiam. Assim que ela me avistou abriu um largo sorriso, e arrastando o passinho miúdo veio ao meu encontro. Carente de família e de amigos encontrava-se ansiosa para comparecer à palestra. Eu tinha prometido apresentá-la ao meu avô maternal. Apressando-lhe: ? Vamos Batiam. Alexandre confiou-me algumas providências; não posso decepcioná-lo. Eu ainda quero dar uma pausa antes da palestra. O lindo anoitecer, iluminado pela claridade da lua, embelezava sublimemente aquela noite, alegrando-nos no caminho com destino ao Departamento de Conselho. Os convidados, acomodados em suas belas poltronas brilhantes aguardavam a chegada dos ministradores da palestra. Uma poltrona fora providenciada para a participante inesperada. Batiam acomodou-se bem próximo ao palco. Seus olhinhos orientais lagrimejavam de emoção. Aquele evento era uma sublimação inimaginável para ela. Todos confortavelmente acomodados, Rubens demonstrando indisfarçável tristeza no semblante, aproximou-se do palco para despedir-se, comovendo-nos com terna cordialidade no olhar. Uma senhora levantou-se do assento, com generosidade pediu a Rubens para continuar habitando em nossa esfera. Com olhares paternais os convidados da palestra fortificaram a solicitação daquela amável senhora, direcionando um olhar de apelo a Edgard. Em seguida, foi acrescentada no palco uma poltrona para Rubens. Tudo estava perfeitamente sublime. Os assentos encontravam-se todos ocupados. Através do teto e de paredes transparentes refletia, no ambiente, a beleza exterior da esfera. O vasto céu colorido pelas estrelas pequeninas refletia-se no piso do ambiente, uma beleza indescritível. Por mais evoluídos que sejamos somos incapazes de compreender as eloqüências do mundo espiritual. O mundo imaterial é surpreendentemente belo, a abençoada imortalidade surpreende-nos a todo o momento. Depois de acomodar-me na poltrona, fui surpreendido por forte emoção. Edgard pronunciara algumas palavras e, em seguida, Herculano comunicou-me que, a partir daquele momento, eu não mais precisava permanecer no lar de prima Maria Deli. Assustado, perguntei-lhe para onde eu iria. Com um sorriso paternal, calmamente noticiou-me que eu ia, para o meu próprio Lar. Não tenho palavras para agradecer-lhes a generosidade. É gratificante saber que somos realmente aceitos pela comunidade da esfera. Herculano acrescentou: ? É um sublime lar... Edgard fez uso da palavra para solicitar-me o comprometimento de convidá-los para ouvir-me tocar algumas canções. Trêmulo de emoção me comprometia a reuni-los para me escutarem a tocar. Pausa. Eu agradeço a Deus a alegria que os dadivosos companheiros me proporcionam todo o dia na espiritualidade. É maravilhoso saber que podemos constituir uma residência com apenas a força da vontade do pensamento. Quando temos permissão Divina para plasmarmos a nossa vontade. Pontualmente, às oito horas daquela noite, o silêncio dominava o ambiente. Lindo tapete luminoso estendia-se no corredor direcionado à porta principal, que se abriu automaticamente. Os ilustres visitantes entraram em passos lentos, apreciando a sublimidade da decoração interna do salão. Suas belas túnicas brancas cobriam-lhes os pés, nelas refletia o colorido do céu, ornando-as com a beleza do salão naquela noite. No palco, ocuparam seus lugares, sendo cumprimentados com os aplausos dos presentes no salão. Depois dos cumprimentos, Odilon entalou-se de emoção, revelando-se incapacitado para iniciar a palestra, Menezes retribuía os cumprimentos enquanto o amigo se recuperava. Instantes depois passou a palavra a Odilon. Ele fora incumbido pelo plano maior de noticiar a reencarnação de alguns irmãos de nossa esfera. Muitos foram os que acenaram, solicitando-lhe a oportunidade de uma nova matéria. Edgard incumbiu-me de anotar e numerar o requerimento dos pretendentes à reencarnação. No final da palestra foi anunciado o nome dos que serão conduzidos ao processo reencornatório, e, em seguida, receberam informações sobre a conduta moral e intelectual de seus futuros pais. Depois foram encaminhados ao departamento de processo reencarnatório. Lá permanecerão incomunicáveis até o nascimento no mundo material, quando serão conduzidas pelos instrutores, as novas matérias. Eu passei às mãos de Odilon a numerosa cronologia de pretendentes. Aos quarenta minutos das três da manhã, Odilon e Menezes seguiram em companhia de Edgard. Os convidados, felizes, despediam-se, retornando às suas moradias. Levamos Batiam de volta ao lar dos idosos. Depois eu e Deli fomos ao encontro de nossos amigos. Passamos horas agradabilíssimas, ouvindo as histórias do mundo material contadas por Odilon. Vendo daqui, o veículo carnal é realmente estranho para o espírito desencarnado, embora um corpo estranho sentimos falta dessa maquina carnal que nos dá oportunidade de elevação. Todavia ainda cometemos erros quando Deus concede-nos a oportunidade de um novo estágio no mundo material, pois somos ainda inexperientes quando nos encontramos na vida corporal. Muitos têm que voltar à vida após ter morrido, para vencerem as dificuldades mundanas e seguirem o caminho reto, quando desviarem de si os males que atraíram pelas suas próprias faltas, nas existências que se escoaram pelos séculos. Deus deu ao homem o entendimento e a inteligência para que ele usasse com sabedoria e prudência. No entanto, ele valeu-se da inteligência ?para criar céu para si e inferno para outros?, e arrastou para o após morte o inferno de sua própria autoria, cujo capítulo assinala sofrimento, angústia, dor, e uma vida sombria na paisagem deserta e solitária. No Além-Tumulo, clama contra o lamaçal em que se encontra, sendo que ele foi o autor de sua própria amargura. Esse terá que viver ainda muitos anos na carne, para compreender os ensinamentos de Jesus Cristo, e alcançar a Clemência Divina. LUTA EVOLUTIVA Aos vinte minutos passados da zero hora, sexta feira, os meus olhos apreciaram triunfante chegada. Espíritos encarnados na luta evolutiva desprendem-se do envoltório denso da carne, quando cai sobre eles o sono profundo, e percorrem o espaço para se encontrarem com os benevolentes e sábios Benfeitores Espirituais, que lhes orientam na imensa luta que se arrasta nas diferentes existências. Pela própria vontade e esforço, aceleram suas evoluções. Os laços fortes que os prendem aos ancestrais é que os conduzem no rumo do aprimoramento maior, pois o veículo físico é o único que nos leva à escola evolutiva que é a escola mundana. O vasto salão lotara. Visitantes encarnados, depois dos cumprimentos, dirigem-se à sua concha para purificarem-se. Livre das energias densas que carregaram ao longo da viagem ao mundo espiritual eram conduzidos à câmara de luz para as bênçãos fraternais do Plano Maior, em seguida levados de volta ao salão. Seus Ancestrais aguardavam para orientá-los na sublime e dignificante missão no mundo material. Incontável é a abundância de almas encarnadas que, na luta evolutiva, se apresentam diante de seus ancestrais para receberem orientação na edificação dos irmãos necessitados. Muitos de meus conhecidos no mundo carnal participaram do encontro, se demoraram aqui por um tempo curto. Na esfera espiritual são acariciados pelos bafejos edificantes. As palavras que lhes são benignamente proferidas pelos seus Instrutores servir-lhes-ão de encorajamento na luta cotidiana pela evolução da alma na presente encarnação. Acompanhados pelas Entidades protetoras. Surpreendeu-me a serenidade das almas fora do veículo carnal. Com inabalável amor puro que Jesus nos ensinou, de modo respeitoso cumprimentavam os Tarimbados de eternidade. Coroados de ternura, num gesto comovente de amor, os ancestrais envolveram-lhe calorosamente com seus indispensáveis abraços Paternais, acariciando-as de tal modo que, naquele instante, lágrimas de felicidade desciam-lhes nos semblantes, fazendo-os entender que, assim como nós, todas as almas ali presentes eram corpos igualmente sutis. Sem a matéria grosseira da carne, a singular diferença entre desencarnados e encarnados é que eles têm à sua espera um templo carnal adormecido pela hipnose do sono, enquanto as suas almas volitam na imensidão do espaço, entre a Terra e o vasto céu, em visita aos seus entes queridos, que se encontram separados pelas bênções da imortalidade. Demonstram inesgotável afeto, aconchegam-se fraternalmente aos seus ancestrais, aconselham-se sobre caminhos tortuosos, onde as almas mundanas constantemente experimentam aprovações que lhes são assomadas como obstáculo para o aperfeiçoamento de suas elevações espirituais e morais, pois o aprendizado é um tesouro grandemente sublime para a alma mundana que, pela justiça divina esforça-se para alcançar a ladeira do espiral que nos leva às moradias do Deus Pai. Beneficiadas pelo repouso físico procuram auxílio dos Benfeitores Espirituais, defrontam-se com a imensa alegria, vê brilhar o raio da misericórdia que o mundo espiritual proporcionara-lhes fora do veículo carnal, expressam contentamento. Ancestrais iluminados de amor sublimam-lhe com sentimentos de bênções, semeiam o bem no caminho da evolução moral. Seus descendentes imensamente felizes. Vêm do ninho carnal, atravessam o véu da invisibilidade que os separam dos entes queridos imortais, ocultos pelo seio invisível da espiritualidade. Enternecidos, diante da bondade eterna. Abraçados aos Benfeitores, buscam orientação da Vida Maior. Deste modo as diferentes vestes carnais, usadas em suas existências terrenas, lhes fazem compreender que no curso da existência carnal têm eles uma família biológica e outra espiritual que compartilha, simultaneamente, o mesmo amor por nós. ama-os independentemente da conduta moral do Espírito que se encontra em estado evolutivo. Quanto à biológica, demonstram amam mais aqueles, cuja conduta é integra perante a Sociedade. Todavia, as existências frustradas servem-lhes para valorizar as bênções da reencarnação no caminho evolutiva da escola mundana. Surpreendida por um Ancestral, depois de longo diálogo, lágrimas de emoção escoaram-se no semblante de minha mãe, de modo que naquele instante seu olhar se fez tristonho. Como se rememorasse dolorosas reminiscências. Myrddim, acariciando- a, ternamente enxugou-lhe as lágrimas, em seguida aconselhando-a na serenidade do caminho evolutivo lhe conduziu à concha purificadora. Com o olhar ainda sombreado pela emoção, ela se preparava para voltar ao corpo físico adormecido pelo repouso do sono comum. As bênçãos da espiritualidade encerraram o sublime encontro. Felizes as almas que ainda encontram-se na Terra em missão expiatória. Despediram-se dos que aqui ficaram, levando no âmago imensa alegria e a certeza de que o amor verdadeiro segue-nos por toda a eternidade. Eu e Alexandre nos encarregamos de acompanhar as almas na volta aos seus refúgios carnais. O contentamento se expressava de modo sublime no semblante de cada uma daqueles nobres almas. Compreendiam que a vida mundana é um curto estágio. Aprendemos e também ensinamos algo que servirá de aprimoramento para outros, quando os obstáculos surgirem no caminho evolutivo. No vasto salão onde se reuniram os encarnados, Benfeitores, com o olhar de doce expressão, convidou-nos à preciosa oração do Evangelho de Jesus. Congregavam-se, ali, centenas de irmãos encarnados para receber instruções edificantes de seus Benfeitores. Formulavam suas perguntas dentro do assunto que lhe era de interesse. Compreensivamente, aguardavam sublimes informações compatíveis com a missão que lhes cabiam como incumbência no mundo terreno. Mantive-me silencioso enquanto observei sublime serenidade que transparecia no rosto daqueles aprendizes encarnados. Como humildes servidores de boa vontade, descobrem os caminhos infinitos, que levam ao aprimoramento singular, na travessia que dá acesso às claridades da sublimação espiritual. Sem as sombras assenhorearem-se do espírito, esforçam-se na luta evolutiva para alcançar a sublimação superior. O processo evolutivo ensina-lhes que o mundo espiritual encontra-se acima das fronteiras de vibrações densas, e que os Espíritos elevados transitam livremente pelas esferas que lhes estão abaixo, enquanto os Espíritos pecaminosos não podem, sozinhos, passar para as esferas que lhes estão acima. Precisam de ajuda dos Espíritos mais elevados para transportá-los de uma esfera para a outra. O transporte se dá através de ?estradas da luz?, ou seja, caminhos especiais destinados a transporte que leva à saída, que dão acesso a outras esferas. O transporte pode se dar por diversas maneiras. Uma delas é através da água do oceano. Todavia, para aqueles que visitam nossa esfera, mas que ainda conservam-se na carne, descortina-se para eles a mais curta das ?estradas da luz?. Deus permite aos filhos amados o esforço no aprimoramento da Lei Universal, o privilégio da evolução. Nas sucessivas experiências mundanas, é somente através de rudes experiências que os valores espirituais se desenvolvem e resplandecem, refletindo a divina luz. Os Benfeitores, bondosos, elucidavam os exigidos esforços no progresso de aperfeiçoamento, para as almas que se encontram na gigantesca luta, dentro de enorme extensão, na estrada infinita da evolução. A realidade espiritual, pela ternura paternal da Providência, forma a corrente, brilhante e maravilhosa. Criaturas encarnadas e desencarnadas de diversos mundos compartilham do mesmo esforço no caminho da sublimação, a fim de libertarem-se dos impulsos incontidos dos erros do passado que lhes seguem por sucessivas experiências. Não são suficientemente iluminados para se acautelarem do encalço das criaturas que lhes são invisíveis ao olhar. O aprimoramento iluminativo cabe aos espíritos superiores instruí-los no trabalho edificante, em beneficio do seu semelhante. Todavia, a indisciplina de muitos ainda o faz recusar-se a semelhante esforço, pois no coração transporta somente lamentáveis reminiscências, busca manejar a própria vontade, percorrer o caminho que ele mesmo escolheu. Chegou o momento esperado, a surpreendente descida, as almas agradeceram com benevolência às Entidades protetoras. Nós os encontramos velando os corpos adormecidos pelo sono, deste modo a impedem a aproximação de Entidades maledicentes na ausência da alma, cujo corpo ainda é o veículo que os transporta nas veredas evolutivas da vida mundana. É surpreendentemente belo ver a eloqüência da alma no momento em que ela retoma à matéria adormecida pelo sono. Antes ela ilumina seu corpo carnal, envolve-o em sua luz, e em seguida une-se a ele. É maravilhoso apreciar a sublime união da alma à matéria. Depois da união, durante curto período a matéria manteve-se luminosa. As Entidades guardiãs do corpo físico conservam-se em vigília até que a matéria volte ao seu estado normal. Durante o curto número de anos que Deus reservou à matéria, essas entidades são incumbidas por Ele de protegê-lo, no curto intervalo em que a alma encontra-se ausente. As almas pouco esclarecidas ainda encontram dificuldade em retomar à matéria. As Entidades presentes às instruem no ajuntamento com o corpo. Ao despertarem, certamente não se lembrarão do vivenciado na espiritualidade durante o repouso do casulo físico. Todavia, lhes serão úteis nas armadilhas entrelaçadas entre os degraus da evolução. Muitos tropeçam antes mesmo de alcançarem o próximo degrau, pois sem a fé na misericórdia divina são como crianças que nunca viram a luz. O amor é confiança, esperança e integridade do nosso caminho. Não podemos nós beber a iniqüidade como água, nem morrer sem conhecimento, pois a aflição não precede do pó e sim da impureza do coração que se consome, porque nele falta a fé da oração. A prece é o alimento sublime da alma. Sem a prece lhe vem o suspiro, em vez do alimento, as amarguras consomem o âmago, não tem paz, nem descanso, somente perturbação. Somente a prece preserva a alma em sua quietude e lhe faz vigilantes de seus próprios caminhos. Assim é com todos aqueles que não se esqueceram de Deus. Um curto intervalo e prosseguiu: -Todavia as almas elevadas depois do repouso noturno do corpo físico despertam em paz e conservam na mente consciente o contentamento do vivenciado durante o sono, pois as portas da benevolência como um tesouro oculto, se abriu diante delas, recheado de alegria. Por não terem elas vacilado nos caminhos da vida mundana. Não precisam voejar pelo deserto, sem caminho, pois na abundância de seus dias encontraram a sabedoria, converteram a amargura em alegria, Deus, lá de cima, resplendece sobre elas a luz, porque com elas está o entendimento, marcham no caminho da prece, durante o sono se libertam da matéria, a verdadeira vida se abre para elas, o coração puro não carrega perturbação nem remorso. Vivência de forma e benévolas experiências espirituais. A noite se vai, porém os sonhos permanecem na memória, mesmo quando esquecido. Enquanto o corpo carnal se recupera da fadiga estressante do dia, a alma volita. De volta ao veículo físico, desperta com a sensação de realidade, porque ela realmente passou pela experiência, vivenciou em sonho a realidade em que se encontrava no período noturno, abandonou o corpo físico, com humildade se permite à companhia dos Espíritos que lhe prestam valiosos esclarecimentos da vida espiritual. Desse modo não se entrega de modo ilusivo às inteligências pervertidas, capazes de impedi-lo no rumo do progresso evolutivo. A evolução nos faz viver na fé, uma vez que a experiência da alma no corpo denso destina-se de maneira fundamental ao aprimoramento. É na lenta marcha que a alma se desenvolve e se eleva, pois acendeu benevolente luz, dentro de seu interior, antes de mergulhar nas sombras da aflição. Deus ouve, atende a voz das súplicas do necessitado que clama, pela misericórdia, a grandeza do seu amor e a fidelidade de sua clemência, tira-o do lamaçal, não o deixa atolar nas aflições que o afligem nos caminhos espinhosos da vida, e o liberta da crisálida que lhe subjuga a alma. Faz o amor puro e sincero lhe transbordar do coração, e nele encontrar os suaves prazeres da alma, que são os prelúdios das alegrias celestes. Devemos seguir sempre os ensinamentos de Jesus, Ele nos ensinou amar uns ao outros. Devemos amar para sermos amados. A prática da lei do amor é que nos conduz para Deus, o amor é a virtude mais nobre que Deus depositou no coração do homem, devemos enobrecer esse sentimento sublime, a prática da caridade, ajudar ao necessitado e ao que não tem quem o ajude. Desse modo estaremos praticando a lei da Divindade. ?Não deixamos que o amor se torne um deserto dentro de nós, ele acende a luz da alma e torna mais fácil escalada da Evolução?. SESSÃO MEDIÚNICA Dias após a partida dos palestrantes, Herculano, Alexandre, Francisco, eu e mais alguns companheiros nos preparamos para conduzir Entidades mirins de incorporação ao orbe terreno. Embarcamos com destino a uma especifica casa espírita. Tão logo o transporte cruzou o portão que dá acesso à estrada da luz que nos leva ao mundo terreno, ouvimos a singela prece que Jesus nos ensinou. Sentimento purificado de amor abrolhava ali de forma benévola do coração de admiráveis senhoras. Sentadas ao redor da mesa, elevaram seus pensamentos ao Mestre Jesus. As Entidades mirins, ansiosas pela alacridade de participarem da reunião espírita, silenciaram. Atentamente. Ouviram a prece feita em nome do amado Mestre. A sublimidade da reunião permeou-nos o coração, magnífico brilho irradiador das senhoras que ali se encontravam, chamou a nossa atenção, a sintonia vibratória entre elas, igualmente equilibrada, iluminava o ambiente de forma surpreendentemente admirável, dando-nos a impressão de uma só alma, em diferentes envoltórios carnais. Uma delas nos surpreendeu, sua audição aguçada permitiu-lhe ouvir palavra por palavra de nossa conversa. Companheiros observem aquela senhora, ela ouve atentamente tudo que dizemos, sente-se emaranhada com o contentamento das crianças. Sorrindo indagou-me Alexandre: ? Não a reconhece? Respondi-lhe: ? Não. Em seguida perguntei quem ela era? Logo saberá de quem se trata - acrescentou Alexandre. Percebendo meu sentimento disse: ? Você nasceu dela. Com o forte desejo de identificá-la, emocionado fitei-lhe o olhar, de modo que naquele instante consegui diferenciar seu brilho do brilho das outras senhoras ali presentes. Seus longos cabelos brilhavam intensamente. De modo repentino, silenciava minha emoção, ébrio de felicidade, pronuncio: Companheiros, aquela lá é minha mãe. Tomado por forte emoção, por diversas vezes, pronuncie: ? É minha mãe. Contenha-se, disse Herculano, e ouça o que ela diz. Calei-me por um instante, para poder ouvi-la, quando em uma explosão de felicidade e o coração inundado de contentamento: ? É o riso de William, não posso vê-lo, somente ouvi-lo. Nessa hora seu sentimento maternal foi arrebatado por forte onda, seu coração obscureceu-se de tristeza, causando-lhe amargo silêncio. As entidades mirins sensibilizadas calam-se para ouvi-la. Francisco, que se manteve em silêncio durante toda viagem, nesse momento se proferiu: ? Dotada de dons sublime, não imagina que seja ela? ? Aquela pergunta deixou-me estonteado e muito curioso. Sem ter uma resposta para sua interrogação formulei outra pergunta guardei sua resposta. Ele, porém, deu-me apenas um agradável sorriso. Uma curta pausa, e, em seguida, acrescentou: ? Se for de sua vontade ela pode vê-lo. Esse momento é o que eu mais quero. Percebendo minha necessidade, tão logo a estrada da luz penetrou no ambiente, foi-me concedido um precioso instante em visibilidade, todavia, Francisco me precaveu sobre a possibilidade de não ser reconhecido por ela. ? É natural se ela não o reconhecer, não pede esquecer-se que ela encontra-se encarnada, tem em mente a lembrança da sua imagem física. Elucidou Francisco. Pus-me em pé na cabeceira da mesa de fronte para ela. No instante em que seus pensamentos cessaram, os olhos de sua alma se abriram, fixando-me um olhar expressivo. Todavia não me reconhecera, minha veste celestial emaranhou-lhe a visão. Porém, ao me observar, notara em mim os traços biológicos impressos no meu semblante, seus olhos fixaram-se em mim transmitindo doce expressão de espanto. Jesus atendeu-me o desejo. Em lágrima de contentamento agradeci-lhe com amabilidade as bênções daquele sublime momento, que irá conservar-se na memória para sempre. Assim que os olhos da alma se fecharam, dediquei-me a fixar-lhe a máxima atenção. Interrompendo-me a observação, Francisco disse: ? William, veja a luminosidade que a epífise deixa perceber. A glândula minúscula transformou-se em um núcleo radiante e em derredor, seus raios formam flores de pétalas magnificamente sublimes. Examinamos atentamente as demais médiuns. Em todas elas a glândula apresentava notas de luminosidade, porém o brilho de nenhuma delas igualava-se ao brilho da doce senhora que ocupava a cadeira ao lado do meio. Suas impressões grosseiras desapareceram diante de nosso olhar, tamanha a intensidade da luz que a cercava. Herculano, com a dedicação de sempre, proferiu: ? O tempo passa rapidamente. Temos três Entidades mirins de incorporação; todavia o tempo é limitadíssimo. As Entidades mirins, demonstrando enorme contentamento, alegravam-se com as bênções da incorporação, atraídas pela luz períspiritual, se postaram ao lado do aparelho mediúnico, fez-se ouvido. Em seguida, emudeceram. Cheios de alegria a paz. Emanaram raios de vibrações harmoniosas, iluminando o ambiente. Dona Ruth postou-se ao lado da médium, que a recebeu com evidente seriedade, levando-a mão até a cabeça da senhora de boa idade, tocava-lhe o centro coronário com a fonte energética dos dedos, como a introduzir palavras na mente da simpática senhora. Pouco a pouco, vimos que a luz espiritual de Dona Ruth se misturava às irradiações da trabalhadora da Casa Espírita. Nesse momento a zona motora da médium adquiriu maior luminosidade. Eu e Francisco observamos atentamente Alexandre aproximou-se de d. Ruth e da simpática Senhora. Colocou a mão sobre o frontal da médium que psicografava. Magnetizando-a com sublime vibração da prece edificante. Francisco fitou-me, lembra-se que você ditou do além para eu escrever? ? Lembro, mas não dessa parte. Dona Ruth deixava transparecer enorme alegria no semblante feliz de serva, dando sinal de profunda gratidão ao amado Mestre, apossando-se do braço da humilde médium, sentindo-se confortável e feliz iniciou a escrita. Nesse instante, percebi que quando há colaboração espontânea da médium, o veículo físico é enobrecido pelo amor e pela iluminação sublime, facilita para a Entidade transmitir sua mensagem para os que ainda encontram-se no plano da sensação mundana. Porém, qualquer incidente pode perturbar lhe a glândula responsável pela recapitulação e transmissão de sensações e impressão no campo emocional. É prestimoso quando encontramos Espírito encarnado que de alma se dedica à sublime edificação espiritual. Tão logo dona Ruth finalizara a mensagem, decidi-me incorporar no templo carnal de minha mãe, o amor que anilava no recôndito santuário de seu coração irradiava brilhante luz, fortalecendo-me o sublime desejo. Reprovando-me com infinito olhar, disse-me Herculano: ? A incorporação pode lhe trazer sofrimento, o fato dela ser sua mãe poderá lhe trazer de volta forte sensação de desencarnação. ? Sinto-me preparado, para esse risco. Deus, com sua infinita bondade, concedeu-me um instante para incorporação. Os companheiros vibravam com veemência, dando-me sustentação às forças. De repente, uma Entidade perturbadora, de nome esdrúxulo, vinda da sombra, penetrara no ambiente, engolfada em pensamentos de ódio. Num movimento inquietante, ia e vinha, satisfeita na posição de inferior, que lhe é própria da ignorância que lhe oculta a compreensão da verdade. Sem perceber nossa presença, aproximou-se da médium para se incorporar. As Entidades mirins, tão logo perceberam aquela presença desequilibrada, calaram-se de pavor. Valendo-me da elevação de superior expulsei-as do ambiente. Alexandre, com a calma e a simplicidade de sempre, sob forte vibração, convidou-nos à prece, para eliminar os resquícios negativos deixados no ambiente pela Entidade de baixa vibração. Em seguida, o bálsamo luzente do plano invisível derramava-se de forma sublime sob o ambiente. Magnífica chuva de pétalas luminosas derramou-se ali, formando lindo tapete. A luz estendeu-se por todo o salão, de forma magnificamente bela. Nos assentos, ao redor da mesa, acariciada pela luz espiritual, as doces Senhoras prosseguiam a lição, com o pensamento e o coração altivos ao Mestre Jesus. De repente, o lápis, apoiado na mão da mulher, transformou-se num raio brilhante a bailar sob o papel em branco. Quando D. Ruth soltou-lhe a mão, a médium, imediatamente interrompeu a escrita. Sublime harmonia entre as palavras formou esplêndida mensagem que lá foi deixada. Eu me esforçava para reconhecer minha mãe, porém a perceptibilidade de sua alma surpreendeu-me de súbito. Percebendo meu esforço, disse Herculano: ? William, sua desencarnação ainda é muito recente, somente o passar do tempo fará com que você se recorde. Não se contendo, diante de minha curiosidade, Cosme acabara por revelar a origem da alma de minha mãe. Surpreendido, compreendi-lhe o simples e sincero devotamento. Nesse instante, decidi me incorporar, eu preciso deixar uma importante mensagem, porém sua glândula perispiritual de comunicação encontrava-se bloqueada, placas obscuras causadas pelo tabagismo incapacitava-lhe a transmissão. O fato de ela ter me carregado no ventre impediu-me seu desbloqueio, de modo que deixo minhas palavras impressas em sua memória. Quando desincorporo sinto que fracassei, todavia a bênção maternal, nascida de seu inesgotável amor, espalhava-se em minha alma com bálsamo de ternura infinita. Por um número incontável de vezes meu coração palpitou, fazendo-me sentir como uma criança nos braços eternos de seu amor. A esplêndida luz da imensidade celestial, toda brilhante, envolveu-me em seu sublime amor. Evitou que o vento da tristeza me arrastasse pelos caminhos saudosos que nos fazem rememorar a frágil embarcação da alma, neste mundo balouçado pelas vagas do orgulho, da maledicência e dos desejos impuros que nos arrastam pelos turbilhões da tristeza, a despenhar no abismo do desespero. Em seguida, Cosme e Damião incorporaram-se com um singelo pedido de socorro. Cosme rompia o bloqueio de sua glândula períspiritual da fala, deixando-a livre. O prestigioso auxílio dos Gêmeos beneficiou-lhe largamente o caminho do desenvolvimento. Uma curta pausa, e em seguida continuou: ? O Pai Celestial, em meio aos tesouros de sua Sabedoria Eterna, pelos raios de sua clareza, derramou sobre nós as bênções do retorno. Regozijando-nos em felicidade, aos quarenta e cinco minutos passados das quatro horas da tarde, cheios de júbilo, no pensamento e no coração, espalhamos no ambiente o bálsamo harmônico do amor, e em seguida despedimo-nos solenemente. A esplêndida paisagem na imensidão do espaço nos fez regozijar, a paz e o dardo suavíssimo e salutar do amor do Pai Celestial, enriqueceram-nos a alma e o coração, a fonte inexorável da paz e da Sabedoria Divina iluminava em nós o tesouro da paz, fazendo-nos suspirar felicidade na estrada iluminada no retorno à vida eterna, prostramo-nos humildemente ante a infinita grandeza do Criador e soberano Senhor, que pela bondade infinita de seu Santíssimo coração nos leva a conhecer as eloqüências maravilhosas que somente os olhos da alma podem vislumbrar. AMPARO AS VÍTIMAS Agora, em nossos ternos lares, começávamos a nos preparar para o resgate em massa no acidente aéreo antevisto para o terceiro dia da semana do mês corrente. Edgard incumbiu-me de selecionar e organizar as Entidades para nos auxiliarem no resgate das vítimas. Como um adolescente ditoso e confiante, diante de grande responsabilidade, sem medo de fracassar, convidei um grupo de Entidades de alta vibração, as quais tinham como experiência na vida mundana o resgate. Deste modo, facilitar-me-iam o treinamento. Todavia, contava com o prestimoso auxílio dos companheiros, incluindo Maria Deli e a sábia dona. Ruth. Para a alegria de todos, minha escolha foi aprovada. Mas faltava ainda a aprovação de Edgard. Suspirando segurança segui para o Departamento. Com singeleza apresentei-o a cronologia com os nomes dos escolhidos. Com largo sorriso de satisfação nos lábios, os companheiros aplaudiram a minha escolha. Edgard me perguntou: ? Sente-se preparado para iniciar o treinamento? ? Sim, todavia acrescento a prestimosa colaboração de Alexandre. ? Dias antes do combinado, meu pequeno grupo já se encontrava apto para desempenhar as funções de socorrista. Nesse dia, tão logo o sol resplendeceu no horizonte, eu, Alexandre e o pequeno grupo descemos ao mundo terreno. Horas antes da hora antevista para o acidente nós já nos encontrávamos de plantão no local. Minutos depois, diferentes grupos chegaram, alguns formados de Entidades de grau vibratório excessivamente inferior. Sem perceber nossa presença, elas comemoravam antecipadamente a monstruosa tragédia prestes a acontecer. Um outro grupo de similar vibração, encontrava-se abordo da aeronave. Perturbavam o piloto, introduzindo-lhe na mente pensamentos para desviar sua atenção. Eu, Alexandre e o meu pequeno grupo unimo-nos a outros grupos de elevação igualmente equilibrada. Todos os grupos em absoluto silêncio. Pronunciei-me; amigos, temos nós a missão de introduzir na felicidade eterna as almas que iremos resgatar nesse acidente. É nossa incumbência orientar os companheiros na prece consoladora para os que inocentemente exercem com alegria suas funções, sintam-se amparados com nossa presença, quando de seus corpos se veem separados. Não devemos nos esquecer que somos socorristas divinos, representamos a misericórdia do Pai-Celestial para esses irmãos perturbados com a súbita tragédia que forçosamente obrigou-lhes a abandonar o corpo de carne. Formamos grande exército, Entidades benevolentes, na luta de amparar às vitimas deste mundo de trevas, em prece irrigavam com sublime luminosidade de amor os nossos irmãos encarnados, que se aproximavam da hora do eterno adeus. Uns felizes faziam planos para o futuro, outros angustiados, a estranha sensação da morte oprimindo-lhes o peito. Por longo tempo observei uma bela jovem, com forte pressentimento lhe vindo das entranhas, fixou na mãe pensamento tão profundo de amor, e do silêncio da profundidade de seu coração nasceu linda prece. Com belas palavras ela pedia a Deus proteção para sua querida mãezinha. As palavras proferidas pela jovem nos emocionaram. O vento das sensações se levantava como um vendaval. Mesmo assim ela manteve a enormidade de seu amor fiel, como sinete sobre seu coração. De maneira especial nos dirigimos até ela. Formamos um círculo em volta da encarnada que se encontrava mergulhada em amargosas sensações. Com o vigoroso auxílio dos companheiros, os envolvemos em nosso magnetismo, fizemos com que ela sentisse nossas vibrações, em seguida apaziguamo-la com prece do Evangelho. Pausa. Decorridos alguns minutos, nossa presença iluminava o cenário de tristeza e desolação em que se encontrava. Depois de receber a aplicação viva da luz, através de nosso círculo magnético, voltava novamente para a calma anterior. Durante algum tempo de observação, sentimos sua respiração suavizar-se. Depois do silêncio, veio o soluço como um ponto de interrogação. Golpeada pelas sensações, encurralava-se no medo com pensamento a tecê-lhe na cabeça a incerteza, a lembrança de sua querida mãezinha a emaranhar-lhe a vida como agulhas invisíveis a espetar-lhe o peito. Como as árvores secam, lentamente respirava o último ar, sentia-se perdida, morrendo sem saber porquê. Em seu pensamento entrelaçado, palavras espalhadas na mente se ajuntavam silenciosamente, acompanhando o movimento do ponteiro do relógio. Frases solitárias formavam-se na mente. Por um momento, como as notícias se perdem com o passar do tempo, seu pensamento distanciou-se, pela janela do edifício a moça olhou o movimento da rua. Todavia, o horário de expediente, como uma nuvem de temporal que coloca as pessoas atrás das janelas, angustiada ela aguardava o final incerto do expediente daquele dia. Alguns de seus colegas faziam planos para logo mais à noitinha, outros com o pensamento vago trabalhavam em silêncio, como se a despedirem-se das tarefas mundanas. Um homem de pouca idade aproximou-se da moça, com palavras animadoras, arrancou-lhe dos lábios um largo sorriso. Em seguida pegou-lhe na mão e a convidou para um café. Depois de curta pausa, continuou: ? Notávamos, agora, a atmosfera do ambiente, impregnava-se. Nuvens densas deixavam o ar pesado, causando nos funcionários certa agitação, não podiam eles prever que o expediente se encerraria nas suas passagens pára o Além. Emanações grosseiras vindas de fora, repletas de vibrações inferiores deixaram o ar, isolado em sombras espessas. Parecia-me tocado de magnetismo trevoso. O relógio na parede marcava pontualmente seis horas da tarde. O momento carecia da sublimidade da oração. Foi um momento de muita tensão. Formamos uma corrente magnética de altíssima vibração. De mãos dadas oramos fervorosamente pelos passageiros do vôo, do mesmo modo oramos pelos familiares que os aguardavam ansiosos para abraçá-los. Em meio à meditação, uma voz sussurrou-me suavemente ao pé do ouvido. Herculano acabava de chega. Em seguida, deu-me a mão. Em solidariedade, acrescentava-se à nossa corrente magnética, oramos veementemente com a profundidade de nossos corações. Alexandre e outros companheiros encontravam-se a bordo da aeronave, tinham eles a missão de tranquilizar os passageiros, predestinados ao desembarque separado do corpo físico. Como missionários celestiais, fomos incumbidos de resgatar os desencarnados e conduzi-los ao encontro da luz. Encerramos a meditação com forte vibração energética, cercamos o local do desembarque, os socorristas a postos concentravam-se no momento da ação. Com olhar atento na imensidão do espaço, ao longe avistei a aeronave, pude sentir o nervosíssimo da tripulação na gabine. Instantes depois, a nave tocou o solo úmido da pista, deslizando velozmente. Agora a assustadora explosão. As chamas ganharam força, formando gigantescas labaredas. A nuvem negra de fumaça se espalhava, registrando no ar a seriedade do deprimente episódio. Em meio à fumaceira, sublimes focos de luz brilhavam intensamente, assombroso fenômeno, na segunda observação, vi minúsculos focos luzentes tomar forma humana. Desencarnados flutuavam na acinzentada nuvem, que a meu ver se expandia, encobrindo grande parte do céu, socorristas de diferenciadas esferas mergulharam na nuvem negra para resgatá-los, transtornados circulavam em volta do denso nevoeiro, desapercebidos eram encaminhados pelos nossos socorristas ao Pronto Socorro espiritual. De mãos dadas, eu e minha equipe entramos no local da tragédia. Lá encontramos equipes de diferentes esferas. Num esforço incessante, dedicavam-se ao resgate das vítimas. Sem compreender o sucedido, no meio dos destroços, almas angustiadas velavam seus corpos carbonizados. Outras, no sono do após morte, mantiveram-se ligadas. O cordão perispiritual permaneceu aprisionado ao corpo carbonizado. Precisavam eles de nosso auxílio para desprender-se do laço que lhes mantinham presos à matéria. Herculano e Alexandre orientavam a equipe de resgate aos corpos de carne, no combate às chamas, que, se alastravam rapidamente. Inconscientemente os bombeiros davam-nos significativa colaboração no auxílio às almas vitimadas pela assustadora tragédia. Jatos d?água suavizavam o queimar dos corpos espirituais, almas que tiveram corpos carnais vitimados pelo fogo. O indescritível sofrimento dos pobrezinhos ante a incompreensível destruição de suas vestes carnais, para elas cruelmente doloroso, ver o próprio corpo em chamas. Depois de ver o corpo reduzido a um simples carbono, o único consolo é sentir-se vivo. As mais elevadas sentem-se amparadas, a nossa presença para elas é a confirmação da benevolência divina. Para as mais atrasadas, à morte é vista como inaceitável. Atravessam para o outro lado da vida, porém ignoram nossa presença, em desespero procuram, entre os destroços, seus objetos pessoas, quando não os encontram elevam-se em amargura, chegam a atingir o máximo do desespero, pela própria vontade. O pequeno avanço conseguido no curso da vida no cativeiro terreno se perde na incompreensão do após morte, apresenta-se ainda, na vereda escura, repleto de espinhos de ingratidão, conseqüentemente sofrem pelo próprio orgulho. Os Mensageiros celestiais conduzem essas almas na luz espiritual, clareando a estrada do sofrimento, tocam-lhes o coração com a luminosidade fraternal do amor. Abençoam o caminho, de volta à nova moradia, com a prece do Evangelho de Jesus. Uma longa pausa. Alguns passos à nossa fronte estava à moça de minutos antes, envolvida pela luminosa sensação do desencarne. Preparava-se para regressar na nova vida. Agora, separada do envoltório carnal, numa indescritível paz, contemplava o corpo morto. Num gesto de gratidão, despedia-se com ternura da matéria que lhe serviu de veículo no curto estágio de sua prisão mundana. Em intraduzível contentamento, fixou um olhar de indiferença ao corpo carbonizado entre os escombros. Elevou seu pensamento, com a profundidade de sua alma, pediu a Deus misericórdia para aqueles que assim como ela acabavam de desencarnar. Emocionando-nos o coração contemplado ao grandioso gesto do sublimado momento. Gotas suaves de luz se derramaram do céu sobre a sublimidade da moça ante o desencarne, Jesus, na sua bondade infinita, acolheu-a sob o manto de sua misericórdia. ?Pereceu-me que suas experiências corpóreas constituíram para esse trágico momento largos degraus no caminho de sua elevação espiritual?. A sublimidade do brilho de sua alma diferenciava-se das outras no lume. que envolvia o lugar. Seus encantadores olhos azuis transmitiam a serenidade da alma diante da nova vida. Sentindo-se amparada gesticulou um belo sorriso. Enquanto espalhávamos entre as almas sofredoras a luz consoladora dos ensinamentos do amado mestre Jesus, ditosa ela nos seguia no meio das chamas. No triste cenário, dois adolescentes abraçados, com os corações cheios de profunda amargura, apavorados gritavam socorro, socorro... Por favor, tirem-nos daqui! Na culminância do desespero, o mais velho, abraçou-se a um pedaço da aeronave ainda em chamas, entre lágrima - pai, por favor, ajude-me. Sentindo-se amparado, imaginava-se nos braços de seu amado pai. Confiante, adormeceu. O mais jovem, depois de assistir o drama do após morte do irmão, a fé na misericórdia divina enxugar-lhe-ia para sempre as lágrimas. Quando se apercebeu sem as vestes carnais, achegou-se ao irmão adormecido pelo sono do após morte e com indefinível amor acariciou-lhe ternamente. Um quadro verdadeiramente doloroso. Em seguida, como um andarilho no deserto, anda no meio dos escombros, com o pensamento ausente, o vazio dominava-lhe a mente anestesiada pelo sobressalto do momento. Esqueceu-se de minutos antes, quando ainda se conservava na carne, comentava com alegria a fantástica experiência de seu último passeio na existência corpórea. Agora assombrado, o adolescente como se analisasse as moléculas luminosas do próprio corpo, admirava-o de forma sublimemente benévola. Nesse momento, pensamento sublime de fé, na misericórdia do Pai Celestial, fez a luz da compreensão eterna se acender no coração da alma agora desencarnada. As comoções mais ternas e doces, o adolescente recebeu a generosa dádiva do céu, reunir-se-ia às asas cariciosas do sono da morte, ao lado de seus companheiros da imensidade, levando, com serenidade no coração, a saudade dos que aqui ficavam. Com a luz da misericórdia divina acaloramos-lhe o coração, e, em seguida, o conduzimos a uma casa espírita nas redondezas, onde recebera magnetismo vital nos primeiros Socorros espiritual. Mais tarde ser ia socorrido no Plano espiritual. Alguns metros de profundidade, no meio dos escombros, enternecedora cena. Uma jovem gestante sem se aperceber desencarnada, começou a sentir a dor do parto. Quão era sua aflição que chamava sem parar pelo marido ausente. Sensibilizou-me a aflição da coitadinha. Aproximei-me e pedi-lhe para se acalmar, e em seguida elevei meu pensamento a Jesus, com pureza no coração pedi-Lhe força para a pobre mulher. Nesse instante desceu do céu a luz da Sua misericórdia, sublime claridade, a estender-se pelos escombros iluminava de forma benévola os sentimentos de todos que ali se encontravam. Passados alguns minutos, a mulher, já sem dor, levantou-se segurando a barriga, como se a protegesse no ventre a criança que jamais nascerá. No entanto o inexplicável amor maternal a fez protegê-la. Sensibilizado, amparo-lhe nos meus braços, respeitando seus passos lentos e cuidadoso levei-a ao Posto médico do aeroporto, onde eu tinha improvisado um pequeno Pronto Socorro espiritual. Desencarnados desesperavam-se. A separação do corpo físico significava o adeus ao mundo material. Muitos, porém, se negavam a acreditar no súbito e indesejável adeus, viam-se ante as vicissitudes de suas vivências, esqueciam-se o júbilo da d?alma sem o veículo pesado que lhe serviu de transporte na esfera carnal. Cegos pelo apego às coisas mundanas vivem momentos de incompreensíveis, desconhecem as maravilhas que os esperam na vida infinitamente verdadeira, nas moradas do Pai Celestial, constituem sérios empecilhos na marcha da evolução, onde todos os obstáculos serão, um dia, ajuntados no caminho ascensional do progresso evolutivo. No Pronto Socorro, mais uma vez meu grupo uniu-se aos outros, na missão comum, para que o inesquecível resgate desse monstruoso acidente fosse assinalado com o selo Divino da infinita misericórdia de Deus. Uma curta pausa e continuou: ? Ali se encontramos Entidade benévola de diversas hierarquias, na luta para resgatar os desencarnados. Formou-se grande exército celestial, na sublime edificação. Com o pensamento em Jesus, regamos com amor os nossos irmãos. Abnegados companheiros de ação espiritual, piedosamente apelavam ao coração misericordioso de Jesus, implorando as suas bênções. Oramos pelas almas que ainda se veem na sombra do drama da morte, para que Jesus, na bondade infinita, as acolha sob a luz de sua misericórdia. Uma longa pausa. A mulher cujo ventre carregava seu primogênito amado, sentindo-se amparada, adormeceu nos meus braços. Despertou somente horas depois, na maternidade espiritual. o excessivo cuidado com a vida do bebê, sem vida, abalou-me profundamente. Com os pensamentos emaranhados ela pediu, implorando ao médico para que ele salvasse a vida que ela acreditava ainda carregar no ventre. Seu filhinho amado, tão esperado no seio familiar. No âmago, o incontido desejo da presença do marido, no nascimento de seu primogênito amado, trazia-lhe forte ansiedade, na mente a preocupação com o nascimento prematuro do filhinho morto em seu ventre. Nada lhe era mais importante do que a saúde de seu bebê. Esperava, com certa ansiedade, o momento para recebê-lo nos braços, acariciá-lo com o amor que guardara no coração durante oito meses de gestação. A maternidade se dará para ela somente na futura existência terrena, se assim for a vontade de Deus. Pobre mulher. Certamente sofrerá mais ainda quando se aperceber desencarnada e ausente do marido pela eterna separação do corpo físico. Sentindo-nos compensados, deixamos o local, os grupos despediram-se calorosamente. Em seguida, o breve adeus ao mundo terreno, levando conosco os desencarnados no trágico acidente, ficar-nos-ia na memória para sempre. De volta à Pátria Espiritual, a alegria no aconchego do lar, ancestrais e amigos saudosos receberam-nos com largo sorriso da ansiosa espera. Felicitaram-nos com bênções fraternais, recheadas de amor. Vasos cristalinos com imensa variedade de flores condecoravam nossos lares, suave perfume exalava no ar, alegrando-nos profundamente. No aconchego fraternal no seio amoroso dos companheiros de eternidade. Em cada vaso de flor continha uma mensagem carinhosa de amor. No jardim, lindo canteiro de novas espécies celestiais, plantadas com o carinho oriental de Batiam e meu bisavô sublimava meu sagrado lar. A suavidade do perfume e a diversidade de cores não existentes no mundo terreno me fizeram lagrimejar de emoção perante sublime beleza. Companheiros, amigos da espiritualidade, alegravam-se com a nossa volta, felicitaram-nos com sublime prece do Evangelho de Cristo. Juntos, oramos e agradecemos a Deus o carinho paternal dos irmãos de eternidade. No final da prece, crianças do coral, demonstrando imenso contentamento, distribuíram mensagens de amor e paz, psicografada por D. Ruth para os recém-chegados a essa esfera sublime de amor, onde amamos a todos com o verdadeiro amor de nossos corações. Extremamente impressionados, eles não compreendem como chegaram aqui, vêem-se ainda nas vestes carnais, não se imaginam separados do corpo físico pela súbita desencarnação. Alguns se assustam com o próprio corpo espiritual, sentindo-se ainda na matéria, não compreendem como vieram para a esfera espiritual, ignoram que já não mais lhes dizem respeito a vida mundana. Ignoram-se fora da matéria, esquecem-se de que se valeram do corpo de carne à maneira de um estrangeiro no país que visita. Suas novas condições na vida espiritual, impede-lhes de esquecer do corpo abandonado à Terra, então vêem seus corpos vestidos de vermes na sepultura e se amarguram pela falta da pele e da carne que os vestiam na vida mundana. Com a infinita misericórdia do Pai Celestial, nossas mãos, entrelaçadas com carinho, afagam- lhes do desespero, com amor no coração, encaminhamos ao nosso círculo de trabalho e de estudo, para integrarem-se na vida Social e Comunitária da esfera, onde efetivamente irão habitar. Antes, porém, se submetem a um tratamento espiritual nas câmaras de Ratificação, para balsamizarem as amarguras e se libertarem do sofrimento da morte do corpo carnal. Muitos Espíritos sofrem mediante o próprio desencarne. O sopro da desencarnação aviva suas memórias com reminiscências, os erros cometidos, por todas as suas existências corporais, afloram, de modo que o remorso faz sangrar-lhes os corações, sentem-se afrontados com a recordação de crimes por eles cometidos em uma existência longínqua. O fato de se sentirem banidos da vida corpórea enfrenta na vida espiritual, a saudade angustiosa de tudo aquilo que se reconhece agora separados. Tal condição o faz sentirem-se infelizes, não encontram paz nem alegria em suas novas condições. Extraem da própria consciência culpa pelos erros que cometeram no passado, e sentem-se atordoados, estanhos a si mesmos, horrorizam-se com a idéia de terem sido delituosos, vivem os delírios do coração grandemente ferido pelas dolorosas reminiscências no Além-túmulo. Mergulhados na vida corpórea, momentaneamente, eles perderam a lembrança atos cometidos que lhes são mostrados pela própria consciência. O desencarne erguera o véu que lhes ocultava as lembranças, eles, então, recuperam a consciência de seus atos anteriores, e até mesmo os pensamentos que eles produziram por meio das suas imensas etapas mundanas. A ressurreição nada mais é do que a libertação da alma após a morte física, ou seja, a imortalidade, pois a imortalidade é concedida pela infinita benignidade do Altíssimo. Todos nós, após a morte, ressuscitamos, despertamos para a vida eterna. Se no escorrer dos tempos, dependendo do grau de evolução em que o espírito se encontra, ele retorna à vida material, onde galgará os degraus da evolução. Sem ressurreição à reencarnação torna-se inexistente. Para reencarnar-se primeiro é preciso ressuscitar, viver a imortalidade. Só então recebem na eternidade as bênçãos da reencarnação. MISSÃO SUBLIME No final de longo e proveitoso descanso, Alexandre, Herculano, Francisco e eu fizemos parte de uma equipe, designada pelo kardecista Herculano, para seguir uma devotada servidora que obedece ao seu mapa de trabalho, a se completar na esfera da carne, cuja volta ao aprendizado foi garantido pela organização de nossa esfera. Os vastos recursos espirituais permitiram-lhe que suas rogativas chegassem até nós, solicitava-nos amparo. Seu desencarne dar-se-ia dentro de alguns meses. A coitadinha despedir-se-á do veículo físico de modo trágico. Essa realidade é constante no mundo material, onde as fatalidades obstruem o curso da experiência física, consoante provas Divinas. Dias antes do acontecido, sem delongar na viagem, seguimos ao encontro de Mariângela, para garantir-lhe, com a sublimidade da oração, um tranqüilo retorno ao domicílio espiritual. Encontramo-la a voejar no espaço. Antes mesmo de se dar seu desencarne, regozijava-se da deliciosa sensação de estar livre, de modo que, ao nos avistar, cumprimentou-nos com um adorável sorriso e convidou-nos a visitar-lhe no templo da carne. Prosseguindo com a missão: Em uma avenida de um bairro nobre da capital paulistana. Do alto nossos olhos contemplavam a verde paisagem. Delicadas flores campestres, germinadas no meio da grama, embelezavam de forma sublime o verde do gramado do imenso jardim. Pétalas desfolhadas, levadas pelo sopro da brisa, na madrugada, rodopiavam, em espetacular coreografia. Seguia o movimento das folhas secas que rolavam sob o gramado. Nessa hora presenciamos um esplêndido espetáculo da Natureza. Gigantescas palmeiras ocultavam de nossos raios visuais uma suntuosa casa, as paredes externas deterioradas dava-nos a impressão de desabitada, de modo que, ao nos aproximar, avistei nos fundos do interior da casa duas humildes senhoras de aparência tranqüila, nos semblantes a serenidade e no olhar a singeleza interiorana, e, nos corações, a fervorosa fé na Divindade Superior. Em seus pensamentos a salutar oração dominical, dos cultos evangélicos, no santuário cristão de Samuel. Recém-chegadas do interior paulistano. Entre os diversos e espaçosos cômodos da casa, escolheram um cubículo nos fundos para se instalarem, sendo que as outras acomodações encontravam-se desocupadas aos olhos humanos. No cubículo, duas singelas caminhas armadas, sem os lençóis, amostravam-se os rasgões dos colchões. O acanhado armário acomodava suas poucas peças de vestuários. Todavia, conservam, todos os outros cômodos da casa, impecavelmente, asseados. Os admiráveis móveis antigos, alojados de cupins, lustrados diariamente pelas mulheres, conservam os brilhos naturais. No andar de cima, o dormitório principal conservava-se como nas décadas de vanglória. Em um canto do quarto uma primorosa mesinha inglesa do século XVll. Ofertada, no ano de 1945, ao Barão, por um abastado colecionador de antiguidade do século. Em uma gaveta do closet, uma antiga fotografia dos proprietários da casa, tirada no início dos anos noventa do século XIX. constituíam um belo casal. Ela, uma formosura, pele alva, traços fisionômicos delicados, seu rosto retratava o de uma boneca chinesa, nos olhos grandes e castanhos transparecia a névoa da infelicidade conjugal. O esposo, um homem de expressão fisionômica triste, parecia abrigar no íntimo pesado fardo de arrependimento. Naquela existência não foi abençoada com frutos do amor. As férteis sementes por ele plantadas, não germinaram no útero estéril da esposa, de forma que não achegaram nos braços os frutos carnais almejados por ambos na vida conjugal. Sem terem herdeiros depois de suas mortes, seus bens materiais somar-se-iam ao patrimônio Publico. Todavia, a presença do Espírito da matrona deixara a suntuosa mansão vazia de presença física, até que as duas senhoras fizeram dela suas moradias. Passando vinte minutos da uma hora da madrugada, os corpos carnais, em profundo sono, as mulheres desprenderam-se deles. Trajando uniformes de linho e aventais delicadamente bordados à mão, seguiram para a cozinha. Em seguida, vimos entrando na sala um homem alto, cabelos negros e barba ligeiramente aparada. O semblante abatido demonstrava a exaustiva e longa viagem feita para receber seus convidados naquela noite festiva. Acenderam-se as luzes da ampla sala. Minutos depois, desfilava aos nossos olhos centenas de entidades perturbadas que ali chegaram, para a comemoração do décimo aniversário nupcial de Cecília com o barão Arnaldo de Alencar. Sem perde tempo, de modo que ao entrar na sala ordenou uma criada que servisse ao Barão, uma taça de vinho. Agia Cecília como se ainda se encontrasse nos ossos, revestidos de carne e pele. Observamos que o homem da fotografia ali compareceu a contragosto. Causa-lhe visível mal-estar. Herculano, com serenidade nas palavras, aclarou-nos: O seu processo evolutivo não mais lhe permitiu a congregar-se a entidades que lhe são moralmente inferiores. Em seguida, a serva, transporta nas mãos uma bandeja, com a taça de vinho para o Barão. Ao entrar na sala, observamos-lhe o brilho de ódio fulminante no olhar. Como duas tochas de fogo, elevavam-se em direção ao Barão, demonstrando insatisfação em servi-lo. Os olhos negros de Catharine observavam a elegância dos convidados daquela noite. As damas desfilavam mostrando suas preciosas jóias. Despertavam cobiça nos olhos de Catharine, no pensamento o desejo de estar ao lado do Barão, recebendo com eles seus convidados. Fruto da infidelidade conjugal, o Barão mantinha-a no meio da criadagem, servindo-o com as outras servas. Humilhada em sua posição de serva do próprio pai. Num impulso de revolta, o profundo desejo: a morte da esposa do Barão. Como filha do Barão, se beneficiaria. De simples serva tornar-se-ia respeitável, assumindo, como filha, pelo Barão, posição perante a sociedade. Ambicionava status, queria para si a fortuna do Barão e tudo o que ela pudesse lhe afiançar. Nesse momento os olhos interromperam-lhe o pensamento, quando viram Cecília com um largo sorriso nos lábios e o brilho de felicidade no olhar, descendo vagarosamente os degraus da escada interna que liga o andar de cima ao soberbo salão principal da casa. Trajava um extravagante vestido, ajustado ao corpo, o ousado decote realçava-lhe o colo. O maravilhoso colar de pedras preciosas, usado naquela noite, destacava-se entre os longos cachos de seus negros cabelos e o roxo exuberante do vestido alongado até os pés. Com a felicidade do momento impressa no semblante, parou em um degrau da escadaria para tirar uma fotografia de recordação. Todos os olhares dos que estavam presentes dirigiram-se para Cecília. De repente uma enorme nuvem de ódio ergueu-se entre os olhares maravilhados. Ditosa, contemplava os ali presentes. Todos os seus convidados já perderam os veículos de carne, no entanto vivem como se neles habitassem, se bem que não se conscientizassem de que não mais possuíam as vestes carnais. Acostumaram-se a viver como minhocas nas trevas úmidas do solo, sem enxergar a luz.. Catharine fora envolvida por um redemoinho de animosidade, retirou-se da sala, na cozinha. A serva Lucinda arrumava na bandeja as taças para servir o vinho aos convidados. Catharine fitou um longo e rancoroso olhar nas taças vazias. Toda a imaginação dos pensamentos e de seu coração era má. Voltava-se para Cecília, não podendo envenená-la, desejava com toda a força e ódio do seu coração vê-la rolar pela escada abaixo, como pedregulhos descem as ribanceiras, arrastados pelas correntezas das águas das chuvas de verão. Enquanto o sonho seguia seu curso, em sanha cega, uma súbita tromba d?água a fez despertar no leito, em seu humilde quartinho. ? Lucinda! Lucinda!... Acorda. Ainda sonolenta, retrucou: ? O que houve, Katharine. Respondeu-lhe: ? Sonhei com um Barão e sua esposa. Eu era serva em casa de meu pai. Servia-lhe e a Cecília sua esposa, mas servir-lhes parecia-me um castigo maior do que o que eu podia suportar. Você também era uma serva do casal. Eu planejava matar Cecília, mas fui acordada pelo estrondo de um trovão. A misericórdia do Altíssimo despertou-me do sonho antes que me tornasse uma assassina. Lucinda sorriu de forma irônica: ? Acha mesmo que algum dia fora filha de barão? ? No sonho sou herdeira do falecido Barão! Posso ser uma parenta distante. Lucinda virou-se para Catharine: ? Pode ser que tenha razão. São grandes as chances de se encontrar um testamento dos proprietários em casa inabitada. Com o semblante transbordando felicidade, Catharine, em sua simplicidade de mulher interiorana, delineou nos lábios um notável sorriso. Reparamos que Cecília remoia -se de ódio ao ouvi-las. Em seguida, as duas viraram-se nas camas, agarraram-se aos travesseiros, cobriram suas cabeças e voltaram a dormir. Em alta madrugada, deixamos o local e voltamos para o subúrbio. Na singela casinha encontramos Mariângela dormindo no sofá da sala, abraçada ao irmão, Thiago segurava nas mãos o Evangelho de Cristo. Envolvido nos braços carinhosos da querida e protetora irmã, valeu-se do repouso do corpo para gozar da sua liberdade. Fora da matéria densa, a pouca evolução de Thiago não lhe permitiu afastar-se do ambiente doméstico. Em seu humilde lar, andava de um lado para o outro, observava atentamente os pequenos cômodos da desconfortável casinha onde habitava. Sem nos deixar perceber, observávamos o inquietante vai e vem do rapaz. Fora do corpo sentia-se perdido no mar da própria inquietação, como um peixinho na areia fora d?água, sem respirar. Em certo momento de sua inquietação, se apercebeu preso ao corpo físico, cordão umbilical fluídico alongava-se, de modo que o espírito distanciava-se. Ele experimentava a sublime sensação de estar livre, mesmo estando ligado ao casulo de carne adormecido pelo repouso do sono. Instante depois, percebemos-lhe o desejo de manter-se eternamente separado do invólucro carnal. A satisfação e a felicidade no instante em que se encontrava fora da matéria, alimentaram nas zonas íntimas de sua alma o anseio da eterna e não da momentânea separação. Com serenidade, inspiramos-lhe retornar à matéria. Após uma prolongada aplicação de fluidos magnéticos, ele uniu-se novamente ao corpo adormecido. Presumindo que Thiago não demoraria a desprender-se novamente do veiculo carnal, acercamo-nos de cuidados para que ele não se ausentasse do ambiente doméstico. Algum tempo depois, uma devotada e carinhosa Entidade, carregando na mão uma rosa branca, entrou na sala. Notando nossa presença, cumprimento-nos de forma amável. Logo após fazer o sinal da cruz, prostrou-se ao lado do sofá, onde dormiam Mariângela e Thiago, em um gesto singelo de humildade pôs sob o tórax de Mariângela a flor e, em seguida deu início a uma prece. Orava: ? Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o Teu nome, venha o Teu reino, seja feita a Tua vontade, na Terra como no céu. Perdoa, Pai celestial, as dívidas cármicas de Mariângela, para que ela possa ver a sublimidade no caminho da felicidade eterna. Não deixes minha pupila cair em tentação, para que não se perda nas densas trevas da iniqüidade. Livra-a dos pensamentos maus. Pela infinita misericórdia de Tua bondade, dai-lhe uma morte serena, para que não sofra as perturbações íntimas no após desencarne. Faz resplandecer diante dela a Tua luz eterna. Pai celestial, ouve as súplicas amorosas dessa tua devotada e fiel serva. Depois de acariciar ternamente o rosto da moça, fez novamente o sinal da cruz e levantou-se em seguida. Mariângela, abraçada ao irmão, dormiam feitos dois anjinhos, protegidos pelas bênções Divinas. Quão era a sublimidade vibratória da prece, que as pétalas brancas da rosa acenderam-se, sob o tórax de Mariângela. Formou-se magnífica rosa luminosa, de modo que seus raios magnéticos penetraram no corpo denso da moça, magnetizando-a de forma benévola. No momento em que foi envolvida pelo bálsamo sublime da paz. Vimos que ela saiu do veículo carnal, e, em um gesto afetuoso, abraçou-se à Entidade protetora e seguiu com os bondosos mentores, que aguardavam para lhe conduzir à crosta terrena, em uma visita ao seu querido papai. Em seguida, a Entidade protetora de Mariângela dirigiu-se a mim, dizendo: ? Anacleto, é sabido, nas esferas vizinhas, da sua prestimosa colaboração no trabalho edificante de resgate aos nossos irmãos que sofrem com o drama e a perturbação, no instante em que se vêem separados da matéria. Respondi-lhe: ? Meus fieis companheiros têm me dado valiosas instruções. E completei: Agora se chama William Eduardo. Reencarnei-me há vinte e dois anos atrás, para receber um novo nome, desencarnando-me há pouco mais de quatro anos. Agora posso usar meu nome verdadeiro. Conversamos bastante e a irmã ainda não se apresentou. Em minha última existência corpórea, servi ao Mestre Jesus como carmelita, lutei junto aos oprimidos para que eles tivessem uma vida digna. Nossa luta era nobre. Quando fui assassinada, a mando de uma pessoa de muita influência. Desencarnada, tenho colaborado com a irmã Marta, na recuperação de sofredores e rebeldes que transportam no íntimo o desejo de vingança. Sentem-se repudiados sem as vestes orgânicas. Vivem cercados por muralhas lamosas que impedem a penetração da luz. Mergulhados nas amarguras, afogam-se no próprio desespero, sem encontrar o equilíbrio para suas mentes perturbadas, sentem-se receosos com a presença dos mensageiros da paz. Nos primeiros raios solares, deixamos a Religiosa sozinha em casa de Mariângela e voltamos à mansão de sombrio aspecto. Catharine e Lucinda ainda dormiam em sono tranqüilo e profundo. Passados alguns minutos de nossa chegada, despertaram, e antes mesmo de fazerem o desjejum seguiram apressadas, no porão escuro. Quinquilharias amontoavam-se encobertadas pela poeira acumulada, ocupavam parte do porão. De tão nebulosas, que davam a impressão de um vasto salão purgatorial localizado no interior da antiga mansão. Não se acovardaram com as teias de aranhas e com o acúmulo de pó. Como animais famintos à procura de alimento, procuravam, nos papeis empilhados, o documento que Catharine imaginava dar direito à propriedade da mansão em estado decadente. Todavia, o tempo tinha transformado as pilhas de papel em montanhas de poeira, de modo que, com o simples tocar de mão, ganharam altura, formando, na atmosfera sufocante, nevoeiro de pó. Mesmo assim as mulheres insistiram na procura. Depois de muita... procura, Catharine avistou um armário. Na porta uma enorme trava que mais parecia uma algema para escravos. Com o âmago inundado de esperança, Catharine: ? Lucinda, depressa... Venha... Olhe o que encontrei. O que procuramos pode estar ai dentro! Disse Lucinda: ? Vamos abri-lo. A trava está corroída pela ferrugem. Isso nos facilitará o trabalho. De repente, Cecília apareceu. Enlouquecida pelo ciúme, gritava no cérebro de Catharine: ? Maldita... Eu tive que suportar a tua presença em baixo do meu teto, durante anos... de minha vida. Alívio senti no dia em que eu vi teu corpo sendo sepultado. Agora volta a carne para apossar-te do que é meu. Fora daqui!... ou não te darei descanso enquanto não desocupar a casa. Aturdida, Catharine levou as mãos à cabeça, pressionando-a de forma desesperadora. Correu para o cubículo nos fundos da casa. As ásperas palavras da Baronesa repetiam-se-lhe na mente, de modo que o sonho da noite anterior dava-lhe a certeza de que fora filha bastarda do Barão. Teve a sensação de ter ouvido, em alguma de suas existências, aquelas mesmas palavras, repetidas pelos lábios da Baronesa. Amedrontada, Catharine abraçou-se ao travesseiro. Dando um leve cochilo, sonhara com a agressividade, as palavras da Baronesa maltratavam-lhe mentalmente. Precisava ela voltar para o aconchego da singela casinha paternal no interior paulistano. Por algum tempo, Catharine manteve-se abraçada ao travesseiro. Pensou... pensou... Mostrando-se desarvorada e infeliz, a esposa do Barão entrou de súbito no quartinho da serva, evidenciando o intuito de expulsá-la. Em lágrimas comovedoras, Catharine rogava o perdão a Cecília, mas suas palavras ressoavam-lhe nos ouvidos com luz estéril e fria. Com a aspereza dos sentimentos, atolados no lamaceiro do ciúme, atormentando-lhe a alma, Cecília aproximou-se. Catharine repousava. No semblante abatido as linhas fisionômicas evidenciavam a inquietação e o pavor. De repente, a Baronesa avançara na pobre mulher, chacoalhando-a fortemente, e gritou: ? Bastarda, ao longo dos anos acompanhei os teus pensamentos, teus desejos e vontade de apossar-te de tudo que é meu... Nesse momento, a pobrezinha da serva experimentava intraduzível terror. Pelo apego enlouquecidor aos bens mundanos, adquiridos na vida corpórea; a Baronesa desencarnada, como louca enciumada, perseguia a serva de forma impiedosa. Catharine despertou, conservando no cérebro de carne a horrível sensação de ser obsidiada pela esposa do Barão. Atordoada correu. No porão deu por falta da presença da amiga. Procurou-a em todos os cômodos da casa. Ao retornar ao porão, encontrou-a desfalecida. A intensa movimentação de Entidades enleadas em forças de baixo padrão vibratórios, impossibilitadas para a jornada rumo a evolução, fê-la desmaiar de pavor. Impressionada com a multidão de criaturas assombrosas que a viram em desfile pelo porão. Ao recuperar-se decidira voltar para sua cidade natal. À distância, observávamos as mulheres cercadas de entidades desafortunadas, entregues à expiação da própria iniqüidade e ao infortúnio de si mesmas. Perderam-se no tempo com inquietações angustiosas, que lhes atormentavam o íntimo. Sem rumo e sem perspectivas, se refugiaram no interior da casa, transformando-a em um edifício purgatorial. Impulsionada pelo desejo de vingar-se, fitou os olhos na serva e em voz alta falou: ? Recorda-te de que, um dia, pensou em envenenar o meu vinho. Matar-te-ei com o mesmo ódio em que pensaste em envenenar-me um dia... A infeliz serva, na posição de perseguida, não via Cecília, mas ouvia-lhe nitidamente a voz. No auge do desespero, Catharine prostrou-se com os lábios cerrados e o arrependimento sincero no coração, em pensamento: ? Pelo amor de Deus, perdoa-me, Cecília. Sei que na profundidade de teu coração existe bondade. Não me culpes por ter sido eu a filha do teu esposo. Quis eu um dia o amor do Barão, não fora para afronta-te. Imagina-te escrava do próprio pai. Somente assim saberás o quanto me foi humilhante servi-los. Por tua culpa, não tive carinho materno. Por seres tu estéril, descarregavas em mim as amarguras do teu coração. Se Deus não colocou nos teus braços o filho que tanto almejava, foi por não ser merecedora de uma bênção sublime. Despejava em mim todas as tuas amarguras. Cada vez que teus olhos viam-me no tronco, teu semblante expressava felicidade. Submeteu-me à tua vontade, até o dia em que tua crueldade tirara-me a vida. Hoje trilha na sombra da crueldade trevosa de teu próprio rancor. Hoje, não mais me submeto às tuas vontades. Tenho Jesus no coração. Dizendo: Arrepende-te das tuas maldades ? silenciou o pensamento, com perseverança. Esperou Cecília arrepender-se. Com a Vaz branda Cecília aproximou-se de Catharine e, em um gesto sublime de arrependimento, acariciou-lhe a face dizendo: ? Perdoa-me, por ter lhe tirado a vida. Ao longo da desencarnação vi-me enredada nas teias venenosas do meu próprio rancor. Meus pensamentos se emaranharam no desejo de vingar-me. Meus sentimentos voltaram-se contra te. Eras tu o fruto da infidelidade do Barão, a tua mãe, a escrava Carolina, era a candura cor de bronze do meu esposo. A ela ele dedicava poemas adoçados com o mel das palavras do seu coração. Comigo compartilhas os dissabores e o frígido olhar. Não suportei vê-lo suspirando amor por uma escrava. Vendi-a com outros escravos, sem que ele soubesse. Transcorridos alguns instantes, a sublimidade da luz iluminava-a, libertando-a do sentimento de vingança que não lhe aquietara o cérebro ao longo da desencarnação, de modo que, ao libertar-se do pesadelo em que o ciúme lhe enlaçara, percebera a nossa presença, demonstrando indisfarçável surpresa. Endereçou-nos um olhar, e, em profundo abatimento, pediu nosso auxílio. Sentia que as palavras vinham-lhe da sinceridade do coração. Descemos para auxiliá-la, livre das nuvens de substâncias escuras que a cercava, formada pelo próprio pensamento. Em desequilíbrio, preparamo-la para a travessia pelas vastas e límpidas águas do mar. Ao alcançar a longínqua costa, do outro lado do oceano, seu coração inundou-se de amor e compreensão, elevou-se em pensamento. Ao pisar o solo, os olhos d?alma avistaram a estrada da luz. Os bondosos Mentores a receberam com uma sublime prece do Evangelho de Cristo e, em seguida, lhe conduziram no caminho da luz eterna. EXPIAÇÃO E PROVAS Uma semana depois, voltando à casa de Mariângela, com espanto reparei que o corpo espiritual da moça encontrava-se distanciado do corpo físico. Três metros de distância separavam Mariângela espírito da matéria densa. Nesse instante, a Simpática religiosa que conhecemos, em dias anteriores, evidenciando enorme contentamento em nos rever, convidou-nos à prece do Evangelho, na singela casinha. Reparei que Thiago, de algum modo, registrava nossa presença, embaraçando-se. Com sua posição de inferior, não se desligou do envoltório carnal em pesado sono. Observando meu olhar de espanto, Herculano sorriu e elucidou: O menino Thiago é possuidor de grande vidência psíquica, mas, pela sua imaturidade, o plano superior não lhe permite a visão do que se passa em torno de suas faculdades mediúnicas. É possível que ele ainda não compreendeu a misteriosa sublimidade do mundo espiritual. Todavia, carrega no coração a certeza na proteção de Jesus... E, ante a minha perplexidade, continuou: Thiago reencarnou-se com importante missão de confortar o homem encarnado, levando até ele os ensinamentos do Evangelho de Jesus. Mas antes terá que passar pelas amarguras de suas provas, adquiridas em existências anteriores. Depois, então, como servidor leal nas atividades da fé, encontrará o equilíbrio íntimo para os acertos na missão que lhe fora designada pelo plano da Ordem Celestial. Jesus, em sua vida transitória, cobriu a terra com um dilúvio de bênçãos e ensinou ao homem a sublimidade do amor, acendendo em seus corações a luz da verdade. Mas pouco avalia o homem. A força da palavra, que o pensamento produz, e a língua ao pronunciar sopra por entre dos lábios, de modo que o pensamento ou a palavra desarmoniza as forças beneficentes que os cercam. Conquanto Thiago agi de forma a atrair para sua vivência amarguras de outras existências. Como água, as lágrimas derramar-lhe-ão no rosto, no dia em que a sombra da amargura se apartar de seu coração. Os mensageiros celestes instruir-lhe-ão no edificante trabalho, nas salutares câmaras de Ratificação. Trabalhar por amor... é servir a Deus e ajudar a si mesmo. Thiago, porém é livre, mas não poderá avançar livremente para o futuro. Todavia, quando solver os débitos do passado, as torrentes de harmonia divina inundar-lhe-ão o espírito, no sublime caminho da Doutrina Cristã. Nesse instante, vimos que uma Entidade abeirou-se da religiosa, chamando-a discretamente. Ela seguiu ao encontro da entidade amiga que a aguardava a alguns metros de altura do solo. E, em seguida, volitaram de volta ao domicílio espiritual. Eu, e os devotados companheiros de luta, continuamos em casa de Mariângela. Nesse dia prodigiosa luz solar embelezava o Planeta. Sublimes espetáculos e nuvens luminosos encobriam o azul profundo longínquo do céu. Seus belos movimentos delineavam divinas e extensas paisagens. Majestosos edifícios retratavam os ministérios do mundo invisível. Surpreendia-me a perfeição com que a atmosfera cósmica, com nuvens, delineava os ministérios do Além. Gigantescas ondas do imenso oceano de águas doces e límpidas formavam divinas e maravilhosas divisões entre as esferas, na imensidão do infinito espaço, entre a Terra e o Céu. Vazio aos olhos humanos. O pôr-do-sol sublimava o horizonte, magníficos raios de infravermelho embelezavam o infinito azul do espaço celestial. Rosadas nuvens registravam o aproximar da escuridão noturna. A luminosidade de a luz solar que irradiava a Terra apagava-se, e as eloqüentes paisagens, desenhadas pelas nuvens, desapareceram sob nossos olhos. Pouco a pouco o brilho das constelações começou a surgir na infinita imensidade espacial. Mariângela era portadora do gene síndrome de down. Em profundo silêncio assistia a um vídeo de família gravado em sua infância, sendo entrevistada por uma famosa apresentadora de Televisão. Via-se na infância com os traços genéticos defeituosos mais acentuados. Os anos rolaram um após o outro e a doce Mariângela conservara no coração o encanto e a felicidade daquele seu mágico momento, ao lado da apresentadora. De repente, ao ouvir o toque da campanhia, levantou-se rapidamente. Ao abrir a porta, deparou-se com dois homens desconhecidos. No que tentou fechá-la, foi refreada pelos indivíduos, com o susto, no impulso gritou: socorro... Perdeu a vida. Os delinqüentes a mataram ali mesmo na porta de entrada da casa. A luz que irradiava de seu corpo espiritual, na noite anterior, enquanto a matéria repousava em profundo sono, apagou-se de forma inexplicável. Seu corpo, envolto em uma sombra, voltava para a esfera dos desencarnados, em triste condição espiritual. Em lamentável estado, sua mãe foi socorrida pelos vizinhos e levada à correria para o Pronto de Socorro. Com os sentimentos mais íntimos abalados e a sombra do tormento ameaçando-lhe o espírito, Thiago viu-se sozinho, com um pai alcoólatra para cuidar. Naquele dia começava para ele a longa caminhada pelas trilhas estreitas da vida. As provas mundanas servir-lhe-iam de gloriosa oportunidade para a elevação. As páginas em branco do livro da vida no futuro preencher-se-iam de júbilo e fortalecer-lhe-iam no trabalho edificante, em sua missão. Mariângela, sem aperceber-se, separada do veículo carnal, de forma comovente acarinhou ternamente o irmãozinho em desespero, mas a surdez dos ouvidos d?alma não lhe permitia ouvir os rogos do irmão. Passados longos minutos, conscientizava-se de que a surdez registrava-lhe o fim da existência. Transcorridos alguns instantes, uma Entidade, de olhos serenos e brilhantes, acompanhada de um jovem gentil, chegava ao local, em profundo silêncio. Aproximou-se de Mariângela, colocou as mãos nos ouvidos da moça, pronunciou: ? Senhor Jesus, purifica meu o coração e renova minha alma para que eu possa devolver a audição de Mariângela espírito. Em seguida, fez a prece que Jesus nos ensinou. Ao retirar as mãos dos ouvidos da moça, sua surdez estava curada. Em seguida sussurrou-lhe serenas palavras. Orientando-a de forma zelosa, fornecia-lhe mais larga oportunidade de conhecimento nos ensinamentos de Jesus. Com a saudade de seus familiares lhe dilacerando o coração... E as lágrimas dominando-lhe o espírito, Mariângela foi conduzida pelos meus companheiros, na edificante marcha dos deveres cristãos!... ATO DE AMOR Eu fiquei sozinho, enquanto aguardava a volta dos companheiros marcada para o domingo. Fui estar com meus familiares, volitando a caminho do lar terreno. Feliz orei pelos companheiros que retornavam aos seus domicílios espirituais. No mundo terreno, acompanhei passo a passo minha mãe. Às seis horas da manhã de sábado, vinte nove de março, se demoraram poucos minutos após o despertar. Chamou meu irmão, ele ainda dormia, após desjejuarem, animados seguimos para uma casa Espírita. Assim que lá chegamos, notei diversos grupos e amigos de Hierarquia Superior. De modo que ao entrar avistei um pequeno grupo de simpáticas senhoras. Em volta de uma mesa, preparavam deliciosos sanduíches. Um luminoso círculo formado pelos benignos raios de luz protegia os lanches das vibrações negativas. Na pequena cozinha, as freiras Rita de Cássia e Dulce purificavam, com salutares fluidos espirituais, os copos de suco adoçados com amor e carinho das bondosas Senhoras. Abençoados copos de suco acompanhando os sanduíches ser-iam distribuídos naquele dia entre as pessoas carentes, inscritas no Programa Social de ajuda mensal. Ali, suprimentos alimentares distribuídos entre os necessitados, sublimavam de júbilo o coração angélico dos mais altos cooperadores do bem. No espaçoso salão, grande massa de desencarnados, sorumbáticos, com pensamentos atormentados, buscavam ali conforto na oração. Enfileiraram-se entre as cadeiras ocupadas pelos encarnados e em profundo silêncio ouviam a prece. Notando minha presença e dos Mentores da casa, encheram-nos os ouvidos com lamentações, clamavam a amarga e pesada ?bagagem? que carregam em seus corações. Fazendo, do meu dia de folga, um dia de edificante trabalho cristão, com a experiência de outros tempos cooperava com os mentores amigos, explicava eu os desencarnados sofredores a elevar-se através da prece, mas o estranho pavor das sombras dificultava-lhes a compreensão, observavam-se com a mais absoluta consciência da própria miséria em que se encontravam no após morte. Pediam-nos guarida. Em seguida, outros sofredores ali compareciam. Embaraçados em estranha aspereza de entendimento, carregavam no âmago o peso das angústias cruéis de suas cruzes. Choram e padecem, com as recordações dos erros cometidos em suas existências mundanas. Depois ouviram a prece do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Com a ?cruz? menos pesada deixavam o local. Na final da prece, os encarnados, carentes, deixavam o salão carregando nas mãos uma ficha com dados pessoais e uma pequena sacola. Na saída abençoados lanches ofertados pela instituição servir-lhes-iam para preencher o vazio nos estômagos famintos. Fazendo o caminho de volta, na recepção cada família recebia uma caixa. O suprimento que lhes foi doado garantia-lhes o sustento nos próximos dias. Felizes, carregando nos braços suas caixas cheias de suprimentos alimentar, sentiam-se fortalecidos para a luta do dia-a-dia. Que Deus abençoe o homem que se sensibiliza com a miséria de seu semelhante, que sofre com a desigualdade Social, em um mundo sublimado em opulência, retida nas mãos de Dirigentes Poderosos. Um mundo dessemelhante, onde pessoas sedentas migram para as terras alheias em busca de melhores condições para si e seus familiares e acabam por tirar o próprio sustento nos latões de lixo. Outros se alimentam do sobejo jogado fora pelos que têm em abundância. Mas os Poderosos não se sensibilizam com o que acontece do lado de fora das sólidas paredes de sua casa. Sensibilizam-se exclusivamente com o inesperado, quando ele bate à sua porta. Até então si imaginavam inatingíveis. Somente deste modo é que lhes vêm à mente a imagem do mendigo que, para se alimentar, apanha do lixo o sobejo. Mas jamais lhe ofertaram um prato de comida. Divertiam-se ao vê-los em baixo da luz e no calor intenso do sol, recolhendo do lixo os sobejos de suas profusas refeições. Por jamais ter se imaginado fazendo parte em uma cena como aquela que, por diversas vezes, assistiu, quando se apercebe, aproveitando os sobejos que antes se orgulhava de depositá-lo no latão do lixo, passa a se preocupar consigo. A partir daquele dia teria que suportar a guerra íntima de suas entranhas. Para prosseguir na luta pela sobrevivência, disputará com o mendigo os sobejos do lixo do vizinho. O amigo dos tempos de abundância atualmente o vê como ele via o mendigo Por mínima que seja a sobra de alimento, ela poderá saciar a fome de alguém que nas entranhas sente a devastadora e degradante dor, por faltar-lhe o alimento sagrado de cada dia. Quando o homem estiver apanhando do lixo o alimento para a sobrevivência da matéria que Deus o destinou, carinhosamente devemos oferte-lhe o Pão. Deus alegrará o coração daquele que desinteressadamente, num ato afetuoso, oferece ao irmão o pão que lhe saciará a fome. O mendigo de hoje, pode ter sido o opulento de ontem que não soube consagrar sua abastança. O esposo fiel, o pai amoroso... E nós o repudiamos por ele se encontrar nessa vivência, na posição de mendicante, ou quem sabe o filho predileto, a quem dedicou todo o amor de seu coração. Desencarnado assistirá do além-túmulo a cena que, por muitas e muitas vezes, repetiu-se na porta de sua casa. Conscientizar-se-á que aquele homem que ele menosprezara na vida mundana, fora seu pai na existência anterior. Embaraçando-se o pesado fardo do remorso, abre-lhe obscura trilha, por onde ira arrastar o arrependimento íntimo. Nesse momento a posição de superior na vida mundana em nada vai lhe auxiliar na desencarnação. HOMENAGEM A ANACLETO No dia seguinte aos trinta minutos passados das sete horas da manhã de domingo, pai e irmão, saíram para honrar um compromisso. Minha mãe ficando sozinha, seu coração foi envolvido por súbita tristeza. Como águas correntes, lágrimas escoavam-lhe no rosto. Pensamentos saudosos voejavam-lhe na mente à procura da alegria arquivada em seu depósito mental. Notei que de seus olhos transparecia a saudade da presença física, ausente pela eterna separação. Sem deixar que ela percebesse a minha presença, acariciei-lhe ternamente. Todavia, o pensamento lhe persistia na mente, transformando seu coração numa imensa lagoa de saudade a movimentar-se como areia soprada pelo vento no deserto. Instantes depois, pensamento salutar libertava-lhe da sombra da tristeza que a envolvia. Com o pensamento a serenado. Atarefada com os afazeres, esqueceu-se que naquele domingo se completava vinte e três anos que eu fiz as suas entranhas sentirem fortes dores e enchi de alegria seu coração com a minha chegada. Quando os meus olhos carnais, pela primeira vez, avistaram os seus, com a alegria de quem acabava de chegar ao mundo, cumprimentei-a com um inocente sorriso, com os olhos lagrimejando de emoção e com o coração inundado de amor maternal. Ela fitou-me um olhar afetuoso, achegou-me ao peito, envolveu-me nos braços e acarinhou ternamente meu rostinho de recém-chegado. Nesse dia comemoramos duas de minhas reencarnações. O dia trinta de março registrava meu reencarne como William Eduardo. Às nove horas e quarenta e cinco minutos do domingo, na linda manhã fria de inverno, iluminada pelos raios solares que aqueciam. Em 1869, meu reencarne como Anacleto impedia minha devotada mãezinha de comparecer à missa dominical que ela costumava a frequentar na modesta capelinha do padre Ambrósio. No domingo, trinta de março, no horário do nascimento de Anacleto P. G., Alexandre e Herculano, com diversas caravanas lotadas por centenas de amigos da espiritualidade, surpreendiam a minha mãe. Do lado de fora do portão, reuniram-se ali para cantaram parabéns. Uma dupla e sublime homenagem ao meu aniversário, ou seja, a reencarnação de Anacleto. Era comemorado naquele dia meu renascimento em duas deferentes existências. O trinta de março era lembrado pelo o nascimento de William. O horário do nascimento do médico Anacleto, que se deu na manhã de domingo, no século XlX. Minha mãe, sem compreender, ouvia atentamente os parabéns... Cantado pelas centenas de amigos em meus tempos de Anacleto na espiritualidade. Hoje em dia... amigos de William. Suas vozes cristalinas elevavam-se ao Céu, em nota de sublime homenagem. Quão era minha felicidade, que meu coração transbordou de alegria. Fui até o portão para convidá-los a entrar. Avistei Alexandre e Herculano ao lado de Maria Deli que, com a ajuda de Francisco, trazia segurando nas mãos um luminoso bolo, alvo como neve celestial, composto de dois andares, sublime recheio enternecido de bênçãos fraternais balsamizavas à magnitude do momento. Desenhos de pétalas contornadas em dourado angelical embelezavam sua magnífica forma arredondada. No andar superior, em dourado, a data trinta de março e o número vinte e três, em homenagem à reencarnação de Anacleto, ou seja, vinte e três anos de William. O andar inferior trazia em sublimes letras luminosas, escrito por estêncil, o horário do nascimento de Anacleto P. G., ou seja, do meu reencarne anterior. Naquele sublime momento, Jesus permitiu que nos quarenta e cinco minutos passados das nove da manhã, o véu da invisibilidade se erguesse para que minha mãe contemplasse, a centenas de desencarnados, unidos em uma só voz, em celestial vibração de amor... Cantarem Parabéns... em homenagem aos vinte e três anos de minha reencarnação. Todavia, não atinava ela de que se tratava do dia de meu nascimento. ?Com o fechar dos olhos mentais?, seu pensamento acelerou de modo que em milésimo de segundo transcorreu o passado. Recordava-se de cada momento de minha existência, estacionando, no Centro Obstétrico, na mente, a imagem do pediatra me segurando nos braços. Todavia, não se a lembrava que aquele domingo era trinta de março. Acariciada pela presença dos bondosos amigos da espiritualidade, apanhou de uma prateleira uma caixa. Nela continha ferramentas de artes marciais, que me pertenceram. Eu a incumbi de ajuntá-las as ferramentas do médico Pinheiro. Deste modo registrar-me-á a reencarnação. Mas assim que eu lhe disse o que fazer evidenciou embaraçar-se. Com os ânimos serenados, o pensamento silenciou e a sensação de estar novamente sozinha lhe envolvia repentinamente. Decorridos alguns minutos de sentinela, percebi que devagarinho a tristeza de seu coração ia-se transformando em alegria. Instantes depois, desceu do céu esplêndidos raios luminosos, que, por um instante, transformou a sala da casa em uma minúscula e sublimada esfera iluminada de bênçãos divinas. A luminosidade se estendeu pela rua, transformando-a em elevada estrada da luz, que nos levou de volta aos nossos abençoados Domicílios Espiritual. BIOGRAFIA William Eduardo nasceu no bairro da Aclimação, em São Paulo, capital, em 30 de março de 1985. Com tão somente oito meses de vida, ele surpreendera os pais, quando sua mãe se sentou à mesa com ele no colo. E num gesto singelo, William pegou o talher, sem necessitar da ajuda da mãe, iniciou sua refeição. Seu tio, que se encontrava sentado à mesa, admirou-se com a habilidade do sobrinho. Viu-o segurar na destrinha, o garfo, em seguida pegar do prato a comida e levá-la à boca. Na primeira garfada, o bebê se deliciara com o forte sabor da feijoada. Sua mãe, feliz com a independência do seu bebê, deixou que ele continuasse. O tio, temendo que ele se machucasse, retirou-lhe da mãozinha o garfo. Sem choramingar, William usou sua mãozinha para continuar a se deleitar do apetitoso sabor da feijoada. Semanas mais tarde, seus pais foram novamente surpreendidos. Viram, sem constrangimento, o Bebê pegar o lápis do irmão, e, com habilidade de quem tem intimidade com o lápis, fez seu primeiro rabisco. Com um aninho e meio de vida, a mãe matriculou-o no jardim de infância Pezinho de Anjo, a mesma escolinha onde seu irmão estudava. Lá William começou a aperfeiçoar seus significativos rabiscos, e, com o tempo, belas figuras retratavam a humanidade. Com purpurina prateada iluminava os Seres que desenhava. Desta forma iluminava os humanos que ele desenhava. Aos três aninhos de idade, seu coraçãozinho amável já se sentia sensibilizado ante as dificuldades do próximo. Num inesquecível belo dia, no horário do lanche, sensibilizou-se ao perceber que alunos e professores lanchavam, mas a pobrezinha da moça, que arrumava as mezinhas do pequeno refeitório, com tanto carinho, para a criançada sentar-se para fazer o lanche, não tinha uma migalha para comer. Pressentiu que ela tinha fome. William perguntou-lhe porque que somente ela ficava sem comer. Então, ela humildemente lhe respondeu: ? A tia não tem dinheiro para comprar o lanche. Num gesto carinhosamente comovente, William Eduardo repartiu com ela o seu lanche, prometendo levar-lhe um lanche no dia seguinte. A partir daí, durante o período em que ela trabalhara no Jardim de Infância Pezinho de Anjo, nunca mais ficou sem lanchar. Todos os dias, carinhosamente, William pedia para sua mãe preparar-lhe um lanche para levar para a moça, honrando o que tinha prometido. O pequeno William resguardara em seu coraçãozinho dadivoso sublimes lições das páginas do Evangelho de Jesus. Transportava n?alma fervorosa Fé em Deus, amara o próximo como se amasse um de seus queridos familiares. Trouxe na reencarnação a recordação presente dos amigos e da casa, onde ele habitara antes de vir morar aqui em baixo, na terra. Dizia: William. Insistentemente, perguntava para sua mãe e para os vizinhos aonde morava seu amigo C. Teria vindo anos antes de ele vir para a Terra, demonstrando uma saudade imensa do inesquecível amigo. William pediu para sua mãe encontrar a casa onde morava seu amigo. Afirmava: C. mora aqui em São Paulo, num bairro distante, de onde nós residimos. Insistentemente, repetia: Mamãe, ele disse, que quando eu viesse morar na Terra era para eu lhe pedir para me levar até a casa dele. Disse que vai esperar por mim. Com a alma inundada de expectativa, desenhou o desconhecido trajeto que nos levava à casa terrena, onde morava seu amigo. Todavia, não sabia dizer o nome da rua, nem do bairro. Perdeu a esperança. Durante um período mais ou menos longo desistiu da procura e esqueceu-se completamente do amigo que veio para o mundo terreno. Aos seis anos de idade foi matriculado, junto com seu irmão, no Colégio Campos Salles, onde uma amiga de sua mãe era Diretora. No final do ano letivo, logo no início do período das férias escolares, o colégio foi incendiado pelos Vândalos e ficou totalmente destruído. Os alunos foram rematriculados e transferidos para o colégio Estadual Presidente Roosevelt, onde William deu continuidade aos seus estudos. Na 3a. série do segundo grau. Faltavam poucos dias para a sua formatura de colação de Grau. Desencarnou-se. Na segunda série primaria, no primeiro dia de aula, surpreendeu-se, segundo William. Sua professora era amiga de seu amigo C. Afirmou que ela morava no mesmo lugar que eles, antes de vir morar na Terra. A presença da professora encheu-lhe de novas esperanças. Na tentativa de fazê-la recordar-se dele e do seu amigo da espiritualidade, desenhou, com precisão, uma casa de jardim imenso, dizendo ser a casa onde eles moraram, antes de virem para o orbe terreno. Sensibilizada com o empenho do filho para encontrar o amigo, sua mãe e a professora pesquisaram. Na secretaria do colégio não encontraram nenhum aluno nem professor com nome do amigo que William procurava. Em vão a busca. Embora não soubesse explicar de que mundo veio, William tinha plena convicção de que, anteriormente, habitaram num mundo longínquo daqui. Afirmava: Viemos lá de cima para morar aqui em baixo, na Terra. Na memória e na alma a certeza de que seu amigo partiu anos antes dele, com destino à sua nova morada, aqui no mundo terreno. Preocupava-se. Seus dezoito anos de vida mundana significavam dar adeus, despedir-se do mundo terreno, para regressar ao mundo espiritual. Todavia não rememorava o caminha de volta, tampouco aonde tinha que chegar. O tempo se passa e a certeza que precisava deixar a Terra aumenta na alma. Sem ter achado o amigo, temia a volta, para o seu inolvidável mundo, tão, desconhecido para todos nós. Sua fervorosa fé em Deus o levou a assistir as missas rezadas, todos os dias, em latim, na capelinha Nossa Senhora de Fátima. Não demorou a se interessar pela teologia. Achava que sua fé em Deus apontar-lhe-ia o iluminado caminho que lhe lavaria de volta para seu mundo anterior. Por vontade própria, iniciou-se nos estudos teológico, todavia continuou a freqüentar as aulas de artes marciais e violino. William tinha dons divinos. Sem crismar não poderia permanecer no coral, nem tampouco cursar teologia. Na ocasião do crisma ele desse ter visto ao seu lado três seres em forma humana, brilhantes com as estralas. Dias depois, tornou a ver, os Espíritos da luz, habitantes do Mundo Superior. Desceram à Terra para orientar-lhe. A morte ia abri-lhe a porta para o caminho de volta ao Mundo Superior. A revelação fez com que William Eduardo se transformasse. Abandonou as artes marciais, e passou a dedicar diariamente duas à oração em latim, para os mortos. Deles recebeu orientação da sagrada incumbência de sua reencarnação. Movido por sublime sentimento de amor, contando com a compreensão e o apoio da mãe, pôr-se a levar aqueles que não tinham como se alimentar para fazer refeição em sua casa. Sempre que chegava com alguém faminto em sua companhia, dizia ? Mãe, ele não tem o que comer. Então eu trouxe para almoçar aqui. Logo após a refeição, ensinava-lhes uma prece de agradecimento a Deus, orientava-os no caminho do bem, pedia para que eles orassem para Deus, e pedisse paz para o mundo. Deste modo punha em cada coração juvenil a semente inefável de sublime esperança de um mundo melhor. E assim William semeara amor, benevolência e fé no coração de muitos jovens. E assim seguiu William Eduardo até os últimos dias de sua existência... FIM. Respeite os direitos autorais. Livros registrados e com certificado de autenticidade da Biblioteca Nacional Click na Seta X FRONTEIRAS DA ENCARNAÇÃO Romance Espiral ? 114 páginas Espírito João Autora Rozalia Pereira Nakahara SINOPSE Este livro conta à história dos Senhores, Joaquim e Felipe que conversaram com entidades no momento de suas morte. Sr. Joaquim falou de Entidades hostis de aspecto intimidante. O espírito Odilon envolto de luz aconselhou Joaquim espírito a afastar-se do corpo físico para se libertar da criatura hostil e seguir o caminho da luz. Senhor Felipe disse que seres Celestiais o esperava para atravessar o túnel iluminado que separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos. ABERTURA Texto do livro Fronteiras da Encarnação. A ALMA A alma é a rota do Espírito humano a percorrer a vastidão do vazio, abraçando os espaços celestes que provém da Essência de Deus, que evoca toda beleza que se exprime na alma humana, o âmbito abstrato; A força é a dádiva Suprema que aflora na profundeza da alma, e acende em direção a esfera longínqua, no azul profundo do céu, entre as estrelas distantes próximas a Deus, onde o sutil conduz o visível, e o sopro embala a vida. Os ventos fortes curvam a natureza, e inspiram o sopro emissário da vida, como ondas vagando pelas entranhas, abraçando as suas fibras mais íntimas. E conduz o vento que ondula o caminho da alma. Ao exalar os sopros da terra, a alma continua a evoluir e a passa por experiências por meio do corpo físico, que é o instrumento que tem para a ação mútua, a fim de aprender. A humanidade renasce em expiação sem saber de que suspiro brotou; a sua sensibilidade escuta as sensações sutis, observa a súbita e inexplicável travessia sobre a Terra. A alma pela sua energia é capaz de fazer a humanidade avançar, se encarna pela vontade de Deus, a alma é portadora de todas as bagagens emocionais e intuitivas. A alma é a voz humana, sua eloquência e seu dizer; reflexo e eco imediato a ressoar nos campos Sagrados que permeiam a humanidade. A fala da alma é sinônimo e expressão que provém da mesma origem Divina, a manifestação entrelaçada a alma que não morre. As almas silenciosas imanentes nas esferas onde impera a ação do invisível. Em seu mundo mágico, o Espírito age por vias diretas; O sopro intangível do além que interagem de forma estreita em união mútua. A alma "recebe" em sonho ou em algum momento de rara inspiração, o poder reparador do Espírito entrelaçado que vigora em seu falar profano. O Esplendor da sabedoria entesourada que a envolve em perplexidade. Respeite os direitos autorais. Livros registrados e com certificado de autenticidade da Biblioteca Nacional Click na Seta CARREGANDO X Loucuras do Inconsciente Romance Espiral ? 103 páginas Espírito João Autora Rozalia Pereira Nakahara SINOPSE Loucuras do Inconsciente conta à história de uma menina misteriosa que aos sete anos, foi iniciada na feitiçaria. Orientada pela avó, desenvolveu a sua própria mágia. A comunicação com os mortos a fez repudiar a mágia, acreditava ser uma maldição do passado para interferir no presente. INTRODUÇÃO O sobrenatural tem revelado em todos os tempos as pessoas um sentimento de crença, que não se sabe definir, um sentimento de repulso que ainda não se sabe explicar o porque dessa criança pueril em alguns caso e em outros este afastamento involuntário sem se quer para diante disso que se chama de um sonho, o medo de se deparar com a realidade e descobrir uma verdade fora da verdade que vivemos. Este livro conta à história de uma criança misteriosa que, aos sete anos de idade, iniciada no mundo da feitiçaria, recusou-se a participar dos rituais praticados pela feitiçeira, e desenvolveu a sua própria magia. Orientada pela sua avó, travou uma guerra espiritual contra a própria mãe, invocando deuses, acreditava que com o poder da magia teria a mãe aos seus pés, mas o contato com o mundo invisível a faz ter uma visão diferente, ela acredita que a magia é uma maldição do passado que interfere em seu presente. Invoca os mortos com a finalidade de com eles aprender novos ensinamentos para se proteger das energias malignas. Rosana era uma garota decidida, determinada, procurava conhecimentos para fortalecer a sua magia, mas encontrou muitos obstáculos, e se perdeu na busca, quando uma cigana traçara um caminho para ser pecorrido. Ela vence o desafio e começa a psicografa mensagens dos mortos. As visões transformaram o seu destino, levando-a a um caminho inesperado. Na busca interminável, deparou-se com a escuridão das trevas. A proteção da avó e a compreensão do seu pai fez de Rosana uma garota forte e determinada, envolvia-se com a magia como uma brincadeira inocente, sem saber das consequências que teria mais tarde. Em uma de suas invocações, invocou uma Entidade desconhecida... Respeite os direitos autorais. Livros registrados e com certificado de autenticidade da Biblioteca Nacional Click na Seta CARREGANDO X Romances Espiritas Todos os direitos reservados 2012 ON OFF Tela cheia: ROMANCES ESPIRITAS Visitante